quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Escola Ribeirinha ou Escola do Campo?

Educação ribeirinha, no contexto atual da legislação educacional brasileira é que se conhece como educação no campo ou educação em área rural. Nesse contexto, para quem conhece essa realidade, logo vai perceber que na maioria dos casos não existe escola do campo, mas uma escola urbano-cêntrico, ou seja, a reprodução do currículo das escolas localizadas nas áreas urbanas, no campo.


Fonte: Secom - Governo de Rondônia, 2015.

 

A denominação “escola ribeirinha” que tem sua movimentação em função das cheias e das vazantes dos rios, abundantes na região, tem sido defendida e vem ganhado força como modalidade de ensino, pelos movimentos de defesa da identidade amazônica. No entanto, até então, não se tem percebido, mesmo com todo o avanço que traz a nova Base Nacional comum Curricular, algum movimento em relação a organização de currículo voltado para essa realidade.


Atualmente, com o forte avanço da polarização da educação em áreas rurais, em função dos repasses de recursos pelo governo federal para as unidades mantenedoras dos sistemas de ensino, como é caso do transporte escolar, muitas dessas escolas foram desativadas. Porém, ainda têm-se unidades localizadas em áreas de difícil acesso onde há a predominância de classes multisseriadas.


As classes multisseriadas são uma forma de organização de ensino na qual o professor trabalha, na mesma sala de aula, com várias séries do Ensino Fundamental simultaneamente, tendo de atender a alunos com idades e níveis de conhecimento diferentes. Essa realidade para a maioria dos professores traz serias dificuldades quanto a realização do atendimento individual aos estudantes bem como no planejamento das aulas para as séries iniciais do Ensino Fundamental em um mesmo horário. A falta de material didático e bibliotecas no ambiente rural também é um entrave rotineiro na realidade das classes multisseriadas.