terça-feira, 21 de outubro de 2025

HIDROVIA DO RIO MADEIRA - VETOR DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

Atualmente, a hidrovia do Rio Madeira, é a segunda via mais importante para o transporte de cargas e escoamento de produtos na Amazônia, ficando atrás somente do rio Amazonas. Além dessa função comercial, por ela trafegam também moradores de comunidades tradicionais que residem ao longo do rio, desenvolvem suas atividades e possuem intrínseca relação de sustentabilidade para com o rio

Com legislação específica o transporte hidroviário constitui um dos conceitos de mobilidade urbana, mas subutilizado no Brasil. Neste sentido, a Hidrovia do Rio Madeira é um vetor de desenvolvimento sustentável porque é um modal de transporte com menor impacto ambiental que o rodoviário e ferroviário.

No entanto, é um modal com grande potencial econômico que carece de otimizar a logística, garantir a navegabilidade durante todo o ano e promover o desenvolvimento econômico local através de melhorias na infraestrutura, como dragagem e sinalização, e a criação de empregos. Além disso, inclui programas ambientais e busca fortalecer as comunidades ribeirinhas, preservando o meio ambiente e mitigando mudanças climáticas.

A bacia do Rio Madeira, tem origem na cordilheira dos andes e é formada por rios andinos e brasileiros, representa 23% do total da bacia Amazônica e se estende por Bolívia (51%), Brasil (42%) e Peru (7%), sua área total de drenagem é de 1.324.727 km² representando a maior sub-bacia Amazônica (GUYOT, 1993)

Apesar de o Brasil possuir grande extensão em hidrovias, esse modo ainda é pouco utilizado. No agronegócio, por exemplo, apesar de identificado como mais competitivo e sustentável, tem participação inferior a 5% (BALLAN, 2011). Dentre as hidrovias, as utilizadas para grãos e farelo são: Tietê-Paraná com destino ao porto de Santos/SP, e a hidrovia do Madeira, que opera no rio Madeira e tem início em Porto Velho/RO, e finaliza em Itacoatiara/AM.

Ainda de acordo com ALBERTI (2016), a bacia do Rio Madeira possui extensão de 1.086 quilômetros entre Porto Velho e a foz, em Itacoatiara/AM, permitindo a navegação de grandes comboios, com até 18 mil toneladas, mesmo durante a estiagem. A largura varia entre 440 metros e 9.900 metros. Segundo a ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), a profundidade oscila de acordo com as estações seca e chuvosa, e pode ir de 2 metros a 17 metros.

Desenvolvimento sustentável que as hidrovias podem promover quando bem estruturadas:

    1. Transporte ecológico:

    O transporte hidroviário emite de 4 a 5 vezes menos poluentes que o rodoviário e 1,5 vezes menos que o ferroviário, o que a torna uma opção mais sustentável.

    2. Segurança e eficiência logística:

    A concessão inclui serviços de dragagem, balizamento e sinalização para garantir a segurança e a confiabilidade da navegação, permitindo que embarcações operem 24 horas por dia e com maior capacidade. Isso melhora a eficiência no escoamento de cargas, como grãos, e no abastecimento de combustíveis.

    3. Desenvolvimento econômico e social:

    A melhoria da infraestrutura da hidrovia gera empregos e renda na região.

    4. Proteção do meio ambiente:

    Promoção de projetos de responsabilidade ambiental e a conservação de recursos naturais, além de contribuir para a preservação do meio ambiente e a mitigação das mudanças climáticas.

    5. Conexão com a Amazônia:

    A hidrovia conecta a produção agrícola do Centro-Oeste e Norte do Brasil aos portos amazônicos, facilitando a exportação de mercadorias e o transporte de passageiros, e integrando as comunidades ribeirinhas às cadeias produtivas.


 

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

O ensino da geografia e as novas tecnologias

A melhor maneira de aprender é aquela aonde a cada passo vão sendo elaborados os conhecimentos necessários para garantir as ações no ambiente local. São essas ações que auxiliarão na melhoria da qualidade de vida na sociedade. É sabido que as estruturas do pensamento, do julgamento e da argumentação resultam de uma construção realizada por aquele que aprende, seja a criança ou jovem, em longas etapas de reflexão e de interação.

Na sociedade globalizada se torna cada vez mais necessário partilhar os novos saberes com o maior número de pessoas possíveis, envolto em discussões conscientes que traduzam a singularidade das pessoas envolvidas, e repercutam para toda a comunidade em melhores condições do ambiente em que vivem, onde cada um possa fazer a sua parte.

Em nossa sociedade, a escola pública, em todos os níveis e modalidades da Educação Básica, tem como função social formar o cidadão, isto é, construir conhecimentos, atitudes e valores que tornem o estudante solidário, crítico, ético e participativo. Para isso, é indispensável socializar o saber sistematizado, historicamente acumulado, como patrimônio universal da humanidade, fazendo com que esse saber seja criticamente apropriado pelos estudantes, que já trazem consigo o saber popular, o saber da comunidade em que vivem e atuam.

A interligação e a apropriação desses saberes pelos estudantes e pela comunidade local representam, certamente, um elemento decisivo para o processo de democratização da própria sociedade. A escola pública poderá, dessa forma, não apenas contribuir significativamente para a democratização da sociedade, como também ser um lugar privilegiado para o exercício de uma cidadania consciente e comprometido com os interesses da maioria socialmente excluída ou dos grupos sociais privados dos bens culturais e materiais, produzidos pelo trabalho dessa mesma maioria.

É preciso formar cidadãos conscientes dos processos educacionais envolto às novas tecnologias chamando a atenção para o estabelecimento de uma relação entre aprender o conhecimento sistematizado com as questões da vida real e a possibilidade de transformação da realidade local onde vivem em sintonia com a global.

As ferramentas tecnológicas estão sendo inseridas a todo instante na escola, e consequentemente, em nossas vidas, modificando o modo de viver e o agir docente a partir do vislumbramento de novas técnicas. O fenômeno técnico tem caráter exossomático inerente à condição humana de reproduzir as próteses que potencializarão o seu corpo e moldar o ambiente, como afirma Milton Santos:

A principal forma de relação entre o homem e natureza, ou melhor, entre o homem e o meio é dada pela técnica. As técnicas são um conjunto de meios instrumentais e sociais, com os quais o homem realiza sua vida, produz e, ao mesmo tempo, cria espaço. (SANTOS, 1999, p. 25)”.

Neste sentido, podemos afirmar que técnica não é o mesmo que tecnologia. Pois, é preciso ressaltar que a diferença entre técnica e tecnologia é a mesma diferença que há entre inovação e invenção. A invenção é produto de uma dada técnica humana com vistas em resolver um problema que é econômico e social. Mas, nem sempre uma nova invenção se difunde no tecido social e isso a deixa restrita ao conceito de invenção.

Agora quando este novo produto técnico tem a capacidade de se difundir no tecido social e se torna aceito pela sociedade que lhe dá um uso, cria interconexão entre as pessoas e setor produtivo passa a ser chamado de inovação. A inovação é nada mais do que, uma invenção com valor social sistêmico, sendo assim chamado de tecnologia.

A técnica tem o poder de criar outros objetos, mas somente quando estes ganham poder sistêmico de se unir com outros objetos gerando novas ações é que eles se tornam tecnológicos. Nos tempos atuais é notável o acelerado avanço tecnológico que o processo de globalização permite e exige. Tais avanços, ao mesmo tempo, que possibilita inovação para uns educadores, para outros cria um novo problema que precisa de urgente solução, de forma a permitir-lhe também acompanhar tal processo e utilizá-lo a seu favor no dia a dia.

É a necessidade de um novo olhar sobre a realidade e a compreensão dos processos sobre a construção de outra relação do homem com o meio natural, social e tecnológico. Atualmente temos acompanhado grandes debates em torno do uso das novas tecnologias como ferramenta pedagógica nas escolas. Autores renomados e revistas especializadas em educação sempre trazem essas discussões chegando a afirmar que “hoje os professores sabem que os computadores possibilitam a criação de um ambiente de aprendizagem” (NOVA ESCOLA, 2003, p. 11).

Por outro lado há os que argumentam sobre a perplexidade do professor perante tal instrumento, misturando uma sensação de admiração, surpresa, critica e cepticismo. Acrescenta-se a estas reações a frustração, a inferioridade e a resistência em usar instrumentos tecnológicos na sala de aula, reafirmadas pela “ideia de que qualquer criança lida melhor com esses instrumentos do que os adultos” (CARNEIRO, 2002, p. 57).

A geografia é uma disciplina que exige cada vez mais a atualização dos professores e a interatividade destes com os discentes. Tem se notado no Brasil, a preocupação em dotar as escolas de equipamentos tecnológicos (computador, data show, internet, DVD, televisão, entre outros), que permitam o dinamismo e o envolvimento de professores e alunos nos conteúdos trabalhados em sala de aula e consequentemente melhorar o aprendizado em todas as áreas do conhecimento.

Acredita-se que tais aparatos tecnológicos a serviço da educação, quando bem utilizados nas aulas de geografia poderão ampliar e desenvolver os saberes nesta área de conhecimento e incentivar o diálogo entre alunos, professores e a sociedade, e consequentemente obter resultados significativos no processo de ensino e aprendizagem. No entanto, é preciso que os professores se movam com clareza no desenvolvimento de suas práticas, tornando-os mais seguro do seu próprio desempenho (FREIRE, 2004, p. 68).

Diante da infinidade de discursos sobre o uso das novas tecnologias na sala de aula é necessário, particularmente no ensino da geografia, verificar a real situação da forma como os recursos tecnológicos existente nas escolas públicas são utilizados, bem como a capacidade de operacionalização desses recursos pelos professores, com perspectivas ao desvencilhar de propostas pedagógicas, que visem uma prática de ensino mais interativa e dinâmica e construtiva na sala.


 

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

DISTRITO DE NAZARÉ, NA AMAZÔNIA E SUAS POTENCIALIDES CULTURAIS

O distrito de Nazaré, localizado no Baixo Madeira, em Porto Velho (RO), região da Amazônia brasileira, possui uma rica e fértil potencialidade cultural ribeirinha e amazônica, sendo considerado um dos principais polo de resistência cultural na região. A comunidade preserva tradições ancestrais, sendo uma das poucas comunidades que possui manifestações culturais reconhecidas como patrimônio do estado.

Apenas para que se faça o devido reconhecimento que aquela população merece, depois de muito tempo de um racismo cultural que estava impregnado, e que causou certamente muitos prejuízos a sua história e dos grandes personagem que lutaram pelo avivamento das tradições locais que foram trazidas por seus antepassados, podemos citar algumas dessas potencialidades culturais:

  • Festival Cultural de Nazaré: É a manifestação cultural ribeirinha mais importante da capital de Rondônia, com mais de 50 anos de tradição. O festival, que já foi reconhecido como Patrimônio Cultural de Rondônia, é realizado pela própria comunidade para proteger e promover sua identidade local. O evento anual atrai visitantes de diversas partes do Brasil e do mundo, oferecendo uma imersão na cultura local.

    O festival Cultural, assim a própria vida cotidiana do povo envolvem diversas expressões e manifestações artísticas, como:

    • Música e Dança: Apresentações de grupos musicais locais (como o grupo "Minhas Raízes"), danças típicas, quadrilhas juninas e a entrada do boi-bumbá Curumim, um dos momentos mais esperados do festival.

    • Teatro e Lendas: A comunidade valoriza a contação de histórias, incluindo as lendas da Amazônia e a história dos seringueiros, entre outras contadas pelos mais antigos que ficaram na memória dos que la vivem nos dias atuais, que são encenadas e narradas.

    • Artesanato: O trabalho artesanal é fundamental, especialmente na confecção detalhada dos figurinos para as apresentações culturais, que dão cor e vida ao espetáculo.

  • Culinária Regional e Extrativismo: A cultura gastronômica é um ponto forte, com a comercialização de comidas típicas regionais, como o vinho de açaí produzido localmente. A economia local baseia-se no extrativismo e na agricultura de subsistência, o que também faz parte da identidade cultural da comunidade.

  • Identidade Ribeirinha e Ancestralidade: A cultura de Nazaré é profundamente enraizada na vida à beira do rio Madeira, valorizando a relação com a natureza, a fauna e a flora local. Atualmente há um esforço contínuo para resgatar o sentimento de pertencimento e garantir que as histórias e origens não sejam esquecidas pelas novas gerações.

    Entre todos os contextos, podemos afirmar que a potencialidade cultural de Nazaré reside na sua capacidade de preservar e celebrar um modo de vida tradicional e autêntico da Amazônia, que sempre foi esquecido e nunca alcançado pelas politicas públicas que buscam privilegiar as áreas urbanas ou que tenha algum poder politico envolvido.

    É preciso reconhecer que o povo ribeirinho tem sua própria cultura respeitar e valorizar. O que acontece hoje em Nazaré, essa pequena comunidade localizada na área ribeirinha do Município de Porto Velho-RO, deve ao esforço do seu próprio povo, que de tanto clamar apoio das autoridades e não serem atendidos, resolveram com seus próprios esforços difundir seu trabalho, suas lutas e seus conhecimentos.


O que é racismo ambiental?

O racismo ambiental é um fenômeno que designa a alocação desproporcional de riscos e impactos ambientais negativos (como poluição, lixões, indústrias poluentes) em comunidades de baixa renda e, especialmente, em populações tradicionais e outras minorias étnicas. Essa realidade se manifesta de diversas formas, desde a proximidade de favelas com áreas de descarte de resíduos até a falta de acesso a saneamento básico e áreas verdes em bairros periféricos.

O termo surge no território norte americano, a partir de estudos sobre justiça ambiental, com participação efetiva do movimento negro estadunidense que por seguinte, se tonou um programa de ação do governo federal dos Estados Unidos (HERCULANO, 2006).

No Brasil o termo chegou a partir da influência das manifestações internacionais pela justiça ambiental, através do viés acadêmico. Após a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente- ECO 92, em 2002 surge a Rede Brasileira de Justiça Ambiental (MATHIAS, 2017).

A inclusão ativa das populações mais vulneráveis aos efeitos da crise ambiental em todas as etapas dos debates é imprescindível na promoção e implementação de medidas e estratégias de adaptação aos novos desafios ambientais, respeitando os princípios de democratização dos processos decisórios e promovendo a participação e a redistribuição do controle socioeconômico é necessário e emergente.

A Amazônia é um território de grande importância ecológica, econômica e cultural, lar de diversas comunidades tradicionais que desempenham um papel crucial na conservação da floresta e na manutenção do equilíbrio ambiental.

No entanto, essas comunidades são frequentemente vítimas do racismo ambiental, que se manifesta na distribuição desigual dos riscos e danos ambientais, exacerbados pelas mudanças climáticas severas que tem ocorrido nos últimos anos.

Nesse contexto é premente o estudo sobre a importância da educação e ações culturais e suas relações no combate ao racismo ambiental e seus impactos nas comunidades tradicionais ribeirinhas da Amazônia, uma maneira de investigar como a desigualdade social intersecta com os impactos da discriminação ambiental que emerge nessas comunidades, resultando em vulnerabilidades específicas e injustiças ambientais.

Da mesma forma, é preciso entender como a exploração de recursos, o desmatamento e as mudanças no uso da terra afetam desproporcionalmente essas populações tradicionais, trazendo à tona as raízes históricas e estruturais do racismo ambiental nessa região tanto difundida no planeta, no entanto carente de políticas públicas voltadas a melhoria da qualidade de vida das populações que nela vivem.

Faz-se mostrar como a educação pode ser um espaço de conscientização, empoderamento e ação para que comunidades, especialmente as mais atingidas, como as ribeirinhas da Amazônia, possam lutar por seus direitos e por ambientes mais justos e saudáveis, desvelando o tema e seus impactos e gerando conhecimentos essenciais para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

RACISMO AMBIENTAL NAS COMUNIDADES TRADICIONAIS RIBEIRINHAS DA AMAZÔNIA

A atualidade mostra que a sociedade enfrenta um período de crise que desencadeia impactos no âmbito social, ambiental e econômico. Os grupos em vulnerabilidade social e econômica são os mais impactados, reforçando a necessidade de ações públicas que promovam o equilíbrio ambiental, sem qualquer tipo de distinção.

O racismo, por ser estrutural, se manifesta em todas as dimensões da vida em sociedade: na Educação, Saúde, Cultura, nas legislações e, também, no meio ambiente. O racismo ambiental, conceito que surge nos anos 80 com o líder de direitos civis Benjamin Chavis, no contexto de manifestações do movimento negro contra injustiças ambientais nos Estados Unidos da América é, portanto, outra frente a ser considerada nos ambientes de formação formal e informal.

A vulnerabilidade socioambiental não é um fenômeno que atinge a todos os povos de maneira igualitária. Não seria justo afirmarmos que todas as comunidades humanas sofrem dos desequilíbrios do meio ambiente de maneira igualmente proporcional, pois antes de qualquer questão que seja exclusivamente de ordem ambiental, existe uma, desigualdade social que afeta, de modo mais severo, as comunidades periféricas e tradicionais no exercício de acesso aos direitos ambientais. Visando o cenário desta afirmação, é possível se concluir que:

"Se há diferença nos graus de exposição das populações aos males ambientais, isso não decorre de nenhuma condição natural, determinação geográfica ou causalidade histórica, mas de processos sociais e políticos que distribuem de forma desigual a proteção ambiental (ACSELRAD; MELLO, 2009, p.73)."

A relação entre a educação e o racismo ambiental é uma faceta crítica da emergência global. Práticas insustentáveis e emissões excessivas exacerbam as vulnerabilidades de povos e comunidades já marginalizadas, aprofundando as disparidades existentes. Os impactos da emergência/crise ambiental, como são chamados os eventos que produzem seca, chuvas, temporais entre outros dessa natureza, atingem a sociedade brasileira de forma desproporcional.

Junto as populações tradicionais ribeirinhas da Amazônia, isso se manifesta de maneira aguda, enquanto o desmatamento, os incêndios e o garimpo ilegal impulsionam as mudanças climáticas, os efeitos resultantes como alterações no regime de chuvas impactam desproporcionalmente a região, comprometendo ainda mais sua capacidade de subsistência e resiliência.

Segundo Robert Bullard (2002), o racismo ambiental decorre da degradação ambiental imposta pela lógica mercadológica e capitalista de exploração e se refere a políticas, práticas ou diretrizes ambientais que afetam diferentemente ou de forma desvantajosa (seja intencionalmente ou não) indivíduos, grupos ou comunidades mais vulneráveis, seja por questões de renda, educação, cor, gênero ou raça, podendo ser reforçadas por instituições governamentais, jurídicas, econômicas, políticas e militares.

O racismo ambiental é, portanto, uma forma de discriminação ambiental. Ele acontece quando as políticas ambientais e os projetos de desenvolvimento são inexistentes ou implementados de forma a prejudicar deliberadamente as populações mais vulneráveis que são afetadas de forma desproporcional pelos impactos ambientais negativos, como a poluição do ar, a contaminação da água, as enchentes, as secas, os desmatamentos, intoxicação e etc.

Isso acontece porque essas populações muitas vezes têm menos poder político e econômico para evitar ou remediar esses impactos. Além disso, a falta de acesso a serviços básicos, como água potável e saneamento, agrava ainda mais os impactos negativos do racismo ambiental. O resultado é uma qualidade de vida muito inferior à das pessoas que vivem em áreas mais ricas e protegidas, afetando a saúde e bem-estar dos moradores.
As comunidades tradicionais ribeirinhas da Amazônia são exemplos claros de racismo ambiental. Apesar de serem áreas de grande valor ecológico, cultural e econômico e terem um conhecimento profundo desses ecossistemas, têm pouca influência sobre as políticas que afetam seus territórios e geralmente são excluídas do processo de tomada de decisão dos governantes publicos.