sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Ciclos Econômicos em Rondônia I

Ciclo do Ouro – século XVIII
Como já vimos nos capítulos anteriores, a ocupação humana das terras do atual Estado de Rondônia teve início no século XVIII com a descoberta de grandes jazidas de ouro, por Pascoal Moreira Cabral, no rio Coxipó-Mirim, afluente do rio Cuiabá, em 1718. No ano de 1721 chegam àquela região os primeiros sertanistas, oriundos de São Paulo. Em 1722, outra grande jazida é descoberta na mesma área, por Miguel Subtil, que, somente em um mês, produziu dezesseis toneladas de ouro. Começava o Ciclo de Ouro na região.
Seguiu-se assim o povoamento dos sertões dos Parecis, e os vales do Guaporé e do Madeira. Diante do fator econômico eminente, a coroa portuguesa passou a investir em toda a região enviando expedições exploradoras, cuja finalidade era extrair o ouro que se mostrava abundante. O Ciclo do Ouro impulsionava sertanistas e faiscadores para o interior. Isso culminou com a descoberta de outro grande manancial aurífero por Antônio Almeida de Morais e Tristão da Cunha Gago, em 1745, no rio Corumbiara.
A preocupação do governo de Portugal com a zona fronteiriça aos domínios espanhóis, aliados á exploração e á comercialização de ouro, levou-o a criar, em 08 de maio de 1748, a capitania de Mato Grosso, tendo sido seu primeiro governador o capitão-general D. Antônio Rolim de Moura Tavares.
Por ordem de Portugal, a sede da nova capitania deveria ser fixada no vale do Guaporé, estrategicamente escolhido por facilitar a proteção nos domínios portugueses contra o avanço militar espanhol. Assim, na localidade de Pouso Alegre, D. Antônio Rolim de Moura Tavares fundou e instalou, a 19 de março de 1752, Vila Bela da Santíssima Trindade de Mato Grosso, que passou a funcionar como capital da capitania de Mato Grosso.
Em 1757, o juiz de fora Teotônio da Silva Gusmão fundou o arraial de Nossa Senhora da Boa Viagem, ás margens da Cachoeira de Salto Grande, no rio Madeira, posteriormente denominada Cachoeira do Teotônio, em sua homenagem. No ano de 1768, o capitão-general Luiz Pinto de Souza Coutinho, nomeado governador da capitania de Mato Grosso, fundou o vilarejo do Balsemão, entre as cachoeiras do Ribeiro e do Jirau, no rio Madeira, onde construiu casas, igreja e deixou cerca de duas centenas de pessoas.
Assim, podemos analisar que a ocupação humana da área geográfica que constitui o Estado de Rondônia, do início do século XVIII até meados do século XX, foi estimulada por ciclos naturais de extração mineral, em particular o ciclo do ouro, que inclusive propiciou a construção do Real Forte Príncipe da Beira.

Primeiro Ciclo da Borracha

As grandes descobertas cientificas no decorrer do século XIX, possibilitou a utilização da borracha particularmente após os estudos realizados em 1839 pelo cientista Charles Goodyear, que desenvolveu o processo de mais resistência do produto e em 1842, com Thomas Hancook que descobriu o processo de vulcanização. Através desse processo a resistência e a elasticidade da borracha foram sensivelmente aprimoradas.
A vulcanização possibilitou a ampliação dos usos da borracha, que logo seria utilizada como matéria-prima na produção de correias, mangueiras e sapatos. A região amazônica, uma das maiores produtoras de látex, aproveitou do aumento transformando-se no maior polo de extração e exportação de látex do mundo. No curto período de três décadas, entre 1830 e 1860, a exportação do látex amazônico foi de 156 para 2673 toneladas.
Vários fatores contribuíram a partir da década de 1850, para o aumento da demanda da extração do látex] na Amazônia e a sua comercialização no mercado internacional, entre os quais: a internacionalização da navegação pelo Rio Amazonas. Nesse contexto, a região tornou-se polo atrativo, principalmente para os nordestinos, que migraram para a Amazônia em busca de trabalho na extração do produto.
A grande e sistemática exploração da borracha possibilitou um rápido desenvolvimento econômico da região amazônica, representado principalmente pelo desenvolvimento da cidade de Belém. Este centro urbano representou a riqueza obtida pela exploração da seringa e abrigou um suntuoso projeto arquitetônico profundamente inspirado nas referências estéticas da Europa. Posteriormente, atingindo a cidade de Manaus. Essas transformações marcaram a chamada belle époque amazônica.
Com a elevada comercialização do látex na região dos rios Madeira, Mamoré e Guaporé, o governo brasileiro promoveu a integração dessa região com o resto do País, fazendo surgir, em 1907, a Comissão Rondon que integrou a região através da construção das linhas telegráficas. O movimento pelos rios da região de Rondônia sustentou o mercado internacional até o surgimento da produção dos seringais da Malásia, plantados com sementes que fora levada do Brasil de forma ilegal.
Entre os anos de 1910 e 1914, termina o primeiro ciclo da borracha. No entanto, o látex continua sendo extraído em menor escala até a segunda guerra mundial. Durante todo este ciclo econômico a característica peculiar foi o processo de migração de forma desordenada, onde principal fomento foi a necessidade de fuga dos nordestinos da seca e da fome que atingiam aquela região naquele momento.

Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

Localizada no atual Estado de Rondônia, a Estrada de Ferro Madeira Mamoré foi construída com o intuito de ligar Santo Antônio, então um pequeno povoado, a Guajará-Mirim, na divisa da Bolívia, e, com isso, facilitar o comércio deste país através do rio Amazonas e de lá para o Atlântico. Por cerca de 400 quilômetros, a linha férrea acompanhava os rios Madeira e Mamoré, inavegáveis devido às vinte cachoeiras.
Até a ocorrência da guerra do Paraguai, em 1866, não havia grandes necessidades de escoar produtos pelo Madeira, pois se utilizava a Bacia do Prata. Com a guerra esta opção se tornou inviável, surgindo então a necessidade de encontrar novas rotas. Em 1870, o Brasil e a Bolívia celebram o tratado diplomático e comercial, para construírem uma ferrovia no trecho das cachoeiras dos rios madeira e Mamoré, iniciando as obras em 1872 com a construtora Public Works, contratada para realizar a obra, abandonando já no ano seguinte (SILVA, 1997).
O Tratado de Petrópolis assinado entre Brasil e Bolívia em 1903, onde houve a incorporação do Acre ao Brasil, coube ao governo brasileiro além da indenização de dois milhões de libras esterlinas a construção da ferrovia que viabilizaria o escoamento dos produtos do centro-oeste boliviano para o atlântico.
Após várias tentativas frustradas de construção da ferrovia, em 1907, empresa May, Jekyll & Randolph assume os trabalhos e os conclui em 1912. O povoado de Porto Velho surgiu a partir da retomada da construção da estrada de ferro Madeira Mamoré em 1907, já em 1913 criava-se a Vila de Porto Velho e posteriormente em 1914 foi criado o Município de Porto velho, também em 1912 com a conclusão do último trecho da ferrovia surge o povoado de Guajará Mirim na outra extremidade da ferrovia.
Os tempos áureos da ferrovia foram curtos, visto que dois anos depois da inauguração a ferrovia passou a trabalhar com déficit em função da queda de preço da borracha, ocasionada pela sua desvalorização no mercado internacional. No entanto, contextualizou um novo ciclo econômico marcado por um processo de migração de mão-de-obra de várias nações.

Linhas Telegráficas

Em 1909 Rondon chegava às beiras do rio Madeira, em Santo Antônio após atravessar uma extensão de 1415 quilômetros desde Tapirapoã, em Mato Grosso abrindo picadas para trazer a linha telegráfica pontilhada de pequenos núcleos de povoação que prosperaram e mais tarde se transformaram em municípios, a partir da abertura da BR-364.
Em 1915, tem-se, de fato, a inauguração da linha telegráfica unindo Cuiabá ao então Município de Porto velho, nessa época, o telegrafo a fio já era obsoleto, entretanto, a instalação de postos telegráficos deu origem a cidade de Vilhena e contribui para o desenvolvimento de outras como Pimenta Bueno, Ji-Paraná, Jaru, Ariquemes, que atualmente são municípios do Estado de Rondônia.
Entre 1910 – 1940 Rondon, serviu-se de mão-de-obra de migrantes do sul do país. Esses trabalhadores juntamente com os demais migrantes atraídos pelo avanço da construção da linha telegráfica, foram aos poucos se fixando ao longo do traçado, formando pequenos povoamentos, principalmente nos postos telegráficos que ofereciam melhores condições de infraestrutura e comunicação com os demais locais.
As clareiras abertas pela expedição Rondon contribuíram para a migração e povoamento da região e seu desenvolvimento econômico (CIM, 2002; MEDEIROS, 2004). A construção das Linhas telegráficas concomitante com a reconstrução da estrada de ferro, inicia um ciclo econômico, desta vez, direcionado para o restante do Estado onde passam a surgir outros povoamentos que não os povoados relacionados a ferrovia.

O segundo ciclo da Borracha

A segunda guerra mundial propicia um novo impulso a exploração da borracha na Amazônia, uma vez que os seringais ingleses situados na Malásia foram ocupados pelas tropas Japonesas que faziam parte dos países do eixo, causando uma situação muito desconfortável para a Inglaterra que estava em Guerra com a Alemanha e demandava a produção de borracha para a fabricação dos equipamentos bélicos extremamente necessários naquela ocasião.
Destaca-se nesse momento, em decorrência da segunda guerra mundial, os acordos de Washington, em 1942, que incluía a compra de toda a produção de borracha. Para dar cumprimento ao referido acordo o governo brasileiro recrutou mais 22 mil homens nordestinos, convocados como “Soldados da Borracha”, uma saída para os problemas da seca e da fome no nordeste brasileiro.
O segundo ciclo da borracha foi bem mais curto que o primeiro, pois iniciou com a guerra e findou também com ela, embora Rondônia o tenha mantido até a década de 1960. O acontecimento de maior relevância nesse período para a região foi a criação do Território Federal do Guaporé, a elevação de Porto velho a categoria de capital, como também um grande número de obras recebidas entre 1943 e 1950, como escolas, centro político-administrativo, aeroporto, hotel, dentre outras.
Novamente Rondônia vive um ciclo econômico que tem como principal causa de migração a mão-de-obra barata para atender as necessidades de produção de borracha estabelecida no acordo firmado com os Estados Unidos da América.

A Cassiterita

Aproximadamente 7,5% das reservas mundiais de estanho contido estão no Brasil. As reservas brasileiras localizam-se em sua maior parte na região amazônica: província mineral do Mapuera, no Amazonas (mina do Pitinga) e na Província Estanífera de Rondônia (Bom Futuro, Santa Bárbara, Massangana e Cachoeirinha). A descoberta de minério de estanho (cassiterita) em Rondônia, a descoberta do minério de estanho (cassiterita) ocorreu na década de 1950, em um afluente do rio Machadinho, região de influência de Ariquemes.
No primeiro momento da garimpagem da cassiterita, o processo de extração se deu de forma clandestina. Iniciou em 1959, mas o período áureo da garimpagem manual ocorreu entre 1968 a 1972, com a vinda garimpeiros de todo o país motivados pela fartura do minério na região. Expandiu-se para outros locais ao longo estado, sempre em grande quantidade levando o Estado a obter a maior produção do minério no país, nos anos 1980.
No período entre os anos 1958 e 1970, toda a economia de Rondônia se desenvolveu em decorrência da exploração da cassiterita.  Com a proibição em 31 de março de 1971, da garimpagem manual, sob a alegação de que o garimpo tinha um percentual de aproveitamento reduzido e inviabilizava a exploração complementar mecanizada. Embasava-se na alegação de que a exploração mecanizada era economicamente mais rentável.
A medida, na prática, serviu para remover os garimpeiros para fora de Rondônia, e privilegiou um reduzido número de empresas de grande porte, predominantemente multinacionais, o que, ironicamente, encerrou o Ciclo da Cassiterita, já que deixaram de circular riquezas locais e o resultado econômico da exploração passou a ser aplicado fora do Território.
Entretanto, a exploração mecanizada do minério significou o primeiro impulso industrial no Estado de e Rondônia que chegou a representar 67,43% da produção nacional. No entanto, o mineral era exportado na forma bruta, sem qualquer beneficiamento industrial, além de se constituir num setor oligopolizado gerando a limitação de emprego e de renda na região.

A BR-364 e a Colonização
Em 1956, foi criado o 5º BEC, que no ano seguinte já iniciava os trabalhos de complementação da estrada, anteriormente denominada BR-29, que vinha a ser concluída em 1966 e agora denominada BR-364, mais tarde vindo a ser conhecida como Rodovia Marechal Rondon, tendo seu movimento intensificado na década de 1970 (SILVA, 1997).
O ciclo da agricultura obtém uma série de benefícios dos agregados populacionais de todos os momentos econômicos anteriores levando Rondônia a projeções nacional e internacional com um Estado produtor da região norte do país dinamizado pelos investimentos do governo federal em projetos de colonização. A ação governamental de implementação de infraestrutura básica para os assentados a partir da proposta militar de “integrar para não entregar”, promove no período de 1970 a 1978, um grande crescimento populacional e o surgimento dos principais municípios as margens da BR-364.
De acordo com Bassegio e Perdigão (1992), apesar de o PIC ter Sido extinto em 1975, o governo federal deu continuidade a sua política de colonização através de outros Projetos de Assentamentos, que mesmo com menor intensidade perduraram até o ano de 1988. O Ciclo da Agricultura em pouco mais de uma década, proporcionou ao Território Federal de Rondônia as condições econômicas, sociais e políticas necessárias para que fosse transformado na 23ª Unidade Federada brasileira.

O Ouro do Rio Madeira
Como já estudamos, a extração do ouro na historia do Estado de Rondônia existe desde o século XVII, no entanto, uma nova grande corrida ganha força em 1978, dessa vez no vale do rio Madeira. Na década de 1980 Rondônia vive o seu apogeu na extração desse precioso minério, sendo que dez anos depois, na década de noventa, começa o seu declínio. Nesse período, ouro e a Cassiterita representavam os principais produtos na economia do Estado.
Da mesma forma, motivavam a vinda de um grande contingente de migrantes e garimpeiros de todo o país. Apesar da grande produção de ouro ao longo do leito do rio Madeira, que chegou a cerca de 8.000 toneladas em 1987, seus reflexos em benefícios sociais foram praticamente nulos. Quando começa a entrar em declino, na década de 1990, o que se verificou foi uma exploração predatória e de alto impacto ambiental para a região.
Restou, para a população, além dos aspectos sociais negativos, poluição ambiental, contaminação do lençol freático e dos peixes, enormes erosões do leito e das margens dos rios, destruição ambiental, poluição por óleo combustível, rejeitos lançados nas águas, equipamentos abandonados e sedimentação do canal navegável, violência no seu mais amplo sentido.

Sistema Energético – Usina Hidrelétrica de Samuel
A construção das Usinas Hidrelétricas de Samuel começou em março de 1982. Paradas sucessivas durante a construção, em decorrência das restrições orçamentárias, indubitavelmente, aumentaram os custos reais. A primeira turbina foi instalada em 24 de julho de 1989 e a última no dia 02 de agosto de 1996.
A construção da Usina Hidrelétrica de Samuel, trouxe para região de Porto Velho uma necessidade de mão-de-obra para a sua construção que mais uma vez trouxe migrantes de os cantos do país. A vinda de migrantes para a região levou a necessidade de outros investimentos, como foi o caso das construções habitacionais.
Mais uma vez, após a passagem de um ciclo econômico marca a existência de um processo de transformação geográfico e econômico do Estado voltado às políticas públicas sempre voltadas para as necessidades alheias a região, sem os resultados de crescimento esperado. Sem os resultados positivos esperados a lista de degradação socioambiental, agravada por uma crise econômica e social, mais uma vez é extensa.
A visão do governo militar na construção do empreendimento hidrelétrico de Samuel, no rio Jamari, em Rondônia, evidenciou a falta de preocupação com um desenvolvimento sustentável, onde fosse possibilitado a região condições mínimas para a manutenção do crescimento e do desenvolvimento regional.

Complexo Hidrelétrico do rio Madeira
O novo ciclo econômico do estado de Rondônia atraiu aproximadamente 80 mil pessoas, atraídas por vagas nos complexos hidrelétricos do Rio Madeira: Jirau e Santo Antônio. As Usinas Hidrelétricas do Rio Madeira terão a capacidade de gerar até 6.450MW de energia. A barragem da Usina de Santo Antônio está localizada a 10km da cidade de Porto Velho, enquanto a da Usina de Jirau encontra-se localizada a 136km de Porto Velho.
Nas áreas onde os reservatórios foram construídos pelas usinas residem aproximadamente 2.849 pessoas, onde 1.087 pessoas estão localizadas na área de Jirau e 1.762 pessoas na área de Santo Antônio. As áreas urbanas afetadas são Mutum-Paraná, os povoados Amazonas e de Teotônio e parte de Jaci-Paraná. A população local atingida tem suas as atividades econômicas baseadas na pesca, pecuária e no garimpo.

Com a construção de dois empreendimentos hidrelétricos um novo ciclo se consolida na cidade de Porto Velho. A construção de hidrelétricas na Amazônia chama mais a atenção pelos problemas sociais e ambientais envolvidos do que pelas vantagens relativas que esses empreendimentos podem trazer para a sociedade local.

Os ciclos econômicos em Rondônia

Rondônia tem seu desenvolvimento marcado por várias atividades econômicas que denominada historicamente de ciclos econômicos. Esses ciclos distintos determinaram características especificas de crescimento em épocas também muito distintas, seguidas por novas crises em sua sustentabilidade econômica. São crises, em sua grande maioria gerada por políticas publica alheia a realidade do Estado, tais como a briga por terras no sul do país e a fuga da seca e da fome no Nordeste brasileiro. Os principais ciclos econômicos foram:

   Fonte: Rocha, Gilberto de Miranda; Brito Sandra de Oliveira: 2013.


O quadro acima nos mostra os três grandes ciclos que contribuíram para o desenvolvimento do estado. Outros também merecem destaque, como veremos em seguida. No entanto, também ressaltamos um 4º ciclo que teve inicio com a construção do Complexo Hidrelétrico Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Projetos de Colonização em Rondônia

O processo histórico de ocupação da área hoje denominada estado de Rondônia remonta o período colonial, onde nos fins do século XVII se encontravam algumas missões jesuíticas e em princípios do século XVIII. Quando se descobriu ouro na região de Cuiabá, despertando a atenção dos portugueses, iniciando a penetração de bandeiras pelo vale do Guaporé. No século XVIII, a região recebeu uma leva de colonizadores em busca de suas jazias de ouro, surgindo daí os primeiros núcleos habitacionais, como Pouso Alegre e Casa Redonda.
As picadas abertas por Rondon, fez com que povoadores originários de Mato Grosso, na década de 1920 e 1940 se fixassem nos aglomerados existentes Pimenta Bueno e Vilhena, originários dos postos telégrafos. Mais tarde, diante da queda do preço da borracha no comércio mundial, uma forma de evitar o exodo rural e, mesmo timidamente desenvolver a agricultura, foi a criação de colônias agrícolas pelo governo do território.
Nesse momento, além da colônia do IATA, em Guajará Mirim, foram criadas nas proximidades de Porto Velho, em 948 a colônia de Candeias, a NIPO-BRASILEIA e a treze de setembro, em 1954, e a Paulo Leal em 1959. Entre a capital do território, Porto Velho e a vila de Calama e surgiu espontaneamente a colina agrícola do BEIRADÃO.
Dentre as colônias existentes até o final da década de 1960, além das já citadas, havia ainda: Areia Branca, próxima à cidade de Porto Velho; a de Periquitos, entre Iata e Abunã. De modo geral, os migrantes plantavam arroz, milho, feijão e mandioca para a fabricação de farinha com a produção desses adquirida por intermediários que forneciam a sacaria e era vendida nas feiras de Porto Velho e Guajará-Mirim.
A partir de 1970 as nomenclaturas adotadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA para os projetos de colonização em Rondônia foram: Projetos Integrados de Colonização – PIC e Projetos de Assentamentos Dirigido – PAD. No Projeto Integrado de Colonização, o Governo Federal através do INCRA assume a responsabilidade da distribuição de lotes, de organização territorial, e de instalação da infraestrutura de apoio aos colonos.
No segundo momento, para os Projeto de Assentamento Dirigido, o beneficiário da distribuição de terra, sendo de alguma forma, mais especializado, tinha acesso a outros recursos que o anterior não contava, como o crédito bancário. Assim, o primeiro projeto era eminentemente destinado ao camponês e o segundo estava direcionado ao profissional liberal. Outra diferença que marca os dois tipos de assentamento era o tamanho da área:
  • Projeto Integrado de Colonização – PICs: o lote contava com uma área de 100 hectares;
  • Projetos de Assentamento Dirigido – PAD:  os lotes com áreas de 250, 500 e 1000 ha.

CUNHA, Eliaquim Timotéo da; MOSER, Lilian Maria. OS PROJETOS DE COLONIZAÇÃO EM RONDÔNIA. Revista Labirinto – Ano X, nº 14 – dezembro de 2010. http://www.periodicos.unir.br/index.php/LABIRINTO/article/viewFile/938/922.

Complexo rodoviário do Estado de Rondônia

Rodovias Federais

As Rodovias Federais no Estado de Rondônia são 07 (Sete), sendo: 01 (Uma) longitudinal: BR-174/RO (Vilhena/RO), 02 (Duas) diagonais: BR-364/RO (Cortando todo Estado) e BR-319/RO (Porto Velho/RO) e as outras 04 (Quatro) de ligação: BR-435/RO (Vilhena/RO), BR-429/RO (Presidente Médici/RO), BR-421/RO (Ariquemes/RO) e BR-425/RO (Porto Velho/RO).
A principal rodovia é a BR-364/RO, que corta todo o Estado, ligando o Sul e Norte do País, com 1.091,70 quilômetros de extensão toda pavimentada. As demais rodovias que conectam internamente os municípios.
  • BR-174/RO – com 65,70 quilômetros de extensão, liga Vilhena/RO à Divisa RO/MT, sentido Juína/MT.
  • BR-435/RO - com 160,00 quilômetros de extensão, liga à BR-364/RO à Pimenteiras/RO
  • BR-429/RO – com 343,50 quilômetros de extensão, liga à BR-364/RO (Pres. Médici) a Costa Marques/RO.
  • BR-421/RO – com 290,60 quilômetros de extensão, liga à BR-364/RO (Ariquemes) à BR-425/RO (Guajará Mirim/RO).
  • BR-421/RO - com 46,00 quilômetros de extensão, liga do Acesso à Buritis/RO à Campo Novo de Rondônia/RO.
  • BR-319/RO – com 64,60 quilômetros de extensão, liga à BR-364/RO (Porto Velho) à Divisa RO/AM, sentido Manaus/AM.
  • BR-425/RO – com 133,00 quilômetros de extensão, liga à BR-364/RO (Abunã/RO) a Guajará Mirim (Fronteira Brasil/Bolívia).


Rodovias Estaduais

A implantação das rodovias estaduais do estado de Rondônia foi iniciada na década de 1970. A primeira rodovia estadual (RO) foi aberta pela Colonizadora Itaporanga S/A, empresa particular, ligando a BR 364, próximo da cidade de Pimenta Bueno, a região onde formou se a cidade de Espigão d’Oeste. Quase que a totalidade das rodovias estaduais foi implantada por iniciativas oficiais.
Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2015, mostra o perfil das rodovias estaduais em Rondônia. A pesquisa avaliou 1.850 quilômetros de estradas, deste, 284 quilômetros receberam a classificação de ruim e péssimo. A CNT avalia toda malha federal pavimentada e os principais trechos das malhas estaduais também pavimentadas.

Nomenclatura das rodovias de Rondônia

A nomenclatura das rodovias estaduais de Rondônia são três números precedidos das letras "R" e "O", que correspondem à sigla do estado. As rodovias de Rondônia podem ser identificadas como: RO-xxx, onde x é o número da rodovia, conforme descrição abaixo:

RO-010 | RO-133 | RO-135 | RO-138 | RO-140 | RO-144 | RO-205 | RO-257 | RO-267 | RO-370 | RO-377 | RO-383 | RO-387 | RO-391 | RO-399 | RO-452 | RO-455 | RO-457 | RO-458 | RO-459 | RO-461 | RO-463 | RO-464 | RO-466 | RO-470 | RO-472 | RO-473 | RO-474 | RO-475 | RO-479 | RO-480 | RO-481 | RO-482 | RO-485 | RO-487 | RO-488 | RO-489 | RO-491 | RO-494 | RO-495 | RO-496 | RO-497 | Entre outros

BR 319 – interligando o Amazonas a todo o território nacional

A BR-319, no Estado de Rondônia tem uma extensão muito pequena, de 64,80 km. Inicia na divisa do AM/RO até o entroncamento da BR-364 em Porto Velho, conhecido como Trevo do Roque. Constitui a partir da Ponte sobre o Rio Madeira a importante função de interligar o Estado de Rondônia ao Estado do Amazonas, possibilitando, principalmente, que o Estado do Amazonas se interligue com os demais estados brasileiros através da BR-364.
Além dos fatores pertinentes a trafegabilidade de pessoas e veículos, a economia de forma geral será beneficiada significativamente, tanto pelos retornos econômicos decorrentes dos investimentos como pelas melhores condições e rapidez do transporte de cargas e das atividades socioeconômicas em geral.
Única ligação por terra entre Porto Velho e Manaus, a BR-319 é fruto do projeto de integração nacional promovido pelos governos militares nas décadas de 60 e 70. O projeto decorre da construção de rodovias em escala nacional e em incentivos à migração, cuja intenção do governo era possibilitar a ocupação da Amazônia de forma a garantir o controle estratégico sobre a região.
Neste contexto, a rodovia ligando Porto Velho/RO a Manaus/AM, foi construída entre os anos de 1968 e 1973. O asfaltamento da estrada foi concluído às pressas - chegaram a ser usadas coberturas de plástico para proteger o piso durante a época de chuvas, em que normalmente as obras são suspensas. Oficialmente sua inauguração aconteceu em 27 de março de 1976 no governo do presidente Ernesto Geisel.

O caminho da integração e do desenvolvimento – BR 364

Historicamente a economia de Rondônia enquanto unidade federada esteve sustentada por ciclos econômicos, como o da borracha e o da mineração ainda em sua fase de Território Federal do Guaporé, em 1943 e posteriormente, em 1956 como Território Federal de Rondônia. Nesse momento, as condições de infraestruturas, técnicas e políticas, não eram suficientes para promover o desenvolvimento que se esperava, deixando a região isolada em relação ao restante do país.
Somente no final dos anos 1940 tem início a construção da BR 29, mais tarde denominada como BR 364 ligando Cuiabá/MT a Porto Velho/RO. O trecho final foi concluído na década de 1960, no entanto a trafegabilidade regular só foi possível mesmo em 1968 com sua pavimentação concluída em 1984. A partir da BR 364, foi possível a ocupação da região noroeste do Brasil, assim como a nova configuração socioeconômica do Estado de Rondônia.
Uma nova dinâmica econômica, social, política e populacional inicia-se em torno do grandioso feito que estava intrinsicamente ligado a estratégia geopolítica adotada pelos governos militares que massificavam o lema ““integrar para não entregar” e “a ocupação dos vazios demográficos” particularmente em relação a região amazônica brasileira.
Nesse contexto, a política adotada para Rondônia consistia na abertura de rodovias, incentivo à migração com distribuição de terras através da colonização dirigida e dos assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, propiciando a expansão das fronteiras agrícolas, ao mesmo tempo em que se tentava minimizar as graves tensões sociais, especialmente por terras, verificadas nas demais regiões do país.
No ato inaugural a Rodovia BR-364/RO, teve seu momento de ápice, inclusive recebendo o nome de Rodovia Marechal Rondon, em homenagem ao grande desbravador da Região Norte o Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, executor da construção da Linha Telegráfica Cuiabá – Porto Velho, que serviu de inspiração e impulso para construção da Rodovia BR-364/RO.

Contexto rodoviário amazônico

A Amazônia brasileira, com quase 5.000.000 km² de área, é uma vasta e rica região a ser, ainda, plenamente incorporada à economia nacional. Considerada a mais importante reserva biológica do mundo, com mercado mundial de produtos naturais em franca expansão, é fundamental encontrar meios de aproveitamento racional desses recursos. A exploração otimizada das riquezas naturais da floresta amazônica será, decerto, o meio mais seguro de se evitar as ocupações desordenadas de áreas cada vez maiores, com consequentes danos ao meio ambiente natural.
Neste vasto cenário, o sistema rodoviário é ainda incipiente, embora várias capitais da Amazônia como Belém, Porto Velho e Rio Branco estejam ligadas às outras regiões do país por meio de rodovias asfaltadas. As principais vias da malha federal são:
• Rodovia Belém/Brasília (BR-158, BR-226, BR-010, BR-316). Rodovia de integração nacional, parte do Sistema Pan-americano de Rodovias, no trecho Buenos Aires/Assunção/Belém;
• Rodovia Cuiabá/Porto Velho/Rio Branco/Boqueirão da Esperança (fronteira com o Peru) – BR-364. Estrada pioneira, principal responsável pela ocupação do Sudoeste Amazônico, na fronteira oeste do Brasil com a Bolívia e o Peru;
• Rodovia Transamazônica (BR-230) – Parte do Sistema Pan-americano de Rodovias, integra a rodovia Lima/Recife. Prevista para interligar o Brasil de Leste a Oeste, entre João Pessoa no estado da Paraíba e Benjamim Constant, no estado do Amazonas, na fronteira Brasil/Peru. Encontra-se, particularmente na porção amazônica, em péssimas condições, com alguns trechos já fechados ao tráfego;
• Rodovia Abunã/Guajará-Mirim (BR-425) no estado de Rondônia. Fundamental para a conjugação dos meios rodoviário e fluvial e para a integração das regiões amazônicas do Brasil e Bolívia. É parte da rodovia La Paz/Caracas, do Sistema Pan-Americano de Rodovias;
• Rodovia Manaus/Santa Elena – Venezuela (BR-174) – Também integra a rodovia La Paz/Caracas;
• Rodovia Porto Velho/Manaus (BR-319) – Também parte integrante da rodovia La Paz/ Caracas, do Sistema Pan-Americano de Rodovias, é fundamental para manter a conexão terrestre entre Manaus.
No que concerne aos governos estaduais, a rede rodoviária amazônica com 80.698 km, dos quais 7.326 km são asfaltados, correspondendo a 9,1%. As rodovias municipais totalizam 197.016 km, dos quais 908 km são pavimentados, representando apenas 0,5%.
A rede ferroviária regional é também incipiente e destinada, basicamente, ao escoamento da produção de minérios em diversas províncias produtoras. A maioria tem pequena extensão, sendo a de maior importância a Estrada de Ferro Carajás, com 1.005 km, interligando as minas de Serra dos Carajás ao terminal de Ponta da Madeira, em São Luís do Maranhão.
Dentre as demais, destacam-se ainda algumas pequenas ferrovias privadas que têm a mesma função principal de escoar a produção de minérios desde as minas onde são extraídos até os terminais de embarque, são elas:
• Estrada de Ferro Amapá, de propriedade da Indústria e Comércio de Minério S/A – ICOMI. Com 194 km de extensão, transporta minério de manganês entre as minas em Serra do Navio até o porto de Santana, no estado do Amapá;
• Estrada de Ferro Jari, com 81 km de extensão, construída para suprir de madeira a fábrica de celulose do Projeto Jari;
• Estrada de Ferro Mineração Rio do Norte, com 35 km de extensão, construída para escoar o minério de bauxita da região do Rio Trombetas até o porto de embarque.
Cabe registrar a existência de dois projetos de construção de ferrovias que poderão alterar significativamente as condições nas suas áreas de influência: o primeiro é a ferrovia Norte/Sul, com 1.600 km de extensão, interligando a Estrada de Ferro de Carajás, em Açailândia no estado do Maranhão, à malha ferroviária do Centro/Sul em Goiânia, no estado de Goiás, dos quais já foram inaugurados 107 km que ligam hoje Açailândia a Imperatriz.
O segundo projeto é o da ferrovia Ferronorte S/A, a ser executado pela iniciativa privada, e que pretende interligar Cuiabá (MT) ao Sudoeste goiano e ao Noroeste paulista, devendo também ser estendido a Santarém (PA) e a Porto Velho (RO) visando escoar a produção agropecuária para o Centro-Sul de maneira a integrar a economia rondoniense no chamado corredor Leste-Oeste tendo valor estratégico.
Por outro lado, Rondônia inclui-se no corredor de transportes do Centro-Oeste brasileiro, no Programa de Corredores de Transportes, instituído ainda durante o I Plano Nacional de Desenvolvimento. Este programa procura induzir a multimodalidade do transporte, visando maior eficiência no escoamento, principalmente, de grãos destinados à exportação.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Rondon e sua importância para a região

              O prolongamento até o Amazonas e o Acre das linhas telegráficas estendidas em Mato Grosso pela comissão Gomes Carneiro levou à região, no ano de 1906, o futuro Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. Sua ação desbravadora assegurou, através do telégrafo, a ligação da fronteira oeste com o resto do país.
Rondon, como ficou conhecido, é considerado um dos desbravadores do Brasil e reconhecido nacionalmente como o patrono das Comunicações. Foi o responsável pela instalação de 2.232 quilômetros de linhas telegráficas do Mato Grosso ao Estado do Amazonas.
              A empreitada de grande importância estratégica para o país foi dividida em três expedições. A primeira foi iniciada em setembro de 1907 e a última concluída em dezembro de 1909. Tendo como lema "morrer se preciso for matar nunca" Rondon e sua equipe enfrentaram os índios Nhambiquaras e os Baroro com extremo respeito e cuidado para não gerar grandes choques no contato entre as duas culturas. Outro fato que merece ser ressaltado na trajetória dessa grande personalidade foi a redescoberta do "Forte Príncipe da Beira", às margens do rio Guaporé, em Rondônia, em 1906.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

ESCOLA SUSTENTÁVEL

Conceito Geral: Em primeiro lugar, trata-se de um conceito sistêmico, ou seja, ele correlaciona e integra de forma organizada os aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade. A palavra-chave é continuidade — como essas vertentes podem se manter em equilíbrio ao longo do tempo.
“Desenvolvimento sustentável significa suprir as necessidades do presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprirem as próprias necessidades”.

ESCOLA SUSTENTÁVEL

Conceito Geral: Escolas sustentáveis são definidas como aquelas que mantêm relação equilibrada com o meio ambiente e compensam seus impactos com o desenvolvimento de tecnologias apropriadas, de modo a garantir qualidade de vida às presentes e futuras gerações. Esses espaços têm a intencionalidade de educar pelo exemplo e irradiar sua influência para as comunidades nas quais se situam. A transição para a sustentabilidade nas escolas é promovida a partir de três dimensões inter-relacionadas: espaço físico, gestão e currículo.

· Espaço físico: utilização de materiais construtivos mais adaptados às condições locais e de um desenho arquitetônico que permita a criação de edificações dotadas de conforto térmico e acústico, que garantam acessibilidade, gestão eficiente da água e da energia, saneamento e destinação adequada de resíduos. Esses locais possuem áreas propícias à convivência da comunidade escolar, estimulam a segurança alimentar e nutricional, favorecem a mobilidade sustentável e respeitam o patrimônio cultural e os ecossistemas locais.

· Gestão: compartilhamento do planejamento e das decisões que dizem respeito ao destino e à rotina da escola, buscando aprofundar o contato entre a comunidade escolar e o seu entorno, respeitando os direitos humanos e valorizando a diversidade cultural, étnico-racial e de gênero existente.

· Currículo: inclusão de conhecimentos, saberes e práticas sustentáveis no Projeto Político-Pedagógico das instituições de ensino e em seu cotidiano a partir de uma abordagem que seja contextualizada na realidade local e estabeleça nexos e vínculos com a sociedade global.

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

A base do pensamento do Ocidente teve na Antiga Grécia o seu mais destacado marco, não obstante, o Oriente Próximo (Oriente Médio) também tivesse deixado sua marca indelével através da tradição religiosa judaico-cristã. Se buscar as raízes mais profundas do racionalismo, uma pedra angular da filosofia, e do experimentalismo técnico-científico, há de se encontrá-los na Grécia Clássica.
A civilização grega teve a peculiaridade de reunir em seu restrito território e em curto lapso temporal o que possuía de melhor e de mais elaborado no campo do pensamento e das ciências aplicadas dos mais diversos ramos, como matemática, arquitetura, escultura, construção naval etc.
A singularidade da localização geográfica grega no Mediterrâneo entre Europa, África, Ásia, aliada ao livre modo de interpretar o mundo foi o fundamento ímpar, da originalidade única das diversas maneiras de conceber o universo.
Os gregos, ao contrário, de outros povos da Antiguidade não estavam sujeitos aos conceitos opressores e terrificantes da religiosidade sufocantes, antes sim, seus deuses eram concebidos à imagem e semelhança dos homens diferentemente do Egito, da Mesopotâmia e do Judaísmo. Dialeticamente o livre pensar favoreceu a prática democrática no mundo grego, e vice-versa.
Os pré-socráticos são a demonstração cabal de algo diferente na história do pensamento e o avanço com Sócrates, Platão e Aristóteles, deixando o legado inestimável em pleno século XXI. A criação do liceu, da academia, das escolas dos estóicos, pitagóricos e outros iniciados são bases de um sistema educacional que deitam suas raízes ao mundo helênico, romano, medieval e dos tempos modernos. O ideário da Paidéia, a formação integral do cidadão grego, tão bem estudado por Werner Jaeger continua sendo o sistema educacional contemporâneo dentro de um mundo cibernético e digital.
A figura do pedagogo; isto é “aquele que conduz a criança”, segundo a tradução do grego, tornou-se um elemento fundamental no processo educacional para a elite dominante do mundo romano, cujos filhos eram preferencialmente educados pelos escravos cultos de origem grega. A classe patrícia da república e do império romano confiavam nos preceptores gregos para tornar seus filhos equipados com o que estava em voga no mundo de então, uma vez que mesmo a Grécia dominada por Roma militarmente, era por aquela dominada culturalmente.
No mundo romano nunca se criou um sistema educacional sistematizado, pois o que se buscava era a formação para o debate no senado ou nas assembleias populares através da retórica, dialética, silogismo e da oratória.
Durante a Idade Média no reino de Carlos Magno criou-se um embrião de futuros centros de ensinos, por meio da escola palatina, para a qual foram contratados professores e sábios de outros reinos da Europa, ainda que o próprio rei franco fosse analfabeto.
Observa-se que durante a Antiguidade Clássica e Idade Média a educação estava antes voltada ao atendimento das necessidades imediatas das classes sociais dirigentes, sem qualquer preocupação para  a incorporação de elementos das classes subalternas à  educação como prática regular e oficial de uma elite dominante.
Na Baixa Idade Média, ou seja, a partir do século XI o Ocidente europeu passou a conhecer as universidades como Salamanca, Bolonha, Oxford, Paris e outras que se destacaram como notáveis centros do saber e do conhecimento cientifico de então.
Entretanto, não se pode olvidar do importante papel prestado pela Igreja Católica ao se tornar depositária da clássica cultura greco-romana, conservando e reproduzindo os textos dos sábios da Antiguidade por meio do trabalho dos monges copistas, dado que livros impressos advêm apenas na transição do fim da Idade Média para o início da Idade Moderna. A escolástica foi o sistema educacional predominante na Idade Média para a formação de religiosos nos mosteiros de toda a Europa.
O método praticado no sistema de ensino escolástico privilegiava a memorização, sem possibilitar o estímulo à criatividade e a originalidade do educando. Assim, o sistema de ensino utilizado ao longo da Idade Média antes satisfazia aos interesses da instituição religiosa e estava no compasso do poder feudal predominante.
Com a expansão do capitalismo e a busca incessante por novos mercados nas colônias tornava-se necessário que os nascentes Estados Modernos tivessem a preocupação de não apenas fornecer um sistema educacional adequado para a nascente elite econômica, como também precisava abastecer a sua própria burocracia com quadros eficazes para atender as novas exigências político-administrativas.
Na própria Contra Reforma ou Reforma Católica, os Jesuítas criaram um sistema educacional com duplo propósito de tanto obstar o avanço do protestantismo como também melhorar o nível de aperfeiçoamento dos próprios membros da Companhia de Jesus, que quando na América atuaram de forma decisiva para o fortalecimento das duas monarquias ibéricas.
Com o processo de emancipação dos nascentes Estados Nacionais em meados do século XIX fazia-se necessário a organização político-administrativos e os novos grupos dirigentes, normalmente as oligarquias rurais e as burguesias urbanas criam escolas ainda tendo como padrão um sistema de ensino baseado nas escolas confessionais, ou jesuítas ou dominicanas, que se espalhavam por toda a América latina. Um sistema de ensino laico e de embasamento menos acadêmico e mais científico foi se firmando ao longo dos séculos XIX e XX
A própria Escola Nova está dentro do contexto das novas demandas de uma economia capitalista em expansão, exigente de profissionais qualificados para o atendimento das novas forças produtivas que em avanço permanente  partindo dos centros  econômicos dominantes, ou dos Estado Unidos, ou da Europa Ocidental atingindo à Ásia, África, América Latina e mesmo o Brasil.
Com a redemocratização no final dos anos 80, o Brasil incorporou milhões de estudantes em suas escolas possuidoras dos mais diversos níveis e estruturas, sejam do sistema privado ou oficial de ensino, mas todas de olhos voltados a uma economia de amplitude global, na qual a qualificação e o treinamento tornam-se ferramentas indispensáveis para os novos desafios.

A construção do objeto de pesquisa em educação

A pesquisa cientifica objetiva fundamentalmente contribuir para evolução do conhecimento humano em todos os saberes, sendo sistematicamente planejada e executada segundo critérios de processamento das informações. A pesquisa cientifica se caracteriza  se for realizada por objeto investigação planejada , desenvolvida e realizada conforma as normas metodológica intitulada pela ciência. Portanto os trabalhos de cunho científico de graduação e pós-graduação, para serem consideradas pesquisas  científicas, devem produzir ciência  ou dela derivar, ou acompanhar seu modelo de tratamento.
      A Era Moderna é considerada aquela marcada pelo triunfo do projeto novo de sociedade, capitaneado pela burguesia em suas diversas etapas, trazendo consigo uma visão científica, crítica, antropocêntrica e racional do universo, do homem e da sociedade.
A arma fundamental da burguesia é o controle econômico, que distancia em contrapartida, o controle das idéias e dos valores. A “modernidade da filosofia” consiste em propor, com relação ao mundo medieval novas categorias de apreensão da realidade e do homem em sociedade. De avançar no progresso tecnológico, a economia inglesa gera uma tradição filosófica capaz de qualificar a realidade material para dela se apropriar.
O problema do conhecimento marca a compreensão primária do Empirismo inglês século XVI, abrindo espaço para uma crítica do idealismo e do racionalismo francês. Tanto o racionalismo de Descartes, como o Empirismo inglês  acabou gerando uma grande influência sobre os ideólogos da revolução francesa.
O Iluminismo, movimento filosófico e cultural percussor da revolução francesa prega a supremacia da razão sobre tudo. A única forma de organizar a sociedade é adquirir novos conhecimentos sobre o mundo racional e empírico. A partir do Iluminismo é que surge o positivismo exacerbado as afirmações racionalistas e empíricas do Iluminismo, aplicando-as às ciências da natureza e do social.
O Iluminismo francês do século XVII, propõe em termos ideológicos, as principais categorias filosóficas da burguesia. Eles serão os formadores da ideologia e do consenso sobre um novo mundo burguês, racional e cientifico.
Desse modo, a filosofia pode ajudar a desenvolvermos uma sociedade articulada, com suas estruturas de pensar, agir, linguagem e valores estabelecidos. Somos personalidades sociais, constituídos como tais. O desenvolvimento da nossa consciência é o desenvolvimento de qualidades reflexivas sobre o exterior que nos é imediato.
       Para compreender o conjunto de relações sociais e histórica  A Era Moderna é considerada aquela marcada pelo triunfo do projeto novo de sociedade, capitaneado pela burguesia em suas diversas etapas, trazendo consigo uma visão científica, crítica, antropocêntrica e racional do universo, do homem e da sociedade.
do ser humano, Marx diz que o agir humano se faz de forma social e histórica produzindo não só o mundo dos bens materiais, mas também o próprio modo de ser do ser humano.
Através de sua atividade sobre os outros elementos da natureza no contexto de um conjunto de relações sociais, constrói bens para satisfazer suas necessidades. Ele é um feixe de necessidades, para satisfazê-las, age sobre o mundo exterior transformando criticamente, fazendo propriamente seu.                   Enquanto harmoniza a natureza pelo seu trabalho, humaniza-se a si mesmo.
E o homem só se realiza no outro, pelo outro e com o outro, mas ainda, no outro superior. A filosofia situa-se no todo, não tem limites e com isso deve ser a base para outras ciências particulares que se prendem aos objetos imediatos.
Portanto, a Epistemologia estuda o conhecimento sua origem, suas formas, e sua produção a partir das relações entre sujeito e objeto. O conhecimento, portanto, é o resultado também da verdade que pode ser subjetiva, objetiva, parcial e total. Com esses elementos a história é constituída pelo homem, pois o objeto sempre foi seu parceiro de estudo. A partir do momento em que o ser torna-se conhecido, necessitando assim do seu conhecedor, produz o conhecimento necessário a construção da história, da ciência. Tudo isto    ajudará, de imediato, a formação do novo Homem e do novo humanismo, mas não lhe será essencial. O essencial estará na atitude do Homem. Uma nova atitude que cumprirá, também sua função, como a que a antecedeu filosoficamente.
Entretanto, o extremismo em que  esquece a origem da filosofia, isto é, o homem, o indivíduo que se torna possível com todas suas pretensões e limitações. A filosofia confrontada à técnica entre outras coisas que oferece a realidade contemporânea. Isto é, a manipulação da natureza,  para dela fazer um instrumento a serviço do homem, uma técnica que pretenda ser cada vez mais precisa , de uma precisão que fez possível o domínio quase fantástico que o homem parecia alcançar sobre a natureza.
Capacidade de domínio que fez da ciência a que a teologia fez da filosofia na idade média , isto é, serva da técnica. Serva que se pretende estender a filosofia ao limitar-se a função da mesma à simples lógica. A uma lógica rigorosa precisa tal como deve ser a técnica capaz de construir os aparelhos dentro dos quais o homem se desloca da terra e pretende alcançar o domínio de novos mundos.
Em outras palavras, o homem, como cinicamente o descrevia Hobbes, continua sendo o lobo do homem . O mundo moderno continua dividido numa humanidade composta de pobres e ricos, de povos desenvolvidos e subdesenvolvidos e povos na plenitude do desenvolvimento. As grandes potências ameaçam entre si , mas são os povos débeis que sofrem  o impacto destas ameaças.
O homem ocidental toma consciência de sua desumanidade e de sua alienação, na medida em que o não ocidental afirma sua liberdade e humanidade. O mundo ocidental como tal não quer mudança, responde com violência à verdade como violência do mundo que ele avassalou. E o único projeto histórico coerente que um francês que é filosofo pode hoje apresentar é desejar a morte de nossa sociedade para que chegue a liberdade.

CIÊNCIA DA EDUCAÇÃO

Segundo o festejado historiador inglês Eric Hobsbaum (1982), o mundo contemporâneo é filho da dupla revolução; isto é, da Revolução Industrial Inglesa e da Revolução Francesa. Desta maneira, o século XXI recebe o legado direto desta impactante dupla revolução seja nas configurações e realinhamentos dos modelos de representação político-institucional das democracias liberais e da revolução tecnológica do âmbito da transformação dos processos produtivos de uma globalizada economia de mercado.
Ainda que no século XXI se viva apenas um momento passageiro do andamento histórico da humanidade não se deve descurar das instigantes conseqüências de um mundo em que o prevalecimento das estruturas tecnológicas envolve e dominam o ser humano. Paradoxalmente quanto mais o desenvolvimento das forças produtivas se torna mais complexas e sofisticadas, mais o ser humano torna-se subserviente à sua própria força criadora.
Na medida em que o avanço do saber científico se expande e se aprofunda na multiplicidade de saberes específicos, faz-se necessário a reflexão filosófica de maneira minuciosa e assertivas para se poder localizar e se situar no mundo de uma complexidade e instigante inovação tecnológica.
O pensador húngaro George Lukacs (   ), em meados do século XX na sua obra “Zerstoerung der Vernunft” (destruição da razão) notadamente salienta para estruturas produtivas cada vez mais racionais e objetivas com o objetivo do acúmulo do capital e concomitantemente na  super estrutura ideológica haveria uma crescente irracionalidade nos diversos campos do saber e da cultura além das próprias formas de diversão e lazer.
         Da mesma forma, George Lukacs (    ), antecedendo os próprios pensadores alemães da escola de Frankfurt tal como Adorno e Habermas já antevia os insofismáveis rumos que a era industrial produzia nas sociedades industrializadas e com domínio absoluto da tecnologia.
          O saber cientifico, jamais esteve desvinculado do poder político, seja na Antiguidade ou no mundo contemporâneo, uma vez que a ciência não se desvincula dos meandros do domínio político.
          Assim sendo, torna-se cada vez mais premente que sejam constituídos mecanismos de controle sobre os rumos que a ciência possa conduzir o mundo atual, sob pena de conseqüências imponderáveis, especialmente após o domínio da energia nuclear.
          A ciência nos seus multifacetários saberes precisa e deve estar atrelada no amplo processo de ensino-aprendisagem sob as condicionantes de permanente avaliação filosófica para se avaliar para onde está se rumando, ou seja, uma ciência que tenha efetivos compromissos com o desenvolvimento ético da própria humanidade.
          A ciência como aliança do sistema educacional é imprescindível, entretanto, os cuidados devem ser relevados, pois a sutileza do avanço tecnológico tem a tendência de camuflar, escamotear as verdadeiras intenções da tecnologia em sociedades de pouca representatividade popular nas instituições políticas.
          A América Latina, no pós Segunda Guerra Mundial se debateu nos estreitos dilemas maniqueístas da Guerra Fria que ainda assaltam os paises latino-americanos que procuram se livrar das estruturas do período colonial sem ainda obter uma autonomia político- administrativa dos grandes centros do poder.
           Ressalta-se, no entanto que no contexto geral do continente americano, a América Latina, apesar das dificuldades estruturais, ao menos está firmando sistemas político-representativos como fortalecimento das suas instituições na perspectiva de consolidar uma maior representatividade através de democracias liberais.
           O binômio Ciência e Educação, na verdade, é uma articulação permanente na qual os países em desenvolvimento devem manter com o máximo de zelo para garantir no futuro das próximas gerações as conquistas sociais até aqui obtidas.
          No entanto, trata-se de colocar à disposição do processo educativo os recursos da tecnologia moderna para que todos realmente tenham acesso ao processo educativo pleno, e de criar um novo ambiente que propicie oportunidades iguais para o educando e o educador. Nesse novo processo, o educador será a pessoa dotada de sabedoria prática, disposto a incentivar o novato na aventura educativa, de ao estimular suas expectativas e auxiliá-lo a libertar as suas forças críticas e criativas.
           Se a Filosofia é interrogação, questionamento radical e implacável, a golpe de martelo, como dizia NIETSCHE (   ), ela será sempre contestação daquilo que é, mas também contestação daquilo que poderá vir a ser. Portanto, a Filosofia da Educação deve levar-nos à procura das raízes do processo educativo como fato, mas também como ideal prático a ser por nós construídos. 

A CONSTRUÇÃO DO OBJETO DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO

A Era Moderna é considerada aquela marcada pelo triunfo do projeto novo de sociedade, capitaneado pela burguesia em suas diversas etapas, trazendo consigo uma visão científica, crítica, antropocêntrica e racional do universo, do homem e da sociedade. A arma fundamental da burguesia é o controle econômico, que distancia em contrapartida, o controle das idéias e dos valores.
A “modernidade da filosofia” consiste em propor, com relação ao mundo medieval, novas categorias de apreensão da realidade e do homem em sociedade. De avançar no progresso tecnológico, a economia inglesa gera uma tradição filosófica capaz de qualificar a realidade material para dela se apropriar.
O problema do conhecimento marca a compreensão primária do Empirismo inglês do século XVI, abrindo espaço para uma crítica do idealismo e do racionalismo francês. Tanto o racionalismo de Descartes, como o Empirismo inglês acabaram gerando uma grande influência sobre os ideólogos da revolução francesa.
O Iluminismo, movimento filosófico e cultural percussor da revolução francesa prega a supremacia da razão sobre tudo. A única forma de organizar a sociedade é adquirir novos conhecimentos sobre o mundo racional e empírico. A partir do Iluminismo é que surge o positivismo exacerbado as afirmações racionalistas e empíricas do Iluminismo, aplicando-as às ciências da natureza e do social.
O Iluminismo francês do século XVII propõe em termos ideológicos, as principais categorias filosóficas da burguesia. Eles serão os formadores da ideologia e do consenso sobre um novo mundo burguês, racional e cientifico.
Desse modo, a filosofia pode ajudar a desenvolvermos uma sociedade articulada, com suas estruturas de pensar, agir, linguagem e valores estabelecidos. Somos personalidades sociais, constituídos como tais. O desenvolvimento da nossa consciência é o desenvolvimento de qualidades reflexivas sobre o exterior que nos é imediato.
Para compreender o conjunto de relações sociais e histórica do ser humano, Marx diz que o agir humano se faz de forma social e histórica produzindo não só o mundo dos bens materiais, mas também o próprio modo de ser do ser humano.
Através de sua atividade sobre os outros elementos da natureza no contexto de um conjunto de relações sociais, constrói bens para satisfazer suas necessidades. Ele é um feixe de necessidades, para satisfazê-las, age sobre o mundo exterior transformando criticamente, fazendo propriamente seu. Enquanto harmoniza a natureza pelo seu trabalho, humaniza-se a si mesmo.
E o homem só se realiza no outro, pelo outro e com o outro, mas ainda, no outro superior. A filosofia situa-se no todo, não tem limites e com isso deve ser a base para outras ciências particulares que se prendem aos objetos imediatos.
Portanto, a Epistemologia estuda o conhecimento sua origem, suas formas, e sua produção a partir das relações entre sujeito e objeto. O conhecimento, portanto, é o resultado também da verdade que pode ser subjetiva, objetiva, parcial e total. Com esses elementos a história é constituída pelo homem, pois o objeto sempre foi seu parceiro de estudo. A partir do momento em que o ser torna-se conhecido, necessitando assim do seu conhecedor, produz o conhecimento necessário a construção da história, da ciência. Tudo isto ajudará, de imediato, a formação do novo Homem e do novo humanismo, mas não lhe será essencial. O essencial estará na atitude do Homem. Uma nova atitude que cumprirá também sua função, como a que a antecedeu filosoficamente.
Entretanto, o extremismo em que esquece a origem da filosofia, isto é, o homem, o indivíduo que se torna possível com todas suas pretensões e limitações. A filosofia confrontada à técnica entre outras coisas que oferece a realidade contemporânea. Isto é, a manipulação da natureza, para dela fazer um instrumento a serviço do homem, uma técnica que pretenda ser cada vez mais necessário, de uma precisão que fez possível o domínio quase fantástico que o homem parecia alcançar sobre a natureza. Capacidade de domínio que fez da ciência a que a teologia fez da filosofia na idade média, isto é, serva da técnica. Serva que se pretende estender a filosofia ao limitar-se a função da mesma à simples lógica. Uma lógica rigorosa precisa tal como deve ser a técnica capaz de construir os aparelhos dentro dos quais o homem se desloca da terra e pretende alcançar o domínio de novos mundos.
 Em outras palavras, o homem, como cinicamente o descrevia Hobbes (     ), continua sendo o lobo do homem. O mundo moderno continua dividido numa humanidade composta de pobres e ricos, de povos desenvolvidos e subdesenvolvidos e povos na plenitude do desenvolvimento. As grandes potências ameaçam entre si, mas são os povos débeis que sofrem o impacto destas ameaças.
No que se refere especificamente ao objeto de pesquisa em educação e seus limites é necessário considerar a visão geral da realidade e dos aspectos, tanto fenomenológico quanto ao momento em que ocorrem as transformações. O objeto, assim definido será tido como motivação para o desenvolvimento da pesquisa e sua delimitação, tanto no campo teórico como na pratica.