As
tecnologias digitais estão sendo inseridas a cada momento nas nossas
vidas, modificando o nosso modo de vida e transformando realidades em
todos os setores da sociedade. No aspecto educacional tem se
consagrado como uma ferramenta aliada dos professores no seu uso
como recursos didáticos nas salas de aulas transformando o ensino e
aprendizagem, promovendo o protagonismo do aluno, a colaboração
e o pensamento crítico.
Neste
sentido, observa-se a premente preocupação por parte dos sistemas
de ensino, nas diversas esferas governamentais em dotar as escolas de
equipamentos tecnológicos que permitam o dinamismo, a interação e
o envolvimento de professores e alunos nos temas trabalhados na sala
de aula e na formação dos professores.
A
inclusão
digital e de tecnologias na educação nas
escolas localizadas em
regiões
tradicionais, particularmente nas ribeirinhas,
quando utilizadas como recursos didáticos, poderá
ser uma ferramenta significativa em
todos os aspectos da vida cotidiana dos povos que vivem nesses
espaços e
que
convivem com o mínimo de estruturas e recursos para ofertar uma
educação básica de qualidade, podendo promover a valorização do
conhecimento, da cultura, dos valores e das identidades de todos que
fazem parte da região.
Nesse
contexto, a implementação o uso das Tecnologias
Digitais de Informação e Comunicação (TDICs),
como ferramenta pedagógica nas escolas públicas localizadas na área
ribeirinha da Amazônia brasileira,
soa como uma perspectiva
de
superação de tantos desafios enfrentados pelos professores e alunos
das
muitas comunidades dispostas ao longo dessa região.
Com
a
utilização das tecnologias
digitais de informação e comunicação (TDICs)
os educadores podem
ter à disposição uma grande variedade de possibilidades de
ferramentas de formação e de recursos didáticos para tornar as
práticas pedagógicas muito mais atrativas, alunos motivados,
interessados e mais participativos na sala de aula, e
acima de tudo obter resultados
positivos na aprendizagem.
Diante
dessa discussão, a
questão posta, em síntese é: como
as novas tecnologias podem ser integradas de forma eficaz e
culturalmente relevante nas escolas ribeirinhas da
Amazônia,
superando barreiras de infraestrutura e promovendo a autonomia dos
estudantes e professores na promoção da qualidade do
ensino e aprendizagem?
Estudos
já realizados, frutos de pesquisas de renomados especialistas na
área da educação já afirmam categoricamente que o
uso das novas tecnologias digitais como ferramenta pedagógica na
educação constitui um papel transformador no processo de ensino e
aprendizagem dos alunos e na formação dos professores, no contexto
das escolas localizadas em comunidades tradicionais.
Afirmam
ainda, que as novas ferramentas digitais, quando utilizadas de forma
pedagogicamente adequada, além de promover acesso ao conhecimento e
à inclusão social reduzindo as barreiras geográficas e ampliando
as oportunidades de formação, contribuem diretamente para o
desenvolvimento da qualidade do ensino e da aprendizagem. Além
disso, fortalece a cidadania e a capacidade de reivindicação por
direitos, evidenciando-se que a tecnologia, quando bem aplicada, é
um vetor de mudança econômica, educacional e social nessas regiões.
Não
se pode negar que s vertiginosas mudanças ocorridas no mundo, no
final do século XX, criaram a necessidade de um novo olhar sobre a
realidade, de uma análise que nos levasse à compreensão desses
processos e à construção de uma outra relação do homem com o
meio natural, social e tecnológico.
Em
decorrência da globalização, as fronteiras foram perdendo
importância econômica, e a vida das pessoas passou a ser afetada
por decisões e fatos ocorridos no mundo todo. Nesse mundo, cresce a
complexidade das relações, seja entre os homens e a natureza ou
entre Estados-Nação.
Nessa
escalada de mudanças de paradigmas também houve a necessidade de
incorporar a novas tecnologias de informação e comunicação como
ferramenta pedagógica nos ambientes escolares. Atualmente, as TICs
são consideradas ferramentas que vem se aprimorando e quando
utilizadas de forma adequada nas salas de aulas podem surtir efeitos
positivos no processo de ensino e aprendizagem. De acordo com
Carvalho, Neves e Jesus (2019):
A
escola do século XXI vista como responsável pela formação do
cidadão tem que estar apta a se adaptar em um mundo globalizado,
tendo em vista, que a sociedade contemporânea precisa de uma
educação diferenciada, com novos aparatos tecnológicos que
complementem o ensino, preocupada em atender as demandas da
atualidade a escola do campo também busca se engajar neste novo
mundo moderno tecnológico, começando a fazer uso de ferramentas
tecnológicas que tem o intuito de dinamizar as aulas, saindo do
modelo padrão tradicional e passando a ter um ensino mais atrativo
(Carvalho; Neves; Jesus, 2019, p. 2)
No
que se refere a escola rural ribeirinha, esta possui características
próprias, que se articulam diretamente com a Educação do Campo, ou
seja, a educação denominada de “ribeirinha” está inserida na
Educação do Campo, que é uma modalidade da Educação Básica
(Art. 1, Resolução do Conselho Nacional de Educação, Câmara de
Educação Básica – CNE/CEB nº. 2/2008), educação essa marcada
também por desafios que historicamente vem interferindo no processo
de ensino e aprendizagem dos alunos ribeirinhos.
Vale
ressaltar, que quando adentramos no ambiente das escolas rurais
ribeirinhas nos deparamos frequentemente com a ausência de
professores, espaços físicos e materiais inadequados, além de um
currículo que não leva em consideração a realidade local, Freitas
e Freitas (2021) defendem que:
[...]
deve ser assegurado aos alunos ribeirinhos amazônidas mais do que
espaços de educação, mais do que o aceso à escola. Mas, sim, a
oferta de uma escola de qualidade, do assegurar a permanência nesta
escola com condições de acesso, de aprendizagem, de dignidade
humana, de cidadania, de construção do sujeito ativo e protagonista
de sua história. Uma educação de qualidade para a formação de um
sujeito ribeirinho pleno e integral integrado ao seu contexto
sociocultural e aos desafios da atual sociedade (Freitas; Freitas,
2021, p.2).
Neste
sentido, em meio a tantas tecnologias disponíveis que interferem
diretamente em diferentes setores da nossa sociedade, inclusive na
educação, é importante compreender e analisar quais, e como estão
sendo utilizadas nas práticas pedagógicas nessas escolas.
Além
disso, vale lembrar que quando falamos da utilização da tecnologia
no processo de ensino aprendizagem não estamos nos referindo apenas
a celulares, computadores, tabletes entre outros, mas sim de todos os
recursos que ao serem utilizados possibilita ajudar o aluno a
entender, memorizar e aprender um determinado assunto através de
práticas inovadoras, com auxílio de ferramentas que sejam
atrativas, dinâmicas e que além de chamar a atenção, possa
despertar o interesse e a curiosidade dos mesmos.
Neste
sentido, é importante frisar que tratar sobre a educação voltada
para as comunidades tradicionais ribeirinha, a partir da necessidade
do uso das tecnologias e seus impactos significativos que podem
proporcionar um ensino de qualidade que antes era inacessível,
também significa refletir no que essa ação pode resultar, no que
se refere a melhores oportunidades tanto educacionais quanto
profissionais para os moradores dessas áreas.
O
tema em discussão é um desafio que carece de muita investigação,
e sobre tudo da implementação de politicas públicas,
particularmente quanto ao
uso pedagógico das
tecnologias digitais para qualificar o
serviço educacional
nessas
escolas. Não
se trata de simplesmente adquirir o equipamento tecnológico e colocar
na escola é preciso saber utilizá-lo na sala de aula como material
didático. Isso requer que o professor também esteja qualificado
para a
utilização
desses equipamentos/recursos tecnológicos.
Nos
últimos anos, acompanhamos grandes debates em torno do uso do
computador nas escolas. Revistas especializadas em educação sempre
trazem essas discussões em suas edições e, algumas vezes, chegam a
afirmar que “hoje os professores sabem que os computadores
possibilitam a criação de um ambiente de aprendizagem” (Nova
Escola, 2003, p. 11). Mas será que é, dessa forma que os
professores encaram o uso do computador e os demais equipamentos
tecnológicos na escola?
Quando
Chaib (2002, p.48) comparou o computador com o monstro Frankenstein,
ilustrou claramente a perplexidade do professor perante a máquina,
misturando uma sensação de admiração, surpresa, crítica e
ceticismo. Acrescentamos a estas reações a frustração, a
inferioridade e a resistência em usar o computador, reafirmadas pela
“idéia de que qualquer criança lida melhor com computador do que
os adultos” (Carneiro, 2002, p. 57).
Em
se tratando de sua formação, existem estudos que apontam a
necessidade da formação do professor capaz de utilizar as novas
tecnologias em seu trabalho cotidiano – o “educomunicador”,
encarado não como “um professor especializado encarregado do curso
de educação para as mídias, e sim um professor do século XXI, que
integra as diferentes mídias em suas práticas pedagógicas”
(Belloni, 2002, p. 40).
Fusari
(2001, p. 215), sugere que haja uma articulação entre a formação
inicial e a formação de professores em serviço por intermédio da
pesquisa, tendo como eixo central a prática docente em comunicação
multimídia, afirmando “que a formação inicial de professores
precisa estar ‘de olho’ no que está acontecendo no exercício da
docência, mas o docente em exercício tem de estar de olho nos
cursos de formação inicial de professores”.
Fusari,
amplia o entendimento de formação inicial ou contínua de
professores, englobando os três itens da teoria de Schön –
reflexão na ação docente (pensar enquanto pratica), reflexão
sobre a ação docente (pensar depois que pratica) e reflexão sobre
o que foi refletido (pensar sobre o que foi pensado) –, não
desconsiderando os quatro pilares da educação apresentados pela
Unesco e os saberes da experiência dos professores em questão,
instigando a uma atitude de formação contínua.
A
permanente evolução do mundo moderno, assim como seu impacto na
vida e organização social, gera novos desafios para a educação,
que induzem a uma necessidade de evolução das práticas
educacionais, ou mesmo na sua redefinição e reconstrução.
Neste
ponto, o emprego das TICs, seja como ferramenta de pesquisa,
desenvolvimento de material didático ou meios para explanação de
temas, nas suas mais vastas possibilidades (multimídia, hipermídia,
etc), contribui não só para o aperfeiçoamento e expansão das
capacidades do docente perante um mundo moderno e inundado de
novidades utilizadas pelas mais diversas indústrias (ex.
fonográfica, cinematográfica, etc), como também para uma renovação
do modelo educacional. A utilização das TICs pode proporcionar a
simplificação e uma melhor assimilação dos conhecimentos,
dinamizando o processo de aprendizagem, além de eliminar a rigidez e
a monotonia da metodologia da escola tradicional.