quarta-feira, 24 de março de 2021

Tratado de Petrópole

Diante do agravamento dos conflitos na região, o governo brasileiro, procurando resolvê-los diplomaticamente colocou a disposição para as negociações, o Barão do Rio Brancoque resultaram no Tratado de Petrópolis.

 

Tratado de Petrópolis foi assinado a 17 de novembro de 1903 entre os governos do Brasil e da Bolívia e resultou na entrega do território do Acre ao Brasil, ocupado pelos seringueiros brasileiros durante a corrida à borracha da floresta amazônica.

 

A região do rio acre era no início do século XX pertencente ao país vizinho, a Bolívia, em razão dos tratados de Madri, Santo Ildefonso e Avacucho que sucessivamente estava sendo ocupada por seringueiros brasileiros em virtude da extração da borracha.

 

A assinatura do documento formalizou a incorporação do Acre ao território brasileiro mediante ao pagamento à Bolívia da quantia de 2 milhões de libras esterlinas e indenizou o Bolivian Syndicate em 110 mil libras esterlinas pela rescisão do contrato de arrendamento, firmado em 1901 com o governo boliviano

Pelo acordo, o Brasil cedia também algumas terras no Amazonas e se comprometia a construir a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré no trecho encachoeira do rio Madeira, partindo de Santo Antônio até Guajará Mirim para que a Bolívia pudesse escoar sua produção fazendo-a chegar até o oceano atlântico.


TRATADO DE PETRÓPOLIS

 

 Brasil e Bolívia (17 de novembro de 1903)

 

A Republica dos Estados Unidos do Brasil e a Republica da Bolívia, animadas do desejo de consolidar para sempre a sua antiga amisade, removendo motivos de ulterior desavença, e querendo ao mesmo tempo facilitar o desenvolvimento das suas relações de commercio e boa visinhança, convieram em celebrar um Tratado de Permuta de Territorios e outras compensações, de conformidade com a estipulação contida no art. 5º do Tratado de Amisade, Limites, Navegação e Commercio de 27 de março de 1867.

(......)                                                                                                                                                

Fonte: http://www.newmarc.com.br


Fim do monopólio da produção da borracha na Amazônia

A partir de 1912 a borracha oriunda da Amazônia começa a perder o monopólio da produção, uma vez que os seringais plantados pelos ingleses na Malásia, no Ceilão e na África tropical, com sementes oriundas da própria Amazônia, passaram a produzir o mesmo 14 produto com maior eficiência. Com custos e preço final menor, a Ásia passa a assumir o controle do comércio mundial do produto.

Seringueiros e a extração do látex. Fonte: http://www.naturezabelavida.com.br

Sem uma política governamental de incentivo a criação de projetos para o planejamento sustentado da região, a partir da extração do látex, o reflexo é a imediata estagnação das cidades que viviam em torno da extração e comercialização do produto. Os trabalhadores dos seringais, agora desprovidos da renda da extração, fixaram-se na periferia de Manaus em busca de melhores condições de vida.

Algumas tentativas para contornar a crise não tiveram o efeito esperado, dentre elas a criação da Superintendência de Defesa da Borracha, criada pelo governo central do Brasil e o cultivo de seringais na década de 1920, por Henry Ford com técnicas de cultivo especiais não lograram êxito. 

https://www.portalsaofrancisco.com.br/historia-do-brasil/ciclo-da-borracha.

Acesso em 20 de janeiro de 2017.


segunda-feira, 22 de março de 2021

Os ciclos da borracha na Amazônia

No auge da corrida da borracha, 5 mil homens chegavam à Amazônia a cada semana. Em 1909, se produzia 500 toneladas a cada dez dias. O pico da exportação se deu em 1911: 44,4 mil toneladas, o equivalente a U$$ 200 milhões. Os barões da borracha acendiam charutos com notas de U$$ 100 e davam champanhe em baldes a seus cavalos. Suas mulheres mandavam lavar roupas em Lisboa e eram as maiores consumidoras per capta de diamantes do mundo. Fonte: http://istoe.com.br

O primeiro ciclo da borracha – 1879 a 1912

Vivendo do extrativismo vegetal, a economia regional se desenvolveu por ciclos, acompanhando o interesse do mercado com a extração dos diversos recursos naturais da região. A produção da borracha de forma exclusiva no período de 1879 a 1912 (primeiro ciclo) passa a gerar lucros a quem quer que se aventurasse neste comércio.

A borracha natural logo conquistou um lugar de destaque nas indústrias da Europa e da América do Norte, alcançando elevados preços. A partir da extração da borracha surgiram várias cidades e povoados, depois também transformados em cidades. Belém e Manaus, que já existiam, passaram por importantes transformações entre 1890 e 1920.

 O segundo ciclo da borracha – 1942 a 1945

Com o domínio das forças militares japonesas no Pacífico Sul no decorrer dos primeiros meses de 1942 e a consequente invasão da Malásia, passaram a também ter o controle dos seringais. O resultado foi a brusca queda de 97% da produção da borracha asiática. Novamente o Brasil gera precedentes para novos investimentos nas atividades rurais e extrativistas.

A saída foi o alistamento compulsório no ano de 1943, de trabalhadores nordestinos realizado pelo Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia (SEMTA), com sede em Fortaleza, capital do Ceará, criado pelo então Estado Novo. Esses novos seringueiros receberam a denominação de Soldados da Borracha e novamente Manaus experimenta um novo crescimento econômico e populacional na região

Com o final da Segunda Guerra Mundial o Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia foi extinto e um grande contingente de imigrantes, os chamados Soldados da Borracha, ficaram entregue à própria sorte.


Exploração da borracha na Amazônia brasileira

 A extração e comercialização da borracha na região amazônica no século 19, constituiu uma parte importante da história econômica e social do Brasil. Com a Revolução Industrial, na Europa, a borracha, até então produzida apenas na Amazônia, foi um produto bastante procurado e valorizado pelo mercado internacional.

Diante das circunstâncias do momento, o governo brasileiro colocou à venda diversas propriedades no início do século 20, ocorrendo que em 1927, o americano Henry Ford foi o primeiro a comprar terras no vale do Rio Tapajós para produzir os pneus de seus próprios automóveis. A Fordlândia, nome dado por seu comprador recebeu investimento de 125 mil dólares para a exploração dos seringais.

Extração de leite de seringueiras na Amazônia. Fonte: http://www.jj.com.br. 


Em pouco tempo, diante das dificuldades do cultivo das seringueiras devido a região ser montanhosa e o solo arenoso, e ainda pela incidência do ataque de um fungo até então desconhecido pelos americanos, a empreitada ocasionou sérios prejuízos para a Companhia Ford Industrial do Brasil.

A baixa produtividade, falta de critérios técnicos, queda na demanda mundial por borracha e a produção sintética do produto levaram ao fracasso dos americanos na região do Tapajós, em 1945.

A borracha e sua importância no século XIX

 A grande importância da borracha na indústria se deu desde o início da Revolução Industrial, no século XVIII. No entanto, a grande necessidade pelo uso da borracha surge mesmo no final do século XIX, quando a recém-criada indústria de automóveis estava em plena expansão.

O uso da borracha como matéria prima industrial para a fabricação de pneus se deve aos estudos realizados pelo cientista Charles Goodyear, que desenvolveu o processo de vulcanização, através do qual a resistência e a elasticidade da borracha foram sensivelmente aprimoradas. A região amazônica, uma das maiores produtoras de látex, aproveitou do aumento transformando-se no maior polo de extração e exportação de látex do mundo.

Na década de 1910, empresários holandeses e ingleses entraram no lucrativo mercado mundial de borracha. A produção em larga escala e a custos baixos na Ásia (Ceilão, Indonésia e Malásia) fez com que, no começo da década de 1920, a exportação da borracha brasileira caísse significativamente. Chagava assim, o fim do ciclo da borracha no Brasil.

Os ciclos da borracha na Amazônia

 A borracha teve sua produção e comercialização concentrada na região amazônica, e proporcionou expansão da colonização, atração de riqueza, transformações culturais e sociais, e grande impulso ao crescimento das cidades de Manaus, Porto Velho e Belém.

Seu auge ocorreu entre os anos 1879 e 1912 (primeiro ciclo) e uma sobrevida entre os anos 1942 e 1945 (segundo ciclo), por ocasião da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Nos dois períodos, o governo brasileiro valeu-se da mão de obra nordestina para a extração do látex e produção da borracha, nos seringais da Amazônia.

A colonização do Vale do Guaporé

Ainda no século XVI representantes da coroa portuguesa se aventuraram pelas brenhas amazônicas, tendo, passado pelos vales do Madeira-Guaporé-Mamoré. Na realidade se pensava em utilizar essa região como ponte de passagem e ligação entre as colônias do Sul e as do extremo Norte. Uma ligação extremamente arriscada e difícil de ser realizada.

Fonte: https://www.manyfoto.com/br/br/Vila_Bela_da_Sant%C3%ADssima_Trindade,mt.html

Um dos primeiros passos de Portugal para assegurar sua posse sobre a região do Guaporé foi a ocupação desses vales, de onde extraia ouro e as drogas do sertão. Essa ocupação se deu pela ação dos bandeirantes que, ao mesmo tempo, explorava e ocupava. Além disso, a ocupação se realizou pela presença militar o que pode ser comprovado pelas inúmeras construções fortificadas.

Era necessária, entretanto uma ocupação estável, para assegurar a posse. Somente as expedições aprisionando indígenas e colhendo as drogas do sertão não assegurava a presença 8 colonizadora e definitiva. Ale disso, não cessava a constância dos conflitos, tanto com os índios como com os castelhanos, que também estavam ocupando a região de oeste para leste.

Foi com vistas nessa presença constante que, ainda antes da assinatura do Tratado de Madri, Dom Antônio Rolim de Moura recebeu a incumbência de povoar a região do Guaporé. Nessa ocasião foi criada a capitania de Mato Grosso e Rolim de Moura coordenou a estruturação da capital daquela província, às margens do Guaporé. E a cidade, Vila Bela da Santíssima Trindade, além de assegurar a presença portuguesa, seria um ponto de coleta de impostos sobre a mineração.

Em 1734, quando da descoberta de ouro nas proximidades do Guaporé a produção do Moto Grosso já estava em declínio. Para melhor explorar os novos locais o governo da capitania de São Paulo promoveu uma "guerra justa" conta os índios a fim de conseguir escravos para a mineração. Essa empreitada, como outras tantas, dizimou alguns grupos indígenas.

Parte do texto: A colonização no Vale do Guaporé Fonte: CARNEIRO. Neri de Paula Carneiro Disponível em: https://www.webartigos.com/artigos/a-colonizacao-do-vale-do-guapore/5116/ Acesso em: 20 de fevereiro de 2017.

MEU IDEAL SERIA ESCREVER

Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse – “ai meu Deus, que história mais engraçada!” E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria – “mas essa história é mesmo muito engraçada!”

Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má- vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.

Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera, a minha história chegasse – e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria, que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aquelas pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse – “por favor, se comportem, que diabo! eu não gosto de prender ninguém!” E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.

E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês, em Chicago – mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente, e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: “Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la: essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem: foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto: sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento: é divina.”

E quando todos me perguntassem – “mas de onde é que você tirou essa história?” – eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi, por acaso, na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: “Ontem ouvi um sujeito contar uma história...”

E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.

(Rubem Braga. 200 Crônicas Escolhidas 2 ed. Rio de Janeiro: Record, 1978, p. 287-8).

terça-feira, 16 de março de 2021

O ensino híbrido

ensino híbrido, ou blended learning, é uma das maiores tendências da Educação do século 21. Caracteriza-se pela promoção da mistura entre o ensino presencial e propostas de ensino online, ou seja, integrando a Educação à tecnologia, que já permeia tantos aspectos no dia-a-dia da vida do estudante.

https://acebqualifica.org.br/ensino-hibrido-ganha-espaco-na-educacao-basica/

No entanto, não basta colocar computadores na escola e deixar os estudantes ali sem qualquer orientação. O ensino híbrido é uma mistura metodológica que impacta a ação do professor em situações de ensino e a ação dos estudantes em situações de aprendizagem.

Para isso, a adoção do ensino híbrido em um nível mais profundo exige que sejam repensadas a organização da sala de aula, a elaboração do plano pedagógico e a gestão do tempo na escola. Dessa forma, o papel desempenhado pelo professor e pelos alunos sofre alterações em relação à proposta de ensino tradicional e as configurações das aulas favorecem momentos de interação, colaboração e envolvimento com as tecnologias digitais.


Neste contexto, e por ser essa, uma ação inovadora e desafiadora para as instituições de ensino, as dúvidas são frequentes nas conversas com especialistas educacionais e principalmente com os pais de alunos. Essa deve ser uma prática que vai combinar os diferentes espaços (escola-casa), fazendo uso da tecnologia para coletar dados e proporcionar o ensino personalizado para o estudante a partir das suas necessidades, potencialidades e interesse.


As vantagens são inúmeras e aquelas que a gente já conhece: o ritmo de aprendizagem é individualizado, o próprio estudante está no centro do seu estudo e, claro, o desenvolvimento da autonomia. É indispensável que em um regime como este o aluno tenha independência e, deste modo, também aprenda a aprender.


A ideia é o aluno ter contato prévio com o tema das aulas antes de, necessariamente, se debruçar sobre o assunto. Diante disso, faz parte do ensino entender no que cada ambiente pode contribuir e empregá-los a favor da aprendizagem. Então, se um aluno ou a classe está com dificuldade em alguma disciplina, é possível oferecer materiais de apoio enquanto eles estão em casa e aplicar atividades presencialmente na escola para acompanhar, auxiliar, e se preciso, corrigir.


Na preparação das aulas e materiais mudam-se os formatos, agora, temos vídeos, jogos, apresentações em multimídia, mas a lógica por trás do planejamento segue a mesma. Tais como: objetivos de aprendizagem definidos; diagnóstico do ponto de partida do aluno; conhecimento sobre a turma; coleta de dados e intervenções. 


Textos de apoio: 

https://mail.google.com/mail/u/0/?tab=rm&ogbl#inbox/FMfcgxwLswJRLRGCrZtMVtGbWhxrmsNx;

https://novaescola.org.br/conteudo/104/ensino-hibrido-entenda-o-conceito-e-entenda-na-pratica

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Novas Tecnologias: Conceito

Etimologicamente, o significado e emprego da palavra tecnologia tem sua origem na união do termo tecno, do grego techné, significa ‘saber fazer’, e logia, do grego logus, que designa ‘razão’. Assim, o conceito de tecnologia é entendido por muitos pesquisadores, e principalmente pelos filósofos, como a razão daquilo que o homem domina e sabe realizar em benefício de sua própria existência (RODRIGUES, 2001, p. 75). Isto é, o conceito de tecnologia designa os estudos da técnica, ou seja, o estudo do ato de modificar, de criar, de explorar, de transformar e agir do ser humano em prol de sua condição de vida social, cultural, geográfica e econômica.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjb-mWiXA9wMafrb5oXyKy30P-tZL-iEJCj1r4ej2D1_kP0iWeBKn8CsWPgATkmy4uGgm9pJ4_RRn_GpbjTeMCZVPAePHO6ppsayaN1VYS2OnVproVDkSj-RFgia4PuhfKknIefN5CFl-oX/s405/images.jpg

Nesta perspectiva, Vargas (1999, p. 85) explica que: O uso da palavra tecnologia referindo-se à máquina, equipamentos, instrumentos e sua fabricação, ou a utilização ou manejo deles. É verdade que há uma tecnologia embutida em qualquer instrumento e implícita em sua fabricação; mas isso não é razão para se considerar o saber embutido num objeto, ou implícito na sua produção, com o próprio objeto de indústria. Deriva desse mal uso o emprego da palavra tecnologia para significar a organização, o gerenciamento e, mesmo, o comércio de aparelho. Por uma razão ou outra essa confusão apareceu na área da computação e da informática, onde a máquina é tão importante quanto o saber de onde ela se originou. Há, então, o perigo de se confundir toda a tecnologia, isto é, o conhecimento científico aplicado às técnicas e aos seus materiais e processos com uma particular indústria e comércio.

Consensualmente, vale lembrar que a tecnologia para o senso comum é o mesmo que técnica, geralmente, algo que é moderno vinculado ao mundo eletrônico e digital. Nesta polarização das discussões em torno da tecnologia, encontramos sustentação filosófica no pensamento de Álvaro Vieira Pinto (2005), o qual salienta que a tecnologia permeia todas as fases da história da humanidade e deve ser compreendida não só como resultado de interação humana, mas também como ferramenta de poder a serviço da classe dominante. Para entendermos a fundo a ideia de tecnologia empregada pelo autor, é pertinente pensarmos a partir de três acepções apontadas por ele, tais como: ciência da epistemologia da técnica ou logos da tecnologia, instrumento de dominação e ideologia.

 

Texto do Livro: Tecnologia da Informação e Comunicação no Ensino de Geografia
Autor: Prof. Luiz Martins Junior

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

A invenção do Estado de Rondônia

A invenção do Estado de Rondônia A partir da década de 1960 se planejou e executou projetos governamentais de colonização e de ocupação da Amazônia. E isso funcionou como uma espécie de plano estratégico de governo. Criou-se, inclusive um slogan: “Integrar para não entregar”. Eram políticas muitas bem delineadas para efetuar a ocupação de grandes áreas em diferentes regiões da Amazônia, todas dentro da mesma proposta de integração. Destacam-se dois empreendimentos: a construção da rodovia Transamazônica e a ocupação de Rondônia. Ressaltando que essa ocupação regional ocorreu principalmente para aliviar conflitos que se intensificavam no Sul-Sudeste.


Nos anos da década de 1970 a Amazônia, e em especial o estado de Rondônia, era um lugar privilegiado e potencialmente favorável para ser transformado em paraíso terrestre, a terra prometida, novos tempos, uma nova utopia, um novo encorajamento para mudar, mexendo no imaginário das pessoas que em levas constantes deslocaram-se para estas paragens em busca da materialização de antigos sonhos. E quem era esse homem? Um retirante que via nestas paragens a possibilidade de resolver sua vida, mudar, ascender, melhorar de vida! O homem que respondeu ao chamado era vítima de um projeto maior que amarrou os sonhos individuais num sonho coletivo. 

Pode-se dizer que o brasileiro que fez Rondônia trouxe a bagagem enrolada num saco que atado às costas se fez cacaio. A partir disso é que se pode dizer: os que inventaram Rondônia foram as elites, mas quem a construiu foram os deserdados da terra. Aqueles que por algum motivo precisavam deixar seu lugar de origem e migrar, buscando um lugar para sustentar-se e manter viva a família, e o sonho. Dessa forma apareceram as várias cidades, em Rondônia. 

O que foi a invenção de Rondônia? A divulgação de fartura de terras e obras de infraestruturas. Noutros estados se dizia de Rondônia: terras férteis e fartas, possibilidade de acesso à terra, arremedo de reforma agrária; falava-se das estradas, telecomunicações, escolas e todo aparato promovido para maquiar e embelezar o que era um grande espaço verde feito de nada. Mas não se resolveu o problema e o processo não parou. E vão sendo criados, constantemente, novos projetos e novas propostas são apresentadas.

E o homem que faz Rondônia permanece migrante e carregando uma espécie de chama ardente que o impulsiona para novas frente em busca do desconhecido, norteado pela “esperança em dias melhores”. Dá até para dizer que em muitos casos migrar é um projeto de vida. Um projeto que a bem da verdade foi fomentado e aguçado pela ideologia de ocupação disseminada pelo Estado autoritário. E hoje muitos dos que migraram e fizeram nascer as várias cidades de Rondônia continuam sendo migrantes. Alguns para outras regiões do estado e outros para outros estados. Todos na eterna busca do sonho da terra fácil, farta, fértil, própria para colher vida melhor.


                            Texto retirado do artigo “A invenção de Rondônia”. Autor: Neri de Paula Carneiro Disponível em: http://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/historia-do-brasil/a-invencao-rondonia.htm. Acesso em 20 de dezembro de 2017

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Aspectos da Educação Integral

 A Educação Integral, como formação do ser humano, agrega-se à ideia filosófica de homem integral, realçando a necessidade de desenvolvimento integrado de suas faculdades cognitiva, afetivas, corporais e espirituais, resgatando, como tarefa prioritária da educação, a formação do homem, em todas as suas dimensões bio-psicossocial-culturais. Nessa perspectiva a educação visaria à formação e o desenvolvimento global e não apenas o acúmulo informacional. A educação deve responder a uma multiplicidade de exigências do próprio indivíduo e do contexto em que ele vive.

A ideia da formação integral do homem como ser multidimensional exige uma composição de estratégias e alternativas políticas e pedagógicas para repensarmos o modo de funcionamento das instituições educativas, com o objetivo de colocá-las a favor da lógica da inclusão e da formação integral das crianças e adolescentes.

Remete a um campo de responsabilidades compartilhadas, que pressupõe trocas e a busca constante de parcerias, comprometidas, direta ou indiretamente, com a garantia dos direitos da criança e do adolescente. Concebe os vários espaços como potencializadores do aprender e ensinar e que as ações, por meio da Educação Integral, podem e devem fortalecer as políticas públicas, respeitando e cumprindo a legislação vigente, em especial o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que reforça a obrigatoriedade do acesso e permanência na escola, como instrumento estratégico, garantindo o desenvolvimento integral de criança, adolescente e jovem.

A Educação Integral exige mais do que compromissos: impõe também e, principalmente, projeto pedagógico, formação de seus agentes, infraestrutura e meios para sua implantação. Ela será o resultado dessas condições de partida e daquilo que for criado e construído em cada escola, em cada rede de ensino, com a participação dos educadores, educandos e das comunidades, que podem, e devem contribuir para ampliar os tempos e os espaços de formação de nossas crianças, adolescentes e jovens na perspectiva de que o acesso à educação pública seja complementado pelos processos de permanência e aprendizagem.