sexta-feira, 17 de abril de 2026

A colonização do Vale do Guaporé

Ainda no século XVI representantes da coroa portuguesa se aventuraram pelas brenhas amazônicas, tendo, passado pelos vales do Madeira-Guaporé-Mamoré. Na realidade se pensava em utilizar essa região como ponte de passagem e ligação entre as colônias do Sul e as do extremo Norte. Uma ligação extremamente arriscada e difícil de ser realizada.

Um dos primeiros passos de Portugal para assegurar sua posse sobre a região do Guaporé foi a ocupação desses vales, de onde extraia ouro e as drogas do sertão. Essa ocupação se deu pela ação dos bandeirantes que, ao mesmo tempo, explorava e ocupava.

Além disso, a ocupação se realizou pela presença militar o que pode ser comprovado pelas inúmeras construções fortificadas. Era necessária, entretanto uma ocupação estável, para assegurar a posse. Somente as expedições aprisionando indígenas e colhendo as drogas do sertão não assegurava a presença colonizadora e definitiva. Além disso, não cessava a constância dos conflitos, tanto com os índios como com os castelhanos, que também estavam ocupando a região de oeste para leste.

Foi com vistas nessa presença constante que, ainda antes da assinatura do Tratado de Madri, Dom Antônio Rolim de Moura recebeu a incumbência de povoar a região do Guaporé.

Nessa ocasião foi criada a capitania de Mato Grosso, e Rolim de Moura coordenou a estruturação da capital daquela província, às margens do Guaporé. A cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade, além de assegurar a presença portuguesa, seria um ponto de coleta de impostos sobre a mineração.

Em 1734, quando da descoberta de ouro nas proximidades do Guaporé a produção do Mato Grosso já estava em declínio. Para melhor explorar os novos locais o governo da capitania de São Paulo promoveu uma "guerra justa" contra os índios, a fim de conseguir escravos para a mineração. Essa empreitada, como outras tantas, dizimou alguns grupos indígenas.


Parte do texto: A colonização no Vale do Guaporé. Fonte: CARNEIRO. Neri de Paula Carneiro. Disponível em: https://www.webartigos.com/artigos/a-colonizacao-do-vale-do-guapore/5116/ Acesso em: 20 de fevereiro de 2017.

A importância do conhecimento sobre as novas tecnologias na atualidade

O conhecimento em novas tecnologias no momento atual é fundamental para a adaptação e o sucesso profissional e pessoal, e tem impacto profundo no trabalho, na educação e na vida cotidiana das pessoas. Já está comprovado que a tecnologia transforma hábitos sendo, o seu aprendizado contínuo, necessário para acompanhar as mudanças.

Na atualidade ampliaram-se tremendamente as relações que envolvem conhecimento e inovações tecnológicas, a facilidade de interação e comunicação globalizou a economia. O mundo começou a sentir a crescente hegemonia do pensamento neoliberal, desde o fim da guerra fria, onde gerou o colapso do socialismo e o início da era tecnológica em fins do séc. XX, sendo imprescindível nos dias atuais fazer um diagnóstico sobre os métodos aplicados na educação dessa sociedade pós-moderna, onde a tecnologia faz parte do dia-a-dia de todos.

A evolução tecnológica nesse momento de globalização traz um novo mundo a cada instante. Por sua característica em mudanças velozes, as pessoas procuram garantias de formação que lhes possibilite o domínio de conhecimentos e melhor qualidade de vida. Não chega a ser de estranhar que os métodos de ensinos não acompanham a velocidade das mudanças e novidades que surgem a cada momento.

A tecnologia não surgiu para exclusão, mas para inclusão de todos que se dispõe a utilizá-la. Conforme Kenski citando Lyotard, filósofo francês, o grande desafio da espécie humana na atualidade é a tecnologia, segundo ele, a única chance que o homem tem para conseguir acompanhar o movimento do mundo é adaptar-se à complexidade que os avanços tecnológicos impõem a todos, indistintamente.

Este deve ser também o desafio da educação: adaptar-se as novas tecnologias e orientar o caminho de todos para o domínio e a apropriação crítica destas.

Essas transformações evidenciam na modernidade uma nova forma de saber. Dentre as principais razões para a importância do conhecimento tecnológico no mundo globalizado citamos:

  • Adaptação ao Mercado de Trabalho: Ferramentas digitais facilitam o trabalho remoto, e a tecnologia impulsiona o aumento da produtividade e eficiência, exigindo novas habilidades dos profissionais.

  • Novas Competências Profissionalizantes: O aprendizado contínuo através de cursos online e webinars possibilita a atualização constante, essencial em um mercado em transformação.

  • Acesso à Informação e Educação: A tecnologia revolucionou o aprendizado, oferecendo recursos interativos e personalizados (como plataformas online, inteligência artificial e realidade virtual), tornando a educação mais acessível e alinhada ao perfil digital dos estudantes.

  • Melhoria na Qualidade de Vida: Inovações tecnológicas visam solucionar desafios do dia a dia, trazendo mais praticidade e melhorando a qualidade de vida.

  • Conexão Global: A internet e dispositivos móveis possibilitam a troca de informações e dados em tempo real, além da interação social.

  • Desenvolvimento de Autonomia: A integração de tecnologias na educação, com intencionalidade pedagógica, promove a autonomia, permitindo que os alunos se tornem produtores de conhecimento, não apenas consumidores.



segunda-feira, 30 de março de 2026

Educação e Politica: o que tem a ver?

Educação e política estão intrinsecamente ligadas, pois a educação não é neutra e reflete o projeto de sociedade desejado, moldando valores e formando cidadãos. A política, por sua vez, define as diretrizes, orçamentos e currículos escolares, enquanto a educação capacita indivíduos a participar ativamente da vida democrática, questionar estruturas e exercer a cidadania;

Neste sentido, é salutar dizer que a relação entre educação e política é profunda e indissociável, pois ambas tratam da formação do indivíduo e da organização da vida em sociedade.

Se, por um lado, as manifestações populares dos últimos anos sinalizaram que o brasileiro tem se interessado e valorizado mais a política, por outro elas também revelaram a falta de conhecimento dos brasileiros sobre a política. Não surpreende que haja carência de educação política em um país com problemas graves na educação básica.

A não previsão de disciplinas escolares que abordam o sistema político brasileiro ou a Constituição Federal prejudica ainda mais esse quadro. De todo modo, é crescente o interesse em política e por isso cada vez mais pessoas se dedicam a entender o tema, seja no sentido prático, como a política das instituições públicas, dos movimentos sociais e de protestos de rua, ou no sentido teórico como teorias, correntes de pensamento e ideologias, que moldam a ação prática dos indivíduos.

Por isso, faz-se necessário discutir o que precisamos ensinar e aprender em relação à política. O que é educação política e o que se pretende passar com ela? E afinal, qual é a relevância disso.

A Educação Política nas escolas brasileiras ainda é um tema pouco explorado, porém, de extrema importância para a formação de cidadãos críticos e conscientes. Inserir disciplinas focadas na educação política no currículo escolar pode ser uma ferramenta imprescindível para preparar as novas gerações para uma cidadania ativa, contribuindo diretamente para o fortalecimento da democracia no país. No entanto, essa proposta encontra uma série de desafios, tanto estruturais quanto culturais. 

Assim, resumidamente podemos dizer que educação e politica se conectam principalmente através de três dimensões, vejamos

1. A educação como ato político

Toda educação carrega uma visão de mundo e um projeto de sociedade. 

  • Neutralidade Inexistente: Não existe educação neutra; as escolhas de currículos, livros e métodos refletem o que o Estado ou a sociedade valorizam.

  • Transformação Social: Para pensadores como Paulo Freire e outros, a educação é uma ferramenta de conscientização crítica que permite ao cidadão agir e transformar sua realidade. 

    2. Políticas públicas educacionais

A política (no sentido de gestão governamental) é o que viabiliza o direito à educação garantido pela Constituição. 

  • Gestão de Recursos: Decisões políticas definem o financiamento de escolas, salários de professores e demais programas de governo.

  • Diretrizes e Bases: Leis como a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) são frutos de debates políticos que estruturam como o ensino deve funcionar no país. 

3. Educação política

É o processo de ensinar como o sistema político funciona e qual o papel do cidadão nele. 

  • Formação Crítica: Estimula o debate sobre temas atuais, o conhecimento de direitos e deveres e a capacidade de não ser alienado por discursos prontos.

  • Fortalecimento da Democracia: Instituições, cuja finalidade é a formação docente defendem que uma população bem informada politicamente é essencial para democracias estáveis. 

Em resumo, enquanto a política decide os rumos da sociedade, a educação prepara as pessoas para participarem dessas decisões de forma ativa, consciente e crítica.



quinta-feira, 19 de março de 2026

O ORÇAMENTO PUBLICO E A PARTICIPAÇÃO POPULAR

Nos dias atuais parece normal criticar a falta de planejamento na elaboração dos orçamentos públicos, dito em muitos casos ser peças de ficção. A expressão refere-se ao fato de que no pensamento de muitas pessoas a lei orçamentária, cumpre apenas a função de mera formalidade autorizativa da despesa, sem ter qualquer relação de pertinência com as políticas públicas, o cenário socioeconômico e a programação de longo prazo da administração pública.

Antes de qualquer devaneio ou aventuras nessa discussão. Além de que que tem muito a ver com a vida das pessoas, e se a realidade se desse mesmo apenas na ficção, são críticas que se acertam e acentuam-se cada vez mais, dado a ausência de participação social no processo de aprovação das peças orçamentárias, cujos planejamentos são realizados a cada ano.

De acordo com os arts. 165 e 166 da Constituição da República de 1988, aplicado por simetria aos Estados, Municípios e Distrito Federal, a elaboração da proposta do orçamento público compete ao Poder Executivo, que deverá prever as despesas que pretende realizar, quantificando as receitas que lhes servirão de custeio. Em fase posterior a proposta é encaminhada para a aprovação do Poder Legislativo.

Nesse momento de apreciação da proposta orçamentaria pelo Poder Legislativo é que a população deverá se apresentar e participar, pois as ações ali encaminhadas e aprovadas vão repercutir diretamente na qualidade de vida de todos os cidadãos. Para isso esse momento deve ser amplamente divulgado.

Esse momento de chamar a população para a deliberação do orçamento publico não representa mera exclusividade ou simples bondade dos poderes executivos e legislativos. Esse é um momento assegurado por lei, ou seja, está descrito no art. 48, §1º, I, da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que prescreve que o “incentivo à participação popular e realização de audiências públicas, durante os processos de elaboração e discussão dos planos, lei de diretrizes orçamentárias e orçamentos é condição obrigatória para aprovação das leis de orçamento.

De certa forma, talvez a falta de informações sobre o direito dos cidadãos de participar desse processo, somada a um certo descrédito sobre a anuência dos legisladores às propostas apresentadas, possa explicar a baixa adesão da sociedade nas audiências públicas sobre os orçamentos.

Nesse contexto, o PPA, a LDO e a LOA documentos que dão suporte à elaboração e execução orçamentária no Brasil e por conseguinte, instrumentos estritamente relacionados entre si, formando um sistema integrado de planejamento e orçamento que deve ser adotado pelos entes da Federação (Municípios, Estados e União) deverão representar as prioridades da população por determinado período, quer sejam eles de longo, médio e curto prazo.

Por ser, o planejamento orçamentário na sua totalidade um documento complexo e que diz respeito a vida de toda uma população, sua elaboração deve contar com a participação da sociedade, por meio de audiências públicas, consultas populares e conselhos deliberativos. Essa etapa fortalece a transparência e a legitimidade das decisões orçamentárias, e sendo a população conhecedora desse instrumento, poderá acompanhar, fiscalizar, e consequentemente co


terça-feira, 10 de março de 2026

Construção de um currículo escolar critico

Currículo escolar é tudo o que acontece nas aulas, desde o que pretendemos trabalhar com os alunos até o que fazemos na pratica: materiais e os seus conteúdos, os materiais e recursos didáticos, tarefas para o corpo discente, como organizamos o espaço e tempo, a função dos professores e do alunos, o papel das famílias e dos demais agentes na aula, as funções e modelos de avaliação que desenvolvemos, etc.

O currículo escolar deve ser o instrumento e processo pelo qual aprendemos a viver e a conviver, a ajudar, a cooperar e trabalhar juntos; a reconhecer o outro tal como é, e valorizá-lo, procurar, nesse reconhecimento, evitar as deformações das socializações, em que os grupos dominantes, para reproduzir seu poder, construíram.

Assim, a surge a necessidade da construção de currículos inclusivos que se relacionem à organização escolar não excludente e não classificatória. Além disso, facilita a compreensão do termo “Justiça Curricular”, aqui compreendido como um conceito de que caminha de mãos dadas com a organização escolar democrática na defesa de praticas pedagógicas inclusivas, participativas, dignas, éticas e dialógicas.

Ademais, a justiça curricular respeita as singularidades dos corpos dos sujeitos, das culturas, dos grupos sociais, ao mesmo tempo em que dá voz, visibilidade e representatividade a todos os integrantes das comunidades escolares com suas distintas realidades e regionalidades, aspectos constituintes de todos nós, seres humanos complexos nas mais diversas dimensões, contextos e cotidianos da vida, em um processo e período de tempo histórico e contínuo.

A educação é um dialogo que precisa ser continuadamente debatida, argumentada, buscando maneiras de demonstrar por que determinada teoria funciona ou não. Se o ensino não for baseado no dialogo, no debate, procurando escutar as vozes silenciadas e marginalizadas, o discurso elitista se reforça e se consolida de modo reprodutor, conservador, racista, sexista, classista.

No ambiente escolar dever construído a visão do é bom, do vale a pena, logo do que não é bom. Se esses processos não se produzem democraticamente, se não produzem dialogicamente, debatendo, argumentando, contra-argumentando num espaço de liberdade de pensamento, então é previsível que a colonização mental, a dominação ideológica se estabeleça.


A filosofia do pequeno príncipe

A filosofia de O Pequeno Príncipe foca na essência humana, valorizando laços afetivos (“cativar”) e a visão interior em detrimento da superficialidade materialista dos adultos. A obra ensina que “o essencial é invisível aos olhos”, enfatizando responsabilidade, amor e a necessidade de resgatar a criança interior. Centra-se na ideia de que a essência das coisas não pode ser percebida pelos sentidos físicos, mas apenas pelo coração e pelos laços emocionais que construímos

A obra de Antoine de Saint-Exupéry é um convite para desacelerar, valorizar o tempo e focar no que realmente importa: as relações humanas e o cultivo do amor.

A obra funciona como uma fábula filosófica que critica a visão limitada e materialista do mundo adulto em contraste com a pureza e curiosidade da infância.

O Essencial é Invisível: De acordo com o portal Brasil Escola, a frase "O essencial é invisível aos olhos" sintetiza a moral da história, defendendo que o valor real de algo reside naquilo que não é palpável, como o amor e a amizade.

O Ato de Cativar: A filosofia do livro define o "cativar" como a criação de laços. Conforme analisado pelo Medium, essa conexão torna as pessoas únicas umas para as outras e traz significado à existência.

Responsabilidade Ética: A obra postula que "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas", sugerindo que o afeto gera um compromisso moral inalienável com o outro.

Crítica à Praticidade Excessiva: Através dos personagens que o príncipe encontra em outros asteroides (como o Rei, o Vaidoso e o Homem de Negócios), o autor critica a obsessão dos adultos por números, poder e utilidade imediata, que os impede de apreciar a beleza do mundo.




Fonte: https://pt1.savefrom.net/1-how-to-download-youtube-video-10Yu.html?url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DQm5uVIKKzAY%26t%3D86s&utm_source=youtube.com&utm_medium=short_domains&utm_campaign=ssyoutube.com&a_ts=1773156496.541#

terça-feira, 3 de março de 2026

RACISMO AMBIENTAL - UM DOS LADOS INVISIVEIS DA DISCRIMINAÇÃO SOCIAL

No Brasil, o racismo ambiental se manifesta de diversas formas, atingindo especialmente as comunidades e populações tradicionais e que vivem nas periferias urbanas. A forma como o espaço é organizado reflete e perpetua desigualdades históricas, colocando essas populações em áreas mais vulneráveis a enchentes, deslizamentos de terra, poluição e falta de saneamento básico.

O racismo, fundamentado em opressão e violência, afeta diretamente a alocação seletiva de indivíduos em ambientes, padrões habitacionais e desenvolvimento infraestrutural, evidenciado pela carência de infraestrutura essencial para a população.

O Art. 225 da Constituição Federal prevê a inclusão de todos na elaboração e implementação de políticas ambientais (BRASIL, 1988), porém, enfrentamos a problemática da “Injustiça Ambiental”, que sobrecarrega grupos vulneráveis com impactos ambientais desfavoráveis (Herculano, 2008).

O termo “racismo ambiental” surgiu no cenário norte-americano durante a década de 1980, sobretudo entre as comunidades negras que debatiam as desigualdades sistêmicas em relação à localização de instalações poluentes em áreas habitadas majoritariamente por minorias étnicas.

O conceito de “racismo ambiental”, foi cunhado por Benjamin Franklin Chavis Jr., um líder afro-americano renomado nos movimentos pelos direitos civis nos Estados Unidos. Chavis delineou o termo como a “discriminação racial na elaboração de políticas ambientais, aplicação de regulamentos e leis, direcionamento deliberado de comunidades negras para instalação de resíduos tóxicos, sansão oficial da presença de veneno e poluentes com risco de vida nas comunidades e exclusão de pessoas negras da liderança dos movimentos ecológicos”. (Herculano, 2008).

À medida que a discussão acadêmica progrediu, a pesquisa de Bullard (2000) emergiu como um marco, explorando a intersecção entre raça, classe e disparidades ambientais. Focou sua análise nas desigualdades urbanas, defendendo uma abordagem interdisciplinar centrada na comunidade e trouxe à tona as interseções de gênero no racismo ambiental, examinando a diversidade e a representatividade dentro das organizações ambientais.

Ao aprofundar-se nesta temática, torna-se imperativo reconhecer a intrínseca relação entre o racismo ambiental e o conceito mais amplo de racismo estrutural. Este último, refere-se a sistemas onde práticas públicas, institucionais e culturais perpetuam o acesso desigual a recursos com base na raça (Bonilla-Silva, 2006; Almeida, 2018; Davis, 2016).

Deste modo, o racismo ambiental pode ser entendido como uma manifestação concreta do racismo estrutural, expressando-se nas desigualdades do domínio ambiental e ampliando as discussões sobre as injustiças raciais em um contexto mais abrangente.

Nesse contexto, a educação associada a ações culturais constitui-se como uma ferramenta fundamental para combater essa realidade. Em vez de focar apenas em questões de conservação e sustentabilidade de forma genérica, a associação de saberes é premissa que permite analisar as relações de poder, as injustiças sociais e as desigualdades que permeiam a crise ambiental que atualmente vivemos no planeta.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O DEUS DE SPINOZA

Texto copiado na integra da pagina: https://portal.clientesa.com.br/deus-a-filosofia-e-verdades/

Você já deve ter recebido mensagens de fim de ano por grupos de whatsApp com o (lindo!) texto “Deus”, indevidamente atribuído filósofo holandês Baruch von Spinoza (também chamado de Bento de Spinoza). Spinoza foi um dos grandes filósofos racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, ao lado de Descartes e Leibniz.

Spinoza

A posição teológica de Spinoza era conhecida pela expressão Deus sive Natura – encontrada originalmente na obra Meditações do filósofo René Descartes, e ele entendia que essa expressão apresentava uma ideia de uma divindade inerente à natureza. Spinoza utilizava uma linguagem metafórica com um forte apelo espiritual, o que revela incompatibilidade do texto citado com o próprio pensamento do filósofo.

Na verdade, o texto abaixo foi escrito pelo mexicano Francisco Javier Ángel Real, conhecido pelo pseudônimo de Anand Dílvar, e pode ser encontrado em seu livro Conversaciones con mi Guía, onde ele relata um suposto diálogo com uma entidade espiritual. Confira abaixo o texto de Anand Dílvar, atribuído a Spinoza e várias vezes associado a uma suposta resposta de Einstein sobre acreditar em Deus:

“Pare de ficar rezando e batendo no peito! O que quero que faça é que saia pelo mundo e desfrute a vida. Quero que goze, cante, divirta-se e aproveite tudo o que fiz pra você.

Pare de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que você mesmo construiu e acredita ser a minha casa! Minha casa são as montanhas, os bosques, os rios, os lagos, as praias, onde vivo e expresso Amor por você.

Pare de me culpar pela sua vida miserável! Eu nunca disse que há algo mau em você, que é um pecador ou que sua sexualidade seja algo ruim. O sexo é um presente que lhe dei e com o qual você pode expressar amor, êxtase, alegria. Assim, não me culpe por tudo o que o fizeram crer.

Pare de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo! Se não pode me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de seus amigos, nos olhos de seu filhinho, não me encontrará em nenhum livro.

Confie em mim e deixe de me dirigir pedidos! Você vai me dizer como fazer meu trabalho? Pare de ter medo de mim! Eu não o julgo, nem o critico, nem me irrito, nem o incomodo, nem o castigo. Eu sou puro Amor.

Pare de me pedir perdão! Não há nada a perdoar. Se eu o fiz, eu é que o enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso culpá-lo se responde a algo que eu pus em você? Como posso castigá-lo por ser como é, se eu o fiz?

Crê que eu poderia criar um lugar para queimar todos os meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que Deus faria isso? Esqueça qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei, que são artimanhas para manipulá-lo, para controlá-lo, que só geram culpa em você!

Respeite seu próximo e não faça ao outro o que não queira para você! Preste atenção na sua vida, que seu estado de alerta seja seu guia!

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é só o que há aqui e agora, e só de que você precisa.

Eu o fiz absolutamente livre. Não há prêmios, nem castigos. Não há pecados, nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Você é absolutamente livre para fazer da sua vida um céu ou um inferno.

Não lhe poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso lhe dar um conselho: Viva como se não o houvesse, como se esta fosse sua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não houver nada, você terá usufruído da oportunidade que lhe dei.

E, se houver, tenha certeza de que não vou perguntar se você foi comportado ou não. Vou perguntar se você gostou, se se divertiu, do que mais gostou, o que aprendeu.

Pare de crer em mim! Crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que você acredite em mim, quero que me sinta em você. Quero que me sinta em você quando beija sua amada, quando agasalha sua filhinha, quando acaricia seu cachorro, quando toma banho de mar.

Pare de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra você acredita que eu seja? Aborrece-me que me louvem. Cansa-me que me agradeçam. Você se sente grato? Demonstre-o cuidando de você, da sua saúde, das suas relações, do mundo. Sente-se olhado, surpreendido? Expresse sua alegria! Esse é um jeito de me louvar.

Pare de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que o ensinaram sobre mim! A única certeza é que você está aqui, que está vivo e que este mundo está cheio de maravilhas.

Para que precisa de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procure fora. Não me achará. Procure-me dentro de você. É aí que estou, batendo em você.”

E então, o que achou do texto? Na verdade, acredito que o que importa mesmo é a essência do texto e a profundidade de seu conteúdo. A associação a um filósofo tão respeitado quanto Spinoza talvez seja o reflexo de uma busca atual de credibilidade… Se você ler com bastante atenção, notará que trata-se de uma fábula contemporânea, com diversas mensagens e ideias interessantes e uma essência atual… Um belo texto, sem dúvida. De qualquer forma, é justo dar o crédito a Anand Dílvar – “à César o que é de César”, não é mesmo?

Mas acredite: sempre vale a pena buscar a sua verdade interior, não importa qual seja o “seu” Deus… Esse é o caminho!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

A história de uma educação sem educação


O sistema educacional brasileiro foi e sempre será, certamente um caso à parte. Muitos dos que trabalham nessa área, em particular os professores já tiveram seu valor. Isso é de largo reconhecimento pela sociedade, digo dos brasileiros de idade mais avançada, porque já faz mesmo muito tempo que essa profissão era sinônimo de orgulho, e status social.

Atualmente, qualquer um que se refere a esse tema, quando motivado por uma pesquisa, mesmo que seja de forma rasa, logo se refere a questões como baixa qualidade, falta de equidade, crescimento da violência nas escolas, necessidade de avanços na inclusão de crianças fora da sala de aula, assim como a tão falada meta de universalização educacional tratada nos Planos Educacionais Brasil afora que nunca são alcançadas.

O lamento, que mais parece uma súplica é generalizada no país pedindo as melhorias tão necessárias para o salto de qualidade no ensino, que tanto se fala. Que é preciso investir nesse setor para melhorar esse segmento, todos sabem, discutem e falam fervorosamente, porém até então, são apenas discursos que não chegam a lugar nenhum. Passam-se os anos e nada se faz.

O que dizer, ou como argumentar por exemplo, quando as estatísticas apontam que a educação no Brasil apresenta um cenário de contrastes ao afirmar que o país celebrou a menor taxa de analfabetismo da história (5,3%) no ano de 2024, quando por outro lado descumpriu quase 90% das metas do Plano Nacional de Educação (PNE) cujo decênio  encerrou naquele mesmo ano? Será diferente agora e nos anos seguintes?

Como se não bastasse a mesmice que há anos impera no sistema educacional desse país, o setor continua inerte. Não se percebe, ao menos de forma acanhada, qualquer movimento de protagonismo e altivez, por parte daqueles que atuam como gestores do setor. Não é perceptível algum vislumbre de mudanças que acompanhe as tantas inovações advindas nesse novo século. Pelo contrário, a ideologia de quem está no é imperativa, e cala qualquer um que tente levantar a voz.

Essa falta de sensibilidade por parte destes que se dizem serem grandes administradores e especialista, investidos no alto escalão dos governos para conduzir os sistemas educacionais Brasil afora, arrasta cada vez mais a educação brasileira para o buraco, diga se de passagem um buraco crescente e cada dia mais em fundo, apesar de o sistema ter muitos fundos.

Quando se pensa que deu um passo á frente criando um piso salarial nacional para os professores, dois passos ou mais são dados para trás. Primeiro, porque o piso salarial já vem defasado em relação a perda do poder de compra, a inflação da economia, bem como em relação aos salários das demais categorias de trabalhadores. Segundo, pelo fato de que os recursos repassados à educação, como sempre não refletem nas entregas que são necessárias no cotidiano pedagógico das escolas, que continuam com o seus quadros de pessoal e alunos desmotivados.

Afinal, o que está acontecendo com a sociedade que não valoriza mais a educação, algo tão importante, com já fez no passado? Como ter esperança e poder sonhar com um mundo melhor, se as nossas crianças e jovens não estão sendo preparadas para pensar e agir de forma equilibrada no meio onde vivem, respeitando os seus semelhantes e vivendo em harmonia na sociedade?

Pensando a partir de Milton Santos, Geógrafo renomado, conhecido mundialmente por sua geografia critica que transformou o modo de como pensar o mundo globalizado, e que se refere ao espaço como um conjunto indissociável de objeto e ações, podemos concluir que a educação também é um conjunto indissociável de conhecimentos e ações que precisa evoluir no tempo e no espaço que se encontra como forma de alimento na forma de conhecimento para que as pessoas possam ter uma vida boa, co0mo bem já dizia Sócrates,  filósofo ateniense do período clássico da Grécia Antiga.

No entanto, a diferença é que essas ações precisam ser bem planejadas, para a devida intervenção neste mesmo espaço onde todas os seres são atores e não se dão conta da sua importância e do seu papel, e principalmente no poder de transformação que cada um carrega consigo. Isso poderia moldar sua própria realidade, influenciar o ambiente ao redor e ressignificar histórias.

O também reconhecido educador Paulo Freire é enfático ao questionar sobre o papel de transformação do espaço pelo ser humano quando sensibiliza as pessoas para o protagonismo da sua própria história, dizendo ser necessário que cada pessoa se veja neste mundo como sujeito e não como objeto, e lute para conquistar o seu próprio espaço.

Isso significa deixar de ser um mero espectador ou alguém moldado pelas circunstâncias para se tornar o protagonista da própria história. É ter consciência crítica e capacidade de intervir na realidade. Também refere-se a conquista da dignidade, da voz e do lugar na sociedade e na história. Isso envolve autoconhecimento, ação e, muitas vezes, a superação de barreiras impostas, reconhecendo que a presença no mundo não deve ser de adaptação passiva, mas de inserção ativa, transformando o meio e a si mesmo.

É intrigante o momento que vivenciamos no setor educacional brasileiro, quando, por exemplo, um profissional que estudou, se especializou lato e estrito senso e entra para trabalhar na educação percebendo salários irrisórios, menos até que muitos outros profissionais de categorias que exigem para o ingresso no mercado de trabalho, de apenas o ensino básico.

Não me refiro a isso em tom de maldade ou discriminatório a qualquer outro profissional, pois todos, como dito antes, precisam procurar e ocupar os espaços no tamanho das suas capacidades, apenas enfatizo a ideia como forma de comparação e para mostrar o descaso com quem é capaz de ensinar todas as profissões, o professor.

Não deveria ser o professor bem remunerado, já que é o principal agente de transformação social, aquele que vai além de transmitir conteúdo, atuando como facilitador do aprendizado, inspirador, orientador e formador de cidadãos críticos e éticos, dedicando-se ao desenvolvimento integral de indivíduos e à construção de um futuro mais justo? Aquele que leva  a todos o conhecimento, ferramenta mais eficaz para conquistar espaços?

Atualmente,  situação crítica vivenciada, faz com que o governo federal veicule na mídia, marketing do tipo como concessão de bolsas para quem venha acursar uma licenciatura, carteira de professor, cursos gratuitos em plataformas governamentais. Tudo é, sem dúvida, mais uma tentativa frustrada para sensibilizar os jovens a aderirem a carreira do magistério. Não deixa de ser também, mais um desperdício de dinheiro.

A grande pergunta é: será que ninguém mais quer ser professor nesse país? Será também que os melhores profissionais estão deixando o magistério e se encaminhando para outros ramos de trabalhos, tudo por falta de reconhecimento e valorização? Até os alunos não querem mais ir à escola. O governo agora tem que pagar para o aluno estudar. Esse tal pé de meia demonstra a situação degradante que o país se encontra no setor educacional. Obter conhecimento não deveria ser uma busca incessante de cada pessoa.

Que é difícil a gestão da educação no Brasil, isso, sem dúvida é um fato. No entanto, o que se vê a todo o momento é o uso das secretarias de educação, quer sejam estaduais ou municipais, apenas como setores para acomodação de cargos políticos. Não que todas as pessoas colocadas no serviço publico pelos meios políticos sejam desqualificadas. São práticas antigas no estado brasileiro que se perpetua até hoje e não há perspectivas de mudanças, haja vista a ignorância política do povo, que tudo aceita.

O fato é que as especificidades do setor requer muita prática para saber lidar com as mais diferentes problemáticas encontradas. Dessa forma, a educação no Brasil é um verdadeiro recomeçar de ações sem meio e sem fim. Ações que não convence mais a sociedade, que por sua vez, atônita vislumbra algum horizonte de melhorias em um sistema que tem como premissa melhorar a vida dos seres humanos e proporcionar meios de oportunidades iguais para todos através do conhecimento.


O impacto das novas tecnologias na Educação Infantil

O impacto das tecnologias digitais no desenvolvimento infantil é amplamente explorado nas teorias de Jean Piaget e Lev Vygotsky. Piaget (1976) propôs que as crianças constroem conhecimento por meio de interações físicas e sociais, enquanto Vygotsky (1984) enfatiza o papel fundamental da mediação social no desenvolvimento cognitivo.

A Teoria do Desenvolvimento Cognitivo de Piaget categoriza o desenvolvimento em quatro estágios: sensório-motor, pré-operacional, operacional concreto e operacional formal. Cada estágio representa uma fase distinta no desenvolvimento das habilidades cognitivas e da compreensão do mundo pelas crianças (Piaget, 1976).

Vygotsky, por sua vez, enfatiza que o desenvolvimento cognitivo é profundamente influenciado pelo contexto sociocultural e pelas interações sociais. O conceito de “Zona de Desenvolvimento Proximal” refere-se à diferença entre o que uma criança pode realizar de forma autônoma e o que consegue fazer com o auxílio de outros (Vygotsky, 1984).

Aplicativos educativos e plataformas digitais podem atuar como ferramentas mediadoras dentro dessa zona, potencializando o desenvolvimento cognitivo quando utilizados com orientação adequada (Radesky et al., 2015). A Teoria do Aprendizado Multimodal (Mayer, 2001) contribui para essa discussão, ao sugerir que a exposição a múltiplas modalidades de informação pode potencializar o aprendizado, desde que haja a mediação adequada.

Kenski (2012), procura definir as tecnologias por meio da relação existente com técnicas e equipamentos ou por meio das novas tecnologias, levando em conta o conceito de inovação.

Martins e Rocha (2010) destacam que a aprendizagem da criança começa muito antes da aprendizagem escolar, já que possui uma bagagem histórica. Para ele, as crianças aprendem muito antes de chegar ao convívio escolar, à chegada da criança na escola introduz elementos novos no seu desenvolvimento, por meio de um mediador, que conduzirá o processo de desenvolvimento individual e histórico-social.

Para Gadotti (2000, p.38), a escola precisa ser o centro de inovações e tem como papel fundamental “[...] orientar, criticamente, especialmente as crianças e jovens na busca de uma informação que os faça crescer e não embrutecer”. Para o autor, é necessário iniciar a educação tecnológica desde a mais tenra idade, ou seja, a partir da Educação Infantil e a escola precisa oferecer uma formação em que todos interajam, para haver interesse e uma boa formação efetivando a educação de qualidade.

A Base Nacional Curricular Comum – BNCC (2018) reconhece que as tecnologias digitais são ferramentas poderosas que podem enriquecer o processo educativo na Educação Infantil, desde que utilizadas de forma consciente e planejada, respeitando as características e necessidades das crianças nessa faixa etária.

Dessa forma, traz em seus textos diversos referências e orientações para a implementação de Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação: Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (BRASIL, 2018, p. 09).

Neste sentido, considerando que essas ferramentas como material didático escolar está garantido em legislação específica e respeitando os alunos da educação infantil como sujeitos históricos e cidadãos de direitos esta é uma ação que possibilitará a formação de indivíduos mais criativos e que adquirirão novos conhecimentos integrando-se com um novo modo de aprender e interagir com a sociedade (PEREIRA; LOPES, 2005, p. 02).

Nessa perspectiva é relevante que os educadores explorem esses dispositivos na sala de aula como forma de possibilitar a assimilação de novos conceitos e o desenvolvimento de habilidades sociais e colaborativas desde a infância, competências que serão fundamentais para o futuro educacional e profissional dos das crianças.

Assim, nesse momento em que o mundo está cada vez mais envolvido em uma cultura digital, que também é móvel e conectada (SILVA, 2017), não faria sentido a educação e seus processos de ensino e aprendizagens ficarem alheados a esse mundo e contexto.