Olhar a educação nas escolas ribeirinhas no contexto amazônico é enxergar além das florestas, além dos rios e dos encantos da região. É ver as pessoas do meio rural como capazes de desenvolver suas potencialidades e competências, é descobrir que estes podem tornar-se agentes participativos nos processos de ensino e de aprendizagem e sujeitos das suas próprias vidas e histórias.
A partir desse contexto, a escola passa a ser um grande universo de ressignificação do fazer pedagógico e do desenvolvimento humano necessário para a alfabetização digital e multiletramentos de homens, mulheres, jovens e crianças moradoras dessa região. Ressignificar nesse sentido, é ter um olhar mais atento para a contextualização das políticas públicas e das metas previstas nos programas e planos educacionais para as diferentes realidades escolares.
A escola rural ribeirinha possui características próprias, que se articulam diretamente com a Educação do Campo, ou seja, a educação denominada de “ribeirinha” está inserida na Educação do Campo, que é uma modalidade da Educação Básica (Art. 1, Resolução do Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Básica – CNE/CEB nº. 2/2013).
É uma realidade marcada por grandes desafios que historicamente neglicencia o protagonismo daqueles a quem mais interessa o desenvolvimento de politicas públicas eficazes, os moradores.
Vale ressaltar, que nas escolas rurais ribeirinhas nos deparamos frequentemente com a ausência de professores, falta de técnicos educacionais, espaços e materiais inadequados, além de um currículo que não leva em consideração a realidade local.
Neste sentido, o uso das tecnologias digitais é debatido cada vez mais, a partir da identificação de que desde cedo as crianças já demonstram grandes habilidades em manipular dispositivos eletrônicos. De acordo com Grotto (2012), a mente dessas crianças parece criar associações com tanta rapidez e facilidade de compreensão que deixam os adultos perplexos quando demonstram com naturalidade e segurança seus conhecimentos. Assim já chegam na escola com uma certa bagagem de conhecimento digital.
Atualmente, as tecnologias de informação e |comunicação são consideradas ferramentas que vem se aprimorando e quando utilizadas de forma adequada nas salas de aulas podem surtir efeitos positivos no processo de ensino e aprendizagem.
De acordo com as Diretrizes para Educação Infantil (BRASIL, 2013), escolas de educação infantil devem proporcionar possibilidades educativas promovam o desenvolvimento integral das crianças, bem como promover a inclusão digital. Ainda nesse sentido Gadotti (2000, p.38), enfatiza que a escola necessita transforma-se e tornar-se um ambiente de inovações, cujo papel primordial deve ser orientar, criticamente, especialmente as crianças e jovens, na busca de uma informação que os faça crescer, ou seja, alfabetizar tecnologicamente.
Nesta vertente, mais importante do que analisar aspectos sobre a implantação dessas ferramenta nas escolas é discutir a importância do uso dessas tecnologias na educação infantil e seus resultados e problematizar questões como: de que forma a tecnologia acrescenta e atua de eficazmente no processo de desenvolvimento e ensino/aprendizagem dos alunos? Como o educador tem feito uso dessa ferramenta como material didático na sala de aula? Será que as novas tecnologias contribuem para o desenvolvimento cognitivo dos alunos? Seria este um auxílio para os professores ou um recurso complexo demais para ser assimilados como proposta pedagógica na escola?
Tais questionamentos baseiam-se no fato de que cada vez mais crianças e adolescentes aliam o uso dos aparelhos eletrônicos em sua rotina, então, como não se apropriar desse recurso tão deslumbrante? Desses fatores decorre a importância de evidenciar através da pesquisa que a implementação dessas novas ferramentas digitais na sala de aula como recurso didático, associada ao preparo dos professores para o seu uso de forma adequada, poderá proporcionar melhorias da qualidade do ensino nesses lugares de difícil acesso, impactando de forma significativa na reformulação das politicas públicas educacionais para essa região, e consequentemente nas propostas pedagógicas das escolas.
Portanto, é salutar no contexto atual discutir esse tema, assim como os resultados advindo desse processo no ensino e aprendizagem na educação infantil, também será um meio de identificar os recursos disponíveis, o nível de formação e as necessidades dos professores e demais características físicas, pedagógicas e de pessoal nas escolas localizadas nas regiões ribeirinhas
Por fim, também é importante frisar que com a chegada das novas tecnologias nessas escolas e, a partir da realidade que se apresenta o mundo atual com o acelerado crescimento do ciberespaço, de novas formas de comunicação e acesso crescente à informação, tais fatores tem oportunizado inúmeras condições de aprendizagens, desenvolvimento de habilidades e interações necessárias à formação integral da criança que com práticas tradicionais provavelmente não seriam alcançadas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário