quarta-feira, 2 de junho de 2021

Produção econômica atual do Estado de Rondônia

A realidade dos estados da Região Norte do Brasil é bem diferente dos demais estados brasileiros. A economia em processo de desenvolvimento apresenta o reflexo das políticas nacionais descontinuadas e determina impactos e problemas sociais diversos. Rondônia é o terceiro estado mais rico do norte do país, responsável por uma grande parcela do Produto Interno Bruto – PIB, da região.

3º Rural Show - Rondônia. Fonte: Decom/RO – Foto: Paulo Sérgio.

Economia em desenvolvimento

O Produto Interno Bruto é a soma de todas as riquezas produzidas em um dado território durante um determinado tempo. Representa o nível de crescimento econômico no qual um país, região, estado ou município encontra-se, dimensionando o nível de produção nos setores primário, secundário e terciário.

Estados

Agropecuária

Industria

Serviços

Pará

4,5

0,8

-1,5

Amazonas

7,2

1,1

0,7

Rondônia

9,4

-0,5

-0,7

Tocantins

10,6

-0,2

0,2

Amapá

9

-2,1

1,3

Acre

1,3

-1,4

-0,5

Roraima

8,7

-1,7

1,2

       PIB dos estados projetado para 2017. Fonte: IBGE/SEPOG, Contas Regionais do Brasil.

Nas participações das atividades econômicas estão sempre projetados os serviços, o agronegócio evidenciado no setor agropecuário, seguido pelo setor industrial. Rondônia é o destaque na Região Norte do Brasil, figurando como o Estado que mais contribui para o Produto Interno Bruto Nacional (PIB) na região, marcado pelo desempenho da sua agropecuária.

Participação dos Setores da Economia no Valor adicionado Bruto - Rondônia-2012.
Fonte: IBGE/SEPOG, Contas Regionais do Brasil

Produto interno bruto per capita

É uma medida do valor dos bens e serviços que o país produz num período, na agropecuária, indústria e serviços. É um indicador muito utilizado na macroeconomia de um país, estado ou região. Quanto mais rico o país é, mais seus cidadãos se beneficiam. O PIB possui apenas uma consideração, é possível que aumente enquanto os cidadãos ficam mais pobres, e isso ocorre, por não considerar o nível de desigualdade de renda das sociedades.

Atividades que compõem o PIB per capita. Fonte: http://g1.globo.com

Principais atividades econômicas

 

Agricultura

 

Com uma agricultura forte alicerçada em pequenas e médias propriedades rurais, o Estado de Rondônia desponta no cenário nacional na produção de milho, soja, arroz, peixes e outros gêneros de primeira necessidade e exporta carne para mais de 30 países. 
Os mais recentes dados relativos aos principais produtos agrícolas produzidos em Rondônia estão apresentados no quadro abaixo:

Produtos

Produção

Taxa de crescimento

2010

2011

2012

2011/2010

2012/2011

Arroz (em casca) (t)

164.701

168.956

239.082

2,58

41,51

Cana-de-açúcar (t)

233.527

218.975

221.870

-6,23

1,32

Feijão (em grão) (t)

8.747

35.563

37.685

306,57

5,97

Mandioca (t)

505.004

513.515

472.207

1,69

-8,04

Milho (em grão) (t)

365.980

340.045

534.423

-7,09

57,16

Soja (em grão) (t)

385.388

419.522

470.485

8,86

12,15

Banana (cacho) (t)

53.037

53.965

59.151

1,75

9,61

Cacau (em amêndoa) (t)

17.486

15.770

16.314

-9,81

3,45

Café (em grão) total (t)

141.160

88.119

85.444

-37,58

-3,04

Coco-da-baía (Mil frutos)

1.550

90

913

-94,19

914,44

Arroz (em casca) (t)

164.701

168.956

239.082

2,58

41,51

Produção e taxa de crescimento (%) da produção das principais lavouras Rondônia – 2010-2012.  Fonte: SEPOG-RO/IBGE. Produção Agrícola Municipal.


Observa-se que há um volume significativa de milho, soja, mandioca e uma taxa de crescimento expressiva da produção de feijão nos últimos anos. A produção de soja é integralmente comercializada para fora do estado. A agricultura de Rondônia, entretanto, ainda não satisfaz adequadamente seu consumo interno em alguns produtos, além de sofrer algumas outras restrições que limitam seu poder de competitividade com a produção do Centro Sul brasileiro.

Produção de soja. Fonte: SEPOG-RO/IBGE. Produção Agrícola Municipal.

Fruticultura

 

A fruticultura rondoniense ainda é pouco expressiva. A industrialização cresce, mas a maioria das frutas ainda são vendidas in natura. A produção está concentrada ao norte e no centro do Estado, principalmente nos municípios de Porto Velho, Cujubim, Buritis; Cacoal; Ariquemes; Guajará-Mirim; Seringueiras; Presidente Médici; Novo Horizonte; Pimenta Bueno; Espigão do Oeste; Rolim de Moura; Itapuã do Oeste e Ji-Paraná.

O abacaxi é a fruta mais produzida do Estado, seguida da banana, cupuaçu; coco; maracujá; melancia; laranja; açaí; pupunha e mamão. A fruticultura é um seguimento que tende a crescer com o incremento de pesquisas e novas tecnologias.


Outro fator importante para desenvolver a fruticultura no Estado é a assistência técnica eficiente, uma vez que o segmento, em grande parte é desenvolvido por agricultores familiares. As boas condições ambientais de clima e solo e a crescente demanda por frutas da região amazônica, credenciam a fruticultura como atividade econômica de elevado potencial para exploração agrícola em Rondônia, principalmente as fruteiras consideradas perenes.

Polos de Produção de frutas em Rondônia. Fonte: Emater, dados de janeiro a novembro de 2014

Piscicultura

As primeiras referências da atividade de piscicultura no Estado aconteceram por iniciativa da Empresa Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia – EMATER-RO, na década de 1980. Cerca de trinta anos depois Rondônia se tornou um dos principais criadores de peixe, destacando-se como o maior produtor de peixes redondos da região norte, e encontra-se na vanguarda da produção da espécie pirarucu (Arapaima gigas).

Uma das peculiaridades do crescimento da piscicultura no Estado é a participação decisiva da agricultura familiar. Essa evolução se deve ao conjunto de inúmeros fatores:

·      Aspectos físicos como disponibilidade de recursos hídricos, temperatura, etc.,

·      Opção por espécies nativas, como o tambaqui, que possui bom desempenho zootécnico e tecnologia de produção conhecida;

·      Mercado em expansão, pronto para ser ocupado não só pela diminuição da oferta de pescado oriundo da pesca artesanal, mas pelo aumento do consumo per capta, tendência mundial até o incentivo do governo por meio de políticas públicas, somados ao interesse dos agricultores familiares pela atividade como alternativa de uso do solo e renda, potencializada pela assistência técnica que promove o desenvolvimento da atividade.


Piscicultura em Rondônia 2012 - 2015. Fonte: EMATER, disponível em: http://www.emater.ro.gov.br/ematerro/piscicultura.

Em Rondônia, a piscicultura é caracterizada pela produção de peixes em regime semintensivo de criação. O aumento expressivo na produção reflete a adoção de Boas Práticas de Manejo, o caminho para a produção com condições de sanidade animal que atendam às expectativas do mercado consumidor, cada vez mais exigente.

 Pecuária

A produção agropecuária responde com uma parcela significativa na economia do Estado, bem acima da média nacional. É a atividade do setor primário que mais se expandiu nos últimos anos, especialmente a bovina, que hoje se apresenta como plenamente capaz de satisfazer o consumo interno e ainda oferecer excedentes exportáveis.

Foi à atividade do setor primário que mais se expandiu nos últimos anos no Estado, especialmente a bovina, que hoje se apresenta como plenamente capaz de satisfazer o consumo interno e ainda oferecer excedentes exportáveis.

A pecuária de corte possui nível tecnológico mais elevado que a pecuária de leite e tem evoluído mais rapidamente junto com a expansão das áreas de pastagens, contra uma estagnação, até mesmo redução de áreas de lavoura.

Criação de bovinos em Rondônia. Fonte: http://g1.globo.com/ro

Extrativismo mineral

O extrativismo mineral com exceção da madeira e da extração de cassiterita, que marcou toda a história de Rondônia, perdeu nos dias atuais qualquer sentido verdadeiramente econômico. Borracha, castanha do Pará, pau rosa, copaíba, ouro, que foram todos itens importantes na pauta de exportações de Rondônia até há algumas décadas atrás, representam pouco atualmente.


A extração de ouro, que já teve grande importância, é hoje totalmente insignificante. A exploração de minerais não metálicos, tipo areia, argila e cascalho, é feita em grande parte pela economia informal, tendo significativa importância social. Há importante ocorrência de rochas graníticas com elevado valor de mercado, para uso na construção civil.

A mineração de calcário dolomítico, em Pimenta Bueno, com capacidade para 50.000 ton/ano, representa um importante insumo agrícola na correção da acidez do solo, característica predominante em grandes áreas da Amazônia.

Usina de calcário. Fonte: http://www.rondonia.ro.gov.br

Granito e pedras ornamentais

Embora o potencial das jazidas de granito do Estado não esteja perfeitamente dimensionado, a ocorrência desse minério em vários municípios como Ariquemes, Jaru, Ouro Preto e Ji-Paraná, além de outros, permite afirmar que o suprimento dessa matéria prima para a indústria está assegurado por muitas décadas. Por outro lado, o granito encontrado em Rondônia em forma bruta é de excelente qualidade, apresentando várias tonalidades e, por conseguinte, atendendo a exigência de diversos mercados.

Indústria madeireira

A indústria madeireira em Rondônia, devido ao seu caráter pioneiro, típico das novas áreas de ocupação e de colonização, assumiu um papel histórico, uma vez que contribuiu, ao lado das atividades extrativas minerais e agropecuárias, para a formação e o desenvolvimento de muitos municípios.

Essa atividade ainda é muito significativa para a economia do Estado, por ser grande empregadora de mão-de-obra e importante geradora de renda e tributos. Em decorrência das dificuldades vivenciadas, o setor foi induzido a buscar outras alternativas de exploração das madeiras abundantes em todo o Estado, principalmente na produção de laminados e compensados.

Produção de energia

Além de contar com a Usina Hidrelétrica de Samuel, localizada no município de Candeias do Jamari, construída nos anos 80 para atender à demanda energética dos estados de Rondônia e Acre, bem como diversas pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), foi construída no Rio Madeira, as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, que juntas apresentam uma capacidade instalada de 6.450 MW.

As usinas são apontadas pelos especialistas da área como uma solução para os problemas de racionamento de energia do país. Apesar da polêmica criada em torno das obras por parte de ambientalistas e organizações não-governamentais, são as primeiras da Amazônia a utilizar o sistema de turbinas tipo "bulbo", o que não requer grandes volumes de água, uma vez que as mesmas são acionadas pela correnteza do rio e não pela queda d'água.

Turismo

Rondônia tem um grande potencial turístico a ser explorado. Nos últimos anos vem atraindo turistas interessados em conhecer a rica história da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e a arquitetura clássica do Mercado Cultural bem como os passeios em barcos que os levam até a monumental Usina Hidrelétrica de Santo Antônio.

Destaca-se também o turismo ecológico e histórico em vários municípios do estado, que contam uma excelente infraestrutura hoteleira.


Vale das Cachoeiras – Ouro Preto do Oeste. Fonte: http://rondoniaturismo.com.br

O setor de turismo, ora construído estrategicamente no estado, possui potencial de crescimento se aproveitadas as oportunidades que o mesmo oferece, principalmente aos pequenos negócios.



terça-feira, 1 de junho de 2021

A ESCOLA COMO PERSPECTIVA DE VALORIZAÇÃO DAS COMUNIDADES RIBEIRINHAS DO MUNICÍPIO DE PORTO VELHO/RO

 INTRODUÇÃO

A Região denominada baixo Rio Madeira, no Município de Porto Velho/RO, formada pelos Distritos de São Carlos, Nazaré, Calama e Demarcação é constituída por uma variedade de ecossistemas e biodiversidades e abrange uma área de 7.833,85 km2. Possui uma diversidade de povos com saberes, habilidades, costumes e valores próprios que torna a região um espaço inter/multicultural, com populações cujas diversidades cultural, social e étnica sustentam a sua riqueza sócio histórica. Sua população contabiliza cerca de 5.957 habitantes, distribuídos em 1.421 domicílios (IBGE, 2010).

A escola que nasce e se desenvolve nessa região possui extrema importância para a reprodução social das populações ribeirinhas (FABRÉ, et al, 2007). Apesar da peculiaridade e riqueza dessas localidades, marcada pela subida e descida das águas, a política educacional tem sido predominantemente pautada no modelo urbano-cêntrico. Via de regra, tem reproduzido fortemente a desvalorização do modo de vida, reforçando o êxodo rural e consequentemente a falta de desenvolvimento socioeconômico e cultural da região.

Este artigo tem com objetivo discutir o modelo educacional que historicamente se tem levado às regiões ribeirinhas de Rondônia, cujo isolamento sociopolítico e cultural dessas comunidades as tornam singular, e merecedores de uma escola que desenvolva políticas educativas diferenciadas, a partir de um currículo que evidenciem as competências e habilidades dos estudantes alinhadas com as potencialidades locais.

METODOLOGIA

A pesquisa foi realizada nas comunidades ribeirinhas do baixo Rio Madeira, no município de Porto Velho/RO, cujo atendimento educacional é composto por três escolas estaduais e 12 municipais que juntas atendem 1.705 estudantes da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio (INEP, 2018).

Ancorado na gênese de que as sociedades humanas existem num determinado espaço, cuja formação social é específica, assim como no pressuposto de que existe uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito, utilizou-se na pesquisa a abordagem qualitativa de caráter exploratório de acordo com os princípios estabelecidos por Deslauriers (1991, p. 58) e Minayo, (2001, p. 14).

Da mesma forma, por seu objeto de estudo constituir-se da análise de um sistema educativo, algo complexo, singular e bem delimitado, com contornos claramente definidos, visando retratar a realidade de forma completa e profunda, o procedimento adotado foi o estudo de caso, seguindo os esclarecimentos de Lüdke e André (1986, p. 17).

 DISCUSSÃO E RESULTADO DA PESQUISA

 Pensar o espaço das comunidades ribeirinhas na Amazônia significa superar visões estereotipadas dos significados do que é viver essa múltipla identidade, marcada por diversos aspectos, que vão da relação com a natureza à construção da vida nas práticas do cotidiano definidas pelas cheias e vazantes dos rios. A quase inexistência, de atenção governamental é amplamente perceptível, particularmente no que se refere à garantia dos direitos sociais, como a oferta de um modelo educacional que atenda as peculiaridades locais com qualidade.

São crianças e jovens que têm suas vidas inseridas num modo peculiar de viver, trabalhar e estudar. Muitas dessas crianças já começam a lidar com a pesca e a agricultura desde muito cedo, participando dos fazeres e do sustento diário de suas famílias. A invisibilidade carregada consigo, proporciona a inexistência de uma política educacional que tenha como base o desenvolvimento humano, com currículos centrados na aprendizagem ativa e reflexiva que vise o desenvolvimento de cidadãos capazes de responder de forma autônoma as transformações advindas do processo de globalização.

Percebe-se que o atendimento educacional em comunidades ribeirinhas do baixo Madeira, no Município de Porto Velho não dispõe de um planejamento efetivo e reflete o modelo urbano cêntrico, sem dar importância aos interesses da população local. Trata-se de uma estrutura advinda da imposição social, na qual os padrões educacionais, culturais, didáticos e institucionais urbanos são transpostos para as unidades educacionais rurais, deixando de explorar as potencialidades econômicas, sociais e culturais vividas pelos educandos, no local onde vivem.

As análises realizadas em documentos existentes nos sistemas educacionais municipais e estaduais, como Proposta Curricular, Programa Formação de Professores, Calendário Escolar, entre outros voltados para o desenvolvimento da educação no município, não apresentam propostas que respeite as diferenças e características enquanto escola que abriga um outro modo de viver as relações pedagógicas e cujo currículo precisa voltar-se para suas necessidades cotidianas.

Mesmo a Lei no 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB, conceber que na oferta de educação básica para a população rural, os sistemas de ensino deverão promover as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região, especialmente quanto aos conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos, organização escolar própria, incluindo adequação do calendário às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas e adequação à natureza do trabalho na zona rural, tais condições ainda não se tornaram reais nas escolas ribeirinhas.

Persiste no universo educacional ribeirinho uma dicotomia em pensar no aluno que se quer formar quando a sua educação escolar não reflete o seu modo de viver e de se organizar no contexto do ambiente onde vive. Neste contexto é salutar refletir na importância das escolas e da educação no ambiente ribeirinho, não somente pelas difíceis condições de acesso, precariedades físicas, dinâmica dos rios e trabalho do professor, mas sobretudo pela transformação que a mesma é capaz de gerar e influenciar no desenvolvimento das pessoas.

CONCLUSÃO

A pesquisa mostrou a necessidade de repensar as práticas e os conceitos pedagógicos desenvolvidos nas escolas ribeirinhas. Para isso, sobrepõem-se como condição primeira que os saberes tradicionais, as crenças e a cultura dessas populaçõessejam consideradas nas discussões de um projeto de escola, que inspirada na nova Base Nacional Comum Curricular traga consigo a construção de uma proposta que impacte diretamente na vida dos ribeirinhos.

Uma pedagogia diferenciada que articule o saber cultural com o saber científico despido de qualquer preconceito e que considere as peculiaridades geográficas da região, formação de professores e discussões quanto as possibilidades da formatação de um currículo por competência que valorize e almeje a aprendizagem ativa e reflexiva dos alunos em uma escola com outro modo de viver.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei no. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF: MEC, 1996.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.

DESLAURIERS J. P. Recherche qualitative: guide pratique. Québec (Ca): McGrawHill, Éditeurs, 1991.

FABRÉ, Nídia Noemi, et al (Org.). Sócio biodiversidade e conservação da várzea amazônica. Manaus: Pyrá, 2007.

INEP. Instituo Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Sinopse Estatística da Educação Básica 2018. Brasília: Inep, 2019. Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/sinopses-estatisticas-da-educacao-basica>. Acesso em 29 de maio de 2019.

IBGE. Censo Demográfico – 2010: Características da população e dos domicílios. Resultados do universo. Rio de Janeiro: IBGE, 2011. Disponível em: <https://sidra.ibge.gov.br/>. Acesso em 29 de maio de 2019.

LÜDKE, Menga; ANDRÉ, Marli E.D.A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.

MINAYO, M. C. S. (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 2001.

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SANTOS; Osmair Oliveira dos. Mestrado em Geografia (UNIR). Secretaria Municipal de Educação de Porto Velho/RO. E-mail: osmairsantos@gmail.com

ZUFFO; C. E. Doutorado em Geologia e Geoquímica (UFPA). Docente na Universidade Federal de Rondônia. E-mail: catiazuffo@gmail.com

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Jorge Teixeira de Oliveira, primeiro governador de Rondônia, entre a modernidade e a cordialidade

Assim como na prefeitura de Manaus em Rondônia a atividade era diferenciada das outras “missões” dadas ao Coronel, era uma atividade civil e política, porém com âmbito bem maior que Manaus. Teve que conviver, trabalhar e aprender com a classe política do futuro Estado de Rondônia, que estava ávida a abertura democrática que acontecia lenta e gradativamente na política brasileira. Abertura que nos leva a história do Brasil nesse período. As palavras de ordem desse período tanto em Rondônia como no restante do país, são: democracia, liberdade e crescimento econômico. A ditadura no Brasil durou de 1964 a 1985.

Quando Teixeira assume o governo de Rondônia, o regime militar está no quinto governo, o de João Baptista Figueiredo (1979-1985), que decreta Lei da Anistia, restabelece o pluripartidarismo acelerando o processo de abertura. Este foi o último governo da Ditadura Militar. É neste período de transição que Teixeira com os recursos federais transformou Rondônia em Estado em 1981, por intermédio do presidente Figueiredo, administrando e estruturando em tão pouco tempo o que em muitos anos antes, tentaram e não conseguiram. Teixeira permaneceu no cargo até o dia 14 de maio de 1985. Sendo, portanto o último governador do Território e o primeiro governador do Estado de Rondônia.

A trajetória política de Jorge Teixeira, por um lado, foi representada pelo discurso do administrador, apolítico, bem ao estilo das intenções militares modernizantes-conservadoras instauradas a partir de 1964, tanto na Amazônia como no Brasil; por outro, por um modo de agir emocional muitas vezes transbordante que se entende como forma de intimidar seus adversários e, impor o poder necessário às transformações para a modernização do Território e do Estado.

Trecho do Artigo: Jorge Teixeira de Oliveira, primeiro governador de Rondônia, entre a modernidade e a cordialidade. Autora: Paola Conceição Foroni. Disponível em: <http://www.snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1364929577_ARQUIVO>. Acesso em: 20 de outubro de 2017.

Criação do Estado de Rondônia

Os fluxos migratórios ocorridos na década de 70, em função da construção da Br - 364, que liga os Estados do Mato Grosso, Rondônia e Acre, os garimpos de cassiterita, ouro e outras pedras preciosas e a crise estrutural do sistema de territórios federais foram fatores determinantes para a elevação de Rondônia à categoria de Estado.



Brasil – Divisão Político-administrativo. Fonte: http://baixarmapas.via12.com

A partir do governo do Coronel Humberto da Silva Guedes (1975 – 1979) já se discutiam possíveis caminhos para a concretização da emancipação de Rondônia. A criação de novos municípios e campanhas sobre as potencialidades da Amazônia como terra que precisava ser ocupada foi o passo significativo para o cumprimento dessa meta.

Presidente João Batista Figueiredo com o Governador de Rondônia Jorge Teixeira. Fonte: http://www.gentedeopiniao.com.br

No ano de 1979, Rondônia recebe como governador, o Coronel Jorge Teixeira de Oliveira, que se incumbe dos procedimentos estruturais e políticos para a criação do estado.


Em 22 de dezembro de 1981 é criado Estado de Rondônia, e em 04 de janeiro de 1982 é instalado. O Estado de Rondônia, criado pela Lei Complementar n° 41, de 22 de dezembro de 1981, originou-se do Território Federal do mesmo nome, criado pelo Decreto-Lei n° 5.812 de 13 de setembro de 1943, com a denominação de Território Federal do Guaporé.

O espaço geográfico do Estado de Rondônia. 
Fonte: http://aquicidadesrondonia.blogspot.com.br

O nome Rondônia é uma homenagem, através da Lei n° 21.731, de 17 de fevereiro de 1956, de autoria do Deputado Federal pelo Estado do Amazonas, Áureo de Melo, ao Marechal Candido Mariano da Silva Rondon, militar sertanista e grande desbravador, pelo grande trabalho realizado na integração da Amazônia com os demais estados brasileiros.


Candido Mariano da Silva Rondon. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2ndido_Rondon

Em Rondônia, a comissão Rondon foi responsável pela construção de 372 km de linhas e mais cinco estações telegráficas: Pimenta Bueno, Presidente Hermes, Presidente Pena (depois Vila de Rondônia e atual Ji Paraná), Jaru e Ariquemes, na área do atual estado de Rondônia.

Em 1º de janeiro de 1915 conclui sua missão com a inauguração da estação telegráfica de Santo Antônio do Madeira.

Divisão político-administrativo do Estado

Atualmente, o estado de Rondônia apresenta 52 municípios sendo a terceira unidade federativa mais populosa da região Norte, com aproximadamente 1,6 milhão de habitantes, sendo superado pelos Estados do Pará e Amazonas. No entanto, apenas dois de seus municípios possuem acima de 100 mil habitantes: a capital Porto Velho e Ji-Paraná.

Divisão político-administrativo do Estado de Rondônia. Fonte: Sedam, 1999.

Considerando os fatores socioeconômicos desencadeares das políticas de crescimento, o Estado de Rondônia é dividido geograficamente pelo IBGE em duas mesorregiões e oito microrregiões:

Mesorregiões: Madeira-Guaporé e Leste Rondoniense.

Microrregiões: Alvorada D'Oeste, Ariquemes, Cacoal, Colorado do Oeste, Ji-Paraná, Vilhena, Guajará-Mirim e Porto Velho.

Mesorregião do Estado de Rondônia. Fonte: www.a-rondonia.com/.../mapa-ro-estado.

1 Alvorada D'Oeste2 Ariquemes; 3 Cacoal; Colorado do Oeste5 Ji-ParanáVilhenaGuajará-MirimPorto VelhoFonte: https://pt.wikipedia.org.

Gentílico

Quem nasce em Rondônia é rondoniense ou rondoniano e quem nasce na capital do estado é portovelhense.





Seringueiros, barbadianos, soldados da borracha e pioneiros: com quantos migrantes se forja um estado

 A partir da década de 1970, com a criação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a colonização da Amazônia tornou-se uma política de Estado, sob o slogan “Integrar para não entregar”. Por meio dos Projetos Integrados de Colonização (PICs), implementados entre 1970 e 1975, o Estado se tornou o grande indutor das modificações sócio espaciais ocorridas no centro de Rondônia, divulgado como “O novo Eldorado”.

Foram distribuídos lotes de cerca de 100 hectares para milhares de famílias dos então chamados pioneiros. Com isso, até meados da década de 1980 chegaram ao estado cerca de 300.000 migrantes, a maioria agricultores provenientes do Sul e do Centro-Sul do país, com destino ao interior de Rondônia. Os projetos de colonização da década de 1970 e o asfaltamento da BR-364 na década de 1980 configuram o ponto de inflexão da história de Rondônia.

Além de provocar a quebra da estrutura espacial até então existente – com a população e a economia concentradas nos municípios de Porto Velho e Guajará-Mirim – e o deslocamento do eixo de importância para os municípios situados ao longo da BR-364, eles foram determinantes no processo de desmatamento da região para a agricultura e a pecuária: 30% da área do estado foi desmatada a partir do final da década de 1970.

 Fonte: Trecho do livro “Rondônia: do leito do Madeira às margens da BR-364”. Belo Horizonte: Instituto Bioterra, 2013.

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Estado de Rondônia: ciclos econômicos

O Estado de Rondônia tem seu desenvolvimento marcado por várias atividades econômicas denominada historicamente de ciclos econômicos. Esses ciclos distintos determinaram características especificas, seguidas por novas crises em sua sustentabilidade.

Os ciclos econômicos em Rondônia

São momentos, em sua grande maioria gerada por políticas publica alheia a realidade do Estado, tais como a briga por terras no sul do país e a fuga da seca e da fome no Nordeste brasileiro.

Principais ciclos econômicos de Rondônia. Fonte: ROCHA, Gilberto de Miranda; BRITO, Sandra de Oliveira, 2013.

O quadro acima mostra os três grandes ciclos que contribuíram para o desenvolvimento do estado. Outros também merecem destaque, como veremos em seguida.

Ciclo do Ouro – século XVIII

 A ocupação humana das terras do atual Estado de Rondônia teve início no século XVIII com a descoberta de grandes jazidas de ouro, por Pascoal Moreira Cabral, no rio Coxipó-Mirim, afluente do rio Cuiabá, em 1718. Em 1722, outra grande jazida é descoberta na mesma área, por Miguel Subtil, que, somente em um mês, produziu dezesseis toneladas de ouro. Começava o Ciclo de Ouro na região.

A partir de então, o processo de ocupação humana da área geográfica que constitui o Estado, do início do século XVIII até meados do século XX, foi estimulada por ciclos naturais de extração mineral, em particular o ciclo do ouro, que inclusive propiciou a construção do Real Forte Príncipe da Beira.

Primeiro Ciclo da Borracha

A região amazônica, uma das maiores produtoras de látex, transformou-se no maior pólo de extração e exportação de látex do mundo. Entre 1830 e 1860, a exportação do látex amazônico foi de 156 para 2673 toneladas.

Extração do látex – Ciclo da Borracha. Fonte: Fonte: http://www.ebah.com.br

Vários fatores contribuíram a partir da década de 1850, para o aumento da demanda da extração do látex na Amazônia e a sua comercialização no mercado internacional, entre os quais, a internacionalização da navegação pelo Rio Amazonas.

Entre os anos de 1910 e 1914, termina o primeiro ciclo da borracha. No entanto, o látex continua sendo extraído em menor escala até a segunda guerra mundial. Durante todo este ciclo econômico a característica peculiar foi o processo de migração de forma desordenada, onde principal fomento foi a necessidade de fuga dos nordestinos da seca e da fome que atingiam aquela região naquele momento.

Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

A Estrada de Ferro Madeira Mamoré resultou do Tratado de Petrópolis assinado entre Brasil e Bolívia em 1903 e foi construída com o intuito de ligar Santo Antônio, um pequeno povoado, a Guajará-Mirim, na divisa da Bolívia, e, com isso, facilitar o comércio deste país através do rio Amazonas e de lá para o Atlântico. Por cerca de 400 quilômetros, a linha férrea acompanhava os rios Madeira e Mamoré, inavegáveis devido às inúmeras cachoeiras em seu trajeto.

Pátio da Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Fonte: http://www.newsrondonia.com.br

Após várias tentativas frustradas de construção da ferrovia, em 1907, empresa May, Jekyll & Randolph assume os trabalhos e os conclui em 1912.

Linhas Telegráficas

Em 1909 Rondon chegava às beiras do rio Madeira, em Santo Antônio após atravessar uma extensão de 1415 quilômetros desde Tapirapoã, em Mato Grosso abrindo picadas para trazer a linha telegráfica pontilhada de pequenos núcleos de povoação que prosperaram e mais tarde se transformaram em municípios, a partir da abertura da BR-364.

Posto telegráfico de Vilhena. Fonte: http://g1.globo.com/ro

Em 1915, tem-se a inauguração da linha telegráfica unindo Cuiabá ao então Município de Porto velho, nessa época, o telégrafo a fio já era obsoleto, entretanto, a instalação de postos telegráficos deu origem a cidade de Vilhena e contribui para o desenvolvimento de outras como Pimenta Bueno, Ji-Paraná, Jaru, Ariquemes, que atualmente são municípios do Estado de Rondônia. As clareiras abertas pela expedição Rondon contribuíram para a migração e povoamento da região e seu desenvolvimento econômico.

O segundo ciclo da Borracha

A segunda guerra mundial propicia um novo impulso a exploração da borracha na Amazônia, uma vez que os seringais ingleses situados na Malásia foram ocupados pelas tropas Japonesas que faziam parte dos países do eixo, causando uma situação muito desconfortável para a Inglaterra que estava em Guerra com a Alemanha.

Segundo Ciclo da Borracha. Fonte: https://www.redetvro.com.br

O segundo ciclo da borracha iniciou com a guerra e findou também com ela, embora Rondônia o tenha mantido até a década de 1960. O acontecimento de maior relevância nesse período para a região foi a criação do Território Federal do Guaporé, a elevação de Porto velho a categoria de capital, como também um grande número de obras recebidas entre 1943 e 1950, como escolas, centro político-administrativo, aeroporto, hotel, dentre outras.

A Cassiterita

A descoberta de estanho em Rondônia, ocorreu na década de 1950, na região de Ariquemes. Expandiu-se para outros locais ao longo do estado, sempre em grande quantidade levando Rondônia a obter a maior produção do minério no país, nos anos 1980.

Extração de cassiterita. Fonte: http://brasilcc.blogspot.com.br

Com a proibição em 31 de março de 1971, da garimpagem manual, dava-se início a exploração mecanizada. 
A partir daí a exploração mecanizada do minério significou o primeiro impulso industrial no Estado que chegou a representar 67,43% da produção nacional.

A BR-364 e a Colonização

Em 1957, o 5º Batalhão de Engenharia e Construção, iniciava os trabalhos de complementação da estrada, anteriormente denominada BR-29, que vinha a ser concluída em 1966, agora denominada BR-364.
Abertura da BR 364 na década de 1970. Fonte: http://rondoniaemsala.blogspot.com.br

O ciclo da agricultura obtém uma série de benefícios dos agregados populacionais de todos os momentos econômicos anteriores levando Rondônia a projeções nacional e internacional com um Estado produtor da região norte. A ação governamental de implementação de infraestrutura básica para os assentados a partir da proposta militar de “integrar para não entregar”, promove no período de 1970 a 1978, um grande crescimento populacional e o surgimento dos principais municípios as margens da BR-364.
O ciclo da agricultura em pouco mais de uma década, proporcionou ao Território Federal de Rondônia as condições econômicas, sociais e políticas necessárias para que fosse transformado na 23ª Unidade Federada brasileira.

O ouro do Rio Madeira

A extração do ouro na história do Estado de Rondônia existe desde o século XVII, no entanto, uma nova grande corrida ganha força em 1978, dessa vez no vale do rio Madeira que na década de 1980 vive o seu apogeu na extração desse precioso minério e dez anos depois começando o seu declínio. Apesar da grande produção de ouro ao longo do leito do rio Madeira, que chegou a cerca de 8.000 toneladas em 1987, seus reflexos em benefícios sociais foram praticamente nulos.

Garimpo de ouro no Rio Madeira. Fonte: http://www1.folha.uol.com.br

Restou, para a população, além dos aspectos sociais negativos, poluição ambiental, contaminação do lençol freático e dos peixes, enormes erosões do leito e das margens dos rios, destruição ambiental, poluição por óleo combustível, rejeitos lançados nas águas, equipamentos abandonados e sedimentação do canal navegável e violência no seu mais amplo sentido.