O
raciocínio geográfico se refere ao modo de pensar e construir
estratégias de pensamento que se relacionem ao uso dos conceitos,
categorias, princípios e a linguagem geográfica e cartográfica
utilizando a escala de análise para compor o processo de raciocinar
geograficamente. Cavalcanti (2008) compreende o raciocínio
geográfico pelo desenvolvimento dos modos do pensamento geográfico
e pela internalização de métodos e de procedimentos para captar a
realidade, tendo consciência de sua espacialidade.
Considerada
como uma discussão recente,
a categoria raciocínio geográfico, passou a fazer parte do meio
acadêmico a partir de 1976 com a obra “Geografia serve, em
primeiro lugar, para fazer a guerra” do geógrafo Yves Lacoste. A
partir de então, tem fortemente aguçado o interesse de
pesquisadores da Geografia Escolar. Para Roque Ascensão e Valadão
(2014) esses estudos ainda são recentes e, portanto, não
consensuais entre os geógrafos, não só a expressão raciocínio
geográfico, mais outras como pensamento espacial, raciocínio
espacial, pensamento geoespacial, entre
outras.
Mesmo
com a valorização
atribuída à Geografia como ciência, ainda é visível em
muitas unidades
educacionais ações frequentes entre
professores, nas quais a aula é
desenvolvida de
forma pouco atrativa, ainda que todos almejem à formação de
um cidadão consciente, crítico, capaz de conceber a leitura de mundo por meio da
compreensão dos conteúdos dessa disciplina. "
A leitura do
mundo é fundamental para que todos nós, que vivemos em sociedade, possamos exercitar
nossa cidadania" (CALLAI, 2005, p. 228).
Nesse
contexto,
a modernização aliado ao avanço tecnológico reforça a necessidade
de uma reavaliação quanto à importância atribuída à Geografia e
o real espaço
que ela ocupa em sala de aula, principalmente nos anos iniciais do
Ensino Fundamental,
uma vez que, embora considerado um processo complexo, o ato
de compreender essa disciplina desenvolve no indivíduo a sua visão de mundo, tornando-o
capaz de ampliar seus conhecimentos e analisar criticamente o mundo
a sua volta.
De acordo com CALLAI
(2005):
A geografia tem permanecido na escola de forma tradicional, não qual oferta pouca contribuição ao conhecimento do aluno. A geografia
nomeada como tradicional, distinguida pela enumeração de dados
geográficos e que trabalha espaços despedaçados, em geral opera
com questões incoerentes, em vez de considera lá no contexto de
um espaço geográfico abstruso, que é o mundo da vida
(CALLAI, 2005, p. 229).
Partindo
do pressuposto acima, entende se que com o processo de
modernização aliado
ao avanço tecnológico, surge a necessidade de ensinar a Geografia
de forma contextualizada
e associada a realidade do discente, com o intuito de auxiliá-los
na construção de
sua leitura de mundo.
Para BOGO
(2010):
As
séries iniciais apontam o princípio do processo de educação e
o período em que são favoráveis as imaginações em torno das experiências dos estudantes e a edificação de informações em ambientes
formais de aprendizagem. Os docentes desempenham um papel
fundamental nesse período por serem intermediários entre a natureza
vivenciada pelos educandos e a linguagem conceitual na qual
se estruturam os diversos espaços do conhecimento
(BOGO, 2010, p. 1).
Nesse
sentido, o raciocínio geográfico é um processo cognitivo que pode
oportunizar habilidades aos discentes de compreenderem as dinâmicas
das práticas espaciais por meio da utilização dos conceitos e
princípios geográficos. Esses são os elementos fundantes para o
desenvolvimento e a mobilização dessa cognição, como: espaço,
território, paisagem, lugar, região e os seus princípios lógicos
como: localização, distribuição, distância, extensão, posição,
escala, rede, arranjo, configuração.
Dito
isso, raciocínio geográfico é uma cognição desenvolvida no
ensino de Geografia orientado nos fundamentos da Geografia (SILVA;
ROQUE ASCENÇÃO; VALADÃO, 2018). Assim, é preciso incentivar a
aprendizagem da Geografia ainda nas séries iniciais,
tendo em vista que nessa fase as crianças fazem inúmeras
descobertas nas quais resultam em experiências
transformadoras em sua vida.
Bogo
(2010) relata:
O
conceito do conhecimento geográfico, promulgo através de
sua linguagem
científica, admite deliberar, conceituar e compreender
o ambiente social em suas inter
relações. E os professores desempenham papel essencial nesse processo. São eles os medianeiros
entre o mundo vivenciado pelos alunos e a
linguagem conceptual na qual se estruturam os diversos campos do conhecimento (BOGO, 2010, p.
2).
Com isso, torna-se oportuno a aplicação de ações metodológicas que viabilizem a compreensão
da Geografia nas
séries iniciais, haja vista que
essa ciência
amplia as experiências e concepções de mundo das crianças.
Por fim, a função não é simplesmente reproduzir a Geografia
acadêmica, mas, possibilitar o desenvolvimento dos alunos por meio
da habilidade cognitiva do raciocínio geográfico para interpretar e
atuar em suas práticas espaciais de forma crítico-reflexiva
(FILIZOLA, 2009).