quinta-feira, 14 de maio de 2026

A escola localizada em comunidades tradicionais ribeirinhas e o uso das novas tecnologias

As tecnologias digitais estão sendo inseridas a cada momento nas nossas vidas, modificando o nosso modo de vida e transformando realidades em todos os setores da sociedade. No aspecto educacional tem se consagrado como uma ferramenta aliada dos professores no seu uso como recursos didáticos nas salas de aulas transformando o ensino e aprendizagem, promovendo o protagonismo do aluno, a colaboração e o pensamento crítico.

Neste sentido, observa-se a premente preocupação por parte dos sistemas de ensino, nas diversas esferas governamentais em dotar as escolas de equipamentos tecnológicos que permitam o dinamismo, a interação e o envolvimento de professores e alunos nos temas trabalhados na sala de aula e na formação dos professores.

A inclusão digital e de tecnologias na educação nas escolas localizadas em regiões tradicionais, particularmente nas ribeirinhas, quando utilizadas como recursos didáticos, poderá ser uma ferramenta significativa em todos os aspectos da vida cotidiana dos povos que vivem nesses espaços e que convivem com o mínimo de estruturas e recursos para ofertar uma educação básica de qualidade, podendo promover a valorização do conhecimento, da cultura, dos valores e das identidades de todos que fazem parte da região.

Nesse contexto, a implementação o uso das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs), como ferramenta pedagógica nas escolas públicas localizadas na área ribeirinha da Amazônia brasileira, soa como uma perspectiva de superação de tantos desafios enfrentados pelos professores e alunos das muitas comunidades dispostas ao longo dessa região.

Com a utilização das tecnologias digitais de informação e comunicação (TDICs) os educadores podem ter à disposição uma grande variedade de possibilidades de ferramentas de formação e de recursos didáticos para tornar as práticas pedagógicas muito mais atrativas, alunos motivados, interessados e mais participativos na sala de aula, e acima de tudo obter resultados positivos na aprendizagem.

Diante dessa discussão, a questão posta, em síntese é: como as novas tecnologias podem ser integradas de forma eficaz e culturalmente relevante nas escolas ribeirinhas da Amazônia, superando barreiras de infraestrutura e promovendo a autonomia dos estudantes e professores na promoção da qualidade do ensino e aprendizagem?

Estudos já realizados, frutos de pesquisas de renomados especialistas na área da educação já afirmam categoricamente que o uso das novas tecnologias digitais como ferramenta pedagógica na educação constitui um papel transformador no processo de ensino e aprendizagem dos alunos e na formação dos professores, no contexto das escolas localizadas em comunidades tradicionais.

Afirmam ainda, que as novas ferramentas digitais, quando utilizadas de forma pedagogicamente adequada, além de promover acesso ao conhecimento e à inclusão social reduzindo as barreiras geográficas e ampliando as oportunidades de formação, contribuem diretamente para o desenvolvimento da qualidade do ensino e da aprendizagem. Além disso, fortalece a cidadania e a capacidade de reivindicação por direitos, evidenciando-se que a tecnologia, quando bem aplicada, é um vetor de mudança econômica, educacional e social nessas regiões.

Não se pode negar que s vertiginosas mudanças ocorridas no mundo, no final do século XX, criaram a necessidade de um novo olhar sobre a realidade, de uma análise que nos levasse à compreensão desses processos e à construção de uma outra relação do homem com o meio natural, social e tecnológico.

Em decorrência da globalização, as fronteiras foram perdendo importância econômica, e a vida das pessoas passou a ser afetada por decisões e fatos ocorridos no mundo todo. Nesse mundo, cresce a complexidade das relações, seja entre os homens e a natureza ou entre Estados-Nação.

Nessa escalada de mudanças de paradigmas também houve a necessidade de incorporar a novas tecnologias de informação e comunicação como ferramenta pedagógica nos ambientes escolares. Atualmente, as TICs são consideradas ferramentas que vem se aprimorando e quando utilizadas de forma adequada nas salas de aulas podem surtir efeitos positivos no processo de ensino e aprendizagem. De acordo com Carvalho, Neves e Jesus (2019):

A escola do século XXI vista como responsável pela formação do cidadão tem que estar apta a se adaptar em um mundo globalizado, tendo em vista, que a sociedade contemporânea precisa de uma educação diferenciada, com novos aparatos tecnológicos que complementem o ensino, preocupada em atender as demandas da atualidade a escola do campo também busca se engajar neste novo mundo moderno tecnológico, começando a fazer uso de ferramentas tecnológicas que tem o intuito de dinamizar as aulas, saindo do modelo padrão tradicional e passando a ter um ensino mais atrativo (Carvalho; Neves; Jesus, 2019, p. 2)

No que se refere a escola rural ribeirinha, esta possui características próprias, que se articulam diretamente com a Educação do Campo, ou seja, a educação denominada de “ribeirinha” está inserida na Educação do Campo, que é uma modalidade da Educação Básica (Art. 1, Resolução do Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Básica – CNE/CEB nº. 2/2008), educação essa marcada também por desafios que historicamente vem interferindo no processo de ensino e aprendizagem dos alunos ribeirinhos.

Vale ressaltar, que quando adentramos no ambiente das escolas rurais ribeirinhas nos deparamos frequentemente com a ausência de professores, espaços físicos e materiais inadequados, além de um currículo que não leva em consideração a realidade local, Freitas e Freitas (2021) defendem que:

[...] deve ser assegurado aos alunos ribeirinhos amazônidas mais do que espaços de educação, mais do que o aceso à escola. Mas, sim, a oferta de uma escola de qualidade, do assegurar a permanência nesta escola com condições de acesso, de aprendizagem, de dignidade humana, de cidadania, de construção do sujeito ativo e protagonista de sua história. Uma educação de qualidade para a formação de um sujeito ribeirinho pleno e integral integrado ao seu contexto sociocultural e aos desafios da atual sociedade (Freitas; Freitas, 2021, p.2).

Neste sentido, em meio a tantas tecnologias disponíveis que interferem diretamente em diferentes setores da nossa sociedade, inclusive na educação, é importante compreender e analisar quais, e como estão sendo utilizadas nas práticas pedagógicas nessas escolas.

Além disso, vale lembrar que quando falamos da utilização da tecnologia no processo de ensino aprendizagem não estamos nos referindo apenas a celulares, computadores, tabletes entre outros, mas sim de todos os recursos que ao serem utilizados possibilita ajudar o aluno a entender, memorizar e aprender um determinado assunto através de práticas inovadoras, com auxílio de ferramentas que sejam atrativas, dinâmicas e que além de chamar a atenção, possa despertar o interesse e a curiosidade dos mesmos.

Neste sentido, é importante frisar que tratar sobre a educação voltada para as comunidades tradicionais ribeirinha, a partir da necessidade do uso das tecnologias e seus impactos significativos que podem proporcionar um ensino de qualidade que antes era inacessível, também significa refletir no que essa ação pode resultar, no que se refere a melhores oportunidades tanto educacionais quanto profissionais para os moradores dessas áreas.

O tema em discussão é um desafio que carece de muita investigação, e sobre tudo da implementação de politicas públicas, particularmente quanto ao uso pedagógico das tecnologias digitais para qualificar o serviço educacional nessas escolas. Não se trata de simplesmente adquirir o equipamento tecnológico e colocar na escola é preciso saber utilizá-lo na sala de aula como material didático. Isso requer que o professor também esteja qualificado para a utilização desses equipamentos/recursos tecnológicos.

Nos últimos anos, acompanhamos grandes debates em torno do uso do computador nas escolas. Revistas especializadas em educação sempre trazem essas discussões em suas edições e, algumas vezes, chegam a afirmar que “hoje os professores sabem que os computadores possibilitam a criação de um ambiente de aprendizagem” (Nova Escola, 2003, p. 11). Mas será que é, dessa forma que os professores encaram o uso do computador e os demais equipamentos tecnológicos na escola?

Quando Chaib (2002, p.48) comparou o computador com o monstro Frankenstein, ilustrou claramente a perplexidade do professor perante a máquina, misturando uma sensação de admiração, surpresa, crítica e ceticismo. Acrescentamos a estas reações a frustração, a inferioridade e a resistência em usar o computador, reafirmadas pela “idéia de que qualquer criança lida melhor com computador do que os adultos” (Carneiro, 2002, p. 57).

Em se tratando de sua formação, existem estudos que apontam a necessidade da formação do professor capaz de utilizar as novas tecnologias em seu trabalho cotidiano – o “educomunicador”, encarado não como “um professor especializado encarregado do curso de educação para as mídias, e sim um professor do século XXI, que integra as diferentes mídias em suas práticas pedagógicas” (Belloni, 2002, p. 40).

Fusari (2001, p. 215), sugere que haja uma articulação entre a formação inicial e a formação de professores em serviço por intermédio da pesquisa, tendo como eixo central a prática docente em comunicação multimídia, afirmando “que a formação inicial de professores precisa estar ‘de olho’ no que está acontecendo no exercício da docência, mas o docente em exercício tem de estar de olho nos cursos de formação inicial de professores”.

Fusari, amplia o entendimento de formação inicial ou contínua de professores, englobando os três itens da teoria de Schön – reflexão na ação docente (pensar enquanto pratica), reflexão sobre a ação docente (pensar depois que pratica) e reflexão sobre o que foi refletido (pensar sobre o que foi pensado) –, não desconsiderando os quatro pilares da educação apresentados pela Unesco e os saberes da experiência dos professores em questão, instigando a uma atitude de formação contínua.

A permanente evolução do mundo moderno, assim como seu impacto na vida e organização social, gera novos desafios para a educação, que induzem a uma necessidade de evolução das práticas educacionais, ou mesmo na sua redefinição e reconstrução.

Neste ponto, o emprego das TICs, seja como ferramenta de pesquisa, desenvolvimento de material didático ou meios para explanação de temas, nas suas mais vastas possibilidades (multimídia, hipermídia, etc), contribui não só para o aperfeiçoamento e expansão das capacidades do docente perante um mundo moderno e inundado de novidades utilizadas pelas mais diversas indústrias (ex. fonográfica, cinematográfica, etc), como também para uma renovação do modelo educacional. A utilização das TICs pode proporcionar a simplificação e uma melhor assimilação dos conhecimentos, dinamizando o processo de aprendizagem, além de eliminar a rigidez e a monotonia da metodologia da escola tradicional.


 

sábado, 25 de abril de 2026

POEMA EM LINHA RETA

Fernando Pessoa 

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Poesias de Álvaro de Campos. Lisboa: Ática. 1944 (imp. 1993). p. 312, Fonte https://www.pensador.com/poema_em_linha_reta/. Acesso em 25/04/2026



Quando vier a Primavera

Alberto Caeiro escreve sobre a morte, a primavera e a continuidade das coisas da vida.

Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Fonte: https://www.pensador.com/os_melhores_poemas_de_fernando_pessoa/. Acesso em 25/04/2025

sexta-feira, 17 de abril de 2026

A colonização do Vale do Guaporé

Ainda no século XVI representantes da coroa portuguesa se aventuraram pelas brenhas amazônicas, tendo, passado pelos vales do Madeira-Guaporé-Mamoré. Na realidade se pensava em utilizar essa região como ponte de passagem e ligação entre as colônias do Sul e as do extremo Norte. Uma ligação extremamente arriscada e difícil de ser realizada.

Um dos primeiros passos de Portugal para assegurar sua posse sobre a região do Guaporé foi a ocupação desses vales, de onde extraia ouro e as drogas do sertão. Essa ocupação se deu pela ação dos bandeirantes que, ao mesmo tempo, explorava e ocupava.

Além disso, a ocupação se realizou pela presença militar o que pode ser comprovado pelas inúmeras construções fortificadas. Era necessária, entretanto uma ocupação estável, para assegurar a posse. Somente as expedições aprisionando indígenas e colhendo as drogas do sertão não assegurava a presença colonizadora e definitiva. Além disso, não cessava a constância dos conflitos, tanto com os índios como com os castelhanos, que também estavam ocupando a região de oeste para leste.

Foi com vistas nessa presença constante que, ainda antes da assinatura do Tratado de Madri, Dom Antônio Rolim de Moura recebeu a incumbência de povoar a região do Guaporé.

Nessa ocasião foi criada a capitania de Mato Grosso, e Rolim de Moura coordenou a estruturação da capital daquela província, às margens do Guaporé. A cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade, além de assegurar a presença portuguesa, seria um ponto de coleta de impostos sobre a mineração.

Em 1734, quando da descoberta de ouro nas proximidades do Guaporé a produção do Mato Grosso já estava em declínio. Para melhor explorar os novos locais o governo da capitania de São Paulo promoveu uma "guerra justa" contra os índios, a fim de conseguir escravos para a mineração. Essa empreitada, como outras tantas, dizimou alguns grupos indígenas.


Parte do texto: A colonização no Vale do Guaporé. Fonte: CARNEIRO. Neri de Paula Carneiro. Disponível em: https://www.webartigos.com/artigos/a-colonizacao-do-vale-do-guapore/5116/ Acesso em: 20 de fevereiro de 2017.

A importância do conhecimento sobre as novas tecnologias na atualidade

O conhecimento em novas tecnologias no momento atual é fundamental para a adaptação e o sucesso profissional e pessoal, e tem impacto profundo no trabalho, na educação e na vida cotidiana das pessoas. Já está comprovado que a tecnologia transforma hábitos sendo, o seu aprendizado contínuo, necessário para acompanhar as mudanças.

Na atualidade ampliaram-se tremendamente as relações que envolvem conhecimento e inovações tecnológicas, a facilidade de interação e comunicação globalizou a economia. O mundo começou a sentir a crescente hegemonia do pensamento neoliberal, desde o fim da guerra fria, onde gerou o colapso do socialismo e o início da era tecnológica em fins do séc. XX, sendo imprescindível nos dias atuais fazer um diagnóstico sobre os métodos aplicados na educação dessa sociedade pós-moderna, onde a tecnologia faz parte do dia-a-dia de todos.

A evolução tecnológica nesse momento de globalização traz um novo mundo a cada instante. Por sua característica em mudanças velozes, as pessoas procuram garantias de formação que lhes possibilite o domínio de conhecimentos e melhor qualidade de vida. Não chega a ser de estranhar que os métodos de ensinos não acompanham a velocidade das mudanças e novidades que surgem a cada momento.

A tecnologia não surgiu para exclusão, mas para inclusão de todos que se dispõe a utilizá-la. Conforme Kenski citando Lyotard, filósofo francês, o grande desafio da espécie humana na atualidade é a tecnologia, segundo ele, a única chance que o homem tem para conseguir acompanhar o movimento do mundo é adaptar-se à complexidade que os avanços tecnológicos impõem a todos, indistintamente.

Este deve ser também o desafio da educação: adaptar-se as novas tecnologias e orientar o caminho de todos para o domínio e a apropriação crítica destas.

Essas transformações evidenciam na modernidade uma nova forma de saber. Dentre as principais razões para a importância do conhecimento tecnológico no mundo globalizado citamos:

  • Adaptação ao Mercado de Trabalho: Ferramentas digitais facilitam o trabalho remoto, e a tecnologia impulsiona o aumento da produtividade e eficiência, exigindo novas habilidades dos profissionais.

  • Novas Competências Profissionalizantes: O aprendizado contínuo através de cursos online e webinars possibilita a atualização constante, essencial em um mercado em transformação.

  • Acesso à Informação e Educação: A tecnologia revolucionou o aprendizado, oferecendo recursos interativos e personalizados (como plataformas online, inteligência artificial e realidade virtual), tornando a educação mais acessível e alinhada ao perfil digital dos estudantes.

  • Melhoria na Qualidade de Vida: Inovações tecnológicas visam solucionar desafios do dia a dia, trazendo mais praticidade e melhorando a qualidade de vida.

  • Conexão Global: A internet e dispositivos móveis possibilitam a troca de informações e dados em tempo real, além da interação social.

  • Desenvolvimento de Autonomia: A integração de tecnologias na educação, com intencionalidade pedagógica, promove a autonomia, permitindo que os alunos se tornem produtores de conhecimento, não apenas consumidores.



segunda-feira, 30 de março de 2026

Educação e Politica: o que tem a ver?

Educação e política estão intrinsecamente ligadas, pois a educação não é neutra e reflete o projeto de sociedade desejado, moldando valores e formando cidadãos. A política, por sua vez, define as diretrizes, orçamentos e currículos escolares, enquanto a educação capacita indivíduos a participar ativamente da vida democrática, questionar estruturas e exercer a cidadania;

Neste sentido, é salutar dizer que a relação entre educação e política é profunda e indissociável, pois ambas tratam da formação do indivíduo e da organização da vida em sociedade.

Se, por um lado, as manifestações populares dos últimos anos sinalizaram que o brasileiro tem se interessado e valorizado mais a política, por outro elas também revelaram a falta de conhecimento dos brasileiros sobre a política. Não surpreende que haja carência de educação política em um país com problemas graves na educação básica.

A não previsão de disciplinas escolares que abordam o sistema político brasileiro ou a Constituição Federal prejudica ainda mais esse quadro. De todo modo, é crescente o interesse em política e por isso cada vez mais pessoas se dedicam a entender o tema, seja no sentido prático, como a política das instituições públicas, dos movimentos sociais e de protestos de rua, ou no sentido teórico como teorias, correntes de pensamento e ideologias, que moldam a ação prática dos indivíduos.

Por isso, faz-se necessário discutir o que precisamos ensinar e aprender em relação à política. O que é educação política e o que se pretende passar com ela? E afinal, qual é a relevância disso.

A Educação Política nas escolas brasileiras ainda é um tema pouco explorado, porém, de extrema importância para a formação de cidadãos críticos e conscientes. Inserir disciplinas focadas na educação política no currículo escolar pode ser uma ferramenta imprescindível para preparar as novas gerações para uma cidadania ativa, contribuindo diretamente para o fortalecimento da democracia no país. No entanto, essa proposta encontra uma série de desafios, tanto estruturais quanto culturais. 

Assim, resumidamente podemos dizer que educação e politica se conectam principalmente através de três dimensões, vejamos

1. A educação como ato político

Toda educação carrega uma visão de mundo e um projeto de sociedade. 

  • Neutralidade Inexistente: Não existe educação neutra; as escolhas de currículos, livros e métodos refletem o que o Estado ou a sociedade valorizam.

  • Transformação Social: Para pensadores como Paulo Freire e outros, a educação é uma ferramenta de conscientização crítica que permite ao cidadão agir e transformar sua realidade. 

    2. Políticas públicas educacionais

A política (no sentido de gestão governamental) é o que viabiliza o direito à educação garantido pela Constituição. 

  • Gestão de Recursos: Decisões políticas definem o financiamento de escolas, salários de professores e demais programas de governo.

  • Diretrizes e Bases: Leis como a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) são frutos de debates políticos que estruturam como o ensino deve funcionar no país. 

3. Educação política

É o processo de ensinar como o sistema político funciona e qual o papel do cidadão nele. 

  • Formação Crítica: Estimula o debate sobre temas atuais, o conhecimento de direitos e deveres e a capacidade de não ser alienado por discursos prontos.

  • Fortalecimento da Democracia: Instituições, cuja finalidade é a formação docente defendem que uma população bem informada politicamente é essencial para democracias estáveis. 

Em resumo, enquanto a política decide os rumos da sociedade, a educação prepara as pessoas para participarem dessas decisões de forma ativa, consciente e crítica.



quinta-feira, 19 de março de 2026

O ORÇAMENTO PUBLICO E A PARTICIPAÇÃO POPULAR

Nos dias atuais parece normal criticar a falta de planejamento na elaboração dos orçamentos públicos, dito em muitos casos ser peças de ficção. A expressão refere-se ao fato de que no pensamento de muitas pessoas a lei orçamentária, cumpre apenas a função de mera formalidade autorizativa da despesa, sem ter qualquer relação de pertinência com as políticas públicas, o cenário socioeconômico e a programação de longo prazo da administração pública.

Antes de qualquer devaneio ou aventuras nessa discussão. Além de que que tem muito a ver com a vida das pessoas, e se a realidade se desse mesmo apenas na ficção, são críticas que se acertam e acentuam-se cada vez mais, dado a ausência de participação social no processo de aprovação das peças orçamentárias, cujos planejamentos são realizados a cada ano.

De acordo com os arts. 165 e 166 da Constituição da República de 1988, aplicado por simetria aos Estados, Municípios e Distrito Federal, a elaboração da proposta do orçamento público compete ao Poder Executivo, que deverá prever as despesas que pretende realizar, quantificando as receitas que lhes servirão de custeio. Em fase posterior a proposta é encaminhada para a aprovação do Poder Legislativo.

Nesse momento de apreciação da proposta orçamentaria pelo Poder Legislativo é que a população deverá se apresentar e participar, pois as ações ali encaminhadas e aprovadas vão repercutir diretamente na qualidade de vida de todos os cidadãos. Para isso esse momento deve ser amplamente divulgado.

Esse momento de chamar a população para a deliberação do orçamento publico não representa mera exclusividade ou simples bondade dos poderes executivos e legislativos. Esse é um momento assegurado por lei, ou seja, está descrito no art. 48, §1º, I, da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que prescreve que o “incentivo à participação popular e realização de audiências públicas, durante os processos de elaboração e discussão dos planos, lei de diretrizes orçamentárias e orçamentos é condição obrigatória para aprovação das leis de orçamento.

De certa forma, talvez a falta de informações sobre o direito dos cidadãos de participar desse processo, somada a um certo descrédito sobre a anuência dos legisladores às propostas apresentadas, possa explicar a baixa adesão da sociedade nas audiências públicas sobre os orçamentos.

Nesse contexto, o PPA, a LDO e a LOA documentos que dão suporte à elaboração e execução orçamentária no Brasil e por conseguinte, instrumentos estritamente relacionados entre si, formando um sistema integrado de planejamento e orçamento que deve ser adotado pelos entes da Federação (Municípios, Estados e União) deverão representar as prioridades da população por determinado período, quer sejam eles de longo, médio e curto prazo.

Por ser, o planejamento orçamentário na sua totalidade um documento complexo e que diz respeito a vida de toda uma população, sua elaboração deve contar com a participação da sociedade, por meio de audiências públicas, consultas populares e conselhos deliberativos. Essa etapa fortalece a transparência e a legitimidade das decisões orçamentárias, e sendo a população conhecedora desse instrumento, poderá acompanhar, fiscalizar, e consequentemente co


terça-feira, 10 de março de 2026

Construção de um currículo escolar critico

Currículo escolar é tudo o que acontece nas aulas, desde o que pretendemos trabalhar com os alunos até o que fazemos na pratica: materiais e os seus conteúdos, os materiais e recursos didáticos, tarefas para o corpo discente, como organizamos o espaço e tempo, a função dos professores e do alunos, o papel das famílias e dos demais agentes na aula, as funções e modelos de avaliação que desenvolvemos, etc.

O currículo escolar deve ser o instrumento e processo pelo qual aprendemos a viver e a conviver, a ajudar, a cooperar e trabalhar juntos; a reconhecer o outro tal como é, e valorizá-lo, procurar, nesse reconhecimento, evitar as deformações das socializações, em que os grupos dominantes, para reproduzir seu poder, construíram.

Assim, a surge a necessidade da construção de currículos inclusivos que se relacionem à organização escolar não excludente e não classificatória. Além disso, facilita a compreensão do termo “Justiça Curricular”, aqui compreendido como um conceito de que caminha de mãos dadas com a organização escolar democrática na defesa de praticas pedagógicas inclusivas, participativas, dignas, éticas e dialógicas.

Ademais, a justiça curricular respeita as singularidades dos corpos dos sujeitos, das culturas, dos grupos sociais, ao mesmo tempo em que dá voz, visibilidade e representatividade a todos os integrantes das comunidades escolares com suas distintas realidades e regionalidades, aspectos constituintes de todos nós, seres humanos complexos nas mais diversas dimensões, contextos e cotidianos da vida, em um processo e período de tempo histórico e contínuo.

A educação é um dialogo que precisa ser continuadamente debatida, argumentada, buscando maneiras de demonstrar por que determinada teoria funciona ou não. Se o ensino não for baseado no dialogo, no debate, procurando escutar as vozes silenciadas e marginalizadas, o discurso elitista se reforça e se consolida de modo reprodutor, conservador, racista, sexista, classista.

No ambiente escolar dever construído a visão do é bom, do vale a pena, logo do que não é bom. Se esses processos não se produzem democraticamente, se não produzem dialogicamente, debatendo, argumentando, contra-argumentando num espaço de liberdade de pensamento, então é previsível que a colonização mental, a dominação ideológica se estabeleça.


A filosofia do pequeno príncipe

A filosofia de O Pequeno Príncipe foca na essência humana, valorizando laços afetivos (“cativar”) e a visão interior em detrimento da superficialidade materialista dos adultos. A obra ensina que “o essencial é invisível aos olhos”, enfatizando responsabilidade, amor e a necessidade de resgatar a criança interior. Centra-se na ideia de que a essência das coisas não pode ser percebida pelos sentidos físicos, mas apenas pelo coração e pelos laços emocionais que construímos

A obra de Antoine de Saint-Exupéry é um convite para desacelerar, valorizar o tempo e focar no que realmente importa: as relações humanas e o cultivo do amor.

A obra funciona como uma fábula filosófica que critica a visão limitada e materialista do mundo adulto em contraste com a pureza e curiosidade da infância.

O Essencial é Invisível: De acordo com o portal Brasil Escola, a frase "O essencial é invisível aos olhos" sintetiza a moral da história, defendendo que o valor real de algo reside naquilo que não é palpável, como o amor e a amizade.

O Ato de Cativar: A filosofia do livro define o "cativar" como a criação de laços. Conforme analisado pelo Medium, essa conexão torna as pessoas únicas umas para as outras e traz significado à existência.

Responsabilidade Ética: A obra postula que "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas", sugerindo que o afeto gera um compromisso moral inalienável com o outro.

Crítica à Praticidade Excessiva: Através dos personagens que o príncipe encontra em outros asteroides (como o Rei, o Vaidoso e o Homem de Negócios), o autor critica a obsessão dos adultos por números, poder e utilidade imediata, que os impede de apreciar a beleza do mundo.




Fonte: https://pt1.savefrom.net/1-how-to-download-youtube-video-10Yu.html?url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DQm5uVIKKzAY%26t%3D86s&utm_source=youtube.com&utm_medium=short_domains&utm_campaign=ssyoutube.com&a_ts=1773156496.541#

terça-feira, 3 de março de 2026

RACISMO AMBIENTAL - UM DOS LADOS INVISIVEIS DA DISCRIMINAÇÃO SOCIAL

No Brasil, o racismo ambiental se manifesta de diversas formas, atingindo especialmente as comunidades e populações tradicionais e que vivem nas periferias urbanas. A forma como o espaço é organizado reflete e perpetua desigualdades históricas, colocando essas populações em áreas mais vulneráveis a enchentes, deslizamentos de terra, poluição e falta de saneamento básico.

O racismo, fundamentado em opressão e violência, afeta diretamente a alocação seletiva de indivíduos em ambientes, padrões habitacionais e desenvolvimento infraestrutural, evidenciado pela carência de infraestrutura essencial para a população.

O Art. 225 da Constituição Federal prevê a inclusão de todos na elaboração e implementação de políticas ambientais (BRASIL, 1988), porém, enfrentamos a problemática da “Injustiça Ambiental”, que sobrecarrega grupos vulneráveis com impactos ambientais desfavoráveis (Herculano, 2008).

O termo “racismo ambiental” surgiu no cenário norte-americano durante a década de 1980, sobretudo entre as comunidades negras que debatiam as desigualdades sistêmicas em relação à localização de instalações poluentes em áreas habitadas majoritariamente por minorias étnicas.

O conceito de “racismo ambiental”, foi cunhado por Benjamin Franklin Chavis Jr., um líder afro-americano renomado nos movimentos pelos direitos civis nos Estados Unidos. Chavis delineou o termo como a “discriminação racial na elaboração de políticas ambientais, aplicação de regulamentos e leis, direcionamento deliberado de comunidades negras para instalação de resíduos tóxicos, sansão oficial da presença de veneno e poluentes com risco de vida nas comunidades e exclusão de pessoas negras da liderança dos movimentos ecológicos”. (Herculano, 2008).

À medida que a discussão acadêmica progrediu, a pesquisa de Bullard (2000) emergiu como um marco, explorando a intersecção entre raça, classe e disparidades ambientais. Focou sua análise nas desigualdades urbanas, defendendo uma abordagem interdisciplinar centrada na comunidade e trouxe à tona as interseções de gênero no racismo ambiental, examinando a diversidade e a representatividade dentro das organizações ambientais.

Ao aprofundar-se nesta temática, torna-se imperativo reconhecer a intrínseca relação entre o racismo ambiental e o conceito mais amplo de racismo estrutural. Este último, refere-se a sistemas onde práticas públicas, institucionais e culturais perpetuam o acesso desigual a recursos com base na raça (Bonilla-Silva, 2006; Almeida, 2018; Davis, 2016).

Deste modo, o racismo ambiental pode ser entendido como uma manifestação concreta do racismo estrutural, expressando-se nas desigualdades do domínio ambiental e ampliando as discussões sobre as injustiças raciais em um contexto mais abrangente.

Nesse contexto, a educação associada a ações culturais constitui-se como uma ferramenta fundamental para combater essa realidade. Em vez de focar apenas em questões de conservação e sustentabilidade de forma genérica, a associação de saberes é premissa que permite analisar as relações de poder, as injustiças sociais e as desigualdades que permeiam a crise ambiental que atualmente vivemos no planeta.