quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

A história de uma educação sem educação


O sistema educacional brasileiro foi e sempre será, certamente um caso à parte. Muitos dos que trabalham nessa área, em particular os professores já tiveram seu valor. Isso é de largo reconhecimento pela sociedade, digo dos brasileiros de idade mais avançada, porque já faz mesmo muito tempo que essa profissão era sinônimo de orgulho, e status social.

Atualmente, qualquer um que se refere a esse tema, quando motivado por uma pesquisa, mesmo que seja de forma rasa, logo se refere a questões como baixa qualidade, falta de equidade, crescimento da violência nas escolas, necessidade de avanços na inclusão de crianças fora da sala de aula, assim como a tão falada meta de universalização educacional tratada nos Planos Educacionais Brasil afora que nunca são alcançadas.

O lamento, que mais parece uma súplica é generalizada no país pedindo as melhorias tão necessárias para o salto de qualidade no ensino, que tanto se fala. Que é preciso investir nesse setor para melhorar esse segmento, todos sabem, discutem e falam fervorosamente, porém até então, são apenas discursos que não chegam a lugar nenhum. Passam-se os anos e nada se faz.

O que dizer, ou como argumentar por exemplo, quando as estatísticas apontam que a educação no Brasil apresenta um cenário de contrastes ao afirmar que o país celebrou a menor taxa de analfabetismo da história (5,3%) no ano de 2024, quando por outro lado descumpriu quase 90% das metas do Plano Nacional de Educação (PNE) cujo decênio  encerrou naquele mesmo ano? Será diferente agora e nos anos seguintes?

Como se não bastasse a mesmice que há anos impera no sistema educacional desse país, o setor continua inerte. Não se percebe, ao menos de forma acanhada, qualquer movimento de protagonismo e altivez, por parte daqueles que atuam como gestores do setor. Não é perceptível algum vislumbre de mudanças que acompanhe as tantas inovações advindas nesse novo século. Pelo contrário, a ideologia de quem está no é imperativa, e cala qualquer um que tente levantar a voz.

Essa falta de sensibilidade por parte destes que se dizem serem grandes administradores e especialista, investidos no alto escalão dos governos para conduzir os sistemas educacionais Brasil afora, arrasta cada vez mais a educação brasileira para o buraco, diga se de passagem um buraco crescente e cada dia mais em fundo, apesar de o sistema ter muitos fundos.

Quando se pensa que deu um passo á frente criando um piso salarial nacional para os professores, dois passos ou mais são dados para trás. Primeiro, porque o piso salarial já vem defasado em relação a perda do poder de compra, a inflação da economia, bem como em relação aos salários das demais categorias de trabalhadores. Segundo, pelo fato de que os recursos repassados à educação, como sempre não refletem nas entregas que são necessárias no cotidiano pedagógico das escolas, que continuam com o seus quadros de pessoal e alunos desmotivados.

Afinal, o que está acontecendo com a sociedade que não valoriza mais a educação, algo tão importante, com já fez no passado? Como ter esperança e poder sonhar com um mundo melhor, se as nossas crianças e jovens não estão sendo preparadas para pensar e agir de forma equilibrada no meio onde vivem, respeitando os seus semelhantes e vivendo em harmonia na sociedade?

Pensando a partir de Milton Santos, Geógrafo renomado, conhecido mundialmente por sua geografia critica que transformou o modo de como pensar o mundo globalizado, e que se refere ao espaço como um conjunto indissociável de objeto e ações, podemos concluir que a educação também é um conjunto indissociável de conhecimentos e ações que precisa evoluir no tempo e no espaço que se encontra como forma de alimento na forma de conhecimento para que as pessoas possam ter uma vida boa, co0mo bem já dizia Sócrates,  filósofo ateniense do período clássico da Grécia Antiga.

No entanto, a diferença é que essas ações precisam ser bem planejadas, para a devida intervenção neste mesmo espaço onde todas os seres são atores e não se dão conta da sua importância e do seu papel, e principalmente no poder de transformação que cada um carrega consigo. Isso poderia moldar sua própria realidade, influenciar o ambiente ao redor e ressignificar histórias.

O também reconhecido educador Paulo Freire é enfático ao questionar sobre o papel de transformação do espaço pelo ser humano quando sensibiliza as pessoas para o protagonismo da sua própria história, dizendo ser necessário que cada pessoa se veja neste mundo como sujeito e não como objeto, e lute para conquistar o seu próprio espaço.

Isso significa deixar de ser um mero espectador ou alguém moldado pelas circunstâncias para se tornar o protagonista da própria história. É ter consciência crítica e capacidade de intervir na realidade. Também refere-se a conquista da dignidade, da voz e do lugar na sociedade e na história. Isso envolve autoconhecimento, ação e, muitas vezes, a superação de barreiras impostas, reconhecendo que a presença no mundo não deve ser de adaptação passiva, mas de inserção ativa, transformando o meio e a si mesmo.

É intrigante o momento que vivenciamos no setor educacional brasileiro, quando, por exemplo, um profissional que estudou, se especializou lato e estrito senso e entra para trabalhar na educação percebendo salários irrisórios, menos até que muitos outros profissionais de categorias que exigem para o ingresso no mercado de trabalho, de apenas o ensino básico.

Não me refiro a isso em tom de maldade ou discriminatório a qualquer outro profissional, pois todos, como dito antes, precisam procurar e ocupar os espaços no tamanho das suas capacidades, apenas enfatizo a ideia como forma de comparação e para mostrar o descaso com quem é capaz de ensinar todas as profissões, o professor.

Não deveria ser o professor bem remunerado, já que é o principal agente de transformação social, aquele que vai além de transmitir conteúdo, atuando como facilitador do aprendizado, inspirador, orientador e formador de cidadãos críticos e éticos, dedicando-se ao desenvolvimento integral de indivíduos e à construção de um futuro mais justo? Aquele que leva  a todos o conhecimento, ferramenta mais eficaz para conquistar espaços?

Atualmente,  situação crítica vivenciada, faz com que o governo federal veicule na mídia, marketing do tipo como concessão de bolsas para quem venha acursar uma licenciatura, carteira de professor, cursos gratuitos em plataformas governamentais. Tudo é, sem dúvida, mais uma tentativa frustrada para sensibilizar os jovens a aderirem a carreira do magistério. Não deixa de ser também, mais um desperdício de dinheiro.

A grande pergunta é: será que ninguém mais quer ser professor nesse país? Será também que os melhores profissionais estão deixando o magistério e se encaminhando para outros ramos de trabalhos, tudo por falta de reconhecimento e valorização? Até os alunos não querem mais ir à escola. O governo agora tem que pagar para o aluno estudar. Esse tal pé de meia demonstra a situação degradante que o país se encontra no setor educacional. Obter conhecimento não deveria ser uma busca incessante de cada pessoa.

Que é difícil a gestão da educação no Brasil, isso, sem dúvida é um fato. No entanto, o que se vê a todo o momento é o uso das secretarias de educação, quer sejam estaduais ou municipais, apenas como setores para acomodação de cargos políticos. Não que todas as pessoas colocadas no serviço publico pelos meios políticos sejam desqualificadas. São práticas antigas no estado brasileiro que se perpetua até hoje e não há perspectivas de mudanças, haja vista a ignorância política do povo, que tudo aceita.

O fato é que as especificidades do setor requer muita prática para saber lidar com as mais diferentes problemáticas encontradas. Dessa forma, a educação no Brasil é um verdadeiro recomeçar de ações sem meio e sem fim. Ações que não convence mais a sociedade, que por sua vez, atônita vislumbra algum horizonte de melhorias em um sistema que tem como premissa melhorar a vida dos seres humanos e proporcionar meios de oportunidades iguais para todos através do conhecimento.


O impacto das novas tecnologias na Educação Infantil

O impacto das tecnologias digitais no desenvolvimento infantil é amplamente explorado nas teorias de Jean Piaget e Lev Vygotsky. Piaget (1976) propôs que as crianças constroem conhecimento por meio de interações físicas e sociais, enquanto Vygotsky (1984) enfatiza o papel fundamental da mediação social no desenvolvimento cognitivo.

A Teoria do Desenvolvimento Cognitivo de Piaget categoriza o desenvolvimento em quatro estágios: sensório-motor, pré-operacional, operacional concreto e operacional formal. Cada estágio representa uma fase distinta no desenvolvimento das habilidades cognitivas e da compreensão do mundo pelas crianças (Piaget, 1976).

Vygotsky, por sua vez, enfatiza que o desenvolvimento cognitivo é profundamente influenciado pelo contexto sociocultural e pelas interações sociais. O conceito de “Zona de Desenvolvimento Proximal” refere-se à diferença entre o que uma criança pode realizar de forma autônoma e o que consegue fazer com o auxílio de outros (Vygotsky, 1984).

Aplicativos educativos e plataformas digitais podem atuar como ferramentas mediadoras dentro dessa zona, potencializando o desenvolvimento cognitivo quando utilizados com orientação adequada (Radesky et al., 2015). A Teoria do Aprendizado Multimodal (Mayer, 2001) contribui para essa discussão, ao sugerir que a exposição a múltiplas modalidades de informação pode potencializar o aprendizado, desde que haja a mediação adequada.

Kenski (2012), procura definir as tecnologias por meio da relação existente com técnicas e equipamentos ou por meio das novas tecnologias, levando em conta o conceito de inovação.

Martins e Rocha (2010) destacam que a aprendizagem da criança começa muito antes da aprendizagem escolar, já que possui uma bagagem histórica. Para ele, as crianças aprendem muito antes de chegar ao convívio escolar, à chegada da criança na escola introduz elementos novos no seu desenvolvimento, por meio de um mediador, que conduzirá o processo de desenvolvimento individual e histórico-social.

Para Gadotti (2000, p.38), a escola precisa ser o centro de inovações e tem como papel fundamental “[...] orientar, criticamente, especialmente as crianças e jovens na busca de uma informação que os faça crescer e não embrutecer”. Para o autor, é necessário iniciar a educação tecnológica desde a mais tenra idade, ou seja, a partir da Educação Infantil e a escola precisa oferecer uma formação em que todos interajam, para haver interesse e uma boa formação efetivando a educação de qualidade.

A Base Nacional Curricular Comum – BNCC (2018) reconhece que as tecnologias digitais são ferramentas poderosas que podem enriquecer o processo educativo na Educação Infantil, desde que utilizadas de forma consciente e planejada, respeitando as características e necessidades das crianças nessa faixa etária.

Dessa forma, traz em seus textos diversos referências e orientações para a implementação de Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação: Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (BRASIL, 2018, p. 09).

Neste sentido, considerando que essas ferramentas como material didático escolar está garantido em legislação específica e respeitando os alunos da educação infantil como sujeitos históricos e cidadãos de direitos esta é uma ação que possibilitará a formação de indivíduos mais criativos e que adquirirão novos conhecimentos integrando-se com um novo modo de aprender e interagir com a sociedade (PEREIRA; LOPES, 2005, p. 02).

Nessa perspectiva é relevante que os educadores explorem esses dispositivos na sala de aula como forma de possibilitar a assimilação de novos conceitos e o desenvolvimento de habilidades sociais e colaborativas desde a infância, competências que serão fundamentais para o futuro educacional e profissional dos das crianças.

Assim, nesse momento em que o mundo está cada vez mais envolvido em uma cultura digital, que também é móvel e conectada (SILVA, 2017), não faria sentido a educação e seus processos de ensino e aprendizagens ficarem alheados a esse mundo e contexto.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

EDUCAÇÃO INFANTIL E O USO DAS NOVAS TECNOLOGIAS NAS ESCOLAS RURAIS DA AMAZÔNIA

Olhar a educação nas escolas ribeirinhas no contexto amazônico é enxergar além das florestas, além dos rios e dos encantos da região. É ver as pessoas do meio rural como capazes de desenvolver suas potencialidades e competências, é descobrir que estes podem se tornar agentes participativos nos processos de ensino e de aprendizagem e sujeitos das suas próprias vidas e histórias.

A partir desse contexto, a escola passa a ser um grande universo de ressignificação do fazer pedagógico e do desenvolvimento humano necessário para a alfabetização digital e multiletramentos de homens, mulheres, jovens e crianças moradoras dessa região. Ressignificar nesse sentido, é ter um olhar mais atento para a contextualização das políticas públicas e das metas previstas nos programas e planos educacionais para as diferentes realidades escolares.

A escola rural ribeirinha possui características próprias, que se articulam diretamente com a Educação do Campo, ou seja, a educação denominada de “ribeirinha” está inserida na Educação do Campo, que é uma modalidade da Educação Básica (Art. 1, Resolução do Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Básica – CNE/CEB nº. 2/2013).

É uma realidade marcada por grandes desafios que historicamente negligencia o protagonismo daqueles a quem mais interessa o desenvolvimento de politicas públicas eficazes, os moradores.

Vale ressaltar, que nas escolas rurais ribeirinhas nos deparamos frequentemente com a ausência de professores, falta de técnicos educacionais, espaços e materiais inadequados, além de um currículo que não leva em consideração a realidade local, Freitas e Freitas (2021) defendem que:



[...] deve ser assegurado aos alunos ribeirinhos amazônidas mais do que espaços de educação, mais do que o aceso à escola. Mas, sim, a oferta de uma escola de qualidade, do assegurar a permanência nesta escola com condições de acesso, de aprendizagem, de dignidade humana, de cidadania, de construção do sujeito ativo e protagonista de sua história. Uma educação de qualidade para a formação de um sujeito ribeirinho pleno e integral integrado ao seu contexto sociocultural e aos desafios da atual sociedade (Freitas; Freitas, 2021, p.2).

Neste cenário, nos deparamos com as novas tecnologia e sua capacidade de apresentar subsídios significativos nesses espaços educacionais, permitindo que alunos e professores consigam acessar informações em qualquer lugar, contribuindo de forma significativa para a mudança de práticas pedagógicas em todas as modalidades e etapas da educação. Segundo Moran, 2007:

A educação para os meios começa com sua incorporação na fase de alfabetização. Alfabetizar-se não consiste só em conscientizar os códigos da língua falada e escrita, mas dos códigos de todas as linguagens do homem atual e da sua interação. A criança, ao chegar a escola já sabe ler histórias complexas, como telenovela, com mais de trinta personagens e cenários diferentes. Essas habilidades são praticamente ignoradas pela escola, que, no máximo, utiliza a imagem e a música como suporte para facilitar a compreensão da linguagem falada e escrita, mas não pelo intrínseco valor. As crianças precisam desenvolver mais conscientemente o conhecimento e a prática da imagem fixa, em movimento, da imagem sonora, e fazer isso parte do aprendizado central e não marginal. Aprender mais abertamente, o que já estão acostumadas a ver, mas que não costumam perceber com mais profundidade.

Neste sentido, o uso das tecnologias digitais é debatido cada vez mais, a partir da identificação de que desde cedo as crianças já demonstram grandes habilidades em manipular dispositivos eletrônicos. De acordo com Grotto (2012), a mente dessas crianças parece criar associações com tanta rapidez e facilidade de compreensão que deixam os adultos perplexos quando demonstram com naturalidade e segurança seus conhecimentos. Assim já chegam na escola com uma certa bagagem de conhecimento digital.

Atualmente, as tecnologias de informação e |comunicação são consideradas ferramentas que vem se aprimorando e quando utilizadas de forma adequada nas salas de aulas podem surtir efeitos positivos no processo de ensino e aprendizagem. De acordo com Carvalho, Neves e Jesus (2019):

A escola do século XXI vista como responsável pela formação do cidadão tem que estar apta a se adaptar em um mundo globalizado, tendo em vista, que a sociedade contemporânea precisa de uma educação diferenciada, com novos aparatos tecnológicos que complementem o ensino, preocupada em atender as demandas da atualidade a escola do campo também busca se engajar neste novo mundo moderno tecnológico, começando a fazer uso de ferramentas tecnológicas que tem o intuito de dinamizar as aulas, saindo do modelo padrão tradicional e passando a ter um ensino mais atrativo (Carvalho; Neves; Jesus, 2019, p. 2).

De acordo com as Diretrizes para Educação Infantil (BRASIL, 2013), escolas de educação infantil devem proporcionar possibilidades educativas promovam o desenvolvimento integral das crianças, bem como promover a inclusão digital. Ainda nesse sentido Gadotti (2000, p.38), enfatiza que a escola necessita transforma-se e tornar-se um ambiente de inovações, cujo papel primordial deve ser orientar, criticamente, especialmente as crianças e jovens, na busca de uma informação que os faça crescer, ou seja, alfabetizar tecnologicamente.

Nesta vertente, muito mais do que analisar aspectos sobre a implantação dessas ferramenta nas escolas é necessário discutir a importância do uso dessas tecnologias na educação infantil e seus resultados e problematizar questões como: de que forma a tecnologia acrescenta e atua de eficazmente no processo de desenvolvimento e ensino/aprendizagem dos alunos? Como o educador tem feito uso dessa ferramenta como material didático na sala de aula? Será que as novas tecnologias contribuem para o desenvolvimento cognitivo dos alunos? Seria este um auxílio para os professores ou um recurso complexo demais para ser assimilados como proposta pedagógica na escola?

Tais questionamentos baseiam-se no fato de que cada vez mais crianças e adolescentes aliam o uso dos aparelhos eletrônicos em sua rotina, então, como não se apropriar desse recurso tão deslumbrante? Desses fatores decorre a importância de evidenciar através da pesquisa que a implementação dessas novas ferramentas digitais na sala de aula como recurso didático, associada ao preparo dos professores para o seu uso de forma adequada, poderá proporcionar melhorias da qualidade do ensino nesses lugares de difícil acesso, impactando de forma significativa na reformulação das politicas públicas educacionais para essa região, e consequentemente nas propostas pedagógicas das escolas.

Portanto, ao discutir esse tema, assim como os resultados advindo desse processo no ensino e aprendizagem na educação infantil, também será um meio de identificar os recursos disponíveis, o nível de formação e as necessidades dos professores e demais carateristas físicas, pedagógicas e de pessoal nas escolas localizadas no locus da pesquisa.

Por fim, com a chegada das novas tecnologias nessas escolas e, a partir da realidade que se apresenta o mundo atual com o acelerado crescimento do ciberespaço, de novas formas de comunicação e acesso crescente à informação, oportunizando inúmeras condições de aprendizagens, desenvolvimento de habilidades e interações necessárias à formação integral da criança que com práticas tradicionais provavelmente não seriam alcançadas, acredita-se na contribuição desses novos meios  para o desenvolvimento de proposições inovadoras e de estratégias pedagógicas e metodológicas, com o uso dessas ferramentas nas escolas localizadas na área ural ribeirinha da Amazônia.

As novas tecnologias na educação infantil nas escolas rurais da Amazônia

A educação está em constante processo de mudança, por isso, é relevante fazer uma reflexão em relação à infância, a importância e os impactos do uso das novas tecnologias aliadas ao ensino e aprendizagem nessa etapa escolar. Estes fatores que estão inseridos no cotidiano devem ser estudados não apenas pelos professores que atuam, na Educação Infantil, mas também, pelos familiares e pela sociedade em geral, pois são fatores que estão interligados e trazem influências a todos os âmbitos.

É evidente que as crianças do século XXI são diferentes das gerações anteriores, a forma de brincar, de falar, de se comunicar e socializar são diferentes, muitos desses fatores se devem ao fato do surgimento da era digital que está intrínseca em todos os lugares e o quanto influenciam diretamente no desenvolvimento do ensino e da aprendizagem.

As políticas públicas do governo federal para o uso e presença das novas tecnologias nas escolas públicas fazem-se presente desde a década de 1990, com objetivos que devem ser alcançados pelo sistema educacional em todas as esferas e níveis e segmentos de ensino, visando melhorar a qualidade da aprendizagem dos alunos e a prática pedagógica por parte dos professores.

A cultura digital na educação tem por objetivos oferecer condições de acesso á internet no âmbito escolar de forma pública e gratuita para a comunidade. Enseja a integração crítica, ética e criativa das tecnologias digitais no ensino, preparando alunos para um mundo conectado, desenvolvendo habilidades como pensamento crítico e colaboração, e transformando a aprendizagem em algo mais ativo, personalizado e envolvente, conforme previsto pela Base Nacional Comum Curricular-BNCC, para formar cidadãos digitais responsáveis e aptos para o futuro.

Neste sentido é importante discutir de que forma o uso das novas tecnologias pode contribuir no processo de ensino e aprendizagem e se justifica, pois conforme afirmado por vários pesquisadores e documentos relacionados ao tema, a criança tem o direito de vivenciar a cultura de sua época, e como a era vivida é conhecida como digital, a escola deve proporcionar ao educando o aprendizado com o uso das tecnologias, para que possam adquirir conhecimento condizente ao momento histórico ao qual estão vivenciando.

Nesta senda, as escolas localizadas nas áreas ribeirinhas que são regiões de difícil acesso são impactadas pela falta de estrutura física, pedagógica e de pessoal qualificado. A sua inclusão digital e a utilização dessas novas ferramentas como recursos diatáticos é uma ferramenta significativa para ofertar uma educação de qualidade e promoção do conhecimento, da cultura, dos valores e das identidades de todos que fazem parte da região.

Torna-se de grande importância investigar os usos e as contribuições das novas tecnologias no processo de ensino aprendizagem, enquanto proposta pedagógica, para a Educação Infantil nas escolas localizadas na região ribeirinha do município de Porto Velho/RO, evidenciado pela seguinte problemática: como o uso das tecnologias digitais podem impactar na produção do conhecimento e da aprendizagem mais lúdica e significativa para os alunos da educação infantil?

A partir de uma avaliação simples pode-se dizer que o uso das novas tecnologias na Educação Infantil não substitui a interação humana, mas atua como um instrumento didático de mediação que, quando guiado pelo professor, amplia o potencial cognitivo e a criatividade da criança, tornando a prática pedagógica mais dinâmica e interessante, facilitando a assimilação de conteúdos complexos de forma prazerosa e proporcionando melhores resultados no processo de aprendizagem dos alunos.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Um poço sem fundo com fundos

Antes de contextualizar a ideia de escrever algo com esse título faço questão de dizer que a primeira ideia de uma discussão com esse aspecto não chega nem perto de ser minha. Escritores conceituados já escreveram ou escrevem sobre esse assunto.

O tema que mas parece uma brincadeira surgiu com os colegas professores há algum tempo quando falávamos das nossas aspirações na caminhada de magistério, depois que terminamos a graduação e cursávamos o mestrado em geografia, e por conseguinte, como professores de escola pública que éramos já notávamos o volume de recursos depreendido para o sistema educacional público, e que poucos resultados geravam na ponta, ou melhor dizendo, na sala de aula e consequentemente no aprendizado dos estudantes.

Depois de algum tempo e ter conhecido o sistema educacional publico brasileiro por dentro, fruto de trabalho e muitas pesquisas na área da educação, consigo compreender com mais propriedade que os recursos se avolumam cada vez mais, e por outro lado os resultados simplesmente despencam ano após ano, com algumas exceções, diga-se de passagem. Mas de forma geral, os resultados demonstrados nos indicadores são alarmantes

Será pessimismo da minha parte? Explicar essa situação muitos tentam, mas simplesmente afogam-se nas próprias palavras, pois não há uma explicação lógica. Como explicar o volume de recursos repassados as escolas sem resultados positivos visíveis. Qual empresa não vai à falência quando o investimento injetados não surtem os efeitos esperados. Algo está muito errado.

Outro dia ouvir falar que ninguém queria mais ser professor nesse país. Sem valorização, salários baixos, falta de motivações e estudantes sem querer aprender na sala de aula. Ser professor virou uma ação de guerra na escola. Chega até ser constrangedor alguém se identificar como professor.

Uma sala de aula atualmente é um batalhão de soldados que tem suas próprias ideias de combate e que já não obedecem mais as ordens de comando do general, verdadeiros desertores. Como assim? Enfrentar esse batalhão com novas ideias é suicídio.

Será que sobreviveremos em um mundo de mal-educados, ignorantes e sem pudores? Lendo alguns artigos encontrei o seguinte texto, que aqui faço questão de reproduzir:

Se a indispensável formação qualificada do cérebro não ocorre, a criança perde a oportunidade única de alcançar a idade adulta dotada do nível intelectual que lhe possa garantir a dignidade existencial a que todos têm direito. Perpetuam-se assim as sequelas mentais irreversíveis que inferiorizam, social e economicamente, as vítimas de uma infância desprotegida, desvalorizada, carente de afeto, desprovida de estímulo, cercada de violência, segregada pelas classes privilegiadas”

 Diego Souza de PaivaBolg Praticamente Teórico.

Será que estamos fadados a vivenciar um batalhão de ignorantes no futuro? Quando nos referimos a poço sem fundo, é porque neste poço tudo o que entra, simplesmente desaparece é ninguém ver mais nada. Será as interferências politicas ou apenas falta de gestão no sistema educacional do país? Talvez.

Esse tema é complicado demais para ter uma ideia clara, pois o cenário contemporâneo é marcado por uma dinâmica de constantes transformações. A globalização, o avanço tecnológico e as novas demandas do mercado de trabalho exigem que as instituições de ensino se adaptem rapidamente para permanecerem relevantes e interessantes para as novas mentes do século 21Por outro lado, não é raro ouvir falar que no Brasil, falar de gestão publica parece piada de mau gosto.

O sistema enfrenta desafios significativos, como a necessidade de modernização da infraestrutura, a capacitação de professores e gestores, e a implementação de metodologias de ensino inovadoras. Uma educação que seja democrática no viés da justiça social. Pois a democracia precisa de fato ser praticada, vivida e, assim, poderemos nos ajudar e nos corrigirmos, continuamente, uns aos outros numa situação de dialogo e de liberdade de expressão.





quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Olhar sobre as escolas ribeirinhas e o uso das novas tecnologias na educação infantil

Olhar a educação nas escolas ribeirinhas no contexto amazônico é enxergar além das florestas, além dos rios e dos encantos da região. É ver as pessoas do meio rural como capazes de desenvolver suas potencialidades e competências, é descobrir que estes podem tornar-se agentes participativos nos processos de ensino e de aprendizagem e sujeitos das suas próprias vidas e histórias. 

A partir desse contexto, a escola passa a ser um grande universo de ressignificação do fazer pedagógico e do desenvolvimento humano necessário para a alfabetização digital e multiletramentos de homens, mulheres, jovens e crianças moradoras dessa região. Ressignificar nesse sentido, é ter um olhar mais atento para a contextualização das políticas públicas e das metas previstas nos programas e planos educacionais para as diferentes realidades escolares.

A escola rural ribeirinha possui características próprias, que se articulam diretamente com a Educação do Campo, ou seja, a educação denominada de “ribeirinha” está inserida na Educação do Campo, que é uma modalidade da Educação Básica (Art. 1, Resolução do Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Básica – CNE/CEB nº. 2/2013).

É uma realidade marcada por grandes desafios que historicamente neglicencia o protagonismo daqueles a quem mais interessa o desenvolvimento de politicas públicas eficazes, os moradores.

Vale ressaltar, que nas escolas rurais ribeirinhas nos deparamos frequentemente com a ausência de professores, falta de técnicos educacionais, espaços e materiais inadequados, além de um currículo que não leva em consideração a realidade local.

Neste sentido, o uso das tecnologias digitais é debatido cada vez mais, a partir da identificação de que desde cedo as crianças já demonstram grandes habilidades em manipular dispositivos eletrônicos. De acordo com Grotto (2012), a mente dessas crianças parece criar associações com tanta rapidez e facilidade de compreensão que deixam os adultos perplexos quando demonstram com naturalidade e segurança seus conhecimentos. Assim já chegam na escola com uma certa bagagem de conhecimento digital.

Atualmente, as tecnologias de informação e |comunicação são consideradas ferramentas que vem se aprimorando e quando utilizadas de forma adequada nas salas de aulas podem surtir efeitos positivos no processo de ensino e aprendizagem.

De acordo com as Diretrizes para Educação Infantil (BRASIL, 2013), escolas de educação infantil devem proporcionar possibilidades educativas promovam o desenvolvimento integral das crianças, bem como promover a inclusão digital. Ainda nesse sentido Gadotti (2000, p.38), enfatiza que a escola necessita transforma-se e tornar-se um ambiente de inovações, cujo papel primordial deve ser orientar, criticamente, especialmente as crianças e jovens, na busca de uma informação que os faça crescer, ou seja, alfabetizar tecnologicamente.

Nesta vertente, mais importante do que analisar aspectos sobre a implantação dessas ferramenta nas escolas é discutir a importância do uso dessas tecnologias na educação infantil e seus resultados e problematizar questões como: de que forma a tecnologia acrescenta e atua de eficazmente no processo de desenvolvimento e ensino/aprendizagem dos alunos? Como o educador tem feito uso dessa ferramenta como material didático na sala de aula? Será que as novas tecnologias contribuem para o desenvolvimento cognitivo dos alunos? Seria este um auxílio para os professores ou um recurso complexo demais para ser assimilados como proposta pedagógica na escola?

Tais questionamentos baseiam-se no fato de que cada vez mais crianças e adolescentes aliam o uso dos aparelhos eletrônicos em sua rotina, então, como não se apropriar desse recurso tão deslumbrante? Desses fatores decorre a importância de evidenciar através da pesquisa que a implementação dessas novas ferramentas digitais na sala de aula como recurso didático, associada ao preparo dos professores para o seu uso de forma adequada, poderá proporcionar melhorias da qualidade do ensino nesses lugares de difícil acesso, impactando de forma significativa na reformulação das politicas públicas educacionais para essa região, e consequentemente nas propostas pedagógicas das escolas.

Portanto, é salutar no contexto atual discutir esse tema, assim como os resultados advindo desse processo no ensino e aprendizagem na educação infantil, também será um meio de identificar os recursos disponíveis, o nível de formação e as necessidades dos professores e demais características físicas, pedagógicas e de pessoal nas escolas localizadas nas regiões ribeirinhas

Por fim, também é importante frisar que com a chegada das novas tecnologias nessas escolas e, a partir da realidade que se apresenta o mundo atual com o acelerado crescimento do ciberespaço, de novas formas de comunicação e acesso crescente à informação, tais fatores tem oportunizado inúmeras condições de aprendizagens, desenvolvimento de habilidades e interações necessárias à formação integral da criança que com práticas tradicionais provavelmente não seriam alcançadas.



A escola ribeirinha da Amazônia e o uso das novas tecnologias no ensino-aprendizagem

A educação está em constante processo de mudança, por isso, é relevante fazer uma reflexão em relação à infância, a importância e os impactos do uso das novas tecnologias aliadas ao ensino e aprendizagem nessa etapa escolar. Estes fatores que estão inseridos no cotidiano devem ser estudados não apenas pelos professores que atuam, na Educação Infantil, mas também, pelos familiares e pela sociedade em geral, pois são fatores que estão interligados e trazem influências a todos os âmbitos.

É evidente que as crianças do século XXI são diferentes das gerações anteriores, a forma de brincar, de falar, de se comunicar e socializar são diferentes, muitos desses fatores se devem ao fato do surgimento da era digital que está intrínseca em todos os lugares e o quanto influenciam diretamente no desenvolvimento do ensino e da aprendizagem.

As políticas públicas do governo federal para o uso e presença das novas tecnologias nas escolas públicas fazem-se presente desde a década de 1990, com objetivos que devem ser alcançados pelo sistema educacional em todas as esferas e níveis e segmentos de ensino, visando melhorar a qualidade da aprendizagem dos alunos e a prática pedagógica por parte dos professores.

A cultura digital na educação tem por objetivos oferecer condições de acesso á internet no âmbito escolar de forma pública e gratuita para a comunidade. Enseja a integração crítica, ética e criativa das tecnologias digitais no ensino, preparando alunos para um mundo conectado, desenvolvendo habilidades como pensamento crítico e colaboração, e transformando a aprendizagem em algo mais ativo, personalizado e envolvente, conforme previsto pela Base Nacional Comum Curricular-BNCC, para formar cidadãos digitais responsáveis e aptos para o futuro.

Neste sentido é importante discutir de que forma o uso das novas tecnologias pode contribuir no processo de ensino e aprendizagem e se justifica, pois conforme afirmado por vários pesquisadores e documentos relacionados ao tema, a criança tem o direito de vivenciar a cultura de sua época, e como a era vivida é conhecida como digital, a escola deve proporcionar ao educando o aprendizado com o uso das tecnologias, para que possam adquirir conhecimento condizente ao momento histórico ao qual estão vivenciando.

Essa deverá ser uma discussão que alcance os vários seguimentos educacionais , campos de atuação e lugares, particularmente os amis distantes, como é o caso das escolas localizadas em áreas rurais ribeirinhas da Amazônia, onde o acesso aos meios de informação e comunicação são escassos ou chegam com dificuldades.

As áreas ribeirinhas, ou seja, comunidades tradicionais localizadas as margens dos rios, são regiões de difícil acesso e são impactadas pela falta de estrutura física, pedagógica e de pessoal qualificado nas poucas escolas que existentes. A sua inclusão digital e a utilização dessas novas ferramentas como recursos didáticos poderá ser uma ferramenta significativa para ofertar uma educação de qualidade e promoção do conhecimento, da cultura, dos valores e das identidades de todos que fazem parte da região.