sábado, 25 de abril de 2026

POEMA EM LINHA RETA

Fernando Pessoa 

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Poesias de Álvaro de Campos. Lisboa: Ática. 1944 (imp. 1993). p. 312, Fonte https://www.pensador.com/poema_em_linha_reta/. Acesso em 25/04/2026



Quando vier a Primavera

Alberto Caeiro escreve sobre a morte, a primavera e a continuidade das coisas da vida.

Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Fonte: https://www.pensador.com/os_melhores_poemas_de_fernando_pessoa/. Acesso em 25/04/2025

sexta-feira, 17 de abril de 2026

A colonização do Vale do Guaporé

Ainda no século XVI representantes da coroa portuguesa se aventuraram pelas brenhas amazônicas, tendo, passado pelos vales do Madeira-Guaporé-Mamoré. Na realidade se pensava em utilizar essa região como ponte de passagem e ligação entre as colônias do Sul e as do extremo Norte. Uma ligação extremamente arriscada e difícil de ser realizada.

Um dos primeiros passos de Portugal para assegurar sua posse sobre a região do Guaporé foi a ocupação desses vales, de onde extraia ouro e as drogas do sertão. Essa ocupação se deu pela ação dos bandeirantes que, ao mesmo tempo, explorava e ocupava.

Além disso, a ocupação se realizou pela presença militar o que pode ser comprovado pelas inúmeras construções fortificadas. Era necessária, entretanto uma ocupação estável, para assegurar a posse. Somente as expedições aprisionando indígenas e colhendo as drogas do sertão não assegurava a presença colonizadora e definitiva. Além disso, não cessava a constância dos conflitos, tanto com os índios como com os castelhanos, que também estavam ocupando a região de oeste para leste.

Foi com vistas nessa presença constante que, ainda antes da assinatura do Tratado de Madri, Dom Antônio Rolim de Moura recebeu a incumbência de povoar a região do Guaporé.

Nessa ocasião foi criada a capitania de Mato Grosso, e Rolim de Moura coordenou a estruturação da capital daquela província, às margens do Guaporé. A cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade, além de assegurar a presença portuguesa, seria um ponto de coleta de impostos sobre a mineração.

Em 1734, quando da descoberta de ouro nas proximidades do Guaporé a produção do Mato Grosso já estava em declínio. Para melhor explorar os novos locais o governo da capitania de São Paulo promoveu uma "guerra justa" contra os índios, a fim de conseguir escravos para a mineração. Essa empreitada, como outras tantas, dizimou alguns grupos indígenas.


Parte do texto: A colonização no Vale do Guaporé. Fonte: CARNEIRO. Neri de Paula Carneiro. Disponível em: https://www.webartigos.com/artigos/a-colonizacao-do-vale-do-guapore/5116/ Acesso em: 20 de fevereiro de 2017.

A importância do conhecimento sobre as novas tecnologias na atualidade

O conhecimento em novas tecnologias no momento atual é fundamental para a adaptação e o sucesso profissional e pessoal, e tem impacto profundo no trabalho, na educação e na vida cotidiana das pessoas. Já está comprovado que a tecnologia transforma hábitos sendo, o seu aprendizado contínuo, necessário para acompanhar as mudanças.

Na atualidade ampliaram-se tremendamente as relações que envolvem conhecimento e inovações tecnológicas, a facilidade de interação e comunicação globalizou a economia. O mundo começou a sentir a crescente hegemonia do pensamento neoliberal, desde o fim da guerra fria, onde gerou o colapso do socialismo e o início da era tecnológica em fins do séc. XX, sendo imprescindível nos dias atuais fazer um diagnóstico sobre os métodos aplicados na educação dessa sociedade pós-moderna, onde a tecnologia faz parte do dia-a-dia de todos.

A evolução tecnológica nesse momento de globalização traz um novo mundo a cada instante. Por sua característica em mudanças velozes, as pessoas procuram garantias de formação que lhes possibilite o domínio de conhecimentos e melhor qualidade de vida. Não chega a ser de estranhar que os métodos de ensinos não acompanham a velocidade das mudanças e novidades que surgem a cada momento.

A tecnologia não surgiu para exclusão, mas para inclusão de todos que se dispõe a utilizá-la. Conforme Kenski citando Lyotard, filósofo francês, o grande desafio da espécie humana na atualidade é a tecnologia, segundo ele, a única chance que o homem tem para conseguir acompanhar o movimento do mundo é adaptar-se à complexidade que os avanços tecnológicos impõem a todos, indistintamente.

Este deve ser também o desafio da educação: adaptar-se as novas tecnologias e orientar o caminho de todos para o domínio e a apropriação crítica destas.

Essas transformações evidenciam na modernidade uma nova forma de saber. Dentre as principais razões para a importância do conhecimento tecnológico no mundo globalizado citamos:

  • Adaptação ao Mercado de Trabalho: Ferramentas digitais facilitam o trabalho remoto, e a tecnologia impulsiona o aumento da produtividade e eficiência, exigindo novas habilidades dos profissionais.

  • Novas Competências Profissionalizantes: O aprendizado contínuo através de cursos online e webinars possibilita a atualização constante, essencial em um mercado em transformação.

  • Acesso à Informação e Educação: A tecnologia revolucionou o aprendizado, oferecendo recursos interativos e personalizados (como plataformas online, inteligência artificial e realidade virtual), tornando a educação mais acessível e alinhada ao perfil digital dos estudantes.

  • Melhoria na Qualidade de Vida: Inovações tecnológicas visam solucionar desafios do dia a dia, trazendo mais praticidade e melhorando a qualidade de vida.

  • Conexão Global: A internet e dispositivos móveis possibilitam a troca de informações e dados em tempo real, além da interação social.

  • Desenvolvimento de Autonomia: A integração de tecnologias na educação, com intencionalidade pedagógica, promove a autonomia, permitindo que os alunos se tornem produtores de conhecimento, não apenas consumidores.