quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Olhar sobre as escolas ribeirinhas e o uso das novas tecnologias na educação infantil

Olhar a educação nas escolas ribeirinhas no contexto amazônico é enxergar além das florestas, além dos rios e dos encantos da região. É ver as pessoas do meio rural como capazes de desenvolver suas potencialidades e competências, é descobrir que estes podem tornar-se agentes participativos nos processos de ensino e de aprendizagem e sujeitos das suas próprias vidas e histórias. 

A partir desse contexto, a escola passa a ser um grande universo de ressignificação do fazer pedagógico e do desenvolvimento humano necessário para a alfabetização digital e multiletramentos de homens, mulheres, jovens e crianças moradoras dessa região. Ressignificar nesse sentido, é ter um olhar mais atento para a contextualização das políticas públicas e das metas previstas nos programas e planos educacionais para as diferentes realidades escolares.

A escola rural ribeirinha possui características próprias, que se articulam diretamente com a Educação do Campo, ou seja, a educação denominada de “ribeirinha” está inserida na Educação do Campo, que é uma modalidade da Educação Básica (Art. 1, Resolução do Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Básica – CNE/CEB nº. 2/2013).

É uma realidade marcada por grandes desafios que historicamente neglicencia o protagonismo daqueles a quem mais interessa o desenvolvimento de politicas públicas eficazes, os moradores.

Vale ressaltar, que nas escolas rurais ribeirinhas nos deparamos frequentemente com a ausência de professores, falta de técnicos educacionais, espaços e materiais inadequados, além de um currículo que não leva em consideração a realidade local.

Neste sentido, o uso das tecnologias digitais é debatido cada vez mais, a partir da identificação de que desde cedo as crianças já demonstram grandes habilidades em manipular dispositivos eletrônicos. De acordo com Grotto (2012), a mente dessas crianças parece criar associações com tanta rapidez e facilidade de compreensão que deixam os adultos perplexos quando demonstram com naturalidade e segurança seus conhecimentos. Assim já chegam na escola com uma certa bagagem de conhecimento digital.

Atualmente, as tecnologias de informação e |comunicação são consideradas ferramentas que vem se aprimorando e quando utilizadas de forma adequada nas salas de aulas podem surtir efeitos positivos no processo de ensino e aprendizagem.

De acordo com as Diretrizes para Educação Infantil (BRASIL, 2013), escolas de educação infantil devem proporcionar possibilidades educativas promovam o desenvolvimento integral das crianças, bem como promover a inclusão digital. Ainda nesse sentido Gadotti (2000, p.38), enfatiza que a escola necessita transforma-se e tornar-se um ambiente de inovações, cujo papel primordial deve ser orientar, criticamente, especialmente as crianças e jovens, na busca de uma informação que os faça crescer, ou seja, alfabetizar tecnologicamente.

Nesta vertente, mais importante do que analisar aspectos sobre a implantação dessas ferramenta nas escolas é discutir a importância do uso dessas tecnologias na educação infantil e seus resultados e problematizar questões como: de que forma a tecnologia acrescenta e atua de eficazmente no processo de desenvolvimento e ensino/aprendizagem dos alunos? Como o educador tem feito uso dessa ferramenta como material didático na sala de aula? Será que as novas tecnologias contribuem para o desenvolvimento cognitivo dos alunos? Seria este um auxílio para os professores ou um recurso complexo demais para ser assimilados como proposta pedagógica na escola?

Tais questionamentos baseiam-se no fato de que cada vez mais crianças e adolescentes aliam o uso dos aparelhos eletrônicos em sua rotina, então, como não se apropriar desse recurso tão deslumbrante? Desses fatores decorre a importância de evidenciar através da pesquisa que a implementação dessas novas ferramentas digitais na sala de aula como recurso didático, associada ao preparo dos professores para o seu uso de forma adequada, poderá proporcionar melhorias da qualidade do ensino nesses lugares de difícil acesso, impactando de forma significativa na reformulação das politicas públicas educacionais para essa região, e consequentemente nas propostas pedagógicas das escolas.

Portanto, é salutar no contexto atual discutir esse tema, assim como os resultados advindo desse processo no ensino e aprendizagem na educação infantil, também será um meio de identificar os recursos disponíveis, o nível de formação e as necessidades dos professores e demais características físicas, pedagógicas e de pessoal nas escolas localizadas nas regiões ribeirinhas

Por fim, também é importante frisar que com a chegada das novas tecnologias nessas escolas e, a partir da realidade que se apresenta o mundo atual com o acelerado crescimento do ciberespaço, de novas formas de comunicação e acesso crescente à informação, tais fatores tem oportunizado inúmeras condições de aprendizagens, desenvolvimento de habilidades e interações necessárias à formação integral da criança que com práticas tradicionais provavelmente não seriam alcançadas.



A escola ribeirinha da Amazônia e o uso das novas tecnologias no ensino-aprendizagem

A educação está em constante processo de mudança, por isso, é relevante fazer uma reflexão em relação à infância, a importância e os impactos do uso das novas tecnologias aliadas ao ensino e aprendizagem nessa etapa escolar. Estes fatores que estão inseridos no cotidiano devem ser estudados não apenas pelos professores que atuam, na Educação Infantil, mas também, pelos familiares e pela sociedade em geral, pois são fatores que estão interligados e trazem influências a todos os âmbitos.

É evidente que as crianças do século XXI são diferentes das gerações anteriores, a forma de brincar, de falar, de se comunicar e socializar são diferentes, muitos desses fatores se devem ao fato do surgimento da era digital que está intrínseca em todos os lugares e o quanto influenciam diretamente no desenvolvimento do ensino e da aprendizagem.

As políticas públicas do governo federal para o uso e presença das novas tecnologias nas escolas públicas fazem-se presente desde a década de 1990, com objetivos que devem ser alcançados pelo sistema educacional em todas as esferas e níveis e segmentos de ensino, visando melhorar a qualidade da aprendizagem dos alunos e a prática pedagógica por parte dos professores.

A cultura digital na educação tem por objetivos oferecer condições de acesso á internet no âmbito escolar de forma pública e gratuita para a comunidade. Enseja a integração crítica, ética e criativa das tecnologias digitais no ensino, preparando alunos para um mundo conectado, desenvolvendo habilidades como pensamento crítico e colaboração, e transformando a aprendizagem em algo mais ativo, personalizado e envolvente, conforme previsto pela Base Nacional Comum Curricular-BNCC, para formar cidadãos digitais responsáveis e aptos para o futuro.

Neste sentido é importante discutir de que forma o uso das novas tecnologias pode contribuir no processo de ensino e aprendizagem e se justifica, pois conforme afirmado por vários pesquisadores e documentos relacionados ao tema, a criança tem o direito de vivenciar a cultura de sua época, e como a era vivida é conhecida como digital, a escola deve proporcionar ao educando o aprendizado com o uso das tecnologias, para que possam adquirir conhecimento condizente ao momento histórico ao qual estão vivenciando.

Essa deverá ser uma discussão que alcance os vários seguimentos educacionais , campos de atuação e lugares, particularmente os amis distantes, como é o caso das escolas localizadas em áreas rurais ribeirinhas da Amazônia, onde o acesso aos meios de informação e comunicação são escassos ou chegam com dificuldades.

As áreas ribeirinhas, ou seja, comunidades tradicionais localizadas as margens dos rios, são regiões de difícil acesso e são impactadas pela falta de estrutura física, pedagógica e de pessoal qualificado nas poucas escolas que existentes. A sua inclusão digital e a utilização dessas novas ferramentas como recursos didáticos poderá ser uma ferramenta significativa para ofertar uma educação de qualidade e promoção do conhecimento, da cultura, dos valores e das identidades de todos que fazem parte da região.



sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

PROGRAMAS SOCIAIS: filosofia ou politica?

Programa social, na sua concepção filosófica, consiste em uma ação que tem como objetivo proporcionar melhorias à condição e qualidade de vida da população, ou seja, é uma ação que atua no preenchimento das lacunas deixadas pelo estado no campo social, causadas devido ao sistema econômico ou à falta de ações governamentais.

Nesse contexto, diferentemente do que possa pensar muitas pessoas, inclusive os próprios assistidos por esses programas, é importante enfatizar que programa social não deve ser banalizado na sua concepção restrita como sendo uma mera ação de assistencialismo, movido por ações momentâneas de governos, vez que deve ser uma ação de estado.

Influenciado mundo afora pelo keynesianismo, uma teoria econômica desenvolvida pelo economista britânico John Maynard Keynes (1883-1946) que defende a intervenção ativa do Estado na economia para garantir estabilidade, pleno emprego e crescimento, especialmente em tempos de crise, contrastando com o liberalismo clássico, seus seguidores defendiam dentro dos parâmetros do mercado livre capitalista, a necessidade de uma forte intervenção econômica do Estado com o objetivo principal de garantir o pleno emprego e manter o controle da inflação.

Esta forma de pensar surgiu como resposta à Grande Depressão de 1929, propondo uma alternativa ao liberalismo que falhava em resolver o desemprego massivo e teve grande influência no pós-guerra (1945-1970), mas perdeu força nos anos 70 com a estagflação, ressurgindo após a crise de 2008. Em síntese essa filosofia deveria ser aplicada com vista ao bem-estar social, pela qual se defendia a criação de uma rede de segurança social como seguro-desemprego e salário-mínimo para garantir dignidade e estabilidade.

Keynes argumentava que a economia é influenciada por fatores psicológicos (expectativas, incertezas) e não é sempre auto-regulável, necessitando de ação governamental em momentos de recessões.

Muitos governantes ainda se inspiram nesses pensamentos para criar uma série de programas sociais, movidos por ocasiões de interesses, ou mero fazer politico sem pensar no amanhã, no impacto que terá na economia do seu país´, estado ou município.

Por outro lado, a "filosofia" ou, mais precisamente, o conjunto de motivações e atitudes das pessoas que vivem de programas sociais é complexa e multifacetada, não podendo ser reduzida a uma única mentalidade baseada simplesmente na busca por dignidade e sobrevivência diante da vulnerabilidade social e econômica, do momento, que reduz determinados programas à sobrevivência diária ou necessidade imediata.

Tais estereótipos deveriam ser contrariado, vez que os Programas deveria ter em sua concepção o incentivo pela busca ativamente de autonomia pelos seus beneficiários. Ou seja, o beneficio deveria ser usado apenas como um suporte temporário para a saída da situação de vulnerabilidade, encontrar um emprego e melhorar suas condições de vida.

O fato é que o debate público está sempre retornando à questão da necessidade de novas políticas públicas de auxílio econômico aos mais pobres, de novas tributações, rearranjos fiscais e de novas medidas de combate às desigualdades sociais em todo o planeta.

RACISMO AMBIENTAL: PERCEPÇÕES

A atualidade mostra que a sociedade enfrenta um período de crise que desencadeia impactos no âmbito social, ambiental e econômico. Os grupos em vulnerabilidade social e econômica são os mais impactados, reforçando a necessidade de ações públicas que promovam o equilíbrio ambiental, sem qualquer tipo de distinção.
O racismo, por ser estrutural, se manifesta em todas as dimensões da vida em sociedade: na educação, saúde, cultura, nas legislações e, também, no meio ambiente. Esse conceito surgiu nos anos 80 com o líder de direitos civis Benjamin Chavis, no contexto de manifestações do movimento negro contra injustiças ambientais nos Estados Unidos da América é, portanto, outra frente a ser considerada nos ambientes de formação formal e informal.
A vulnerabilidade socioambiental não é um fenômeno que atinge a todos os povos de maneira igualitária. Não seria justo afirmarmos que todas as comunidades humanas sofrem dos desequilíbrios do meio ambiente de maneira igualmente proporcional, pois antes de qualquer questão que seja exclusivamente de ordem ambiental, existe uma, desigualdade social que afeta, de modo mais severo, as
comunidades periféricas e tradicionais no exercício de acesso aos direitos ambientais. Visando o cenário
desta afirmação, é possível se concluir que:
Se há diferença nos graus de exposição das populações aos males ambientais, isso não decorre de nenhuma condição natural, determinação geográfica ou causalidade histórica, mas de processos sociais e políticos que distribuem de forma desigual a proteção ambiental (ACSELRAD; MELLO, 2009, p.73)
A relação entre a educação e o racismo ambiental é uma faceta crítica da emergência global. Práticas insustentáveis e emissões excessivas exacerbam as vulnerabilidades de povos e comunidades já marginalizadas, aprofundando as disparidades existentes.
Os impactos da emergência/crise ambiental, como são chamados os eventos que produzem seca, chuvas, temporais entre outros dessa natureza, atingem a sociedade brasileira de forma desproporcional. Junto as populações tradicionais ribeirinhas da Amazônia, isso se manifesta de maneira aguda, enquanto o desmatamento, os incêndios e o garimpo ilegal impulsionam as mudanças climáticas, os efeitos resultantes como alterações no regime de chuvas impactam desproporcionalmente a região, comprometendo ainda mais sua capacidade de subsistência e resiliência.
Segundo Robert Bullard (2002), o racismo ambiental decorre da degradação ambiental imposta pela lógica mercadológica e capitalista de exploração e se refere a políticas, práticas ou diretrizes ambientais que afetam diferentemente ou de forma desvantajosa (seja intencionalmente ou não) indivíduos, grupos ou comunidades mais vulneráveis, seja por questões de renda, educação, cor, gênero ou raça, podendo ser reforçadas por instituições governamentais, jurídicas, econômicas, políticas e militares.
O racismo ambiental é, portanto, uma forma de discriminação ambiental. Ele acontece quando as políticas ambientais e os projetos de desenvolvimento são inexistentes ou implementados de forma a prejudicar deliberadamente as populações mais vulneráveis que são afetadas de forma desproporcional pelos impactos ambientais negativos, como a poluição do ar, a contaminação da água, as enchentes, as secas, os desmatamentos, intoxicação e etc. Isso acontece porque essas populações muitas vezes têm menos poder político e econômico para evitar ou remediar esses impactos.
Além disso, a falta de acesso a serviços básicos, como água potável e saneamento, agrava ainda mais os impactos negativos do racismo ambiental. O resultado é uma qualidade de vida muito inferior à das pessoas que vivem em áreas mais ricas e protegidas, afetando a saúde e bem-estar dos moradores. As comunidades tradicionais ribeirinhas da Amazônia são exemplos claros de racismo ambiental. 
Apesar de serem áreas de grande valor ecológico, cultural e econômico e terem um conhecimento profundo desses ecossistemas, têm pouca influência sobre as políticas que afetam seus territórios e geralmente são excluídas do processo de tomada de decisão.
Nessa perspectiva, a realidade atual exige de todos a análise das percepções e os desafios de combate ao racismo a essa nova forma de racismo, seja através da educação ou de ações culturais, particularmente nas comunidades tradicionais onde nos últimos anos foi cenário de grandes impactos ambientais em virtude da falta de políticas públicas preventivas voltadas para essa população.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Recursos Hídricos em Rondônia: analise geral

A partir dos estudos realizados no PERH/RO foi constatado que as UHGs do Estado de Rondônia, através do mosaico de municípios que as compõem, apresentam características ambientais e socioeconômicas bastante distintas entre si. A densidade de habitantes é muito mais intensa no eixo que acompanha a BR-364, de modo que os cursos hídricos ali localizados estão submetidos às maiores pressões.

Em Rondônia, os principais impactos que afetam os recursos hídricos estão relacionados a atividades antrópicas orientadas ao desenvolvimento econômico, como a expansão da fronteira agropecuária, responsável pelo desmatamento dos redutos florestais remanescentes e contaminação do solo e corpos d’águas locais.

A atividade garimpeira também é uma fonte de poluição hídrica com o lançamento de metais pesados nos corpos d’água. A ocupação e distribuição populacional contribuem com impactos significativos sobre os recursos hídricos, principalmente devido à inexistência de redes de esgotamento sanitário nos municípios e o descarte do efluente doméstico diretamente em corpos d’água. Nos estudos de disponibilidade hídrica e de qualidade da água registrou-se a insuficiência de dados e informações quantitativas.

A avaliação da qualidade da água superficial mostra condições bastante distintas regionalmente, mais preocupantes para os maiores centros urbanos e polos agropecuários. No que tange às águas subterrâneas, o Sistema Aquífero Parecis apresenta a maior produtividade. As águas subterrâneas em zonas urbanas de Rondônia possuem indicativos de contaminação provenientes de efluentes urbanos ou agropecuários.

Sob a ótica do volume de água retirado pelos diferentes usos consuntivos, destaca-se o abastecimento animal, que a partir dos anos 2000 passou a representar as maiores retiradas de vazões do Estado, aproximadamente 40%, seguido pelo abastecimento humano urbano. A irrigação a partir dos anos 2004 passou a apresentar uma tendência contínua de crescimento.

O abastecimento humano rural apresenta decrescimento ao longo da série histórica. De modo geral, o município com maiores vazões retiradas do Estado de Rondônia no ano de 2016 foi Porto Velho. Em termos de UHGs, destacam-se as do Médio Rio Machado e Margem Esquerda do Rio Jamari.

Do diagnóstico sobre as disponibilidades e demandas hídricas em Rondônia, pode-se dizer que, de modo geral, os recursos hídricos do Estado possuem condições quantitativas de atender adequadamente a grande parte das demandas. Entretanto, é imprescindível o desencadeamento efetivo de ações de recuperação da qualidade das águas, bem como de maior conhecimento das características locais dos recursos hídricos, para seu aproveitamento otimizado e sustentável.

Além disso, é importante destacar que problemas locais de desabastecimento já existem em alguns municípios do Estado, conforme mencionado ao longo do estudo, e devem ser abordados com maior detalhe no âmbito dos Planos de Bacias Hidrográficas.

Para responder às necessidades levantadas relacionadas aos recursos hídricos do Estado, o PERH/ RO é composto por 4 grandes Diretrizes Norteadoras: Desenvolvimento/ fortalecimento legal institucional; Consolidação e implementação dos instrumentos de gestão de recursos hídricos; Desenvolvimento tecnológico, capacitação e comunicação; e Conservação da água, solo e ecossistemas. As diretrizes norteadoras agregam 16 programas e 32 projetos específicos a serem implementados nos diversos municípios do Estado de Rondônia.

O Estado de Rondônia não possui os critérios de outorga regulamentados. Para auxiliar a SEDAM, como órgão outorgante, na análise das alternativas dos critérios e procedimentos mais adequados, o PERH/RO, propôs critérios iniciais de outorgas.

No período de execução do PERH/RO nenhum rio de domínio do Estado apresentava proposta de enquadramento consolidada, devendo as águas doces ser consideradas como classe 2, segundo a Resolução CONAMA no 357/2005. O PERH/RO apresenta diretrizes para a elaboração da proposta de enquadramento dos cursos d’água, em conformidade com as legislações estaduais e nacionais vigentes.

Ainda, o PERH/RO buscou fornecer diretrizes gerais e uma estimativa do potencial de arrecadação global a partir da cobrança pelo uso da água nas bacias hidrográficas contidas no Estado de Rondônia. O valor total estimado foi de aproximadamente R$ 63 milhões. Para os horizontes de 2021, 2026 e 2036, os valores estimados foram respectivamente de R$ 68 milhões, R$ 74 milhões e R$ 88 milhões. Desses montantes, 92,5% retornariam para os CBHs para a aplicação em projetos previstos nos planos de bacias hidrográficas.

Por fi m, é importante destacar que todos os resultados do Diagnóstico e Prognóstico dos recursos hídricos no Estado de Rondônia, bem como das Diretrizes, Programas e Projetos do PERH/RO foram consolidados a partir da participação pública, incorporando informações importantes de usuários de recursos hídricos, gestores municipais, sociedade civil, comunidades tradicionais, técnicos dos órgãos setoriais e demais cidadãos.


Fonte: Plano Estadual de Recursos Hídricos de Rondônia – Diagnóstico dos Recursos Hídricos

PERH/RO /2017. RONDÔNIA: SEDAM, 2017.


Situação dos Recursos Hídricos em Rondônia

A Lei Complementar no 255, de 25 de janeiro de 2002, institui a Política Estadual de Recursos Hídricos e o Sistema de Gerenciamento dos Recursos Hídricos para o Estado de Rondônia. Esta lei foi regulamentada pelo Decreto Estadual no 10.114, de 20 de setembro de 2002, no qual fica estabelecida a Divisão Hidrográfica do Estado de Rondônia em sete bacias hidrográficas.

Além da divisão em bacias hidrográficas, a legislação prevê a criação dos Comitês de Bacias Hidrográficas (CBH). Os CBH’s são órgãos colegiados integrantes do Sistema de Gerenciamento de Recursos Hídricos, com atribuições consultivas e deliberativas, tendo como área de atuação uma determinada bacia hidrográfica ou sub-bacia hidrográfica. No ano de 2014 foi aprovada a implantação de cinco Comitês de Bacias Hidrográficas (CBH) no Estado de Rondônia.

A divisão de bacias hidrográficas em Unidades Hidrográficas de Gestão (UHG) é uma prática usual no planejamento dos recursos hídricos, visto a necessidade de possibilitar o entendimento geral (do todo), a partir do conhecimento do específico (das partes).

Assim, para a gestão dos recursos hídricos, o PERH/RO dividiu o Estado de Rondônia em 19 (dezenove) UHG considerando as Bacias Hidrográficas, as áreas de atuação dos CBH e as zonas de ordenamento territorial e de direcionamento de políticas públicas estaduais.

Além destes elementos, a definição da UHG respeita os principais condicionantes ambientais e antrópicos, bem como as heterogeneidades de uso e ocupação do solo. As UHG definidas e consideradas no PERH/RO estão listadas a seguir.

• Alto Rio Madeira

• Margem Esquerda do Rio Madeira

• Médio Rio Madeira

• Baixo Rio Madeira

• Alto Rio Machado

• Médio Rio Machado

• Rio Jaru

• Baixo Rio Machado

• Alto Rio Jamari

• Margem Direita do Rio Jamari

• Margem Esquerda do Rio Jamari

• Baixo Rio Jamari

• Rio Roosevelt

• Baixo Rio Guaporé

• Rios Branco e Colorado

• Médio Rio Guaporé

• Alto Rio Guaporé

• Rio Mamoré

• Rio Abunã


Fonte: Plano Estadual de Recursos Hídricos de Rondônia – Diagnóstico dos Recursos Hídricos-PERH/RO /2017. RONDÔNIA: SEDAM, 2017.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

CONCEITOS QUE O PROFESSOR NECESSITA DOMINAR PARA DESENVOLVER A EDUCAÇÃO GEOGRÁFICA

Pensamento espacial: O pensamento espacial é uma ação cognitiva desenvolvida entre o sujeito e o objeto de conhecimento cotidianamente, e podem ser sistematizadas pelas mais diversas áreas de conhecimentos e componentes curriculares escolares, principalmente pelo componente curricular de Geografia, Arte, Matemática e Linguagem. Os conceitos, as representações e habilidades espaciais são componentes dessa forma de pensamento.

Na ciência Geográfica, O pensamento espacial é a maneira pela qual nos orientamos e manipulamos o espaço que nos rodeia, utilizando as categorias analíticas como paisagem, lugar região e território, para a compreensão desse espaço por meio dos princípios do raciocínio geográfico que são: a Analogia, extensão, Distribuição, Diferenciação, Localização, Conexão, Causalidade, reide e Ordem ou Arranjo.

Espaço Geográfico: O espaço geográfico é o conceito balizador da Geografia, produto da ação do homem sobre a natureza, conforme a sua evolução histórica-tecnológica e cultural. Para Corrêa (1982) é o mais abrangente, apresentando-se como “um todo” do qual derivam os demais conceitos e com  o qual se relacionam. Milton Santos (1996:51) parte da compreensão de espaço como um “conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como o quadro único no qual a história se dá”.

A relação dos alunos com o espaço e sua abrangência e profundidade, requer instrumentos conceituais básicos que possibilitem uma leitura de mundo, de espaço. Neste contexto, pode-se tomar como objeto de estudo geográfico na escola, o espaço geográfico, entendido como um espaço social, concreto, em movimento que requer uma análise interdependente e abrangente de elementos da sociedade e natureza e suas múltiplas relações, bem como nas diversas escalas (CAVALCANTI, 2006).

O professor de Geografia tem a responsabilidade de propiciar ao aluno diversas possibilidades interpretativas do espaço geográfico, para que o educando possa interagir criticamente, compreendendo e relacionando as especialidades da Geografia, sobretudo a partir das relações estabelecidas entre a sociedade e natureza, enfatizando relações a partir de temas como urbanização, dinâmica populacional, aspectos econômicos, globalização, geopolítica, aspectos naturais: relevo, hidrografia, clima, vegetação e ecossistemas, entre outros.

Neste contexto, a representação dos diferentes lugares, deve ser realçada mediante a utilização de mapas, maquetes e plantas, com a legenda e a escala definida, e com apoio das novas tecnologias. A partir do conceito de espaço geográfico, pode-se trabalhar com as demais categorias, consideradas por alguns autores como mais operacionais, como: paisagem, território, lugar, rede, entre outros, onde cada conceito expressa uma possibilidade de leitura do espaço geográfico delineando um caminho metodológico (SUERTEGARAY, 2001).

No contexto da geografia escolar o estudo das categorias de análise geográfica é fundamental para a compreensão das constantes transformações do espaço geográfico. A construção dos conceitos dessas categorias - espaço geográfico, lugar, paisagem, território, região e rede geográfica – é considerada pré-requisito para a compreensão dos elementos presentes na organização do espaço.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

A realidade do mundo atual e a teoria do condicionamento ambiental

A realidade do mundo no qual vivemos na atualidade é marcada por uma complexidade multifacetada, que escancara crises globais, como as  geopolíticas e sanitárias, e mudanças tecnológicas em uma velocidade assustadora, que alteraram profundamente o trabalho e suas relações, e mais profundamente as interações sociais.

Pode se afirmar que a realidade do mundo hoje é de velocidade, conectividade, engajamento, de tensões, polaridades e de afinidades por gostos compartilhados. Em muitos casos, tal fato coexiste com uma percepção distorcida por parte das pessoas, que tendem a focar em aspectos negativos e informações sensacionalistas, muitas vezes sem interesse pela verdade factual, conforme documentado em diversas pesquisas.

Incoerentemente, quanto mais acumulo e disponibilidade de tecnologia, quanto mais conectadas as pessoas estão, mais solitárias e vazias se encontram. Nessa perspectiva, conceitos e valores como família, solidariedade, espiritualidade, dedicação, abnegação são deixados em segundo plano e deliberada ou inconscientemente deturpados, numa busca frenética de auto justificação a uma nova postura que já foi adotada ou pretende ser.

Nesse contexto é real a discussão e afirmação de que o homem é um ser social e portanto, não deveria viver isolado, resultado do excessivo uso das novas tecnologias e preso conscientemente ao mundo, alienado das questões do mundo real e condicionado ao isolamento, ambiente e espaço criado por ele mesmo.

É o ambiente global com sus facetas influenciando diretamente a vida das pessoas, desde as condições de saúde, bem-estar ou comportamento como bem afirma a psicologia e Behaviorismo.

Na psicologia, o termo se relaciona com as teorias de aprendizagem do condicionamento clássico (Ivan Pavlov) e condicionamento operante (B.F. Skinner). Ambas as teorias explicam como os comportamentos são moldados por associações entre eventos ambientais e respostas comportamentais, através de estímulos, reforços e punições.

No condicionamento clássico envolve a criação de uma resposta automática a um novo estímulo por meio de associações repetidas. Já o condicionamento operante concentra-se em como as consequências do comportamento (reforço ou punição) aumentam ou diminuem a probabilidade de esse comportamento se repetir. Nesse contexto, o condicionamento ambiental refere-se a como o ambiente, através de suas influências externas, molda o comportamento individual.

Outra interpretação comum refere-se à Teoria Ambientalista criada por Florence Nightingale, pioneira da enfermagem moderna. Sua teoria tinha como foco o meio ambiente, defendendo que todas as condições do entorno (higiene, ventilação, iluminação, temperatura) podem influenciar o processo de saúde, doença e recuperação dos pacientes.

Com o passar dos tempos, este conceito se expandiu para outras áreas, e em síntese, a teoria do condicionamento ambiental pode se referir a como os fatores externos, sejam eles estímulos de aprendizagem ou condições físicas do entorno podem influenciar a vida, o desenvolvimento e o comportamento dos organismos.


Fonte: 

A realidade do mundo de hoje. Edgar Stoever. https://pt.linkedin.com/pulse/realidade-do-mundo-de-hoje-edgar-stoever.

https://www.google.com/search?q=teoria+do+concionamento&rlz=1C1GCEU_pt-BRBR1161BR1183&oq=teoria+do+concionamento&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOdIBCTkxMTNqMGoxNagCCLACAfEFjjwauR4_RRo&sourceid=chrome&ie=UTF-8