terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

EDUCAÇÃO INFANTIL E O USO DAS NOVAS TECNOLOGIAS NAS ESCOLAS RURAIS DA AMAZÔNIA

Olhar a educação nas escolas ribeirinhas no contexto amazônico é enxergar além das florestas, além dos rios e dos encantos da região. É ver as pessoas do meio rural como capazes de desenvolver suas potencialidades e competências, é descobrir que estes podem se tornar agentes participativos nos processos de ensino e de aprendizagem e sujeitos das suas próprias vidas e histórias.

A partir desse contexto, a escola passa a ser um grande universo de ressignificação do fazer pedagógico e do desenvolvimento humano necessário para a alfabetização digital e multiletramentos de homens, mulheres, jovens e crianças moradoras dessa região. Ressignificar nesse sentido, é ter um olhar mais atento para a contextualização das políticas públicas e das metas previstas nos programas e planos educacionais para as diferentes realidades escolares.

A escola rural ribeirinha possui características próprias, que se articulam diretamente com a Educação do Campo, ou seja, a educação denominada de “ribeirinha” está inserida na Educação do Campo, que é uma modalidade da Educação Básica (Art. 1, Resolução do Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Básica – CNE/CEB nº. 2/2013).

É uma realidade marcada por grandes desafios que historicamente negligencia o protagonismo daqueles a quem mais interessa o desenvolvimento de politicas públicas eficazes, os moradores.

Vale ressaltar, que nas escolas rurais ribeirinhas nos deparamos frequentemente com a ausência de professores, falta de técnicos educacionais, espaços e materiais inadequados, além de um currículo que não leva em consideração a realidade local, Freitas e Freitas (2021) defendem que:



[...] deve ser assegurado aos alunos ribeirinhos amazônidas mais do que espaços de educação, mais do que o aceso à escola. Mas, sim, a oferta de uma escola de qualidade, do assegurar a permanência nesta escola com condições de acesso, de aprendizagem, de dignidade humana, de cidadania, de construção do sujeito ativo e protagonista de sua história. Uma educação de qualidade para a formação de um sujeito ribeirinho pleno e integral integrado ao seu contexto sociocultural e aos desafios da atual sociedade (Freitas; Freitas, 2021, p.2).

Neste cenário, nos deparamos com as novas tecnologia e sua capacidade de apresentar subsídios significativos nesses espaços educacionais, permitindo que alunos e professores consigam acessar informações em qualquer lugar, contribuindo de forma significativa para a mudança de práticas pedagógicas em todas as modalidades e etapas da educação. Segundo Moran, 2007:

A educação para os meios começa com sua incorporação na fase de alfabetização. Alfabetizar-se não consiste só em conscientizar os códigos da língua falada e escrita, mas dos códigos de todas as linguagens do homem atual e da sua interação. A criança, ao chegar a escola já sabe ler histórias complexas, como telenovela, com mais de trinta personagens e cenários diferentes. Essas habilidades são praticamente ignoradas pela escola, que, no máximo, utiliza a imagem e a música como suporte para facilitar a compreensão da linguagem falada e escrita, mas não pelo intrínseco valor. As crianças precisam desenvolver mais conscientemente o conhecimento e a prática da imagem fixa, em movimento, da imagem sonora, e fazer isso parte do aprendizado central e não marginal. Aprender mais abertamente, o que já estão acostumadas a ver, mas que não costumam perceber com mais profundidade.

Neste sentido, o uso das tecnologias digitais é debatido cada vez mais, a partir da identificação de que desde cedo as crianças já demonstram grandes habilidades em manipular dispositivos eletrônicos. De acordo com Grotto (2012), a mente dessas crianças parece criar associações com tanta rapidez e facilidade de compreensão que deixam os adultos perplexos quando demonstram com naturalidade e segurança seus conhecimentos. Assim já chegam na escola com uma certa bagagem de conhecimento digital.

Atualmente, as tecnologias de informação e |comunicação são consideradas ferramentas que vem se aprimorando e quando utilizadas de forma adequada nas salas de aulas podem surtir efeitos positivos no processo de ensino e aprendizagem. De acordo com Carvalho, Neves e Jesus (2019):

A escola do século XXI vista como responsável pela formação do cidadão tem que estar apta a se adaptar em um mundo globalizado, tendo em vista, que a sociedade contemporânea precisa de uma educação diferenciada, com novos aparatos tecnológicos que complementem o ensino, preocupada em atender as demandas da atualidade a escola do campo também busca se engajar neste novo mundo moderno tecnológico, começando a fazer uso de ferramentas tecnológicas que tem o intuito de dinamizar as aulas, saindo do modelo padrão tradicional e passando a ter um ensino mais atrativo (Carvalho; Neves; Jesus, 2019, p. 2).

De acordo com as Diretrizes para Educação Infantil (BRASIL, 2013), escolas de educação infantil devem proporcionar possibilidades educativas promovam o desenvolvimento integral das crianças, bem como promover a inclusão digital. Ainda nesse sentido Gadotti (2000, p.38), enfatiza que a escola necessita transforma-se e tornar-se um ambiente de inovações, cujo papel primordial deve ser orientar, criticamente, especialmente as crianças e jovens, na busca de uma informação que os faça crescer, ou seja, alfabetizar tecnologicamente.

Nesta vertente, muito mais do que analisar aspectos sobre a implantação dessas ferramenta nas escolas é necessário discutir a importância do uso dessas tecnologias na educação infantil e seus resultados e problematizar questões como: de que forma a tecnologia acrescenta e atua de eficazmente no processo de desenvolvimento e ensino/aprendizagem dos alunos? Como o educador tem feito uso dessa ferramenta como material didático na sala de aula? Será que as novas tecnologias contribuem para o desenvolvimento cognitivo dos alunos? Seria este um auxílio para os professores ou um recurso complexo demais para ser assimilados como proposta pedagógica na escola?

Tais questionamentos baseiam-se no fato de que cada vez mais crianças e adolescentes aliam o uso dos aparelhos eletrônicos em sua rotina, então, como não se apropriar desse recurso tão deslumbrante? Desses fatores decorre a importância de evidenciar através da pesquisa que a implementação dessas novas ferramentas digitais na sala de aula como recurso didático, associada ao preparo dos professores para o seu uso de forma adequada, poderá proporcionar melhorias da qualidade do ensino nesses lugares de difícil acesso, impactando de forma significativa na reformulação das politicas públicas educacionais para essa região, e consequentemente nas propostas pedagógicas das escolas.

Portanto, ao discutir esse tema, assim como os resultados advindo desse processo no ensino e aprendizagem na educação infantil, também será um meio de identificar os recursos disponíveis, o nível de formação e as necessidades dos professores e demais carateristas físicas, pedagógicas e de pessoal nas escolas localizadas no locus da pesquisa.

Por fim, com a chegada das novas tecnologias nessas escolas e, a partir da realidade que se apresenta o mundo atual com o acelerado crescimento do ciberespaço, de novas formas de comunicação e acesso crescente à informação, oportunizando inúmeras condições de aprendizagens, desenvolvimento de habilidades e interações necessárias à formação integral da criança que com práticas tradicionais provavelmente não seriam alcançadas, acredita-se na contribuição desses novos meios  para o desenvolvimento de proposições inovadoras e de estratégias pedagógicas e metodológicas, com o uso dessas ferramentas nas escolas localizadas na área ural ribeirinha da Amazônia.

As novas tecnologias na educação infantil nas escolas rurais da Amazônia

A educação está em constante processo de mudança, por isso, é relevante fazer uma reflexão em relação à infância, a importância e os impactos do uso das novas tecnologias aliadas ao ensino e aprendizagem nessa etapa escolar. Estes fatores que estão inseridos no cotidiano devem ser estudados não apenas pelos professores que atuam, na Educação Infantil, mas também, pelos familiares e pela sociedade em geral, pois são fatores que estão interligados e trazem influências a todos os âmbitos.

É evidente que as crianças do século XXI são diferentes das gerações anteriores, a forma de brincar, de falar, de se comunicar e socializar são diferentes, muitos desses fatores se devem ao fato do surgimento da era digital que está intrínseca em todos os lugares e o quanto influenciam diretamente no desenvolvimento do ensino e da aprendizagem.

As políticas públicas do governo federal para o uso e presença das novas tecnologias nas escolas públicas fazem-se presente desde a década de 1990, com objetivos que devem ser alcançados pelo sistema educacional em todas as esferas e níveis e segmentos de ensino, visando melhorar a qualidade da aprendizagem dos alunos e a prática pedagógica por parte dos professores.

A cultura digital na educação tem por objetivos oferecer condições de acesso á internet no âmbito escolar de forma pública e gratuita para a comunidade. Enseja a integração crítica, ética e criativa das tecnologias digitais no ensino, preparando alunos para um mundo conectado, desenvolvendo habilidades como pensamento crítico e colaboração, e transformando a aprendizagem em algo mais ativo, personalizado e envolvente, conforme previsto pela Base Nacional Comum Curricular-BNCC, para formar cidadãos digitais responsáveis e aptos para o futuro.

Neste sentido é importante discutir de que forma o uso das novas tecnologias pode contribuir no processo de ensino e aprendizagem e se justifica, pois conforme afirmado por vários pesquisadores e documentos relacionados ao tema, a criança tem o direito de vivenciar a cultura de sua época, e como a era vivida é conhecida como digital, a escola deve proporcionar ao educando o aprendizado com o uso das tecnologias, para que possam adquirir conhecimento condizente ao momento histórico ao qual estão vivenciando.

Nesta senda, as escolas localizadas nas áreas ribeirinhas que são regiões de difícil acesso são impactadas pela falta de estrutura física, pedagógica e de pessoal qualificado. A sua inclusão digital e a utilização dessas novas ferramentas como recursos diatáticos é uma ferramenta significativa para ofertar uma educação de qualidade e promoção do conhecimento, da cultura, dos valores e das identidades de todos que fazem parte da região.

Torna-se de grande importância investigar os usos e as contribuições das novas tecnologias no processo de ensino aprendizagem, enquanto proposta pedagógica, para a Educação Infantil nas escolas localizadas na região ribeirinha do município de Porto Velho/RO, evidenciado pela seguinte problemática: como o uso das tecnologias digitais podem impactar na produção do conhecimento e da aprendizagem mais lúdica e significativa para os alunos da educação infantil?

A partir de uma avaliação simples pode-se dizer que o uso das novas tecnologias na Educação Infantil não substitui a interação humana, mas atua como um instrumento didático de mediação que, quando guiado pelo professor, amplia o potencial cognitivo e a criatividade da criança, tornando a prática pedagógica mais dinâmica e interessante, facilitando a assimilação de conteúdos complexos de forma prazerosa e proporcionando melhores resultados no processo de aprendizagem dos alunos.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Um poço sem fundo com fundos

Antes de contextualizar a ideia de escrever algo com esse título faço questão de dizer que a primeira ideia de uma discussão com esse aspecto não chega nem perto de ser minha. Escritores conceituados já escreveram ou escrevem sobre esse assunto.

O tema que mas parece uma brincadeira surgiu com os colegas professores há algum tempo quando falávamos das nossas aspirações na caminhada de magistério, depois que terminamos a graduação e cursávamos o mestrado em geografia, e por conseguinte, como professores de escola pública que éramos já notávamos o volume de recursos depreendido para o sistema educacional público, e que poucos resultados geravam na ponta, ou melhor dizendo, na sala de aula e consequentemente no aprendizado dos estudantes.

Depois de algum tempo e ter conhecido o sistema educacional publico brasileiro por dentro, fruto de trabalho e muitas pesquisas na área da educação, consigo compreender com mais propriedade que os recursos se avolumam cada vez mais, e por outro lado os resultados simplesmente despencam ano após ano, com algumas exceções, diga-se de passagem. Mas de forma geral, os resultados demonstrados nos indicadores são alarmantes

Será pessimismo da minha parte? Explicar essa situação muitos tentam, mas simplesmente afogam-se nas próprias palavras, pois não há uma explicação lógica. Como explicar o volume de recursos repassados as escolas sem resultados positivos visíveis. Qual empresa não vai à falência quando o investimento injetados não surtem os efeitos esperados. Algo está muito errado.

Outro dia ouvir falar que ninguém queria mais ser professor nesse país. Sem valorização, salários baixos, falta de motivações e estudantes sem querer aprender na sala de aula. Ser professor virou uma ação de guerra na escola. Chega até ser constrangedor alguém se identificar como professor.

Uma sala de aula atualmente é um batalhão de soldados que tem suas próprias ideias de combate e que já não obedecem mais as ordens de comando do general, verdadeiros desertores. Como assim? Enfrentar esse batalhão com novas ideias é suicídio.

Será que sobreviveremos em um mundo de mal-educados, ignorantes e sem pudores? Lendo alguns artigos encontrei o seguinte texto, que aqui faço questão de reproduzir:

Se a indispensável formação qualificada do cérebro não ocorre, a criança perde a oportunidade única de alcançar a idade adulta dotada do nível intelectual que lhe possa garantir a dignidade existencial a que todos têm direito. Perpetuam-se assim as sequelas mentais irreversíveis que inferiorizam, social e economicamente, as vítimas de uma infância desprotegida, desvalorizada, carente de afeto, desprovida de estímulo, cercada de violência, segregada pelas classes privilegiadas”

 Diego Souza de PaivaBolg Praticamente Teórico.

Será que estamos fadados a vivenciar um batalhão de ignorantes no futuro? Quando nos referimos a poço sem fundo, é porque neste poço tudo o que entra, simplesmente desaparece é ninguém ver mais nada. Será as interferências politicas ou apenas falta de gestão no sistema educacional do país? Talvez.

Esse tema é complicado demais para ter uma ideia clara, pois o cenário contemporâneo é marcado por uma dinâmica de constantes transformações. A globalização, o avanço tecnológico e as novas demandas do mercado de trabalho exigem que as instituições de ensino se adaptem rapidamente para permanecerem relevantes e interessantes para as novas mentes do século 21Por outro lado, não é raro ouvir falar que no Brasil, falar de gestão publica parece piada de mau gosto.

O sistema enfrenta desafios significativos, como a necessidade de modernização da infraestrutura, a capacitação de professores e gestores, e a implementação de metodologias de ensino inovadoras. Uma educação que seja democrática no viés da justiça social. Pois a democracia precisa de fato ser praticada, vivida e, assim, poderemos nos ajudar e nos corrigirmos, continuamente, uns aos outros numa situação de dialogo e de liberdade de expressão.





quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Olhar sobre as escolas ribeirinhas e o uso das novas tecnologias na educação infantil

Olhar a educação nas escolas ribeirinhas no contexto amazônico é enxergar além das florestas, além dos rios e dos encantos da região. É ver as pessoas do meio rural como capazes de desenvolver suas potencialidades e competências, é descobrir que estes podem tornar-se agentes participativos nos processos de ensino e de aprendizagem e sujeitos das suas próprias vidas e histórias. 

A partir desse contexto, a escola passa a ser um grande universo de ressignificação do fazer pedagógico e do desenvolvimento humano necessário para a alfabetização digital e multiletramentos de homens, mulheres, jovens e crianças moradoras dessa região. Ressignificar nesse sentido, é ter um olhar mais atento para a contextualização das políticas públicas e das metas previstas nos programas e planos educacionais para as diferentes realidades escolares.

A escola rural ribeirinha possui características próprias, que se articulam diretamente com a Educação do Campo, ou seja, a educação denominada de “ribeirinha” está inserida na Educação do Campo, que é uma modalidade da Educação Básica (Art. 1, Resolução do Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Básica – CNE/CEB nº. 2/2013).

É uma realidade marcada por grandes desafios que historicamente neglicencia o protagonismo daqueles a quem mais interessa o desenvolvimento de politicas públicas eficazes, os moradores.

Vale ressaltar, que nas escolas rurais ribeirinhas nos deparamos frequentemente com a ausência de professores, falta de técnicos educacionais, espaços e materiais inadequados, além de um currículo que não leva em consideração a realidade local.

Neste sentido, o uso das tecnologias digitais é debatido cada vez mais, a partir da identificação de que desde cedo as crianças já demonstram grandes habilidades em manipular dispositivos eletrônicos. De acordo com Grotto (2012), a mente dessas crianças parece criar associações com tanta rapidez e facilidade de compreensão que deixam os adultos perplexos quando demonstram com naturalidade e segurança seus conhecimentos. Assim já chegam na escola com uma certa bagagem de conhecimento digital.

Atualmente, as tecnologias de informação e |comunicação são consideradas ferramentas que vem se aprimorando e quando utilizadas de forma adequada nas salas de aulas podem surtir efeitos positivos no processo de ensino e aprendizagem.

De acordo com as Diretrizes para Educação Infantil (BRASIL, 2013), escolas de educação infantil devem proporcionar possibilidades educativas promovam o desenvolvimento integral das crianças, bem como promover a inclusão digital. Ainda nesse sentido Gadotti (2000, p.38), enfatiza que a escola necessita transforma-se e tornar-se um ambiente de inovações, cujo papel primordial deve ser orientar, criticamente, especialmente as crianças e jovens, na busca de uma informação que os faça crescer, ou seja, alfabetizar tecnologicamente.

Nesta vertente, mais importante do que analisar aspectos sobre a implantação dessas ferramenta nas escolas é discutir a importância do uso dessas tecnologias na educação infantil e seus resultados e problematizar questões como: de que forma a tecnologia acrescenta e atua de eficazmente no processo de desenvolvimento e ensino/aprendizagem dos alunos? Como o educador tem feito uso dessa ferramenta como material didático na sala de aula? Será que as novas tecnologias contribuem para o desenvolvimento cognitivo dos alunos? Seria este um auxílio para os professores ou um recurso complexo demais para ser assimilados como proposta pedagógica na escola?

Tais questionamentos baseiam-se no fato de que cada vez mais crianças e adolescentes aliam o uso dos aparelhos eletrônicos em sua rotina, então, como não se apropriar desse recurso tão deslumbrante? Desses fatores decorre a importância de evidenciar através da pesquisa que a implementação dessas novas ferramentas digitais na sala de aula como recurso didático, associada ao preparo dos professores para o seu uso de forma adequada, poderá proporcionar melhorias da qualidade do ensino nesses lugares de difícil acesso, impactando de forma significativa na reformulação das politicas públicas educacionais para essa região, e consequentemente nas propostas pedagógicas das escolas.

Portanto, é salutar no contexto atual discutir esse tema, assim como os resultados advindo desse processo no ensino e aprendizagem na educação infantil, também será um meio de identificar os recursos disponíveis, o nível de formação e as necessidades dos professores e demais características físicas, pedagógicas e de pessoal nas escolas localizadas nas regiões ribeirinhas

Por fim, também é importante frisar que com a chegada das novas tecnologias nessas escolas e, a partir da realidade que se apresenta o mundo atual com o acelerado crescimento do ciberespaço, de novas formas de comunicação e acesso crescente à informação, tais fatores tem oportunizado inúmeras condições de aprendizagens, desenvolvimento de habilidades e interações necessárias à formação integral da criança que com práticas tradicionais provavelmente não seriam alcançadas.



A escola ribeirinha da Amazônia e o uso das novas tecnologias no ensino-aprendizagem

A educação está em constante processo de mudança, por isso, é relevante fazer uma reflexão em relação à infância, a importância e os impactos do uso das novas tecnologias aliadas ao ensino e aprendizagem nessa etapa escolar. Estes fatores que estão inseridos no cotidiano devem ser estudados não apenas pelos professores que atuam, na Educação Infantil, mas também, pelos familiares e pela sociedade em geral, pois são fatores que estão interligados e trazem influências a todos os âmbitos.

É evidente que as crianças do século XXI são diferentes das gerações anteriores, a forma de brincar, de falar, de se comunicar e socializar são diferentes, muitos desses fatores se devem ao fato do surgimento da era digital que está intrínseca em todos os lugares e o quanto influenciam diretamente no desenvolvimento do ensino e da aprendizagem.

As políticas públicas do governo federal para o uso e presença das novas tecnologias nas escolas públicas fazem-se presente desde a década de 1990, com objetivos que devem ser alcançados pelo sistema educacional em todas as esferas e níveis e segmentos de ensino, visando melhorar a qualidade da aprendizagem dos alunos e a prática pedagógica por parte dos professores.

A cultura digital na educação tem por objetivos oferecer condições de acesso á internet no âmbito escolar de forma pública e gratuita para a comunidade. Enseja a integração crítica, ética e criativa das tecnologias digitais no ensino, preparando alunos para um mundo conectado, desenvolvendo habilidades como pensamento crítico e colaboração, e transformando a aprendizagem em algo mais ativo, personalizado e envolvente, conforme previsto pela Base Nacional Comum Curricular-BNCC, para formar cidadãos digitais responsáveis e aptos para o futuro.

Neste sentido é importante discutir de que forma o uso das novas tecnologias pode contribuir no processo de ensino e aprendizagem e se justifica, pois conforme afirmado por vários pesquisadores e documentos relacionados ao tema, a criança tem o direito de vivenciar a cultura de sua época, e como a era vivida é conhecida como digital, a escola deve proporcionar ao educando o aprendizado com o uso das tecnologias, para que possam adquirir conhecimento condizente ao momento histórico ao qual estão vivenciando.

Essa deverá ser uma discussão que alcance os vários seguimentos educacionais , campos de atuação e lugares, particularmente os amis distantes, como é o caso das escolas localizadas em áreas rurais ribeirinhas da Amazônia, onde o acesso aos meios de informação e comunicação são escassos ou chegam com dificuldades.

As áreas ribeirinhas, ou seja, comunidades tradicionais localizadas as margens dos rios, são regiões de difícil acesso e são impactadas pela falta de estrutura física, pedagógica e de pessoal qualificado nas poucas escolas que existentes. A sua inclusão digital e a utilização dessas novas ferramentas como recursos didáticos poderá ser uma ferramenta significativa para ofertar uma educação de qualidade e promoção do conhecimento, da cultura, dos valores e das identidades de todos que fazem parte da região.



sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

PROGRAMAS SOCIAIS: filosofia ou politica?

Programa social, na sua concepção filosófica, consiste em uma ação que tem como objetivo proporcionar melhorias à condição e qualidade de vida da população, ou seja, é uma ação que atua no preenchimento das lacunas deixadas pelo estado no campo social, causadas devido ao sistema econômico ou à falta de ações governamentais.

Nesse contexto, diferentemente do que possa pensar muitas pessoas, inclusive os próprios assistidos por esses programas, é importante enfatizar que programa social não deve ser banalizado na sua concepção restrita como sendo uma mera ação de assistencialismo, movido por ações momentâneas de governos, vez que deve ser uma ação de estado.

Influenciado mundo afora pelo keynesianismo, uma teoria econômica desenvolvida pelo economista britânico John Maynard Keynes (1883-1946) que defende a intervenção ativa do Estado na economia para garantir estabilidade, pleno emprego e crescimento, especialmente em tempos de crise, contrastando com o liberalismo clássico, seus seguidores defendiam dentro dos parâmetros do mercado livre capitalista, a necessidade de uma forte intervenção econômica do Estado com o objetivo principal de garantir o pleno emprego e manter o controle da inflação.

Esta forma de pensar surgiu como resposta à Grande Depressão de 1929, propondo uma alternativa ao liberalismo que falhava em resolver o desemprego massivo e teve grande influência no pós-guerra (1945-1970), mas perdeu força nos anos 70 com a estagflação, ressurgindo após a crise de 2008. Em síntese essa filosofia deveria ser aplicada com vista ao bem-estar social, pela qual se defendia a criação de uma rede de segurança social como seguro-desemprego e salário-mínimo para garantir dignidade e estabilidade.

Keynes argumentava que a economia é influenciada por fatores psicológicos (expectativas, incertezas) e não é sempre auto-regulável, necessitando de ação governamental em momentos de recessões.

Muitos governantes ainda se inspiram nesses pensamentos para criar uma série de programas sociais, movidos por ocasiões de interesses, ou mero fazer politico sem pensar no amanhã, no impacto que terá na economia do seu país´, estado ou município.

Por outro lado, a "filosofia" ou, mais precisamente, o conjunto de motivações e atitudes das pessoas que vivem de programas sociais é complexa e multifacetada, não podendo ser reduzida a uma única mentalidade baseada simplesmente na busca por dignidade e sobrevivência diante da vulnerabilidade social e econômica, do momento, que reduz determinados programas à sobrevivência diária ou necessidade imediata.

Tais estereótipos deveriam ser contrariado, vez que os Programas deveria ter em sua concepção o incentivo pela busca ativamente de autonomia pelos seus beneficiários. Ou seja, o beneficio deveria ser usado apenas como um suporte temporário para a saída da situação de vulnerabilidade, encontrar um emprego e melhorar suas condições de vida.

O fato é que o debate público está sempre retornando à questão da necessidade de novas políticas públicas de auxílio econômico aos mais pobres, de novas tributações, rearranjos fiscais e de novas medidas de combate às desigualdades sociais em todo o planeta.

RACISMO AMBIENTAL: PERCEPÇÕES

A atualidade mostra que a sociedade enfrenta um período de crise que desencadeia impactos no âmbito social, ambiental e econômico. Os grupos em vulnerabilidade social e econômica são os mais impactados, reforçando a necessidade de ações públicas que promovam o equilíbrio ambiental, sem qualquer tipo de distinção.
O racismo, por ser estrutural, se manifesta em todas as dimensões da vida em sociedade: na educação, saúde, cultura, nas legislações e, também, no meio ambiente. Esse conceito surgiu nos anos 80 com o líder de direitos civis Benjamin Chavis, no contexto de manifestações do movimento negro contra injustiças ambientais nos Estados Unidos da América é, portanto, outra frente a ser considerada nos ambientes de formação formal e informal.
A vulnerabilidade socioambiental não é um fenômeno que atinge a todos os povos de maneira igualitária. Não seria justo afirmarmos que todas as comunidades humanas sofrem dos desequilíbrios do meio ambiente de maneira igualmente proporcional, pois antes de qualquer questão que seja exclusivamente de ordem ambiental, existe uma, desigualdade social que afeta, de modo mais severo, as
comunidades periféricas e tradicionais no exercício de acesso aos direitos ambientais. Visando o cenário
desta afirmação, é possível se concluir que:
Se há diferença nos graus de exposição das populações aos males ambientais, isso não decorre de nenhuma condição natural, determinação geográfica ou causalidade histórica, mas de processos sociais e políticos que distribuem de forma desigual a proteção ambiental (ACSELRAD; MELLO, 2009, p.73)
A relação entre a educação e o racismo ambiental é uma faceta crítica da emergência global. Práticas insustentáveis e emissões excessivas exacerbam as vulnerabilidades de povos e comunidades já marginalizadas, aprofundando as disparidades existentes.
Os impactos da emergência/crise ambiental, como são chamados os eventos que produzem seca, chuvas, temporais entre outros dessa natureza, atingem a sociedade brasileira de forma desproporcional. Junto as populações tradicionais ribeirinhas da Amazônia, isso se manifesta de maneira aguda, enquanto o desmatamento, os incêndios e o garimpo ilegal impulsionam as mudanças climáticas, os efeitos resultantes como alterações no regime de chuvas impactam desproporcionalmente a região, comprometendo ainda mais sua capacidade de subsistência e resiliência.
Segundo Robert Bullard (2002), o racismo ambiental decorre da degradação ambiental imposta pela lógica mercadológica e capitalista de exploração e se refere a políticas, práticas ou diretrizes ambientais que afetam diferentemente ou de forma desvantajosa (seja intencionalmente ou não) indivíduos, grupos ou comunidades mais vulneráveis, seja por questões de renda, educação, cor, gênero ou raça, podendo ser reforçadas por instituições governamentais, jurídicas, econômicas, políticas e militares.
O racismo ambiental é, portanto, uma forma de discriminação ambiental. Ele acontece quando as políticas ambientais e os projetos de desenvolvimento são inexistentes ou implementados de forma a prejudicar deliberadamente as populações mais vulneráveis que são afetadas de forma desproporcional pelos impactos ambientais negativos, como a poluição do ar, a contaminação da água, as enchentes, as secas, os desmatamentos, intoxicação e etc. Isso acontece porque essas populações muitas vezes têm menos poder político e econômico para evitar ou remediar esses impactos.
Além disso, a falta de acesso a serviços básicos, como água potável e saneamento, agrava ainda mais os impactos negativos do racismo ambiental. O resultado é uma qualidade de vida muito inferior à das pessoas que vivem em áreas mais ricas e protegidas, afetando a saúde e bem-estar dos moradores. As comunidades tradicionais ribeirinhas da Amazônia são exemplos claros de racismo ambiental. 
Apesar de serem áreas de grande valor ecológico, cultural e econômico e terem um conhecimento profundo desses ecossistemas, têm pouca influência sobre as políticas que afetam seus territórios e geralmente são excluídas do processo de tomada de decisão.
Nessa perspectiva, a realidade atual exige de todos a análise das percepções e os desafios de combate ao racismo a essa nova forma de racismo, seja através da educação ou de ações culturais, particularmente nas comunidades tradicionais onde nos últimos anos foi cenário de grandes impactos ambientais em virtude da falta de políticas públicas preventivas voltadas para essa população.