segunda-feira, 30 de março de 2026

Educação e Politica: o que tem a ver?

Educação e política estão intrinsecamente ligadas, pois a educação não é neutra e reflete o projeto de sociedade desejado, moldando valores e formando cidadãos. A política, por sua vez, define as diretrizes, orçamentos e currículos escolares, enquanto a educação capacita indivíduos a participar ativamente da vida democrática, questionar estruturas e exercer a cidadania;

Neste sentido, é salutar dizer que a relação entre educação e política é profunda e indissociável, pois ambas tratam da formação do indivíduo e da organização da vida em sociedade.

Se, por um lado, as manifestações populares dos últimos anos sinalizaram que o brasileiro tem se interessado e valorizado mais a política, por outro elas também revelaram a falta de conhecimento dos brasileiros sobre a política. Não surpreende que haja carência de educação política em um país com problemas graves na educação básica.

A não previsão de disciplinas escolares que abordam o sistema político brasileiro ou a Constituição Federal prejudica ainda mais esse quadro. De todo modo, é crescente o interesse em política e por isso cada vez mais pessoas se dedicam a entender o tema, seja no sentido prático, como a política das instituições públicas, dos movimentos sociais e de protestos de rua, ou no sentido teórico como teorias, correntes de pensamento e ideologias, que moldam a ação prática dos indivíduos.

Por isso, faz-se necessário discutir o que precisamos ensinar e aprender em relação à política. O que é educação política e o que se pretende passar com ela? E afinal, qual é a relevância disso.

A Educação Política nas escolas brasileiras ainda é um tema pouco explorado, porém, de extrema importância para a formação de cidadãos críticos e conscientes. Inserir disciplinas focadas na educação política no currículo escolar pode ser uma ferramenta imprescindível para preparar as novas gerações para uma cidadania ativa, contribuindo diretamente para o fortalecimento da democracia no país. No entanto, essa proposta encontra uma série de desafios, tanto estruturais quanto culturais. 

Assim, resumidamente podemos dizer que educação e politica se conectam principalmente através de três dimensões, vejamos

1. A educação como ato político

Toda educação carrega uma visão de mundo e um projeto de sociedade. 

  • Neutralidade Inexistente: Não existe educação neutra; as escolhas de currículos, livros e métodos refletem o que o Estado ou a sociedade valorizam.

  • Transformação Social: Para pensadores como Paulo Freire e outros, a educação é uma ferramenta de conscientização crítica que permite ao cidadão agir e transformar sua realidade. 

    2. Políticas públicas educacionais

A política (no sentido de gestão governamental) é o que viabiliza o direito à educação garantido pela Constituição. 

  • Gestão de Recursos: Decisões políticas definem o financiamento de escolas, salários de professores e demais programas de governo.

  • Diretrizes e Bases: Leis como a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) são frutos de debates políticos que estruturam como o ensino deve funcionar no país. 

3. Educação política

É o processo de ensinar como o sistema político funciona e qual o papel do cidadão nele. 

  • Formação Crítica: Estimula o debate sobre temas atuais, o conhecimento de direitos e deveres e a capacidade de não ser alienado por discursos prontos.

  • Fortalecimento da Democracia: Instituições, cuja finalidade é a formação docente defendem que uma população bem informada politicamente é essencial para democracias estáveis. 

Em resumo, enquanto a política decide os rumos da sociedade, a educação prepara as pessoas para participarem dessas decisões de forma ativa, consciente e crítica.



quinta-feira, 19 de março de 2026

O ORÇAMENTO PUBLICO E A PARTICIPAÇÃO POPULAR

Nos dias atuais parece normal criticar a falta de planejamento na elaboração dos orçamentos públicos, dito em muitos casos ser peças de ficção. A expressão refere-se ao fato de que no pensamento de muitas pessoas a lei orçamentária, cumpre apenas a função de mera formalidade autorizativa da despesa, sem ter qualquer relação de pertinência com as políticas públicas, o cenário socioeconômico e a programação de longo prazo da administração pública.

Antes de qualquer devaneio ou aventuras nessa discussão. Além de que que tem muito a ver com a vida das pessoas, e se a realidade se desse mesmo apenas na ficção, são críticas que se acertam e acentuam-se cada vez mais, dado a ausência de participação social no processo de aprovação das peças orçamentárias, cujos planejamentos são realizados a cada ano.

De acordo com os arts. 165 e 166 da Constituição da República de 1988, aplicado por simetria aos Estados, Municípios e Distrito Federal, a elaboração da proposta do orçamento público compete ao Poder Executivo, que deverá prever as despesas que pretende realizar, quantificando as receitas que lhes servirão de custeio. Em fase posterior a proposta é encaminhada para a aprovação do Poder Legislativo.

Nesse momento de apreciação da proposta orçamentaria pelo Poder Legislativo é que a população deverá se apresentar e participar, pois as ações ali encaminhadas e aprovadas vão repercutir diretamente na qualidade de vida de todos os cidadãos. Para isso esse momento deve ser amplamente divulgado.

Esse momento de chamar a população para a deliberação do orçamento publico não representa mera exclusividade ou simples bondade dos poderes executivos e legislativos. Esse é um momento assegurado por lei, ou seja, está descrito no art. 48, §1º, I, da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que prescreve que o “incentivo à participação popular e realização de audiências públicas, durante os processos de elaboração e discussão dos planos, lei de diretrizes orçamentárias e orçamentos é condição obrigatória para aprovação das leis de orçamento.

De certa forma, talvez a falta de informações sobre o direito dos cidadãos de participar desse processo, somada a um certo descrédito sobre a anuência dos legisladores às propostas apresentadas, possa explicar a baixa adesão da sociedade nas audiências públicas sobre os orçamentos.

Nesse contexto, o PPA, a LDO e a LOA documentos que dão suporte à elaboração e execução orçamentária no Brasil e por conseguinte, instrumentos estritamente relacionados entre si, formando um sistema integrado de planejamento e orçamento que deve ser adotado pelos entes da Federação (Municípios, Estados e União) deverão representar as prioridades da população por determinado período, quer sejam eles de longo, médio e curto prazo.

Por ser, o planejamento orçamentário na sua totalidade um documento complexo e que diz respeito a vida de toda uma população, sua elaboração deve contar com a participação da sociedade, por meio de audiências públicas, consultas populares e conselhos deliberativos. Essa etapa fortalece a transparência e a legitimidade das decisões orçamentárias, e sendo a população conhecedora desse instrumento, poderá acompanhar, fiscalizar, e consequentemente co


terça-feira, 10 de março de 2026

Construção de um currículo escolar critico

Currículo escolar é tudo o que acontece nas aulas, desde o que pretendemos trabalhar com os alunos até o que fazemos na pratica: materiais e os seus conteúdos, os materiais e recursos didáticos, tarefas para o corpo discente, como organizamos o espaço e tempo, a função dos professores e do alunos, o papel das famílias e dos demais agentes na aula, as funções e modelos de avaliação que desenvolvemos, etc.

O currículo escolar deve ser o instrumento e processo pelo qual aprendemos a viver e a conviver, a ajudar, a cooperar e trabalhar juntos; a reconhecer o outro tal como é, e valorizá-lo, procurar, nesse reconhecimento, evitar as deformações das socializações, em que os grupos dominantes, para reproduzir seu poder, construíram.

Assim, a surge a necessidade da construção de currículos inclusivos que se relacionem à organização escolar não excludente e não classificatória. Além disso, facilita a compreensão do termo “Justiça Curricular”, aqui compreendido como um conceito de que caminha de mãos dadas com a organização escolar democrática na defesa de praticas pedagógicas inclusivas, participativas, dignas, éticas e dialógicas.

Ademais, a justiça curricular respeita as singularidades dos corpos dos sujeitos, das culturas, dos grupos sociais, ao mesmo tempo em que dá voz, visibilidade e representatividade a todos os integrantes das comunidades escolares com suas distintas realidades e regionalidades, aspectos constituintes de todos nós, seres humanos complexos nas mais diversas dimensões, contextos e cotidianos da vida, em um processo e período de tempo histórico e contínuo.

A educação é um dialogo que precisa ser continuadamente debatida, argumentada, buscando maneiras de demonstrar por que determinada teoria funciona ou não. Se o ensino não for baseado no dialogo, no debate, procurando escutar as vozes silenciadas e marginalizadas, o discurso elitista se reforça e se consolida de modo reprodutor, conservador, racista, sexista, classista.

No ambiente escolar dever construído a visão do é bom, do vale a pena, logo do que não é bom. Se esses processos não se produzem democraticamente, se não produzem dialogicamente, debatendo, argumentando, contra-argumentando num espaço de liberdade de pensamento, então é previsível que a colonização mental, a dominação ideológica se estabeleça.


A filosofia do pequeno príncipe

A filosofia de O Pequeno Príncipe foca na essência humana, valorizando laços afetivos (“cativar”) e a visão interior em detrimento da superficialidade materialista dos adultos. A obra ensina que “o essencial é invisível aos olhos”, enfatizando responsabilidade, amor e a necessidade de resgatar a criança interior. Centra-se na ideia de que a essência das coisas não pode ser percebida pelos sentidos físicos, mas apenas pelo coração e pelos laços emocionais que construímos

A obra de Antoine de Saint-Exupéry é um convite para desacelerar, valorizar o tempo e focar no que realmente importa: as relações humanas e o cultivo do amor.

A obra funciona como uma fábula filosófica que critica a visão limitada e materialista do mundo adulto em contraste com a pureza e curiosidade da infância.

O Essencial é Invisível: De acordo com o portal Brasil Escola, a frase "O essencial é invisível aos olhos" sintetiza a moral da história, defendendo que o valor real de algo reside naquilo que não é palpável, como o amor e a amizade.

O Ato de Cativar: A filosofia do livro define o "cativar" como a criação de laços. Conforme analisado pelo Medium, essa conexão torna as pessoas únicas umas para as outras e traz significado à existência.

Responsabilidade Ética: A obra postula que "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas", sugerindo que o afeto gera um compromisso moral inalienável com o outro.

Crítica à Praticidade Excessiva: Através dos personagens que o príncipe encontra em outros asteroides (como o Rei, o Vaidoso e o Homem de Negócios), o autor critica a obsessão dos adultos por números, poder e utilidade imediata, que os impede de apreciar a beleza do mundo.




Fonte: https://pt1.savefrom.net/1-how-to-download-youtube-video-10Yu.html?url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DQm5uVIKKzAY%26t%3D86s&utm_source=youtube.com&utm_medium=short_domains&utm_campaign=ssyoutube.com&a_ts=1773156496.541#

terça-feira, 3 de março de 2026

RACISMO AMBIENTAL - UM DOS LADOS INVISIVEIS DA DISCRIMINAÇÃO SOCIAL

No Brasil, o racismo ambiental se manifesta de diversas formas, atingindo especialmente as comunidades e populações tradicionais e que vivem nas periferias urbanas. A forma como o espaço é organizado reflete e perpetua desigualdades históricas, colocando essas populações em áreas mais vulneráveis a enchentes, deslizamentos de terra, poluição e falta de saneamento básico.

O racismo, fundamentado em opressão e violência, afeta diretamente a alocação seletiva de indivíduos em ambientes, padrões habitacionais e desenvolvimento infraestrutural, evidenciado pela carência de infraestrutura essencial para a população.

O Art. 225 da Constituição Federal prevê a inclusão de todos na elaboração e implementação de políticas ambientais (BRASIL, 1988), porém, enfrentamos a problemática da “Injustiça Ambiental”, que sobrecarrega grupos vulneráveis com impactos ambientais desfavoráveis (Herculano, 2008).

O termo “racismo ambiental” surgiu no cenário norte-americano durante a década de 1980, sobretudo entre as comunidades negras que debatiam as desigualdades sistêmicas em relação à localização de instalações poluentes em áreas habitadas majoritariamente por minorias étnicas.

O conceito de “racismo ambiental”, foi cunhado por Benjamin Franklin Chavis Jr., um líder afro-americano renomado nos movimentos pelos direitos civis nos Estados Unidos. Chavis delineou o termo como a “discriminação racial na elaboração de políticas ambientais, aplicação de regulamentos e leis, direcionamento deliberado de comunidades negras para instalação de resíduos tóxicos, sansão oficial da presença de veneno e poluentes com risco de vida nas comunidades e exclusão de pessoas negras da liderança dos movimentos ecológicos”. (Herculano, 2008).

À medida que a discussão acadêmica progrediu, a pesquisa de Bullard (2000) emergiu como um marco, explorando a intersecção entre raça, classe e disparidades ambientais. Focou sua análise nas desigualdades urbanas, defendendo uma abordagem interdisciplinar centrada na comunidade e trouxe à tona as interseções de gênero no racismo ambiental, examinando a diversidade e a representatividade dentro das organizações ambientais.

Ao aprofundar-se nesta temática, torna-se imperativo reconhecer a intrínseca relação entre o racismo ambiental e o conceito mais amplo de racismo estrutural. Este último, refere-se a sistemas onde práticas públicas, institucionais e culturais perpetuam o acesso desigual a recursos com base na raça (Bonilla-Silva, 2006; Almeida, 2018; Davis, 2016).

Deste modo, o racismo ambiental pode ser entendido como uma manifestação concreta do racismo estrutural, expressando-se nas desigualdades do domínio ambiental e ampliando as discussões sobre as injustiças raciais em um contexto mais abrangente.

Nesse contexto, a educação associada a ações culturais constitui-se como uma ferramenta fundamental para combater essa realidade. Em vez de focar apenas em questões de conservação e sustentabilidade de forma genérica, a associação de saberes é premissa que permite analisar as relações de poder, as injustiças sociais e as desigualdades que permeiam a crise ambiental que atualmente vivemos no planeta.