domingo, 15 de maio de 2016

FILOSOFIA MEDIEVAL

A figura de Agostinho de Hipona é apresentada como um dos últimos representantes da Antiguidade e por outros como o primeiro representante da tradição medieval. Longe de esgotar este debate, nos interessa identificar que a obra de Santo Agostinho é o resultado de uma sistematização que foi muito útil para a afirmação dos ensinamentos do Cristianismo, combatendo os céticos, e retomando parte da elaboração platônica, sem, contudo, ser ele mesmo um platônico.
O período da Filosofia medieval foi marcado pela instauração dos debates, as disputas como o choque entre Nominalistas e Universalistas. Houve uma separação dos saberes e dois campos de conhecimento: a Teologia, que investigava sobre as questões relativas a Deus, vista como superior; e a Filosofia, que abrangia todos os outros saberes, inclusive as investigações sobre natureza, fazendo com que a Filosofia fosse um nome dado a um grande número de saberes.

Outro grande nome da Filosofia medieval foi o de Tomás de Aquino, um dos responsáveis pela cristianização do pensamento aristotélico e pela modernização das teorias do mundo cristão. A apropriação de conceitos como "motor primeiro imóvel" e a clareza da demonstração tomistas em que é exposta uma tese, seguida dos argumentos favoráveis e contrários e a refutação desses últimos, indicava a capacidade do mestre em organizar os argumentos e realizar as sínteses da sua religião e também da obra de Aristóteles.

FILOSOFIA ANTIGA

A Filosofia Antiga refere-se a um grupo diversificado e que se localiza desde o século VI a.c. na Jônia até os primeiros tempos da era cristã. Pela dimensão temporal podemos localizar temáticas díspares que são sistematizadas neste mesmo grupo. Entre estes grupos estão:
Os pré-socráticos ou físicos: os filósofos, desde Tales de Mileto, que se localizam antes de Sócrates e se interrogavam sobre a physis (natureza), daí o nome físicos. A preocupação deles sobre o princípio (a arché) da natureza, da ordem do mundo fez com que estabelecessem as primeiras elaborações à procura de um princípio lógico que explicasse a própria natureza.
A Filosofia Socrática. Sócrates: é a figura central da Filosofia grega. Embora nunca tenha escrito nada foi a partir dele que as questões humanas superaram as preocupações sobre o princípio ordenador da natureza. Sócrates é uma figura emblemática por ter legado à Filosofia a figura do homem questionador, que procura conhecer, interrogando as pessoas que julgava sábias. Ele dialogava e interrogava as pessoas à exaustão, através da ironia e da maiêutica, as partes constitutivas do seu método dialético: inquiria para que as pessoas pudessem "dar a luz às idéias". Incorporou o lema de um oráculo ("Conhece-te a ti mesmo") como parte de sua tarefa e foi condenado à morte.
A Filosofia sistemática. Platão e Aristóteles são os dois principais nomes deste período: Platão foi discípulo de Sócrates e mestre de Aristóteles. Ele foi o primeiro a sistematizar uma obra filosófica em que expressa uma determinada concepção de mundo. Sua obra é marca da pela questão do conhecimento e a associação com a atividade política. A Filosofia é filha da cidade (pólis) e ao mesmo tempo está à sua margem, por isso, os diálogos platônicos expõem os temas de um debate articulado, através da argumentação, e do impulso que desperta o pensamento e o conhecimento autêntico (epistéme) que ultrapasse as aparências (doxa).
Aristóteles apresentou diferenças substantivas em relação a Platão. Sua obra apresenta, em seu próprio modo de escrever e na escolha dos temas, uma organização que expressa o objeto e os modelos de investigação que propõe. Obras como "Metafísica", "Física", "Política", "Organon", "Poética", "Ética" identificam percursos e temas de um trabalho de demonstração argumentativa em que o logos é sistematizado.
- Filosofias do helenismo: é o período de expansão da Filosofia a partir do domínio exercido pelos macedônios e depois pelos romanos. A Filosofia deixa de ser centrada no mundo grego e ultrapassa as antigas fronteiras da ética. Nesse período podemos identificar algumas correntes como o estoicismo, o epicurismo, o ceticismo, o neoplatonismo.

- As primeiras elaborações da tradição cristã: embora haja um longo debate sobre a existência de uma Filosofia cristã, nos primeiros séculos da era cristã há uma disputa entre as tradições do helenismo e o Cristianismo nascente. Embora este não tenha um caráter especulativo como as Filosofias helenistas podemos identificar, sobretudo a partir dos apologistas do século lI, a tentativa de um diálogo entre a Fé e a Razão, para atrair os pagãos e a incorporação de princípios da exposição filosófica. O aprofundamento dessas relações marca a passagem do final do período antigo para o início do período medieval.

FILOSOFIA ANTIGA E MEDIEVAL

Filosofia antiga (Séc. VII ao Séc. II a. C.)
§  Compreende os períodos: pré-socrático, socrático ou clássico e helenístico.
§  O fato marcante desse período foi a passagem do mundo tribal à polis (cidade-estado grega) determinando uma nova forma de pensar, antes predominantemente mítica. Essa transformação culmina com a figura do cidadão e do filósofo, em um mundo antes marcado pelos desígnios divinos.
§  Características
§  Procura de um princípio fundamental (arché) para todas as coisas existentes, de modo que, explicar a Natureza, a Filosofia explica também a origem e as mudanças dos seres humanos.
§  Processo de desligamento entre o pensamento filosófico e o pensamento mítico.
§  Confiança do homem como um ser racional, capaz de conhecer a si mesmo e, portanto, capaz de refletir.
Filosofia Medieval (séc. II a. C. ao Séc. XIV)
§  Compreende a Patrística e a Escolástica. Predominou num período em que a Igreja Romana dominava a Europa, organizava Cruzadas à Terra Santa e criava, à volta das catedrais, as primeiras universidades e escolas.
§  Características da Filosofia Medieval:
§  Tarefa religiosa de evangelização e defesa da religião cristã contra os ataques teóricos e morais que recebia dos antigos. O objetivo era convencer os descrentes, tanto quanto possível, pela razão, para depois fazê-los aceitar a imensidão dos mistérios divinos acessíveis pela fé.
§  Distinção desconhecida pelos antigos entre verdades reveladas ou da fé (conhecimento recebido por graça divina, superior ao simples conhecimento racional) e verdades da razão ou humanas, que representam, respectivamente, verdades sobrenaturais e verdades naturais.
§  Pensamento subordinado ao princípio da autoridade, isto é considerada verdadeira baseada nos argumentos de uma autoridade reconhecida (Bíblia, Aristóteles, um papa, um santo).

§  Possibilidade ou impossibilidade de conciliar fé e razão

ENSINO METODOLÓGICO DE FILOSOFIA

A obra Os intelectuais e a organização da cultura, de Antônio Gramsci, é um compêndio contendo as diversas anotações realizadas pelo pensador comunista, durante o período em que foi vítima de cárcere pelo regime fascista italiano.
O ponto central do livro, organizado por editores após a morte de Gramsci, orbita em torno da formação dos intelectuais, cuja denominação, para o autor, não se restringiria à formação acadêmica desses indivíduos, mas sim ao desempenho de sua função efetiva enquanto agentes sociais. Desta maneira, todos os indivíduos seriam, para Gramsci, intelectuais, sem que todos, no entanto, exercessem necessariamente essa função na sociedade:

Todos os homens são intelectuais, poder-se-ia dizer então: mas nem todos os homens desempenham na sociedade a função de intelectuais. Quando se distingue entre intelectuais e não-intelectuais, faz-se referência, na realidade, tão-somente á imediata função social da categoria profissional dos intelectuais, isto é, leva-se em conta a direção sobre a qual incide o peso maior da atividade profissional específica, se na elaboração intelectual ou se no esforço muscular-nervoso. Isto significa que, se se pode falar de intelectuais, é impossível falar de não-intelectuais, porque não existem não-intelectuais. Mas a própria relação entre o esforço de elaboração intelectual cerebral e o esforço muscular-nervoso não é sempre igual; por isso, existem graus diversos de atividade específica intelectual. Não existe atividade humana da qual se possa excluir toda intervenção intelectual, não se pode separar o homo faber do homo sapiens. Em suma, todo homem, fora de sua profissão, desenvolve uma atividade intelectual qualquer, ou seja, é um “filósofo”, um artista, um homem de gosto, participa de uma concepção do mundo, possui uma linha consciente de conduta moral, contribui assim para manter ou para modificar uma concepção do mundo, isto é, para promover novas maneiras de pensar. (GRAMSCI, 1982, p. 6)

Desta maneira, para Gramsci, a intelectualidade é caracterizada pelo poder de ação deste indivíduo em seu meio social, tornando-se “um certo tipo de agente capaz de fazer a ligação entre superestrutura e infra-estrutura, independente [sic] de sua escolaridade específica, mas relacionada diretamente com o “lugar” que ocupa nas relações materiais/sociais de uma determinada produção social”. (SOUZA PINTO, 2011, p. 27). Assim, nossa análise consistirá na relação entre a metodologia do ensino de Filosofia e a formação adquirida pelos alunos, que à luz da concepção gramsciana, poderão exercer, na prática, as reflexões filosóficas ensejadoras de mudança social.
Pensar o ensino de Filosofia sob a perspectiva de intelectualidade como poder de intervenção social, de Gramsci, é pensar em um processo de ensino e aprendizagem que não fique restrito à repetição estéril de conceitos postulados pelos filósofos da tradição, mas que provoque o aluno e o impulsione através do atrelamento da teoria à prática cotidiana, fazendo com que o conhecimento dos conceitos da História da Filosofia seja o referencial para a ressignificação do mundo, e não o objetivo final da aula.
Através de uma eficaz metodologia, indissociável ao ensino de qualidade da Filosofia, a sala de aula se tornaria um laboratório conceitual, transformando o conteúdo filosófico em reflexão ativa para o aluno. Para o pedagogo e filósofo Silvio Gallo, em referência à teoria de fabricação de conceitos de Gilles Deleuze e Félix Guattari, o ensino de Filosofia, para que seja de fato significativo e se incorpore à vida do aluno, é preciso que promova uma movimentação do pensamento, a experimentação do aluno pelo processo criativo:

(…) parece-me que podemos caracterizar assim as etapas de trabalho numa “oficina de conceitos”: 1.Sensibilização; 2.Problematização; 3.Investigação; 4.Conceituação. Através do trabalho progressivo nessas quatro etapas, podemos colocar aos estudantes um problema filosófico, fazendo com que eles vivenciem o problema, para que possam efetivamente fazer o movimento da experiência de pensamento. O problema não pode ser um falso problema ou um problema alheio, externo a eles. Se só pensamos a partir de problemas que efetivamente vivemos, é importante que eles vivenciem o problema, apropriem-se dele, o incorporem. A partir do problema vivido, podemos investigar na história da filosofia conceitos criados para equacionar esse problema ou problemas próximos a ele. E testar esses conceitos em relação a nosso problema, saber se eles nos servem ou não, se precisam ser adaptados, recriados, ou se podem ser descartados. Por fim, o momento da experiência filosófica de pensamento propriamente dita: o equacionamento do problema através de um conceito, seja ele um conceito apropriado de um filósofo, um conceito recriado ou um conceito realmente novo, criado com originalidade. (GALLO, 2006, p.47)

Desta maneira, o professor de Filosofia deve valer-se de uma metodologia, a ser adaptada a cada turma, que não se atenha ao postulado pela História, mas que discuta os dados e conceitos históricos para situar o aluno à dimensão conceitual abordada, levando-o a refletir sobre seu papel na sociedade (des)organizada. Em analogia a Gramsci e sua argumentação sobre o papel dos intelectuais, podemos supor que este aluno sensibilizado em seu repertório por uma problematização filosófica, e já tendo atravessado a investigação dos “por quês e senões” para a determinação conceitual do problema levantado, poderá travar uma relação de contra-hegemonia com o poder dominante, sem legitimar o sistema excludente e opressor da divisão social em castas, emancipando-o. Para essa emancipação, Gramsci defende a “escola unitária”:
A escola unitária ou de formação humanista (entendido este termo, “humanismo”, em sentido amplo e não apenas em sentido tradicional) ou de cultura geral deveria se propor a tarefa de inserir os jovens na atividade social, depois de tê-los levado a um certo grau de maturidade e capacidade, à criação intelectual e prática e a uma certa autonomia na orientação e na iniciativa. (…) O advento da escola unitária significa o inicio de novas relações entre trabalho intelectual e trabalho industrial não apenas na escola, mas em toda a vida social. "O princípio unitário, por isso, refletir-se-á em todos os organismos de cultura, transformando-os e emprestando-lhes um novo conteúdo". (GRAMSCI, 1982, p. 121 e 125).

Com isso, podemos refletir sobre a importância de uma metodologia que leve o ensino de Filosofia da teoria à ação, tornando o aluno capaz de orquestrar as mudanças advindas do exercício de um senso crítico sobre o mundo, a partir de uma aula que não seja apenas expositiva, mas que dialogue com seus interesses e sua potencialidade adormecida para transformação social.

Educando com a filosofia

O Prof. Dr. Matthew Lipman, filósofo e educador norte-americano, criou o Programa Filosofia para Crianças no final década de 60. Pioneiro em pensar a contribuição da filosofia para a formação das crianças, sua intuição foi aos poucos se constituindo em um novo paradigma de educação que a compreende como investigação em comunidade. Lipman se baseia em J. Dewey e L.Vygotsky que enfatizam a necessidade de ensinar a pensar e não apenas memorizar conteúdos. Incorpora contribuições de diversos psicólogos e filósofos na estruturação de um projeto de ensino da filosofia. Podemos acrescentar nesta lista nomes como George H. Mead, C. S. Peirce, Jean Piaget, Justus Buchler, Gilbert Ryle, Ludwig Wittgenstein, Martin Buber, Kant, dentre outros.
Para Lipman há algo em comum entre as crianças e os filósofos: a capacidade de se maravilhar com o mundo. Os filósofos levam esta capacidade de maravilhamento às últimas conseqüências, descobrindo e investigando os problemas da experiência humana. Tais problemas giram em torno de conceitos centrais, comuns e controversos em nossa experiência. Desta forma, os filósofos conseguem criar e reconstruir conceitos e buscar formas de explicação mais abrangentes para os problemas da vida. As crianças ficam intrigadas com os mesmos conceitos problemáticos, ou seja, colocam-se questões sobre a verdade, as regras, a justiça, a realidade, a bondade, a amizade, etc. Necessitam, portanto, de uma educação filosófica para tratar destas questões e, simultaneamente, aprender os processos do raciocínio e do julgamento.
A proposta educacional de Lipman oferece uma pedagogia específica para esta tarefa que é a Comunidade de Investigação e um currículo de filosofia desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, consubstanciado em textos que ele denominou de Novelas Filosóficas. Esta é a forma que Lipman encontrou para apresentar a filosofia às crianças, como uma possibilidade de fazer filosofia a partir da própria filosofia. Estas têm a preocupação de estimular a imaginação das crianças sobre questões filosóficas como forma de incentivar as crianças a pensar por si mesmas.
Percebe - se que o fenômeno de expansão do Programa de Filosofia para Crianças no Brasil aconteceu concomitante ao processo de abertura política, ao processo de democratização do país, pós 1988. A campanha a esse movimento de democratização a difusão de ideário democrático, que se pautava na proposta de uma educação crítica e que teve como objetivo formar a criança, o adolescente o adulto para a cidadania.
No Brasil, após o período em que ascendeu no poder uma junta militar e depois se instaurou um “regime militar” incentivou reformas na Constituição Brasileira com o ideário democrático; implantaram na área educacional princípios educacionais, em consonância com este ideário, criou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) reafirmando os princípios democráticos, e criou os Parâmetros Curriculares Nacional (PCN’S), tendo em vista orientar a prática pedagógica no cotidiano escolar.
É neste contexto que ocorre a expansão do ensino de filosofia para crianças, desde as séries iniciais. O idealizador desse programa compreende a sala de aula como sendo uma “comunidade de investigação”, pois é, neste espaço que os alunos são incentivados a dialogar, a fazer e responder perguntas filosóficas.
A filosofia para crianças nasceu com Mathew Lipman em 1973 nos Estados Unidos e, nos anos de 1984 ela chegou ao Brasil. Educar não significa transferir os conhecimentos, a educação forma o ser humano, o humaniza, este deve ser um processo que desafia o educando para o pensar crítico e autônomo. A educação não é somente ensinar o código da escrita é, emancipar o sujeito. Emancipar segundo Kohan (2003, p. 04) é o “exercício, se nos permite, ao final das contas, de educar sem subestimar ninguém”.
Os novos tempos exigem que o cidadão seja crítico, reflexivo, porém educar para a autonomia do pensamento se tornou um desafio, pois atualmente encontramos tudo pronto e acabado. Como relata Thomal (2001, p. 09) "A filosofia, continua sendo um desafio no campo educacional, mas em tempos atuais é necessário inseri- la já nas séries iniciais do Ensino Fundamental, para que não se torne um tabu, de que é privilégio de poucos".

Nesse contexto, Matheuw Lipman propôs o projeto após verificar que o sistema educacional americano era incapaz de promover um desenvolvimento adequado aos alunos. E sendo a curiosidade inata da criança, percebeu o programa como uma possibilidade, para o conhecer. Porém os limites surgem a partir das questões didáticas metodológicas a se aplicar no ensino de filosofia.

A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL

No cenário histórico brasileiro, a educação passou por várias etapas. Neste contexto observa-se que a Educação de Jovens e Adultos, termo oficialmente tratado na legislação, para legalizar a erradicação do analfabetismo funcional e escolar dos adultos não é recente. Somente no transcorrer do século XX, que ocorre a difusão da alfabetização acompanhando a constituição tardia do sistema público de ensino. Até fins do século XIX, as oportunidades de escolarização eram muito restritas, acessíveis quase que somente às elites proprietárias e aos homens livres das vilas e cidades, minoria da população.
Assim, é pertinente dizer que a educação básica voltada aos adultos começou a alicerçar seu lugar no contexto da história do próprio país. Uma história que se insere num cenário econômico, social e político. Uma relação que entrelaça educação e trabalho tendo como alvo principal um público de trabalhadores que procuram por emprego e a consequente melhoria da qualidade de vida.
A partir da década de 1930, considerando o cenário político, assim como as exigências demandadas por uma nova sociedade que começa a se firmar, a educação de adultos começou a ganhar o seu lugar no processo histórico. São várias etapas de uma educação que conquistou o seu lugar e o devido reconhecimento no conjunto da educação básica brasileira.
Vale ressaltar que até a década de 1930, o grande interesse do governo era alfabetizar as camadas mais baixas da sociedade. A partir de 1940, muitas iniciativas políticas e pedagógicas fizeram com que ocorressem significativas mudanças no setor educacional. Nesse contexto, de lutas e dedicação por uma educação de qualidade fez com que a educação de adultos ganhasse destaque na sociedade e a consequente abertura da discussão sobre o analfabetismo no Brasil.
Em meio a críticas sobre o analfabetismo, a partir da década de 50, uma nova proposta pedagógica, agora denominada de Educação de Jovens e Adultos, foi lançada, tendo como protagonista principal as concepções do educador Paulo Freire, cujo anseio de mudanças sociais não foi bem visto pelo regime militar imperativo naquele momento. Pois, para Freire (1987) a educação deve ser sempre uma ação multicultural, que desenvolva o conhecimento e a integração na diversidade cultural.
Como afirma Gadotti (1979, p.85):

Uma educação para a compreensão mútua, contra a exclusão por motivos de etnia, sexo, cultura ou outras formas de discriminação e, para isso, o educador deve conhecer bem o próprio meio do educando, pois somente conhecendo a realidade desses aprendizes é que haverá uma educação de qualidade e a real prática da cidadania.

  Com o lançamento do Movimento Brasileiro de Alfabetização – Mobral, em 1967, voltado ao atendimento de analfabetos na faixa etária de 15 a 30 anos, apesar dos interesses políticos vigentes no momento, boa parte da população carente foi estimulada ao estudo. O Mobral, no entanto, vai dar lugar, a partir da década de 1985 à Fundação Educar, que tinha como objetivo apoiar técnica e financeiramente as iniciativas de alfabetização existentes no território nacional.
Em meio a tantos desafios, foi somente com a promulgação da Carta Magna de 1988, por força do seu artigo nº 208, que o Estado verdadeiramente ampliou o seu dever de oferecer educação básica gratuita e de qualidade para toda a sociedade brasileira.

Art. 208[...] a educação é direito de todos e dever do Estado e da família[...];
Art. 205[...] e ainda, ensino fundamental obrigatório e gratuito, inclusive sua oferta garantida para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria (CF, 1988).

Foi nesse contexto que a partir de 1990 outros programas para a alfabetização de adultos foram criados, entre eles o Programa Alfabetização Solidária – PAS, em 1997 como uma meta governamental do presidente Fernando Henrique Cardoso. Tinha como proposta inicial atuar na alfabetização de jovens e adultos nas regiões Norte e Nordeste do país, mais conseguiu abranger as regiões Centro-Oeste e Sudeste.
Com as transformações sofridas pelo país nas décadas posteriores, houve a necessidade de se implantar uma nova lei de diretrizes para a educação. Assim, em 1996, foi aprovada a Lei n. 9.394. Infelizmente, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional vigente, trata de maneira sucinta a educação de adultos, deixando vagos muitos aspectos importantes, como é o caso das ações que vão garantir a permanência dos jovens e adultos na escola.
A progressiva inclusão da modalidade ensino no Fundo de Financiamento da Educação Básica - FUNDEB, a partir de 2007, também foi um significativo avanço. Pode se dizer que, apesar da timidez quanto ao progressivo avanço, a educação voltada ao atendimento dos adultos tem ganhado força e deu passos significativos ao longo da sua história, como aponta Di Pierro (2000, p.108):

A ação educativa junto a adolescentes e adultos no Brasil não é nova. Sabe-se que já no período colonial os religiosos exerciam sua ação educativa missionária em grande parte com adultos. Além de difundir o evangelho, tais educadores transmitiam normas de comportamento e ensinavam os ofícios necessários ao funcionamento da economia colonial, inicialmente aos indígenas e, posteriormente, aos escravos negros. Mais tarde, se encarregaram das escolas de humanidades para os colonizadores e seus filhos.

Percebe-se que em cada momento da história a falta de interesse dos governantes em investir, a fim de que tenhamos uma educação de qualidade e para todos. Outro fator determinante que dificulta o acesso e permanência principalmente de jovens e adultos a escola está estreitamente ligado ao mundo do trabalho, pois para o adulto torna-se muito cansativo, depois de uma longa jornada diária de trabalho ter que encarar uma sala de aula. Estes e outros fatores são determinantes para a evasão escolar.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

O RIBEIRINHO E SUAS TRADIÇÕES

As tradições de um povo é simplesmente a tradução dos seus pensamentos e afazeres do dia-a-dia. O emprego do termo "populações tradicionais" é propositalmente abrangente. Contudo, essa abrangência não deve ser confundida com confusão conceitual. Definir as populações tradicionais pela adesão à tradição seria contraditório com os conhecimentos antropológicos atuais. Defini-las como populações que têm baixo impacto sobre o ambiente, para depois afirmar que são ecologicamente sustentáveis, seria mera tautologia. 
O distrito de Nazaré, localizado as margens do rio Madeira, no município de Porto Velho/RO, traduz no contexto do seu povo a mais singular expressão do conceito "tradicional". A comunidade surgiu por volta do primeiro ciclo da borracha, na amazônia e desde de então vem despontando por sua expressão cultural.

Foto: Anauá Gomes
O grande baluarte dessa caminhada iniciou com o professor Manoel Maciel Nunes, grande líder comunitário conhecido por sua desenvoltura no campo educacional, esporte, música e artes cênicas. Com suas ações de envolvimento comunitário congregou por várias gerações o sentimento de pertencimento ao ambiente vivido como produto da sua expressão.
Não se pode também negar os seus sucessores como o professor Artermo que até hoje vive naquela comunidade e outros tantos, que procuram manter vivo a cultura local, o ambiente ecológico e suas tradições. Os festejos religiosos e a festa da melancia são apenas uma pequena amostra do que o povo de Nazaré divulga anualmente e para os quais arrasta multidões.
Atualmente o Grupo Cultural Minhas Raízes mostra ao mundo, através da música regional de valorização aos mitos e os afazeres do povo o sentimento dessa comunidade. Isso demonstra que o conhecimento das comunidades tradicionais é algo que tem muito a contribuir com as demais realidades do mundo atual. 

domingo, 24 de abril de 2016

EDUCAÇÃO AMBIENTAL: DESAFIO DO SÉCULO

SANTOS, Osmair Oliveira dos¹

Para muitas pessoas quando se fala em meio ambiente, logo se faz a associação do termo a paisagens naturais. No entanto, esta expressão é mais abrangente e carregada de significados. Quando dizemos, por exemplo, que meio ambiente é o conjunto de condições e influências naturais que cerca os seres vivos ou uma comunidade, e que agem sobre eles, podemos dizer de forma simplificada que essa é uma relação entre os seres vivos e os nãos vivos.
Nesta perspectiva, surge o termo cuidar do meio ambiente, que em outras palavras significa cuidar de nós mesmos, uma vez que tudo estar relacionado com o lugar onde vivemos. O cuidado com o meio ambiente advém de algo muito maior que deve ser inspirado em um conjunto de ações e influências exercidas voluntariamente pelos seres humano, e que possa ser transmitida de geração para geração. Essa forma de conscientização é o que definimos como educação.
A educação ambiental nasce da premissa necessária do ser humano de se sensibilizar e buscar conhecimento em relação ao lugar de pertencimento.  Educação ambiental, de acordo com a Lei nº 9.795/99 é o processo por meio do qual o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.
No nosso cotidiano é urgente a necessidade de transformação para a superação de inúmeras injustiças ambientais, desigualdade social, apropriação da natureza e da própria humanidade como objetos de exploração e consumo. Muitos atribuem a esses pressupostos a uma cultura de risco, com efeitos que muitas vezes escapam à nossa capacidade de percepção imediata, mas aumentam de muitas formas as evidências que seus resultados podem atingir não só a vida de quem os produz, mas as de outras pessoas, espécies e até gerações futuras.
Esse cenário ambiental nunca visto na história da humanidade se deve aos próprios seres humanos, por suas ações de degradação sobre a natureza. A falta de orientação associada ao grande poder emanado pelo capitalismo radicaliza o compromisso que a educação ambiental assume no enfrentamento da crise ambiental, ensejando por mudanças de valores, comportamentos, sentimentos e atitudes. Ações fomentadoras de processos que possibilitem o respeito à diversidade biológica, cultural, étnica, juntamente com o fortalecimento da resistência da sociedade a um modelo devastador das relações dos seres humanos entre si, e destes com o meio ambiente é um dever de todos.
Nesse contexto, o desenvolvimento econômico que emana do progresso científico e tecnológico demonstra que o domínio do homem sobre a natureza, nas últimas décadas, tem desencadeado alterações ecológicas de grandes proporções e consequências para a sobrevivência da humanidade. Frente a tantos problemas, a previsão é de um futuro incerto com enormes problemas de contaminação, esgotamento de recursos não renováveis e escassez dos recursos renováveis, aquecimento global, desmatamento, contaminação da água e do solo, fome, pobreza, entre outros que constituem perigo para a saúde e o bem-estar social.
Uma nova forma de pensar sobre o caminho empreendido pela sociedade e o modo como se tem enfocado as relações dos seres humanos com o lugar onde vive é algo a ser repensado, afim de oferecer um futuro equilibrado às gerações. Neste sentido, o Brasil tem procurado cumprir acordos internacionais sobre o meio ambiente, em conformidade com o que dispões os marcos legais da Constituição Federal de 1988, da Lei 9.795/99, que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental – PNEA e dos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN’s.
­­­­­­­­Entre os principais documentos, no âmbito internacional, firmados pelo Brasil, merece destaque a Conferência Intergovernamental de Educação Ambiental de Tbilisi, capital da Geórgia (ex-União Soviética), em outubro de 1977. Sua organização ocorreu a partir de uma parceria entre a UNESCO e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Desse encontro saíram as definições, os objetivos, os princípios e as estratégias para a educação ambiental que até hoje são adotados em todo o mundo. Outros documentos internacionais importantes de orientação as ações da educação ambiental, que merecem destaque são: o Manifesto pela Vida e a Carta da Terra, que constituem a base de princípios para os processos da Agenda 21 brasileira.
O Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, elaborado pela sociedade civil planetária, em 1992, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) é o marco critico, político e emancipatório da educação ambiental. O referido documento marca a mudança de acento do ideário desenvolvimentista para a noção de "sociedades sustentáveis", construídas a partir de princípios democráticos em modelos participativos de educação popular e gestão ambiental.
Da mesma forma, a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014),  instituída pelas Nações Unidas juntamente com a UNESCO representa um grande avanço para a educação ambiental ao reconhecer seu papel no enfrentamento da problemática socioambiental à medida que reforça mundialmente a sustentabilidade por meio da educação, assegurando a efetividade desse direito e incumbindo o poder público, entre outras providências, a promoção da educação ambiental em todos os níveis de ensino.
Da educação é necessário que sejam adquiridos conhecimentos sobre o cuidado, para que o uso econômico dos recursos da terra pelos seres humanos tenha caráter de uso consciente, isto é, que gere o menor impacto possível e respeite as condições de renovação. Isso é o uma determinante que os documentos assinados pela grande maioria dos países do mundo, incluindo o Brasil assumem, ou seja, garantir o acesso de todos aos bens econômicos e culturais necessários ao desenvolvimento pessoal e a uma boa qualidade de vida, sem perder de vista o conceito de sustentabilidade.
A forma de organização das sociedades modernas constitui-se no maior problema para a busca da sustentabilidade. A crise ecológica atual, vista como a primeira grande crise planetária da história da humanidade, tem dimensão tal que, a despeito das dificuldades, e até impossibilidade de promover o desenvolvimento sustentável, essas sociedades se veem forçadas a desenvolver pesquisas e efetivar ações, mesmo que em pequena escala, para garantir minimamente a qualidade de vida no planeta.
Assim, a questão ambiental impõe às sociedades a busca de novas formas de pensar e agir, individual e coletivamente, de novos caminhos e modelos de produção de bens, para suprir as necessidades humanas, e relações sociais que não perpetuem tantas desigualdades e exclusão social, e, ao mesmo tempo, que garantam a sustentabilidade ecológica. Isso implica um novo universo de valores no qual a educação tem um importante papel a desempenhar.
A trajetória da presença da educação ambiental na legislação brasileira apresenta uma tendência em comum, que é a necessidade de universalização dessa prática educativa por toda a sociedade através de um processo participativo. Esse é um processo onde o educando assume o papel de elemento central no ensino/aprendizagem pretendido, participando ativamente no diagnóstico dos problemas ambientais e na busca de soluções, sendo preparado como agente transformador, através do desenvolvimento de habilidades e na formação de atitudes e conduta ética, condizentes ao exercício da cidadania.
A principal função do trabalho com a temática ambiental é contribuir para a formação de cidadãos conscientes, aptos a decidir e atuar na realidade socioambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade, local e global. Para isso, mais do que informações e conceitos, é necessário que a escola se proponha a trabalhar com atitudes, com formação de valores, com o ensino e aprendizagem de procedimentos. E esse é um grande desafio para a educação.
A grande tarefa da escola, como espaço social onde o aluno dará sequência ao seu processo de socialização é proporcionar um ambiente saudável e coerente com aquilo que ela pretende que seus alunos apreendam, para que possa, de fato, contribuir para a formação da identidade como cidadãos conscientes de suas responsabilidades com o meio ambiente e capazes de atitudes de proteção e melhoria em relação a ele. Por outro lado, é necessário também garantir situações em que os alunos possam pôr em prática sua capacidade de atuação.
Entretanto, não se pode esquecer que a escola não é o único agente educativo e que os padrões de comportamento da família e as informações veiculadas pela mídia exercem especial influência sobre os adolescentes e jovens. No que se refere à área ambiental, há muitas informações, valores e procedimentos aprendidos pelo que se faz e se diz em casa. Esses conhecimentos poderão ser trazidos e debatidos nos trabalhos da escola, para que se estabeleçam as relações entre esses dois universos no reconhecimento dos valores expressos por comportamentos, técnicas, manifestações artísticas e culturais.
É no ambiente escolar que as práticas realizadas representam um exemplo daquilo que a sociedade deseja e aprova. Comportamentos ambientalmente corretos devem ser aprendidos de forma pratica no cotidiano dos alunos, contribuindo para a formação de cidadãos responsáveis e compromissados criticamente com o futuro. Isso permitirá reavaliar informações e perceber as várias determinantes da leitura, os valores a elas associados e aqueles trazidos de casa. Isso os ajuda a agir com visão mais ampla e, portanto, mais segura ante a realidade que vivem.
É desejável a comunidade escolar refletir conjuntamente sobre o trabalho com o tema ambiental, sobre os objetivos que se pretende atingir e sobre as formas de conseguir isso, esclarecendo o papel de cada um nessa tarefa. Outro ponto importante a ser considerado é a relação da escola com o ambiente em que está inserida. Por ser uma instituição social que exerce intervenção na realidade, ela deve estar conectada com as questões mais amplas da sociedade, e com os movimentos amplos de defesa da qualidade do ambiente, incorporando-os às suas práticas e relacionando-os aos seus objetivos.
Dessa visão, surge a grande maioria das ações educacionais direcionadas, de forma predominante, para defesa do espaço natural de maneira estrita. Não é apenas com projetos de reciclagem de lixo, papel e plástico, ações de plantio de mudas e de comemorações em datas pontuais, tais como, semana do meio ambiente, dia da árvore, dia da água, etc. que se formará uma consciência sustentável.
No âmbito escolar é preciso que fique definido como objetivo pedagógico, qual tipo de educação ambiental deve ser seguido, uma educação conservacionista que é aquela cujos ensinamentos conduzem ao uso racional dos recursos naturais e à manutenção de um nível ótimo de produtividade dos ecossistemas naturais ou gerenciados pelo homem, ou uma educação voltada para o meio ambiente que implica em uma profunda mudança de valores em uma nova visão de mundo e uma nova maneira de se ver pertencente ao meio em que está inserido.
É papel fundamental da escola, propiciar mecanismos para diminuir o distanciamento entre o que está explícito nos documentos e leis para o que está sendo praticado. Devemos perceber claramente a tônica da educação ambiental direcionada para uma consciência mais abrangente sobre a forma de perceber o que é o meio ambiente para as pessoas e o que significa educação, para preservá-lo. A forma de pensar e agir sobre os problemas ambientais implicam na inter-relação da ética, da política, da economia, da ciência, da cultura, da tecnologia, da ecologia, para uma prática voltada para a mudança do comportamento.
Como tema transversal é necessário estar presente em todos os níveis e modalidades de ensino de forma interdisciplinar, garantindo o desenvolvimento da cultura e da cidadania ambiental, de modo que impregne toda a prática educativa. Ao mesmo tempo, possa criar uma visão global e abrangente das questões que evidenciam a destruição do ambiente, nos seus aspectos físicos, históricos e sociais contextualizando-os entre a escala local e global.
Trabalhar de forma transversal significa buscar a transformação dos conceitos, a explicitação de valores e a inclusão de procedimentos, sempre vinculados à realidade cotidiana da sociedade, de modo que obtenha cidadãos mais participantes. Cabe assim, aos educadores, em conformidade com sua área de conhecimento e atuação, organizar e adequar os conteúdos para contemplar a ação de Educação Ambiental de forma a contemplar todas as disciplinas do currículo escolar e contextualizá-los com a realidade da comunidade onde a escola está inserida.
O trabalho será mais impactante se os professores de todas as disciplinas discutirem as temáticas e sintetizarem elos para desenvolver um trabalho conjunto. Essa interdisciplinaridade pode ser buscada por meio de uma estruturação institucional da escola, ou da organização curricular, mas requer, necessariamente, a procura da superação da visão fragmentada do conhecimento. Isso levará o aluno a ser capaz de:
Ø    identificar-se como parte integrante da natureza e sentir-se afetivamente ligados a ela, percebendo os processos pessoais como elementos fundamentais para uma atuação criativa, responsável e respeitosa em relação ao meio ambiente;
Ø    perceber, apreciar e valorizar a diversidade natural e sociocultural, adotando posturas de respeito aos diferentes aspectos e formas do patrimônio natural, étnico e cultural;
Ø    observar e analisar fatos e situações do ponto de vista ambiental, de modo crítico, reconhecendo a necessidade e as oportunidades de atuar de modo propositivo, para garantir um meio ambiente saudável e a boa qualidade de vida;
Ø    adotar posturas na escola, em casa e em sua comunidade que os levem a interações construtivas, justas e ambientalmente sustentáveis;
Ø    compreender que os problemas ambientais interferem na qualidade de vida das pessoas, tanto local quanto globalmente;
Ø    conhecer e compreender, de modo integrado, as noções básicas relacionadas ao meio ambiente;
Ø    perceber, em diversos fenômenos naturais, encadeamentos e relações de causa/efeito que condicionam a vida no espaço (geográfico) e no tempo (histórico), utilizando essa percepção para posicionar-se criticamente diante das condições ambientais de seu meio;
Ø    compreender a necessidade e dominar alguns procedimentos de conservação e manejo dos recursos naturais com os quais interagem, aplicando-os no dia-a-dia.
Nesta perspectiva é necessário incluir no Projeto Político Pedagógico das Escolas a oferta da Educação Ambiental para todos os níveis e modalidades de ensino e em todas os componentes curriculares, de forma que fortaleça a cidadania, a partir de uma educação participativa, democrática, transformadora e crítica, abordando o conhecimento e o exemplo na resolução de problemas socioambientais. Para isso, os seguintes aspectos na oferta da educação ambiental deverão ser permeados nos níveis e modalidades de ensino:
Ø    Educação Infantil e início do Ensino Fundamental: enfatizar a sensibilização com a percepção, a interação, o cuidado e o respeito das crianças para com a natureza e cultura destacando a diversidade dessa relação;
Ø    Anos finais do Ensino Fundamental: desenvolver o raciocínio crítico, prospectivo e interpretativo das questões socioambientais, bem como, a cidadania ambiental;
Ø    Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos: aprofundar o pensamento crítico, contextualizado e político e a cidadania ambiental, frente às desigualdades sociais que expõem grupos sociais economicamente vulneráveis em condições de risco ambiental;
Ø    Educação do Campo, Educação Indígena e Educação Quilombola: nestas modalidades de ensino, é importante a revitalização da história e da cultura de cada comunidade, comparando-as com a cultura contemporânea e seus atuais impactos socioambientais, especialmente os causados por modelos produtivos. Nestas modalidades é oportuna a reflexão sobre processos de proteção ambiental, práticas produtivas e manejo sustentável.
A riqueza de ideias que normalmente surge do debate sobre a educação ambiental no contexto escolar, em geral contribui muito para a construção coletiva de soluções locais. Deve-se, a partir da educação, possibilitar o reconhecimento de fatores que produzam bem-estar ao conjunto da população e com isso desenvolver um espírito de crítica às induções ao consumismo e o senso de responsabilidade e solidariedade no uso dos bens comuns e recursos naturais.

Referências:

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: meio ambiente, saúde. – Brasília: MEC/SEF, 1997.

______. Constituição Federal (1988). Brasília, 2002.

______. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: Lei nº 9.394/96. Brasília: Câmara dos Deputados, 2010.

______. Lei 9.795/99. Dispõe sobre Educação Ambiental e institui a Política Nacional de Educação Ambiental, e dá outras providências. Brasília: DOU, 1999.

______. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. Resolução, CNE/CEB n. 2, de 15 de junho de 2012.

_______. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC, 1997.

_______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Formando COM-VIDA – Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola: construindo Agenda 21 na escola. 2. ed. Brasília: MEC, 2006.

DELORS, J. Educação – um tesouro a descobrir. Relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI (2001). São Paulo: Cortez; Brasília, DF: MEC: UNESCO, 2006.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1997.

RONDONIA. Secretaria de Estado da Educação. Referencial Curricular de Rondônia. Porto Velho: SEDUC, 2013.

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¹Professor na Rede Pública Estadual e Municipal de Educação no Estado de Rondônia. Mestre em Geografia pela Universidade Federal de Rondônia/UNIR. Pós-Graduação Lato Sensu em História, Geografia e Meio Ambiente pela Faculdade de Ciência Sociais Aplicadas/FACISA e Graduação em Geografia pela Universidade Federal de Rondônia/UNIR.

quinta-feira, 10 de março de 2016

A Importância das Teorias Filosóficas para a Educação.

Desde a antiguidade o Homem preocupou-se em buscar respostas para si mesmo e para o mundo que se volta para ele. Encontrar essas soluções era significativo. Nos tempos antigos, na era de Pitágoras, Homero, Sócrates não era através de livros, palestras ou outros meios e sim, apenas pelo pensar.
Percorrendo o caminho do tempo, chegando aos confins de hoje, o buscar de respostas par ao homem se inicia na Escola, exercitando o aluno a trabalhar com sua mente, ou seja, o homem é levado a pensar desde sua infância. Deste modo, o pensar tem situado na história com ferramenta indispensável par ao Homem.
Se a filosofia é o exercício do pensar, de buscar a verdade, ou etimologicamente falando, “amigo da sabedoria”, ela é necessária para a Educação. Pois na Educação que o saber se eleva, se constrói.  Se o modo de explorar a realidade desde a antiguidade foi pelo meio da reflexão, do pensamento, hoje não é diferente.
Hoje o papel da Filosofia é o mesmo desde o tempo de Platão. Levantar questionamentos, procurar a razão, buscar a verdade e se abster do próprio ponto de vista para aceitar a realidade que nos cerca.
Filosofia e Educação caminham juntas. É impossível falar em educação e não falar em Filosofia. Ainda que de forma inconsciente, o homem vivencia a filosofia em seu dia-a-dia.
Tendo a filosofia como o estudo que orienta o indivíduo
tanto na visão concreta na visão de vida, como seus valores e significados, é imprescindível quando se fala em conduta humana no geral.
Portanto no educar, que significa orientar, conduzir, que é uma influência deliberada e sistemática de um ser "maduro" para um ser "imaturo", através da instrução, ensino e disciplina e desenvolvimento "harmonioso" de todas as potencialidades do ser humano, pode-se afirmar que não existe educação sem a associação filosófica. Não se pode negar que todas as correntes filosóficas, deram contribuições super valorosas na construção da educação.
Ainda que o homem não tenha consciência, educar, ensinar, torna-se sinônimo de filosofar.
A educação esteve presente em toda a história junto com a Filosofia. Com Sócrates, o homem voltou-se para sim mesmo, ou seja, o homem começou a questionar. E este questionamento, este autoconhecimento do homem se dava, sobretudo com o diálogo mútuo. Sócrates era defensor do diálogo como método da Educação. É um ponto importante para o ensino, pois, atualmente é essencial que haja diálogo na sala de aula para um bom crescimento intelectual e humano também.  
Ainda na antiguidade, para Platão e Aristóteles, apesar de possuírem pensamentos opostos, idealista e realista, respectivamente, a Educação tinha um ponto em comum: formava o homem moralmente, em seu caráter. Ou seja, a Educação transformava o homem.
Percorrendo dentro da modernidade, chegando até Kant, a afirmação de Platão não é muito diferente do mesmo. A Educação também transforma o homem em um indivíduo mais comportamental, ou seja, de boa vivência na lei moral.
Chegando à contemporaneidade, a reflexão feita por Sócrates é pressuposital à John Dewey. Na questão do diálogo, Dewey também afirmava de sua importância, principalmente nos trabalhos grupais. Outra semelhança é no método maiêutico de Sócrates. Dewey também pensava que o professor devia levar ao aluno conteúdos em forma de questões fazer com que o aluno refletisse, conseguisse uma resposta. 
Durante a história, vários ramos de pensamentos surgiram, mas a forma de pensar é única e a problematização do ser também. E a Educação foi instrumento desde a origem do pensar, desde a origem da filosofia. Desta forma, não há como separar filosofia e Educação. A filosofia gera na Educação um método de estudo, um método de pensamento. Gera um conceito novo de viver, uma forma nova de ver a realidade.
Dentro da Educação não é somente para o aluno que a filosofia é importante.
As teorias são importantes para a formação do professor. Todo professor deveria ter em mente tais teorias para aperfeiçoar seu desempenho em sala de aula; estudar teorias, através da Filosofia da Educação, adentrando em filosofias atuais proporciona ao mestre qualidade no seu desempenho enquanto professor. Pensar sobre a formação do educador em nosso tempo consiste num grande desafio. A educação assume faces diferentes em cada período histórico, mas a essencialidade do professor em buscar a interação com seu aluno não modificou.
Para o aluno, que está numa evolução de conhecimento, de aprendizagem, a Filosofia é a essencialidade de sua busca do saber. A Filosofia estimula o pensamento, o estudo, o relacionamento humano e a liberdade da mente. A filosofia ajuda a partir do momento em que oferece subsídios suficientes para o desenvolvimento do aluno na atividade intelectual para pensar.
É imprescindível conhecer os filósofos, suas histórias, seus pensamentos, pois, são exemplos de homens que chegaram à uma realização, à uma busca pela verdade. São exemplos de como o aluno pode conseguir compreender o seu redor, de como a reflexão é importante para uma sociedade que anseia, e de como a autocrítica é de sumo valor para a sua maturidade.
A Filosofia é fundamental na vida de todo ser humano, visto que proporciona a prática de análise, reflexão e crítica em benefício do encontro do conhecimento do mundo e do homem. O educando, tendo a filosofia como companheira, se torna em um individuo de bom discernimento, de bom senso, possível a uma auto-avaliação e sempre buscara o novo.

terça-feira, 8 de março de 2016

TEMPORADA DE CAÇA À AGENTES DA CURRUPÇÃO

A Operação Lava Jato é a maior investigação sobre corrupção conduzida até hoje no Brasil. Ela começou investigando uma rede de doleiros que atuavam em vários Estados e descobriu a existência de um vasto esquema de corrupção na Petrobras, envolvendo políticos de vários partidos e as maiores empreiteiras do país.
O que todo mundo sabe, obviamente que tem as exceções, é que o meio politico brasileiro é um mar de lama. Quase sempre as pessoas adentram na politica de caso pensado, prevendo algum tipo de favorecimento. Dinheiro fácil e sem trabalhar é uma realidade. Jogo sujo que às custas da miséria de muitos, alguns enriquecem num abrir e piscar de olhos. A pessoa não tem nada e de repente é dono de empresas com um capital de milhões.
O que se vê atualmente, no caso brasileiro é assustador, leva a pensar que as pessoas investigadas, presas e ainda serão presas, não tinham o menor pudor, ou seja consciência nenhuma e ainda se acham os donos da verdade querendo tirar onda de pai dos pobres. É o caso do Lula (ex-presidente). Como justificar tantos amigos caridosos, que dividem apartamentos, sítios, pagam aluguéis.... só mesmo no Brasil....
O fato é que viramos caso de piada mundo afora. E como se não bastasse mergulhamos numa crise profunda... crise econômica, politica.  E o que é mais grave, crise moral. Acreditar agora será um desafio para a população. Um país rico que empobrece seu povo e por culpa de uns poucos cara de paus (aloprados) impera a vergonha aos olhos do mundo, o temor de dias piores e a suspeita crescente de que algo pior estar por vir.
É a temporada de caça a agentes da corrupção... Que todos sejam caçados... Aliás, um dia é da caça... o outro é do caçador. Até então o povo foi caça...