segunda-feira, 13 de outubro de 2025

O que é racismo ambiental?

O racismo ambiental é um fenômeno que designa a alocação desproporcional de riscos e impactos ambientais negativos (como poluição, lixões, indústrias poluentes) em comunidades de baixa renda e, especialmente, em populações tradicionais e outras minorias étnicas. Essa realidade se manifesta de diversas formas, desde a proximidade de favelas com áreas de descarte de resíduos até a falta de acesso a saneamento básico e áreas verdes em bairros periféricos.

O termo surge no território norte americano, a partir de estudos sobre justiça ambiental, com participação efetiva do movimento negro estadunidense que por seguinte, se tonou um programa de ação do governo federal dos Estados Unidos (HERCULANO, 2006).

No Brasil o termo chegou a partir da influência das manifestações internacionais pela justiça ambiental, através do viés acadêmico. Após a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente- ECO 92, em 2002 surge a Rede Brasileira de Justiça Ambiental (MATHIAS, 2017).

A inclusão ativa das populações mais vulneráveis aos efeitos da crise ambiental em todas as etapas dos debates é imprescindível na promoção e implementação de medidas e estratégias de adaptação aos novos desafios ambientais, respeitando os princípios de democratização dos processos decisórios e promovendo a participação e a redistribuição do controle socioeconômico é necessário e emergente.

A Amazônia é um território de grande importância ecológica, econômica e cultural, lar de diversas comunidades tradicionais que desempenham um papel crucial na conservação da floresta e na manutenção do equilíbrio ambiental.

No entanto, essas comunidades são frequentemente vítimas do racismo ambiental, que se manifesta na distribuição desigual dos riscos e danos ambientais, exacerbados pelas mudanças climáticas severas que tem ocorrido nos últimos anos.

Nesse contexto é premente o estudo sobre a importância da educação e ações culturais e suas relações no combate ao racismo ambiental e seus impactos nas comunidades tradicionais ribeirinhas da Amazônia, uma maneira de investigar como a desigualdade social intersecta com os impactos da discriminação ambiental que emerge nessas comunidades, resultando em vulnerabilidades específicas e injustiças ambientais.

Da mesma forma, é preciso entender como a exploração de recursos, o desmatamento e as mudanças no uso da terra afetam desproporcionalmente essas populações tradicionais, trazendo à tona as raízes históricas e estruturais do racismo ambiental nessa região tanto difundida no planeta, no entanto carente de políticas públicas voltadas a melhoria da qualidade de vida das populações que nela vivem.

Faz-se mostrar como a educação pode ser um espaço de conscientização, empoderamento e ação para que comunidades, especialmente as mais atingidas, como as ribeirinhas da Amazônia, possam lutar por seus direitos e por ambientes mais justos e saudáveis, desvelando o tema e seus impactos e gerando conhecimentos essenciais para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.

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