terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

EDUCAÇÃO INFANTIL E O USO DAS NOVAS TECNOLOGIAS NAS ESCOLAS RURAIS DA AMAZÔNIA

Olhar a educação nas escolas ribeirinhas no contexto amazônico é enxergar além das florestas, além dos rios e dos encantos da região. É ver as pessoas do meio rural como capazes de desenvolver suas potencialidades e competências, é descobrir que estes podem se tornar agentes participativos nos processos de ensino e de aprendizagem e sujeitos das suas próprias vidas e histórias.

A partir desse contexto, a escola passa a ser um grande universo de ressignificação do fazer pedagógico e do desenvolvimento humano necessário para a alfabetização digital e multiletramentos de homens, mulheres, jovens e crianças moradoras dessa região. Ressignificar nesse sentido, é ter um olhar mais atento para a contextualização das políticas públicas e das metas previstas nos programas e planos educacionais para as diferentes realidades escolares.

A escola rural ribeirinha possui características próprias, que se articulam diretamente com a Educação do Campo, ou seja, a educação denominada de “ribeirinha” está inserida na Educação do Campo, que é uma modalidade da Educação Básica (Art. 1, Resolução do Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Básica – CNE/CEB nº. 2/2013).

É uma realidade marcada por grandes desafios que historicamente negligencia o protagonismo daqueles a quem mais interessa o desenvolvimento de politicas públicas eficazes, os moradores.

Vale ressaltar, que nas escolas rurais ribeirinhas nos deparamos frequentemente com a ausência de professores, falta de técnicos educacionais, espaços e materiais inadequados, além de um currículo que não leva em consideração a realidade local, Freitas e Freitas (2021) defendem que:



[...] deve ser assegurado aos alunos ribeirinhos amazônidas mais do que espaços de educação, mais do que o aceso à escola. Mas, sim, a oferta de uma escola de qualidade, do assegurar a permanência nesta escola com condições de acesso, de aprendizagem, de dignidade humana, de cidadania, de construção do sujeito ativo e protagonista de sua história. Uma educação de qualidade para a formação de um sujeito ribeirinho pleno e integral integrado ao seu contexto sociocultural e aos desafios da atual sociedade (Freitas; Freitas, 2021, p.2).

Neste cenário, nos deparamos com as novas tecnologia e sua capacidade de apresentar subsídios significativos nesses espaços educacionais, permitindo que alunos e professores consigam acessar informações em qualquer lugar, contribuindo de forma significativa para a mudança de práticas pedagógicas em todas as modalidades e etapas da educação. Segundo Moran, 2007:

A educação para os meios começa com sua incorporação na fase de alfabetização. Alfabetizar-se não consiste só em conscientizar os códigos da língua falada e escrita, mas dos códigos de todas as linguagens do homem atual e da sua interação. A criança, ao chegar a escola já sabe ler histórias complexas, como telenovela, com mais de trinta personagens e cenários diferentes. Essas habilidades são praticamente ignoradas pela escola, que, no máximo, utiliza a imagem e a música como suporte para facilitar a compreensão da linguagem falada e escrita, mas não pelo intrínseco valor. As crianças precisam desenvolver mais conscientemente o conhecimento e a prática da imagem fixa, em movimento, da imagem sonora, e fazer isso parte do aprendizado central e não marginal. Aprender mais abertamente, o que já estão acostumadas a ver, mas que não costumam perceber com mais profundidade.

Neste sentido, o uso das tecnologias digitais é debatido cada vez mais, a partir da identificação de que desde cedo as crianças já demonstram grandes habilidades em manipular dispositivos eletrônicos. De acordo com Grotto (2012), a mente dessas crianças parece criar associações com tanta rapidez e facilidade de compreensão que deixam os adultos perplexos quando demonstram com naturalidade e segurança seus conhecimentos. Assim já chegam na escola com uma certa bagagem de conhecimento digital.

Atualmente, as tecnologias de informação e |comunicação são consideradas ferramentas que vem se aprimorando e quando utilizadas de forma adequada nas salas de aulas podem surtir efeitos positivos no processo de ensino e aprendizagem. De acordo com Carvalho, Neves e Jesus (2019):

A escola do século XXI vista como responsável pela formação do cidadão tem que estar apta a se adaptar em um mundo globalizado, tendo em vista, que a sociedade contemporânea precisa de uma educação diferenciada, com novos aparatos tecnológicos que complementem o ensino, preocupada em atender as demandas da atualidade a escola do campo também busca se engajar neste novo mundo moderno tecnológico, começando a fazer uso de ferramentas tecnológicas que tem o intuito de dinamizar as aulas, saindo do modelo padrão tradicional e passando a ter um ensino mais atrativo (Carvalho; Neves; Jesus, 2019, p. 2).

De acordo com as Diretrizes para Educação Infantil (BRASIL, 2013), escolas de educação infantil devem proporcionar possibilidades educativas promovam o desenvolvimento integral das crianças, bem como promover a inclusão digital. Ainda nesse sentido Gadotti (2000, p.38), enfatiza que a escola necessita transforma-se e tornar-se um ambiente de inovações, cujo papel primordial deve ser orientar, criticamente, especialmente as crianças e jovens, na busca de uma informação que os faça crescer, ou seja, alfabetizar tecnologicamente.

Nesta vertente, muito mais do que analisar aspectos sobre a implantação dessas ferramenta nas escolas é necessário discutir a importância do uso dessas tecnologias na educação infantil e seus resultados e problematizar questões como: de que forma a tecnologia acrescenta e atua de eficazmente no processo de desenvolvimento e ensino/aprendizagem dos alunos? Como o educador tem feito uso dessa ferramenta como material didático na sala de aula? Será que as novas tecnologias contribuem para o desenvolvimento cognitivo dos alunos? Seria este um auxílio para os professores ou um recurso complexo demais para ser assimilados como proposta pedagógica na escola?

Tais questionamentos baseiam-se no fato de que cada vez mais crianças e adolescentes aliam o uso dos aparelhos eletrônicos em sua rotina, então, como não se apropriar desse recurso tão deslumbrante? Desses fatores decorre a importância de evidenciar através da pesquisa que a implementação dessas novas ferramentas digitais na sala de aula como recurso didático, associada ao preparo dos professores para o seu uso de forma adequada, poderá proporcionar melhorias da qualidade do ensino nesses lugares de difícil acesso, impactando de forma significativa na reformulação das politicas públicas educacionais para essa região, e consequentemente nas propostas pedagógicas das escolas.

Portanto, ao discutir esse tema, assim como os resultados advindo desse processo no ensino e aprendizagem na educação infantil, também será um meio de identificar os recursos disponíveis, o nível de formação e as necessidades dos professores e demais carateristas físicas, pedagógicas e de pessoal nas escolas localizadas no locus da pesquisa.

Por fim, com a chegada das novas tecnologias nessas escolas e, a partir da realidade que se apresenta o mundo atual com o acelerado crescimento do ciberespaço, de novas formas de comunicação e acesso crescente à informação, oportunizando inúmeras condições de aprendizagens, desenvolvimento de habilidades e interações necessárias à formação integral da criança que com práticas tradicionais provavelmente não seriam alcançadas, acredita-se na contribuição desses novos meios  para o desenvolvimento de proposições inovadoras e de estratégias pedagógicas e metodológicas, com o uso dessas ferramentas nas escolas localizadas na área ural ribeirinha da Amazônia.

As novas tecnologias na educação infantil nas escolas rurais da Amazônia

A educação está em constante processo de mudança, por isso, é relevante fazer uma reflexão em relação à infância, a importância e os impactos do uso das novas tecnologias aliadas ao ensino e aprendizagem nessa etapa escolar. Estes fatores que estão inseridos no cotidiano devem ser estudados não apenas pelos professores que atuam, na Educação Infantil, mas também, pelos familiares e pela sociedade em geral, pois são fatores que estão interligados e trazem influências a todos os âmbitos.

É evidente que as crianças do século XXI são diferentes das gerações anteriores, a forma de brincar, de falar, de se comunicar e socializar são diferentes, muitos desses fatores se devem ao fato do surgimento da era digital que está intrínseca em todos os lugares e o quanto influenciam diretamente no desenvolvimento do ensino e da aprendizagem.

As políticas públicas do governo federal para o uso e presença das novas tecnologias nas escolas públicas fazem-se presente desde a década de 1990, com objetivos que devem ser alcançados pelo sistema educacional em todas as esferas e níveis e segmentos de ensino, visando melhorar a qualidade da aprendizagem dos alunos e a prática pedagógica por parte dos professores.

A cultura digital na educação tem por objetivos oferecer condições de acesso á internet no âmbito escolar de forma pública e gratuita para a comunidade. Enseja a integração crítica, ética e criativa das tecnologias digitais no ensino, preparando alunos para um mundo conectado, desenvolvendo habilidades como pensamento crítico e colaboração, e transformando a aprendizagem em algo mais ativo, personalizado e envolvente, conforme previsto pela Base Nacional Comum Curricular-BNCC, para formar cidadãos digitais responsáveis e aptos para o futuro.

Neste sentido é importante discutir de que forma o uso das novas tecnologias pode contribuir no processo de ensino e aprendizagem e se justifica, pois conforme afirmado por vários pesquisadores e documentos relacionados ao tema, a criança tem o direito de vivenciar a cultura de sua época, e como a era vivida é conhecida como digital, a escola deve proporcionar ao educando o aprendizado com o uso das tecnologias, para que possam adquirir conhecimento condizente ao momento histórico ao qual estão vivenciando.

Nesta senda, as escolas localizadas nas áreas ribeirinhas que são regiões de difícil acesso são impactadas pela falta de estrutura física, pedagógica e de pessoal qualificado. A sua inclusão digital e a utilização dessas novas ferramentas como recursos diatáticos é uma ferramenta significativa para ofertar uma educação de qualidade e promoção do conhecimento, da cultura, dos valores e das identidades de todos que fazem parte da região.

Torna-se de grande importância investigar os usos e as contribuições das novas tecnologias no processo de ensino aprendizagem, enquanto proposta pedagógica, para a Educação Infantil nas escolas localizadas na região ribeirinha do município de Porto Velho/RO, evidenciado pela seguinte problemática: como o uso das tecnologias digitais podem impactar na produção do conhecimento e da aprendizagem mais lúdica e significativa para os alunos da educação infantil?

A partir de uma avaliação simples pode-se dizer que o uso das novas tecnologias na Educação Infantil não substitui a interação humana, mas atua como um instrumento didático de mediação que, quando guiado pelo professor, amplia o potencial cognitivo e a criatividade da criança, tornando a prática pedagógica mais dinâmica e interessante, facilitando a assimilação de conteúdos complexos de forma prazerosa e proporcionando melhores resultados no processo de aprendizagem dos alunos.