Qual a
origem do conhecimento: a razão ou a experiência?
Racionalismo
A razão é
a fonte principal do conhecimento.
O
conhecimento sensível é considerado enganador.
As
representações da razão são as mais certas, e as únicas que podem conduzir ao conhecimento.
Objetivo: atingir verdades indiscutíveis,
deduzidas logicamente, a partir de uma evidência irrefutável.
Dúvida
Metódica: todos
os dados do sentidos o podem enganar.
Primeira
Evidência. Ao pôr
tudo em dúvida descobre que a única coisa que resiste à própria dúvida é a
razão. Esta seria a primeira verdade absoluta da filosofia. "Eu penso,
logo existo" (cogito).
Ideias
inatas. Descobre
ainda que possuímos ideias, como a ideia de perfeição, que se impõem à razão
como verdadeiras, mas que não derivam da experiência, nem foram por nós
criadas. Atribui a sua criação a Deus (prova da existência de
Deus).
Deus
garantia da verdade. Sendo a
bondade um dos atributos de Deus, certamente que Ele não nos enganar, logo as
ideias inatas são verdadeiras. Deus é assim, a garantia da possibilidade do
acesso à verdade.
Dualismo. Deduz uma divisão nas coisas:
Aquilo
cuja existência se revelou irrefutável, corresponde à razão
("pensamento", "espírito", "alma" ou
"entendimento").
Aquilo
que levanta dúvidas, corresponde ao mundo exterior (corpos físicos).
Dedução. Só com base nestas ideias
claras e distintas, se pode construir um conhecimento universal e
necessário.
Empirismo
Para
o empirismo a experiência é a fonte de todo o conhecimento, mas também o
seu limite. Os empiristas negam a existência de ideias inatas, como
defendiam Platão e Descartes. A mente está vazia antes de receber qualquer tipo
de informação proveniente dos sentidos.
1.
Conhecimento resultante das relações entre ideias. Nesta categoria inclui a
aritmética, a algebra e geometria. Estamos perante raciocínios demonstrativos,
cujas conclusões são independentes da realidade e se apresentam como
necessárias.
2.
Conhecimento resultante da relação entre factos. Estes raciocínios são
indutivos, logo apenas prováveis. Correspondem em geral a relações de
causa-efeito.
3.
Criticismo
Kant
(1724-1804). Todo o
conhecimento inicia-se com a experiência, mas este é organizado pelas
estruturas a priori do sujeito. Segundo Kant o conhecimento é a
síntese do dado na nossa sensibilidade (fenómeno) e daquilo que o nosso
entendimento produz por si (conceitos). O conhecimento nunca é pois, o
conhecimento das coisas "em si", mas das coisas "em
nós".
Sensibilidade
A
sensibilidade é uma faculdade que nos permite receber ou perceber objectos mediante
impressões (sensações) através dos sentidos externos. Estas impressões são
percepcionadas no espaço e no tempo, formas puras (vazias) que
fazem parte das estruturas cognitivas inatas do sujeito. Elas são a condição
indispensável para que possamos ter acesso ao conhecimento sensível
(empírico).
Entendimento
O
entendimento é uma faculdade que nos permite dar forma, unificar e ordenar os
dados recebidos da sensibilidade. Para produzir conhecimentos (juízos) utiliza 12
categorias (causa, substância, etc), cuja função é estabelecer relações
entre fenómenos (julgamentos). Os juízos são pois operações de interpretação e
organização dos dados sensoriais. O conhecimento resulta da aplicação destas
categorias (conceitos puros) à experiência.
Classificou os juízos em três
tipos:
Juízos
Analíticos. Ex.
"O triângulo tem três lados". O predicado está contido sujeito.
Trata-se de um juízo a priori, isto é, não está dependente da experiência. Este
tipo de juízo é universal e necessário.
Juízos
Sintéticos.
Ex."Os lisboetas medem mais do que 1,3 metros de altura". O predicado
acrescenta elementos novos ao sujeito. Trata-se de um juízo a posteriori, pois
assenta em dados da experiência e carece da mesma como comprova. Este tipo de
juízo não é universal, nem necessário.
Juízos
Sintéticos a priori (a sua principal inovação teórica). Ex.
"Uma recta é a menor distância entre dois pontos". Este juízo
acrescenta algo de novo ao sujeito, mas não está dependente da experiência.
Este tipo de juízo é universal e necessário.
Razão
A razão
tem a função de sintetizar os conhecimentos, dando-lhes uma unidade mais
elevada. Não trabalha sobre os conhecimentos sensoriais, mas sobre os juízos do
entendimento. Elabora juízos dos juízos, produzindo "ideias"
que ultrapassam os limites da experiência.

