sábado, 25 de abril de 2026

POEMA EM LINHA RETA

Fernando Pessoa 

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Poesias de Álvaro de Campos. Lisboa: Ática. 1944 (imp. 1993). p. 312, Fonte https://www.pensador.com/poema_em_linha_reta/. Acesso em 25/04/2026



Quando vier a Primavera

Alberto Caeiro escreve sobre a morte, a primavera e a continuidade das coisas da vida.

Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Fonte: https://www.pensador.com/os_melhores_poemas_de_fernando_pessoa/. Acesso em 25/04/2025

sexta-feira, 17 de abril de 2026

A colonização do Vale do Guaporé

Ainda no século XVI representantes da coroa portuguesa se aventuraram pelas brenhas amazônicas, tendo, passado pelos vales do Madeira-Guaporé-Mamoré. Na realidade se pensava em utilizar essa região como ponte de passagem e ligação entre as colônias do Sul e as do extremo Norte. Uma ligação extremamente arriscada e difícil de ser realizada.

Um dos primeiros passos de Portugal para assegurar sua posse sobre a região do Guaporé foi a ocupação desses vales, de onde extraia ouro e as drogas do sertão. Essa ocupação se deu pela ação dos bandeirantes que, ao mesmo tempo, explorava e ocupava.

Além disso, a ocupação se realizou pela presença militar o que pode ser comprovado pelas inúmeras construções fortificadas. Era necessária, entretanto uma ocupação estável, para assegurar a posse. Somente as expedições aprisionando indígenas e colhendo as drogas do sertão não assegurava a presença colonizadora e definitiva. Além disso, não cessava a constância dos conflitos, tanto com os índios como com os castelhanos, que também estavam ocupando a região de oeste para leste.

Foi com vistas nessa presença constante que, ainda antes da assinatura do Tratado de Madri, Dom Antônio Rolim de Moura recebeu a incumbência de povoar a região do Guaporé.

Nessa ocasião foi criada a capitania de Mato Grosso, e Rolim de Moura coordenou a estruturação da capital daquela província, às margens do Guaporé. A cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade, além de assegurar a presença portuguesa, seria um ponto de coleta de impostos sobre a mineração.

Em 1734, quando da descoberta de ouro nas proximidades do Guaporé a produção do Mato Grosso já estava em declínio. Para melhor explorar os novos locais o governo da capitania de São Paulo promoveu uma "guerra justa" contra os índios, a fim de conseguir escravos para a mineração. Essa empreitada, como outras tantas, dizimou alguns grupos indígenas.


Parte do texto: A colonização no Vale do Guaporé. Fonte: CARNEIRO. Neri de Paula Carneiro. Disponível em: https://www.webartigos.com/artigos/a-colonizacao-do-vale-do-guapore/5116/ Acesso em: 20 de fevereiro de 2017.

A importância do conhecimento sobre as novas tecnologias na atualidade

O conhecimento em novas tecnologias no momento atual é fundamental para a adaptação e o sucesso profissional e pessoal, e tem impacto profundo no trabalho, na educação e na vida cotidiana das pessoas. Já está comprovado que a tecnologia transforma hábitos sendo, o seu aprendizado contínuo, necessário para acompanhar as mudanças.

Na atualidade ampliaram-se tremendamente as relações que envolvem conhecimento e inovações tecnológicas, a facilidade de interação e comunicação globalizou a economia. O mundo começou a sentir a crescente hegemonia do pensamento neoliberal, desde o fim da guerra fria, onde gerou o colapso do socialismo e o início da era tecnológica em fins do séc. XX, sendo imprescindível nos dias atuais fazer um diagnóstico sobre os métodos aplicados na educação dessa sociedade pós-moderna, onde a tecnologia faz parte do dia-a-dia de todos.

A evolução tecnológica nesse momento de globalização traz um novo mundo a cada instante. Por sua característica em mudanças velozes, as pessoas procuram garantias de formação que lhes possibilite o domínio de conhecimentos e melhor qualidade de vida. Não chega a ser de estranhar que os métodos de ensinos não acompanham a velocidade das mudanças e novidades que surgem a cada momento.

A tecnologia não surgiu para exclusão, mas para inclusão de todos que se dispõe a utilizá-la. Conforme Kenski citando Lyotard, filósofo francês, o grande desafio da espécie humana na atualidade é a tecnologia, segundo ele, a única chance que o homem tem para conseguir acompanhar o movimento do mundo é adaptar-se à complexidade que os avanços tecnológicos impõem a todos, indistintamente.

Este deve ser também o desafio da educação: adaptar-se as novas tecnologias e orientar o caminho de todos para o domínio e a apropriação crítica destas.

Essas transformações evidenciam na modernidade uma nova forma de saber. Dentre as principais razões para a importância do conhecimento tecnológico no mundo globalizado citamos:

  • Adaptação ao Mercado de Trabalho: Ferramentas digitais facilitam o trabalho remoto, e a tecnologia impulsiona o aumento da produtividade e eficiência, exigindo novas habilidades dos profissionais.

  • Novas Competências Profissionalizantes: O aprendizado contínuo através de cursos online e webinars possibilita a atualização constante, essencial em um mercado em transformação.

  • Acesso à Informação e Educação: A tecnologia revolucionou o aprendizado, oferecendo recursos interativos e personalizados (como plataformas online, inteligência artificial e realidade virtual), tornando a educação mais acessível e alinhada ao perfil digital dos estudantes.

  • Melhoria na Qualidade de Vida: Inovações tecnológicas visam solucionar desafios do dia a dia, trazendo mais praticidade e melhorando a qualidade de vida.

  • Conexão Global: A internet e dispositivos móveis possibilitam a troca de informações e dados em tempo real, além da interação social.

  • Desenvolvimento de Autonomia: A integração de tecnologias na educação, com intencionalidade pedagógica, promove a autonomia, permitindo que os alunos se tornem produtores de conhecimento, não apenas consumidores.



segunda-feira, 30 de março de 2026

Educação e Politica: o que tem a ver?

Educação e política estão intrinsecamente ligadas, pois a educação não é neutra e reflete o projeto de sociedade desejado, moldando valores e formando cidadãos. A política, por sua vez, define as diretrizes, orçamentos e currículos escolares, enquanto a educação capacita indivíduos a participar ativamente da vida democrática, questionar estruturas e exercer a cidadania;

Neste sentido, é salutar dizer que a relação entre educação e política é profunda e indissociável, pois ambas tratam da formação do indivíduo e da organização da vida em sociedade.

Se, por um lado, as manifestações populares dos últimos anos sinalizaram que o brasileiro tem se interessado e valorizado mais a política, por outro elas também revelaram a falta de conhecimento dos brasileiros sobre a política. Não surpreende que haja carência de educação política em um país com problemas graves na educação básica.

A não previsão de disciplinas escolares que abordam o sistema político brasileiro ou a Constituição Federal prejudica ainda mais esse quadro. De todo modo, é crescente o interesse em política e por isso cada vez mais pessoas se dedicam a entender o tema, seja no sentido prático, como a política das instituições públicas, dos movimentos sociais e de protestos de rua, ou no sentido teórico como teorias, correntes de pensamento e ideologias, que moldam a ação prática dos indivíduos.

Por isso, faz-se necessário discutir o que precisamos ensinar e aprender em relação à política. O que é educação política e o que se pretende passar com ela? E afinal, qual é a relevância disso.

A Educação Política nas escolas brasileiras ainda é um tema pouco explorado, porém, de extrema importância para a formação de cidadãos críticos e conscientes. Inserir disciplinas focadas na educação política no currículo escolar pode ser uma ferramenta imprescindível para preparar as novas gerações para uma cidadania ativa, contribuindo diretamente para o fortalecimento da democracia no país. No entanto, essa proposta encontra uma série de desafios, tanto estruturais quanto culturais. 

Assim, resumidamente podemos dizer que educação e politica se conectam principalmente através de três dimensões, vejamos

1. A educação como ato político

Toda educação carrega uma visão de mundo e um projeto de sociedade. 

  • Neutralidade Inexistente: Não existe educação neutra; as escolhas de currículos, livros e métodos refletem o que o Estado ou a sociedade valorizam.

  • Transformação Social: Para pensadores como Paulo Freire e outros, a educação é uma ferramenta de conscientização crítica que permite ao cidadão agir e transformar sua realidade. 

    2. Políticas públicas educacionais

A política (no sentido de gestão governamental) é o que viabiliza o direito à educação garantido pela Constituição. 

  • Gestão de Recursos: Decisões políticas definem o financiamento de escolas, salários de professores e demais programas de governo.

  • Diretrizes e Bases: Leis como a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) são frutos de debates políticos que estruturam como o ensino deve funcionar no país. 

3. Educação política

É o processo de ensinar como o sistema político funciona e qual o papel do cidadão nele. 

  • Formação Crítica: Estimula o debate sobre temas atuais, o conhecimento de direitos e deveres e a capacidade de não ser alienado por discursos prontos.

  • Fortalecimento da Democracia: Instituições, cuja finalidade é a formação docente defendem que uma população bem informada politicamente é essencial para democracias estáveis. 

Em resumo, enquanto a política decide os rumos da sociedade, a educação prepara as pessoas para participarem dessas decisões de forma ativa, consciente e crítica.



quinta-feira, 19 de março de 2026

O ORÇAMENTO PUBLICO E A PARTICIPAÇÃO POPULAR

Nos dias atuais parece normal criticar a falta de planejamento na elaboração dos orçamentos públicos, dito em muitos casos ser peças de ficção. A expressão refere-se ao fato de que no pensamento de muitas pessoas a lei orçamentária, cumpre apenas a função de mera formalidade autorizativa da despesa, sem ter qualquer relação de pertinência com as políticas públicas, o cenário socioeconômico e a programação de longo prazo da administração pública.

Antes de qualquer devaneio ou aventuras nessa discussão. Além de que que tem muito a ver com a vida das pessoas, e se a realidade se desse mesmo apenas na ficção, são críticas que se acertam e acentuam-se cada vez mais, dado a ausência de participação social no processo de aprovação das peças orçamentárias, cujos planejamentos são realizados a cada ano.

De acordo com os arts. 165 e 166 da Constituição da República de 1988, aplicado por simetria aos Estados, Municípios e Distrito Federal, a elaboração da proposta do orçamento público compete ao Poder Executivo, que deverá prever as despesas que pretende realizar, quantificando as receitas que lhes servirão de custeio. Em fase posterior a proposta é encaminhada para a aprovação do Poder Legislativo.

Nesse momento de apreciação da proposta orçamentaria pelo Poder Legislativo é que a população deverá se apresentar e participar, pois as ações ali encaminhadas e aprovadas vão repercutir diretamente na qualidade de vida de todos os cidadãos. Para isso esse momento deve ser amplamente divulgado.

Esse momento de chamar a população para a deliberação do orçamento publico não representa mera exclusividade ou simples bondade dos poderes executivos e legislativos. Esse é um momento assegurado por lei, ou seja, está descrito no art. 48, §1º, I, da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que prescreve que o “incentivo à participação popular e realização de audiências públicas, durante os processos de elaboração e discussão dos planos, lei de diretrizes orçamentárias e orçamentos é condição obrigatória para aprovação das leis de orçamento.

De certa forma, talvez a falta de informações sobre o direito dos cidadãos de participar desse processo, somada a um certo descrédito sobre a anuência dos legisladores às propostas apresentadas, possa explicar a baixa adesão da sociedade nas audiências públicas sobre os orçamentos.

Nesse contexto, o PPA, a LDO e a LOA documentos que dão suporte à elaboração e execução orçamentária no Brasil e por conseguinte, instrumentos estritamente relacionados entre si, formando um sistema integrado de planejamento e orçamento que deve ser adotado pelos entes da Federação (Municípios, Estados e União) deverão representar as prioridades da população por determinado período, quer sejam eles de longo, médio e curto prazo.

Por ser, o planejamento orçamentário na sua totalidade um documento complexo e que diz respeito a vida de toda uma população, sua elaboração deve contar com a participação da sociedade, por meio de audiências públicas, consultas populares e conselhos deliberativos. Essa etapa fortalece a transparência e a legitimidade das decisões orçamentárias, e sendo a população conhecedora desse instrumento, poderá acompanhar, fiscalizar, e consequentemente co


terça-feira, 10 de março de 2026

Construção de um currículo escolar critico

Currículo escolar é tudo o que acontece nas aulas, desde o que pretendemos trabalhar com os alunos até o que fazemos na pratica: materiais e os seus conteúdos, os materiais e recursos didáticos, tarefas para o corpo discente, como organizamos o espaço e tempo, a função dos professores e do alunos, o papel das famílias e dos demais agentes na aula, as funções e modelos de avaliação que desenvolvemos, etc.

O currículo escolar deve ser o instrumento e processo pelo qual aprendemos a viver e a conviver, a ajudar, a cooperar e trabalhar juntos; a reconhecer o outro tal como é, e valorizá-lo, procurar, nesse reconhecimento, evitar as deformações das socializações, em que os grupos dominantes, para reproduzir seu poder, construíram.

Assim, a surge a necessidade da construção de currículos inclusivos que se relacionem à organização escolar não excludente e não classificatória. Além disso, facilita a compreensão do termo “Justiça Curricular”, aqui compreendido como um conceito de que caminha de mãos dadas com a organização escolar democrática na defesa de praticas pedagógicas inclusivas, participativas, dignas, éticas e dialógicas.

Ademais, a justiça curricular respeita as singularidades dos corpos dos sujeitos, das culturas, dos grupos sociais, ao mesmo tempo em que dá voz, visibilidade e representatividade a todos os integrantes das comunidades escolares com suas distintas realidades e regionalidades, aspectos constituintes de todos nós, seres humanos complexos nas mais diversas dimensões, contextos e cotidianos da vida, em um processo e período de tempo histórico e contínuo.

A educação é um dialogo que precisa ser continuadamente debatida, argumentada, buscando maneiras de demonstrar por que determinada teoria funciona ou não. Se o ensino não for baseado no dialogo, no debate, procurando escutar as vozes silenciadas e marginalizadas, o discurso elitista se reforça e se consolida de modo reprodutor, conservador, racista, sexista, classista.

No ambiente escolar dever construído a visão do é bom, do vale a pena, logo do que não é bom. Se esses processos não se produzem democraticamente, se não produzem dialogicamente, debatendo, argumentando, contra-argumentando num espaço de liberdade de pensamento, então é previsível que a colonização mental, a dominação ideológica se estabeleça.


A filosofia do pequeno príncipe

A filosofia de O Pequeno Príncipe foca na essência humana, valorizando laços afetivos (“cativar”) e a visão interior em detrimento da superficialidade materialista dos adultos. A obra ensina que “o essencial é invisível aos olhos”, enfatizando responsabilidade, amor e a necessidade de resgatar a criança interior. Centra-se na ideia de que a essência das coisas não pode ser percebida pelos sentidos físicos, mas apenas pelo coração e pelos laços emocionais que construímos

A obra de Antoine de Saint-Exupéry é um convite para desacelerar, valorizar o tempo e focar no que realmente importa: as relações humanas e o cultivo do amor.

A obra funciona como uma fábula filosófica que critica a visão limitada e materialista do mundo adulto em contraste com a pureza e curiosidade da infância.

O Essencial é Invisível: De acordo com o portal Brasil Escola, a frase "O essencial é invisível aos olhos" sintetiza a moral da história, defendendo que o valor real de algo reside naquilo que não é palpável, como o amor e a amizade.

O Ato de Cativar: A filosofia do livro define o "cativar" como a criação de laços. Conforme analisado pelo Medium, essa conexão torna as pessoas únicas umas para as outras e traz significado à existência.

Responsabilidade Ética: A obra postula que "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas", sugerindo que o afeto gera um compromisso moral inalienável com o outro.

Crítica à Praticidade Excessiva: Através dos personagens que o príncipe encontra em outros asteroides (como o Rei, o Vaidoso e o Homem de Negócios), o autor critica a obsessão dos adultos por números, poder e utilidade imediata, que os impede de apreciar a beleza do mundo.




Fonte: https://pt1.savefrom.net/1-how-to-download-youtube-video-10Yu.html?url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DQm5uVIKKzAY%26t%3D86s&utm_source=youtube.com&utm_medium=short_domains&utm_campaign=ssyoutube.com&a_ts=1773156496.541#

terça-feira, 3 de março de 2026

RACISMO AMBIENTAL - UM DOS LADOS INVISIVEIS DA DISCRIMINAÇÃO SOCIAL

No Brasil, o racismo ambiental se manifesta de diversas formas, atingindo especialmente as comunidades e populações tradicionais e que vivem nas periferias urbanas. A forma como o espaço é organizado reflete e perpetua desigualdades históricas, colocando essas populações em áreas mais vulneráveis a enchentes, deslizamentos de terra, poluição e falta de saneamento básico.

O racismo, fundamentado em opressão e violência, afeta diretamente a alocação seletiva de indivíduos em ambientes, padrões habitacionais e desenvolvimento infraestrutural, evidenciado pela carência de infraestrutura essencial para a população.

O Art. 225 da Constituição Federal prevê a inclusão de todos na elaboração e implementação de políticas ambientais (BRASIL, 1988), porém, enfrentamos a problemática da “Injustiça Ambiental”, que sobrecarrega grupos vulneráveis com impactos ambientais desfavoráveis (Herculano, 2008).

O termo “racismo ambiental” surgiu no cenário norte-americano durante a década de 1980, sobretudo entre as comunidades negras que debatiam as desigualdades sistêmicas em relação à localização de instalações poluentes em áreas habitadas majoritariamente por minorias étnicas.

O conceito de “racismo ambiental”, foi cunhado por Benjamin Franklin Chavis Jr., um líder afro-americano renomado nos movimentos pelos direitos civis nos Estados Unidos. Chavis delineou o termo como a “discriminação racial na elaboração de políticas ambientais, aplicação de regulamentos e leis, direcionamento deliberado de comunidades negras para instalação de resíduos tóxicos, sansão oficial da presença de veneno e poluentes com risco de vida nas comunidades e exclusão de pessoas negras da liderança dos movimentos ecológicos”. (Herculano, 2008).

À medida que a discussão acadêmica progrediu, a pesquisa de Bullard (2000) emergiu como um marco, explorando a intersecção entre raça, classe e disparidades ambientais. Focou sua análise nas desigualdades urbanas, defendendo uma abordagem interdisciplinar centrada na comunidade e trouxe à tona as interseções de gênero no racismo ambiental, examinando a diversidade e a representatividade dentro das organizações ambientais.

Ao aprofundar-se nesta temática, torna-se imperativo reconhecer a intrínseca relação entre o racismo ambiental e o conceito mais amplo de racismo estrutural. Este último, refere-se a sistemas onde práticas públicas, institucionais e culturais perpetuam o acesso desigual a recursos com base na raça (Bonilla-Silva, 2006; Almeida, 2018; Davis, 2016).

Deste modo, o racismo ambiental pode ser entendido como uma manifestação concreta do racismo estrutural, expressando-se nas desigualdades do domínio ambiental e ampliando as discussões sobre as injustiças raciais em um contexto mais abrangente.

Nesse contexto, a educação associada a ações culturais constitui-se como uma ferramenta fundamental para combater essa realidade. Em vez de focar apenas em questões de conservação e sustentabilidade de forma genérica, a associação de saberes é premissa que permite analisar as relações de poder, as injustiças sociais e as desigualdades que permeiam a crise ambiental que atualmente vivemos no planeta.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O DEUS DE SPINOZA

Texto copiado na integra da pagina: https://portal.clientesa.com.br/deus-a-filosofia-e-verdades/

Você já deve ter recebido mensagens de fim de ano por grupos de whatsApp com o (lindo!) texto “Deus”, indevidamente atribuído filósofo holandês Baruch von Spinoza (também chamado de Bento de Spinoza). Spinoza foi um dos grandes filósofos racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, ao lado de Descartes e Leibniz.

Spinoza

A posição teológica de Spinoza era conhecida pela expressão Deus sive Natura – encontrada originalmente na obra Meditações do filósofo René Descartes, e ele entendia que essa expressão apresentava uma ideia de uma divindade inerente à natureza. Spinoza utilizava uma linguagem metafórica com um forte apelo espiritual, o que revela incompatibilidade do texto citado com o próprio pensamento do filósofo.

Na verdade, o texto abaixo foi escrito pelo mexicano Francisco Javier Ángel Real, conhecido pelo pseudônimo de Anand Dílvar, e pode ser encontrado em seu livro Conversaciones con mi Guía, onde ele relata um suposto diálogo com uma entidade espiritual. Confira abaixo o texto de Anand Dílvar, atribuído a Spinoza e várias vezes associado a uma suposta resposta de Einstein sobre acreditar em Deus:

“Pare de ficar rezando e batendo no peito! O que quero que faça é que saia pelo mundo e desfrute a vida. Quero que goze, cante, divirta-se e aproveite tudo o que fiz pra você.

Pare de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que você mesmo construiu e acredita ser a minha casa! Minha casa são as montanhas, os bosques, os rios, os lagos, as praias, onde vivo e expresso Amor por você.

Pare de me culpar pela sua vida miserável! Eu nunca disse que há algo mau em você, que é um pecador ou que sua sexualidade seja algo ruim. O sexo é um presente que lhe dei e com o qual você pode expressar amor, êxtase, alegria. Assim, não me culpe por tudo o que o fizeram crer.

Pare de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo! Se não pode me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de seus amigos, nos olhos de seu filhinho, não me encontrará em nenhum livro.

Confie em mim e deixe de me dirigir pedidos! Você vai me dizer como fazer meu trabalho? Pare de ter medo de mim! Eu não o julgo, nem o critico, nem me irrito, nem o incomodo, nem o castigo. Eu sou puro Amor.

Pare de me pedir perdão! Não há nada a perdoar. Se eu o fiz, eu é que o enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso culpá-lo se responde a algo que eu pus em você? Como posso castigá-lo por ser como é, se eu o fiz?

Crê que eu poderia criar um lugar para queimar todos os meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que Deus faria isso? Esqueça qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei, que são artimanhas para manipulá-lo, para controlá-lo, que só geram culpa em você!

Respeite seu próximo e não faça ao outro o que não queira para você! Preste atenção na sua vida, que seu estado de alerta seja seu guia!

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é só o que há aqui e agora, e só de que você precisa.

Eu o fiz absolutamente livre. Não há prêmios, nem castigos. Não há pecados, nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Você é absolutamente livre para fazer da sua vida um céu ou um inferno.

Não lhe poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso lhe dar um conselho: Viva como se não o houvesse, como se esta fosse sua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não houver nada, você terá usufruído da oportunidade que lhe dei.

E, se houver, tenha certeza de que não vou perguntar se você foi comportado ou não. Vou perguntar se você gostou, se se divertiu, do que mais gostou, o que aprendeu.

Pare de crer em mim! Crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que você acredite em mim, quero que me sinta em você. Quero que me sinta em você quando beija sua amada, quando agasalha sua filhinha, quando acaricia seu cachorro, quando toma banho de mar.

Pare de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra você acredita que eu seja? Aborrece-me que me louvem. Cansa-me que me agradeçam. Você se sente grato? Demonstre-o cuidando de você, da sua saúde, das suas relações, do mundo. Sente-se olhado, surpreendido? Expresse sua alegria! Esse é um jeito de me louvar.

Pare de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que o ensinaram sobre mim! A única certeza é que você está aqui, que está vivo e que este mundo está cheio de maravilhas.

Para que precisa de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procure fora. Não me achará. Procure-me dentro de você. É aí que estou, batendo em você.”

E então, o que achou do texto? Na verdade, acredito que o que importa mesmo é a essência do texto e a profundidade de seu conteúdo. A associação a um filósofo tão respeitado quanto Spinoza talvez seja o reflexo de uma busca atual de credibilidade… Se você ler com bastante atenção, notará que trata-se de uma fábula contemporânea, com diversas mensagens e ideias interessantes e uma essência atual… Um belo texto, sem dúvida. De qualquer forma, é justo dar o crédito a Anand Dílvar – “à César o que é de César”, não é mesmo?

Mas acredite: sempre vale a pena buscar a sua verdade interior, não importa qual seja o “seu” Deus… Esse é o caminho!