sexta-feira, 6 de maio de 2022

Escola ribeirinha e currículo

Geralmente, quando pensamos no currículo escolar logo vem a mente questões ligadas a recursos didáticos, políticos, administrativos e econômicos. Esquecemos ou deixamos de lado a complexidade que envolve a prática docente e suas necessidades de mudanças e transformações sistêmicas enraizada nas instituições educacionais que descarregam, via de regra, na sociedade em geral.

As escolas localizadas em áreas ribeirinhas da Amazônia brasileira possuem questões peculiares que envolvem a realidade do local e da população que dela fazem parte. Ou seja, antes de tudo é necessário a compreensão de conceitos e processos históricos para enfim, ter a visão da construção de um currículo que signifique e, acima de tudo dignifique o aprendizado esperado pelos que dela dependem, para alcançar uma educação que possibilite o aprendizado necessário para a sobrevivência com o mínimo de qualidade.

O fato e que devido à complexidade que envolve essa questão, há grandes divergências quando se trata de currículo das escolas tradicionais. No caso da educação em áreas ribeirinha por ser uma discussão recente chega carregada de múltiplas interpretações, sendo necessário primeiramente conhecer as inúmeras realidades que dela fazem parte associando aos processos históricos sobre a produção de conhecimento nessas regiões.

Sobremaneira vale destacar que quando tratamos sobre o currículo escolar temos que entender que este não deve ser pensado meramente como um conceito, mas como uma construção cultural fruto das experiências humanas. É fundamental que os modelos curriculares oficiais correspondem às necessidades educacionais dos ambientes escolares, tendo sempre em vista as transformações e evoluções da sociedade.




quarta-feira, 27 de abril de 2022

Tecnologias na sala de aula: desafios

 De acordo com o Art. 3º, Inciso XI, da LDB/1996 (BRASIL, 1996), é finalidade da educação a vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais. Dessa forma, diante das mudanças que ocorrem na sociedade e no meio educacional, que atualmente estão permeados pelas tecnologias, a educação, enquanto tal deve propiciar a reflexão do sujeito sobre si mesmo, sobre seu tempo, seu papel no novo meio cultural da época em que vive.

Valente (1999) afirma que qualquer que seja a modalidade de uso do computador ou qualquer outro recurso tecnológico, é necessário que o professor seja capacitado para assumir o papel de facilitador da construção do conhecimento pelo aluno e não mais de “entregador” da informação, criando novas possibilidades de ensino. O contexto dessa sociedade informacional, que Castells (1999) identifica como o símbolo de uma nova sociedade que emerge na cultura do terceiro milênio, na qual a Internet não se apresenta como uma simples tecnologia da comunicação, mas como uma ferramenta fundamental direcionada à produção e à difusão da informação, exige uma resposta governamental que supra as demandas de uso pedagógico de TDIC na escola.

Popkewitz (1997) diz que as mudanças na educação constituem-se como um mecanismo de ajuste dos processos pedagógicos às demandas sociais, políticas e econômicas da sociedade em transformação. De acordo com Almeida (2001), a introdução de novas tecnologias nas escolas e o acesso à Internet pressupõe um universo de novas possibilidades no trabalho em sala de aula, no entanto, uma nova atitude profissional não se adquire naturalmente, nem se estabelece por imposição ou por decreto, sem que os educadores tenham a oportunidade de compreender o significado dessas orientações, criticá-las ou mesmo recriar sua prática.

Para a autora, a integração das TIC nas atividades curriculares efetiva-se fundamentalmente na prática do professor, ao qual cabe conhecer suas potencialidades, vantagens, limitações e concepções educacionais subjacentes, em uma perspectiva de transformação da escola e da sala de aula, em um espaço de experiência, visando à formação de cidadãos e de uma vivência democrática, ampliada pela presença das tecnologias.

Para Kenski (2003), a integração das TDIC para fins pedagógicos exige que o professor alie conhecimentos amplos sobre as especificidades das tecnologias aos conhecimentos profundos sobre as metodologias de ensino e aprendizagem. Nesse contexto, torna-se evidente a importância da atuação do professor e a necessidade que ele domine as tecnologias e as teorias educacionais a elas relacionadas, para que possa identificar quais recursos disponíveis têm maior potencial e são mais adequados para atingir os objetivos de aprendizagem propostos.

O acesso às novas tecnologias possibilita uma variedade de propostas educativas que enriquecem a vida na escola e a carreira docente. Assim, essa pesquisa contempla as ideias dos autores supracitados e outros, pois possui uma abordagem teórico-metodológica que propõe novas práticas pedagógicas visando o dialogo entre a politica de inserção das TDIC nas escolas com os interesses dos professores e dos estudantes, oportunizando as aprendizagens necessárias mediadas pelo uso das ferramentas didáticas digitais (BONATTO et al, 2014).

 


terça-feira, 12 de abril de 2022

ESCOLAS RIBEIRINHAS NA AMAZÔNIA E SEU CURICULO

Quando se analisa a cultura e as identidades percebe-se que estas não são estáveis, que o currículo mesmo tendo uma dimensão prescritiva, em certas condições fixa, pode ser redefinido à medida que é negociado de acordo com as expectativas individuais dos sujeitos que o produzem. Os currículos oficiais são homogêneos, são sistematizados como normativo, sendo comuns a todas as instituições de ensino. Têm pretensão de serem globais, porém, nos jogos de poder desenvolvidos nos saberes locais, constantemente é traduzido, por isso o currículo a cada instante é recriado entre professores e alunos.

Entender as implicações da organização do currículo das escolas ribeirinhas permitiu analisar as identidades culturais ali existentes, uma vez que elas manifestam-se no contato entre indivíduos, nas relações entre alunos e professores, entre as pessoas que integram historicamente esse grupo. Por isso essa pesquisa possibilita confirmar as seguintes hipóteses nessa relação entre currículo e produção de identidade: o currículo das escolas ribeirinhas na Amazônia em classes multisseriadas do ensino fundamental desenvolve-se por práticas curriculares que permitem aos professores e alunos refletirem sobre as questões sociais locais e educacionais, vinculadas à cultura local. Do mesmo modo, mesmo que o currículo do contexto urbano ainda seja o referente, ele somente se torna significativo na medida em que professores e alunos percebem a existência de uma relação com os condicionantes históricos e sociais do cenário ribeirinho, na produção do conhecimento local que se constrói no processo de ensino e aprendizagem.

Nesse contexto os educandos possuidores de saberes e culturas conseguem mostrar suas expectativas, necessidades, sentimentos e reorganização da sua vida, com anseios de presente e de futuro promissor. Eles têm oportunidade de produzirem práticas que conduz a possibilidade de pensar sobre as suas identidades culturais ribeirinhas.

Na dinâmica cultural do contexto amazônico os sujeitos ribeirinhos, professores e alunos, reconhecem seus avanços e dificuldades. Não vivem exclusivamente em condições de assujeitamento às normas, encarregam-se de viver o papel de indivíduos que lutam cotidianamente, analisam suas histórias, discutem seus problemas, encontram soluções de acordo com suas possibilidades de sobrevivência às questões econômicas, sociais, religiosas, políticas e culturais.

Os ribeirinhos vivem permeados pelos saberes culturais da região amazônica, sendo condição que acaba desestabilizando o currículo oficial. Criam tempo e espaços nas escolas, nas passarelas, no porto, nas viagens de catraias, geram diversas práticas que conduz às incertezas e instabilidades. Nada acontece do mesmo jeito que permita permanentemente o fixo, o estático. Investem na produção de estratégias que permite lutar contra as formas de exclusão social, gerada pela falta de políticas públicas educacionais condizentes a dignidade humana.


Fonte: SILVA, Maria Aparecida Nascimento da. Currículo da escola ribeirinha na Amazônia e a produção da identidade cultural dos docentes e alunos das classes multisseriadas do ensino fundamental. Disponível em: https://1library.org/document/q5o9lewz-curriculo-ribeirinha-amazonia-producao-identidade-docentes-multisseriadas-fundamental.html. Acesso em 03/04/2022.




quinta-feira, 31 de março de 2022

Mapinguari – será apenas uma lenda da Amazônia?

Muitos escritos que já li falam da lenda do Maquinguari, um gigante peludo com um olho na testa e a boca no umbigo que vive na floresta amazônica. Segundo esta Lenda, alguns índios ou caboclos da região ao atingirem uma idade mais avançada evoluiriam e transformariam-se em Mapinguari e passariam a habitar o interior das florestas passando a viver apenas no seu interior e sozinhos.


Há também quem diga que seus pés têm o formato de uma mão de pilão. Seu coberto de pelos, porém usa uma armadura feita do casco da tartaruga, para outros, a sua pele é igual ao couro de jacaré. Emite gritos semelhantes ao grito dado pelos caçadores. Se alguém responder, ele logo vai ao encontro do desavisado, que acaba perdendo a vida.


Acontece que para o caboclo amazônico, o que dizem ser apenas uma lenda, de fato é algo verdadeiro e afirmam que muitos já viram o Mapinguari no interior da floresta ou já ouviram os seus gritos e barulhos.

Gosto muito de ouvir os feitos das pessoas mais idosas, suas experiências de vida. Contou-me certa vez um senhor, pescador e caçador ribeirinho, matreiro acostumado a andar na floresta, que um determinado dia saiu para caçar na companhia de um amigo.  Chegaram até uma colação antiga de seringueiros, chamada primavera na região do baixo rio Madeira, no Estado de Rondônia. Dia chuvoso, mata escura, pouco se ouvia os pássaros cantar.

Na floresta os amigos separaram-se, cada um foi para um lado. Combinaram de encontrar em outro lugar depois da caça e voltar para casa. Isso é algo comum entre os caçadores da Amazônia.

Miro, nome fictício do senhor que contou esse ocorrido, disse que depois de aproximadamente uma hora que havia separado do amigo e ter saído por uma vereda já conhecida por ele, ouviu um barulho parecido com o de arvores caindo, e que vinha na sua direção. Conforme o barulho se aproximava e aumentava, ele foi ficando paralisado e não conseguia mais se mexer do lugar que estava.

Começou a rezar e apegar-se com todos os santos que veio na sua memoria naquele momento. De repente surgiu na sua frente um ser que ele não sabia explicar a forma, pois era algo tão diferente do que ele jamais teria visto ou imaginado.

Segundo ele, tinha aproximadamente três metros de altura, bem peludo, os braços chegavam próximo aos pés, mãos bem grandes, pés arredondados, orelhas enormes e olhos bem grande que fixaram o olhar no dele.

O medo foi tanto que Miro desmaiou e não viu ou sentiu mais nada, a não ser o chamado do seu amigo no outro dia. Como não chegou ao local combinado para voltarem juntos, seu amigo, conhecedor da floresta e das coisas que já viu e ouviu falar sobre o assunto, previu que algo teria acontecido e deixou passar a noite. No outro dia, bem cedo, assustado por Miro não ter voltado, saiu para procurá-lo.

Seguiu na direção que Miro havia saída no dia anterior e viu o amigo caído, ainda desmaiado... Chamou-o varias vezes, derramou agua na sua cabeça, até que Pedro acordou muito assustado, com uma forte dor de cabeça e as pernas tremendo que mal podia caminhar.

Ao contar o ocorrido, no dia anterior os dois cuidaram de sair da floresta e voltar pra casa temendo que o ser visto por Miro voltasse novamente. Eles acreditam que o animal visto por Pedro era um Mapinguari e que esse ser, de fato existe.

 


O que é currículo escolar

Entre as inúmeras definições sobre o que é currículo escolar, particularmente sou ligeiramente inclinado ao congratular-me ao que argumenta Saviani (2010), que diz: currículo consiste em organizar o conteúdo e desenvolvê-lo didaticamente.

 Podemos dizer então que o documento objetiva a construção do conhecimento de acordo com os saberes históricos e os conhecimentos relacionados à vivência do discente em parâmetro com a realidade regional. Vale ressaltar que o currículo escolar não é um documento estático no tempo, e dessa forma está sempre em construção adaptando-se as mudanças da humanidade.

Nisso desponta a sua grande importância no ambiente escolar por ser um dos documentos que orienta o trabalho do educador. É relevante que o mesmo esteja em concordância com o Projeto Político Pedagógico e outros documentos importantes na área educacional. Pode se dizer que é a bússola que direciona o processo educacional 

terça-feira, 29 de março de 2022

Rondônia - um breve resumo

O Estado de Rondônia, localizado na Amazônia Ocidental, Região Norte do Brasil, faz fronteira ao norte com o Estado do Amazonas, no extremo oeste limita-se em uma pequena faixa com o Estado do Acre, nas porções leste e sul, faz limite com o Estado do Mato Grosso e nas suas porções oeste e sudoeste faz fronteira internacional com a Bolívia. Segundo o Censo de 2018 (IBGE, 2018), sua população foi estimada em 1.757,589. Possui uma área territorial de 237.765,233 km², sendo que cerca de 40 % são compostas por floresta nativa, preservada por conta de ser, em quase toda sua totalidade, Terras Indígenas, Parques e Unidades de Conservação Federal, Estadual e Municipais de uso sustentável e de proteção integral.

Rondônia foi o primeiro Estado que, ainda na década de 60, iniciou um modelo de ocupação da Amazônia pautado na implementação da pecuária e projetos da reforma agrária, sendo essa ocupação desorganizada como ocorreu em toda a Região Amazônica.

Posteriormente, na década de 90 se inicia e agrega outro modelo de ocupação, relacionado ao agronegócio, com a implementação de monocultivos de soja, milho e outros. Nesse processo de desenvolvimento, no ano de 2020 observou-se um desmatamento acumulado de aproximadamente 93.336 km² (PRODES, 2020), o que corresponde a 39,26 % da extensão territorial do Estado. Para além desses modelos, notadamente povos tradicionais e indígenas, bem como agricultores familiares têm desenvolvido experiências de uso sustentável da floresta com o advento de atividades agroflorestais.

Por conta dessa ocupação desordenada, onde o lema era “Integrar para não Entregar”, o desmatamento avançou e com o avanço do agronegócio, além da destruição de diversas tipologias fisionômica de floresta, os recursos hídricos do Estado foram bastante prejudicados, seja pelo desmatamento de suas áreas de nascentes e de margens de cursos d’água, seja pelo barramento de nascentes e cursos d’água, ou seja, pelo afogamento e/ou assoreamento das nascentes e cursos d’água por conta desse avanço.

É importante destacar que o Estado de Rondônia possui em seu território 7 Bacias Hidrográficas e 42 Sub Bacias Hidrográficas, além de centenas de Microbacias Hidrográficas. Atualmente, muitas Microbacias estão tendo problemas de falta d’água, afetando diretamente diversas cidades que utilizam da água dessas Microbacias para o Abastecimento Público e/ou outras atividades.

O que é raciocínio geografico?

Raciocínio geográfico: São formas de raciocínios adotados pela ciência geográfica que tem a finalidade de ampliar a análise e a sua compreensão do atributo espacial que se está estudando, com a utilização de um olhar criterioso partido da aplicabilidade dos princípios do raciocínio geográfico para o exercício do pensamento espacial que leve a compreender aspectos fundamentais da realidade do que se está alisando tais atributos com o uso da localização e a distribuição dos fatos e fenômenos na superfície terrestre, o ordenamento territorial, as conexões existentes entre componentes físico-naturais e as ações antrópicas, utilizando tais princípios que são: Analogia, Conexão, Diferenciação, Distribuição, Extensão, Localização, Causalidade e Ordem ou Arranjo espacial.

Pensamento espacial: O pensamento espacial é uma ação cognitiva desenvolvida entre o sujeito e o objeto de conhecimento cotidianamente, e podem ser sistematizadas pelas mais diversas áreas de conhecimentos e componentes curriculares escolares, principalmente pelo componente curricular de Geografia, Arte, Matemática e Linguagem.

Os conceitos, as representações e habilidades espaciais são componentes dessa forma de pensamento. Na ciência Geográfica, O pensamento espacial é a maneira pela qual nos orientamos e manipulamos o espaço que nos rodeia, utilizando as categorias analíticas como paisagem, lugar região e território, para a compreensão desse espaço por meio dos princípios do raciocínio geográfico que são: a Analogia, extensão, Distribuição, Diferenciação, Localização, Conexão, Causalidade, reide e Ordem ou Arranjo.

Espaço Geográfico: O espaço geográfico é o conceito balizador da Geografia, produto da ação do homem sobre a natureza, conforme a sua evolução histórica-tecnológica e cultural. Para Corrêa (1982) é o mais abrangente, apresentando-se como “um todo” do qual derivam os demais conceitos e com o qual se relacionam. Milton Santos (1996:51) parte da compreensão de espaço como um “conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como o quadro único no qual a história se dá”.

O que se discute sobre o uso de novas tecnologias na sala de aula

 

Ao falar em tecnologia, é comum pensar em algo novo, como Internet, iPhone, computador, Smartphone etc. No entanto, Kenski (2012) afirma que a tecnologia é anterior a esses artefatos, ela está nos diferentes lugares de nossa vida cotidiana e acaba se passando por natural, a utilização pelo homem primitivo de um pedaço de pau ou de um osso para se defender já era tecnologia. Lopes (2014) considera que isoladamente e em si mesmos, esses objetos não são tecnologias, constituem-se como tal a partir do momento que são utilizados pelo homem, para facilitar sua vida em sociedade.

Assim, a tecnologia pode ser conceituada como um conjunto de conhecimentos técnicos, que podem ser do tipo mecânico ou industrial, que permite ao ser humano a possibilidade de fabricar objetos, realizar mudanças no meio ambiente, para que a vida do homem se torne mais fácil (LOPES, 2014).

Sendo a escola o lugar em que ocorre a educação formal, esta acaba por ser o espaço privilegiado para o desenvolvimento dos conhecimentos curriculares e para a democratização da tecnologia e promoção das capacidades produtivas. Com a proposição de uma educação voltada para a complexidade, Moraes (1997) afirma que a identificação de novos cenários nos leva a entender que somos cidadãos do mundo e que temos o direito de estar suficientemente preparados para apreender os instrumentos de nossa realidade cultural. Isso significa estarmos preparados para elaborar as informações nele produzidas e que afetam nossa vida.

Nesse contexto, ancorados na perspectiva da compreensão das políticas públicas voltadas à inserção das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação - TDIC nas escolas, alguns teóricos veem no processo educacional com o uso dessa ferramenta mo material didático, um instrumento de transformação social. Contudo, Gadotti afirma que: “se ideais são necessários para dar vida à nossa prática, eles são insuficientes para gerar mudanças” (GADOTTI, 1984, p. 77).

Assim, compreendendo que as mudanças não ocorrem somente pela incorporação de novos paradigmas educacionais e de comportamento da sociedade, faz-se importante também investigar a existência de políticas públicas de inserção das novas tecnologias nas escolas, e se as mesmas têm causado efetividade no exercício da docência, no que se refere não somente a instrumentalização dos ambientes educacionais, mas também às demandas pedagógicas contemporâneas e frente as complexidades metodológicas que exigem o processo ensino e aprendizagem.

Uma discussão sobre o uso das novas tecnologias nas escolas publicas

Nos últimos anos têm aumentado consideravelmente os espaços de debate sobre o uso das novas tecnologias como ferramenta necessária no processo ensino-aprendizagem. Ocorre, que nem sempre estas questões são devidamente amadurecidas no meio dos profissionais da educação, especialmente entre os professores das escolas públicas. A Base Nacional Comum Curricular acatou diversas modificações para a educação nacional. Uma delas é o importante enfoque das tecnologias nas salas de aulas.

Essa discussão proposta por inúmeros especialistas sobre o tema traz a reflexão de que no cenário educacional atual, as novas Tecnologias de Informação e Comunicação - TDIC são recursos que precisam estar inseridas no cotidiano escolar, sua utilização como ferramenta de ensino e como instrumento de apoio às matérias e aos conteúdos lecionados torna-se indispensável, pois desperta o interesse nos alunos e estimulam o desenvolvimento dos processos de ensino aprendizagem, deixando mais atrativo, dinâmico, interativo e adequado a realidade no qual estamos inseridos

Em síntese o que se observa, é que a implantação da informática, como auxiliar do processo de construção do conhecimento, implica em mudanças na escola que vão além da formação do professor. É necessário que todos os segmentos da escola estejam devidamente preparados e suportem as mudanças educacionais necessárias para um novo profissional.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Escola Ribeirinha ou Escola do Campo?

Educação ribeirinha, no contexto atual da legislação educacional brasileira é que se conhece como educação no campo ou educação em área rural. Nesse contexto, para quem conhece essa realidade, logo vai perceber que na maioria dos casos não existe escola do campo, mas uma escola urbano-cêntrico, ou seja, a reprodução do currículo das escolas localizadas nas áreas urbanas, no campo.


Fonte: Secom - Governo de Rondônia, 2015.

 

A denominação “escola ribeirinha” que tem sua movimentação em função das cheias e das vazantes dos rios, abundantes na região, tem sido defendida e vem ganhado força como modalidade de ensino, pelos movimentos de defesa da identidade amazônica. No entanto, até então, não se tem percebido, mesmo com todo o avanço que traz a nova Base Nacional comum Curricular, algum movimento em relação a organização de currículo voltado para essa realidade.


Atualmente, com o forte avanço da polarização da educação em áreas rurais, em função dos repasses de recursos pelo governo federal para as unidades mantenedoras dos sistemas de ensino, como é caso do transporte escolar, muitas dessas escolas foram desativadas. Porém, ainda têm-se unidades localizadas em áreas de difícil acesso onde há a predominância de classes multisseriadas.


As classes multisseriadas são uma forma de organização de ensino na qual o professor trabalha, na mesma sala de aula, com várias séries do Ensino Fundamental simultaneamente, tendo de atender a alunos com idades e níveis de conhecimento diferentes. Essa realidade para a maioria dos professores traz serias dificuldades quanto a realização do atendimento individual aos estudantes bem como no planejamento das aulas para as séries iniciais do Ensino Fundamental em um mesmo horário. A falta de material didático e bibliotecas no ambiente rural também é um entrave rotineiro na realidade das classes multisseriadas.